Ao longo de suas quatro décadas de história, os capítulos principais de Dragon Quest receberam inúmeros remakes, ports e relançamentos que muitas vezes alteraram de forma significativa a maneira como cada aventura é aproveitada. Pensando nisso, discutiremos neste artigo quais são as melhores versões de cada jogo da franquia, considerando fatores como acessibilidade, conteúdo adicional, fidelidade à proposta original e a qualidade da experiência oferecida nos dias atuais.
Trilogia Erdrick (Dragon Quest I, II e III)
Esta é uma escolha tranquila atualmente, já que as recentes releituras em HD-2D fizeram um trabalho excepcional ao modernizar as três primeiras aventuras, consolidando-se como a melhor forma de jogar a Trilogia Erdrick hoje. Além do visual impressionante, que combina sprites clássicos com cenários tridimensionais e belos efeitos de iluminação, houve também uma expansão significativa da narrativa, aprofundando antagonistas, raças do mundo e a conexão entre os três títulos (com destaque especial para os heróis de Dragon Quest II).
A trilogia atualizada conseguiu preservar grande parte das melhorias introduzidas em versões anteriores e ainda adicionar novos mapas, sistemas, personagens e habilidades, além de recursos que tornam a jornada mais acessível para que os originais excessivamente punitivos, como opções de dificuldade, marcador de objetivos e mapas detalhados. Mesmo com todas essas mudanças, o senso de aventura e descoberta característico das obras do final dos anos 1980 continua intacto.
Àqueles que buscam experienciar algo mais próximo dos clássicos e não tem acesso ao Nintendinho, as versões de Switch e dispositivos móveis são alternativas equilibradas e visualmente agradáveis. Já para quem não possui restrições de plataforma, as edições de Game Boy Color talvez não impressionam tanto quanto as de Super Nintendo no aspecto visual, mas compensam com sistemas mais ágeis, como atalhos para abertura de portas e outras interações.
Dragon Quest IV
Este quarto capítulo é bastante único por estruturar sua narrativa em cinco atos, apresentando os companheiros de maneira individual antes de reuni-los ao herói principal. Foi também o responsável por introduzir o sistema de inteligência artificial para os aliados, permitindo ao jogador controlar apenas o protagonista no capítulo final.
Além de um remake para PlayStation lançado exclusivamente no Japão, o título recebeu versões aprimoradas para Nintendo DS e dispositivos móveis. Essas releituras incorporam diversas conveniências modernas e adicionam um capítulo inédito focado em Psaro, o extraordinário antagonista da obra.
Como um dos grandes méritos de Dragon Quest IV está justamente na forte caracterização de seus protagonistas, a melhor forma de aproveitá-lo no momento atual acaba sendo nos celulares. Isso porque a localização ocidental da edição de DS removeu o sistema de Party Chat, mecânica responsável por excelentes diálogos opcionais entre os integrantes da equipe — recurso posteriormente restaurado na versão mobile.
Vale destacar que, para quem não tem problemas com jogos mais antigos e deseja conferir a experiência original, a versão de Nintendinho ainda impressiona e diverte bastante.
Dragon Quest V e Dragon Quest VI
Embora Dragon Quest V seja um game extraordinário e Dragon Quest VI também apresente muitos méritos, esses jogos não foram lançados no Ocidente em suas versões originais para Super Nintendo. O público ocidental só teve acesso a traduções oficiais com os relançamentos para Nintendo DS, mais de 15 anos depois, em 2009 e 2011, respectivamente.
No caso de Dragon Quest V, existe uma excelente versão de PlayStation 2 que, mais do que trazer gráficos totalmente em 3D e diversas melhorias de sistema em relação ao original do Super Nintendo, conta com trilha sonora orquestrada, tornando-se uma edição interessantíssima de conhecer. Lamentavelmente, ela também permaneceu restrita ao Japão.
Assim como ocorreu com Dragon Quest IV, ambos os títulos ganharam adaptações para dispositivos móveis. Felizmente, desta vez não houve o corte do Party Chat na edição de DS, o que faz com que justamente essas duas versões sejam, de maneira equivalente, as melhores formas de aproveitar os jogos atualmente. A principal diferença entre elas acaba ficando na conveniência: a mobile é mais acessivel em termos de mercado, enquanto a de DS oferece a vantagem dos controles físicos.
Dragon Quest VII
O sétimo capítulo é, sem dúvidas, o mais difícil de analisar dentro deste artigo. Isso porque o lançamento de Dragon Quest VII Reimagined, no início deste ano, trouxe uma releitura moderna de altíssimo nível, mas que abre mão de alguns conceitos clássicos, resultando em uma experiência bem menos desafiadora.
Nesse sentido, o remake recente altera o ritmo narrativo (considerado arrastado pelo público ocidental), atualiza os visuais para um dos estilos mais belos da franquia, elimina os encontros aleatórios e introduz um sistema que facilita a obtenção dos fragmentos essenciais para o avanço da campanha.
Em contrapartida, houve a remoção do inventário individualizado e da mecânica de morte fora dos combates, fazendo com que a exploração das masmorras perca boa parte do foco em gestão de recursos. Além disso, a nova versão exclui as classes de monstros presentes no original, algo que, embora não represente necessariamente uma grande perda, altera bastante a estrutura e a liberdade do sistema clássico.
Diante disso, o sétimo jogo acaba protagonizando uma situação curiosa e sem uma escolha definitiva, pois Reimagined funciona como uma excelente porta de entrada para quem sempre teve resistência à franquia, porém não substitui a experiência da versão de PlayStation para aqueles que edição de Nintendo 3DS bastante sólida, mas restrita ao Japão.
Dragon Quest VIII
Para o oitavo capítulo, a escolha da versão depende do que o jogador prioriza. Se a imersão artística for o foco, a edição de PlayStation 2 é consideravelmente superior, com visuais belíssimos tanto nos personagens quanto nos cenários, além de dublagem e trilha sonora orquestrada. Curiosamente, esses privilégios de áudio são exclusivos do lançamento ocidental.
Por outro lado, a obra de Nintendo 3DS leva vantagem em termos de conteúdo. Ela elimina os confrontos aleatórios (os monstros passam a aparecer no mapa) e adiciona uma grande quantidade de conteúdo extra, incluindo novos cenários, masmorras, história expandida, um final inédito e até dois personagens jogáveis adicionais. Nesse caso, ocorre o inverso: apenas o game japonês conta com dublagem e trilha orquestrada.
Existe também uma versão mobile que, apesar da maior facilidade em ser adquirida, fica atrás das demais por não incluir os acréscimos do 3DS e nem a qualidade sonora do PS2.
Dragon Quest IX e Dragon Quest X
O nono e o décimo capítulos representam os pontos mais fora da curva desta lista, já que não oferecem muita liberdade de escolha ao jogador. Nesse sentido, Dragon Quest IX foi lançado de forma exclusiva para Nintendo DS e nunca recebeu remakes ou ports. Ainda assim, é um jogo bastante divertido e nos deixa com a expectativa por uma eventual maior acessibilidade em plataformas mais modernas.
Já no caso de Dragon Quest X, a situação é ainda mais complicada, pois, embora possua uma versão online e outra offline, ambas disponíveis em diferentes plataformas, nenhuma delas chegou ao Ocidente ou ao menos recebeu legendas em inglês. Naturalmente, para aqueles que desejam se aventurar, é necessário um certo malabarismo com troca de região nos consoles.
Dragon Quest XI
Para o décimo primeiro capítulo, o que realmente importa é a edição definitiva: Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition. Ela reúne o que há de melhor no lançamento original de PS4 e na versão de Nintendo 3DS, incluindo a alternância entre 3D e 2D, inicialmente exclusiva do portátil da Nintendo, além de diversos acréscimos em diferentes áreas do jogo.
Como esse lançamento estreou no Nintendo Switch e posteriormente foi levado a outras plataformas (PC, PlayStation 4 e Xbox One), a escolha do console acaba não fazendo grande diferença.
Revisão: Thomaz Farias









