Meus jogos favoritos de 2025 — Felipe Jungstedt

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

em 31/12/2025

Eu sou um gamer paciente. Frequentemente demoro a pegar os jogos do momento, perdendo o período do hype mas apreciando-os como se aprecia um bom vinho envelhecido. Mesmo assim, joguei uma série de jogos lançados em 2025, alguns dos quais me marcaram profundamente. Assim, eis a lista dos meus seis jogos favoritos do ano (sem ordem específica fora do top 3, aqueles que realmente conquistaram o meu coração e estão entre os meus jogos preferidos de todos os tempos).

Wheel World

Andar de bicicleta é um ato associado com um conjunto de sensações. Liberdade, velocidade, adrenalina e competitividade se destacam na lista. Wheel World é um jogo que captura de forma muito convincente essas emoções, proporcionando ao jogador uma experiência de ciclista que, se não é realista, é bastante autêntica. Ao longo das corridas que compõem a aventura, é praticamente possível sentir o vento no rosto conforme se pedala cada vez mais rápido.
Alguns aspectos do jogo também merecem destaque: o estilo de arte é bem bonito e atrativo, lembrando Sable. A trilha sonora é excelente, contando com canções que embalam as corridas, mas que podem acabar por ficarem repetitivas. O design do mundo de Tramonto é muito bem bolado, mas o mundo seguinte é bem menos envolvente. No final das contas, Wheel World entrega uma divertidíssima e imersiva experiência de ciclismo, recomendada para qualquer um que busca a sensação de estar no topo do mundo, em cima de uma bicicleta.

Mario Kart World

A fórmula do sucesso de Mario Kart é a mesma desde os primórdios da franquia, e pode ser resumida em uma palavra: caos. O alto teor caótico é o traço definidor das corridas entre os personagens do mundo do Mario, com uma abundância de itens que podem ajudar o piloto ou sabotar os adversários. Entre cogumelos impulsionadores, bananas na pista e cascos para tudo quanto é lado, surgem risadas e muita diversão. O que aconteceria, então, se esse caos fosse potencializado ao extremo?
Mario Kart World é a resposta. Ao expandir as pistas para um mundo aberto, adicionar truques no ar e, especialmente, dobrar o número de competidores em cada corrida, a Nintendo elevou estrondosamente o nível de caos das disputas. Assim, o que já funcionava antes ficou ainda mais intenso e divertido, com reviravoltas a cada curva devido aos itens quase onipresentes. É impossível não se entreter, ainda mais se as corridas contarem com amigos ou família.

Sol Cesto

Eu estava caminhando pela Gamescom Latam 2025, entre jogos bacanas, mas que não prendiam significativamente a minha atenção. Foi quando me deparei com um jogo com um estilo de arte único e atraente, cuja placa dizia ser francês. Descobri jogando que se tratava de um roguelike tático, e logo não consegui mais tirar os olhos da tela. Na verdade, nenhum pensamento passava pela minha cabeça que não fosse relacionado a qual fileira daquela grade eu escolheria; eu estava inteiramente imerso em Sol Cesto.
A aventura subterrânea fisga o jogador com uma trilha sonora envolvente e um ritmo de gameplay completamente inescapável. A aleatoriedade do jogo faz com que se fique na ponta da cadeira a cada clique, já que não se sabe com certeza qual será o resultado. Com altos riscos e altas recompensas, Sol Cesto certamente capturará quem der uma chance a esse indie para lá de imersivo.

3 – Blue Prince

Foi através do Xbox Game Pass que pude jogar a obra-prima que é Blue Prince. Eu já tinha brevemente assistido a um streamer o jogando, mas ainda não tinha tido a dimensão do quão genial era o jogo. Lancei-me na experiência com a mente e o coração abertos, e fui devidamente recompensado. Inicialmente, Blue Prince aparenta ser apenas um jogo de puzzle na forma de um roguelike deckbuilder — uma combinação inusitada, mas não revolucionária. Zelar pela realização da missão central da aventura (chegar na misteriosa Sala 46 da mansão a ser herdada pelo protagonista) aparenta ser uma tarefa simples.
A continuidade do gameplay revela o quanto essa impressão inicial é errada. Não há sala sem segredos, história sem mistérios nem mecânica sem uso ao longo do impressionante mosaico chamado Blue Prince. O que antes aparentava ser superficial revela-se uma engenhosa tapeçaria de descobertas e revelações que compõem um ritmo de gameplay envolvente, com cada novo “eureca!” motivando mais investigação. Nesse sentido, o jogo acaba por ser intensamente imersivo em sua profundidade. Onde poderia haver frustração com um travamento no fluxo de resolução de puzzles, existem muitas outras rotas a serem exploradas e enigmas a serem decifrados. Ver alguém jogar Blue Prince é divertido. Ousar entrar por si só naquela mansão em constante transformação, contudo, é uma experiência única na vida.

2 – Wanderstop

Por falar em experiências únicas na vida, Wanderstop certamente é outra. Minhas expectativas para o jogo já estavam nas alturas por saber do histórico do desenvolvedor, já que trata-se do criador de The Stanley Parable e The Beginner’s Guide: ninguém mais, ninguém menos do que Davey Wreden, para mim uma das lendas do videogame. O novo lançamento não só correspondeu às altas expectativas, como as superou. Trata-se, em sua essência, de uma reflexão sobre como interagimos com jogos e com a vida, e sobre as potencialidades dos chamados “cozy games” (jogos confortáveis, em tradução livre) e do relaxamento.
A guerreira Alta, até então invicta nas arenas, perdeu sua força e acabou em uma profunda crise de identidade. Então, parte para a floresta em busca de uma mestra que poderia recuperá-la aos dias de glória. No caminho, encontra-se em uma loja de chá gerida pelo gentil Boro, um homem que propõe a Alta que ela pare e descanse um pouco antes de seguir sua jornada. Sem nem conseguir levantar sua espada, a lutadora muito relutantemente aceita e passa a morar lá, aprendendo todas as etapas de se fazer e servir chá.

Não é difícil perceber os paralelos entre tal premissa e ambos os atos de jogar e de viver: enquanto frequentemente exigimos demais de nós mesmos e nos encontramos na busca obsessiva pela perfeição, a resposta pode estar em desacelerar um pouco e relaxar. Quem diria que um jogo que não impõe objetivos ou metas acabaria por cumprir tão bem seu objetivo? Wanderstop tocou minha alma, e serei para sempre grato pela lição ensinada.

1 – Hollow Knight: Silksong

Eu já sou há muitos anos um baita fã do primeiro Hollow Knight. Amei explorar aquele mundo em ruínas, enfrentar aqueles chefões tão desafiadores e finalmente libertar aquela terra da infecção. Contudo, nada poderia me preparar para o quanto Hollow Knight: Silksong me conquistou. Vi-me simplesmente encantado por essa nova terra e seus religiosos habitantes, suas culturas e suas músicas. Encontrei-me envolvido no combate e nos desafios de plataforma, dedicando-me a cada novo obstáculo no caminho. Mergulhei fundo na exploração daquele imenso e variado mundo aberto, e me emocionei com as reviravoltas da jornada. No final das contas, Silksong conquistou meu coração.
A trilha sonora de Christopher Larkin merece destaque especial: especialmente a partir do ato 2, ela não somente é tão impressionante quanto a do original, como também constrói a sua identidade própria. O mesmo pode ser dito para o conjunto da obra. Silksong não se limita a igualar seu antecessor; vai além, superando em muito a aventura em Hallownest. A ascensão de Hornet em Fiarlongo me marcou em um nível espiritual, e guardarei comigo para sempre as emoções dessa incrível jornada.

Muito obrigado por ler este texto tão pessoal até aqui, e por favor não deixe de compartilhar suas impressões sobre os jogos citados e sobre outros lançamentos de 2025 nos comentários (especialmente se tiver recomendações para mim)! Para descobrir minha mensagem a todos os leitores, junte a primeira letra de cada frase da seção sobre Blue Prince, esse jogo definido por seus segredos. Abraços e até mais!

Revisão: Vitor Tibério
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Felipe Jungstedt
Cientista social em formação, apaixonado por todo tipo de joguinho (com um amor especial pelos indies e pelos da Nintendo). Você provavelmente vai me encontrar ouvindo música enquanto jogo Spelunky 2 ou tirando a poeira de algum Zeldinha clássico.
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