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Análise: Neptunia Game Maker R:Evolution (Multi) é um RPG de ação carismático, mas também medíocre

Acompanhe as deusas Pippih, Jagaa e Reedio em uma jornada rumo ao sucesso no desenvolvimento de jogos.

Prestes a desembarcar nos consoles da Sony e no Nintendo Switch, Neptunia Game Maker R:Evolution emerge como a mais recente entrada da série desenvolvida pela Compile Heart. Apesar de cativar com seu bom humor e com a presença de diversas personagens carismáticas, o título deixa a desejar em muitos aspectos de sua jogabilidade.

Três deusas em declínio

Assim como nos demais jogos da série, Neptunia Game Maker R:Evolution mergulha em uma trama repleta de metalinguagem e referências à indústria dos games. Nesta entrada, somos conduzidos pela jornada de três deusas criadoras de jogos — Pippih, Jagaa e Reedio — relegadas ao esquecimento após uma derrota na corrida pela supremacia.

Felizmente (ou talvez nem tanto), essas jovens encontram Older Neptune (a versão alternativa do principal rosto da série que desempenha um papel fundamental em Megadimension Neptunia VII), que aceita o desafio de assumir o cargo de CEO na empresa criada pelo trio, auxiliando-as em sua jornada para conquistar um lugar de destaque no mercado.

A história de Neptunia Game Maker mantém o inconfundível humor da franquia, apresentando uma gama de personagens cativantes, tanto as já conhecidas quanto as recém-chegadas, além das já mencionadas abundantes referências à indústria dos jogos, algumas bem óbvias e outras mais sutis. Além disso, o título possui uma excelente dublagem em japonês (também existe a opção de vozes em inglês), o que ajuda a reforçar o carisma das garotas.

Infelizmente, a trama passa a impressão de que se estende mais do que o necessário, trazendo muitos diálogos que contribuem pouco para o avanço da história. Adicionalmente, a ausência de legendas em português é extremamente prejudicial em uma obra com uma quantidade tão alta de texto como essa.

Combates monótonos e desequilibrados

Em essência, Neptunia Game Maker é um RPG de ação em que exploramos masmorras. Embora haja uma variedade considerável de dungeons, algumas contendo puzzles simples, no geral elas carecem de elementos que as destaquem, sendo bastante simples descobrir como progredir e alcançar o chefe que aguarda no final.

Com respeito aos combates, eles se iniciam quando nos aproximamos de um monstro que vaga pelo mapa. Dentro das lutas, podemos nos mover livremente dentro de uma arena relativamente grande e alternar a qualquer momento entre quatro personagens. Nesse sentido, somos capazes de iniciar um combo com uma das heroínas e ir trocando para outras com o uso dos botões direcionais para emendar seus ataques, resultando em um golpe especial conjunto.

No papel, ao longo da campanha, desbloqueamos uma variedade de garotas para compor nossa equipe, com cada uma delas possuindo habilidades e armas distintas. No entanto, lamentavelmente, essa diversidade não se traduz de forma tão eficaz na prática.

Ao contrário de jogos de ação em grupo melhor elaborados, aqui, a jogabilidade com cada heroína é praticamente idêntica, e as diferentes composições de equipe pouco alteram a experiência. Assim, independentemente do time formado, as batalhas frequentemente se resumem a ficar pressionando os botões de ação e os direcionais. Embora haja uma variedade de personagens e equipamentos, as possibilidades estratégicas são extremamente limitadas.

Essa simplicidade no sistema de combate não é necessariamente um problema insuportável, já que as lutas ainda conseguem proporcionar alguma diversão. No entanto, o título enfrenta um desequilíbrio significativo no nível de desafio:  enquanto a maioria das batalhas comuns oferece um esforço quase inexistente em termos de jogabilidade, muitos chefes surgem com uma dificuldade desproporcional e artificialmente elevada.

Esses adversários especiais não são complicados devido a padrões de comportamento complexos, ataques diferenciados ou necessidade de estratégia para serem derrotados. Em vez disso, a dificuldade reside principalmente no fato desses inimigos possuírem níveis muito mais altos do que os inimigos comuns das masmorras e em ter uma quantidade exorbitante de pontos de vida, além de um poder de ataque desproporcionalmente elevado.

Em mais de uma oportunidade, enfrentei dificuldades extremas para derrotar um chefe, mesmo estando em níveis consideravelmente superiores aos dos monstros comuns da dungeon e equipado com os melhores recursos disponíveis até então. Lamentavelmente, para vencer esses confrontos, foi preciso interromper constantemente a fluidez do combate e recorrer a uma quantidade interminável de itens para ressuscitar as aliadas caídas.

Desenvolver jogos é quase opcional

Além da exploração das masmorras, Neptunia Game Maker incorpora elementos de gerenciamento e simulação por meio de um sistema de desenvolvimento de games. Em linhas gerais, o processo é simples: recrutamos novos membros com habilidades específicas e os designamos para criar diferentes tipos de jogos. À medida que avançamos e conquistamos novos recursos, mais gêneros e operários se tornam disponíveis.

Apesar de essa mecânica ser divertida e ser muito prazeroso acompanhar o crescimento da empresa, essa parte de simulação parece um tanto desconexa do restante da jogabilidade. Isso porque, salvo raros momentos da campanha que requerem a criação de um produto específico, é possível concluir a campanha sem dar muita atenção a esse sistema de desenvolvimento. 

Além disso, embora os games criados se apresentem como itens equipáveis que teoricamente poderiam conferir vantagens às personagens, na prática, eles raramente fazem alguma diferença significativa na jogatina.

Outro aspecto que parece um pouco desconexo do restante do jogo e que merece ser mencionado é a possibilidade de utilizar uma moto durante a exploração. Embora o conceito seja interessante em teoria, permitindo-nos nos locomover mais rapidamente, o veículo muitas vezes se mostra inadequado para as masmorras, que frequentemente são formadas por corredores estreitos.

Um jogo para fãs fervorosos

Apesar da presença de uma variedade de personagens carismáticos e do humor característico da série, Neptunia Game Maker R:Evolution não se destaca como um RPG de ação memorável, devido a um sistema de combate monótono e extremamente desequilibrado. Para os fãs mais fervorosos da franquia, há muitos aspectos familiares que podem proporcionar alguma diversão; no entanto, para aqueles que buscam uma experiência mais sólida dentro do gênero, existem inúmeras opções mais recomendáveis.

Prós

  • Humor característico da série, com uma história repleta de referências à indústria dos jogos;
  • Presença de diversas personagens carismáticas, tanto antigas quanto novas;
  • O sistema de desenvolvimento de jogos é divertido e acompanhar a evolução da empresa é gratificante;
  • Excelente dublagem em japonês, contribuindo para evidenciar o carisma das personagens;

Contras

  • Falta de profundidade estratégica nos combates, que se resumem a pressionar repetidamente os botões de ação e de troca de personagens;
  • Desequilíbrio no nível de desafio, com batalhas comuns sendo muito fáceis e chefes apresentando uma dificuldade artificialmente alta;
  • O divertido sistema de gerenciamento da empresa e criação de jogos não têm um impacto muito significativo no restante do jogo;
  • A utilização da moto durante a exploração é quase sempre ineficaz, já que a maioria das masmorras são compostas por corredores estreitos;
  • Ausência de legendas em português.
Neptunia Game Maker R:Evolution — PS4/PS5/Switch — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Idea Factory International

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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