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Confira dez pais memoráveis dos games

Brutos, sensíveis, brincalhões, desleixados ou à procura de redenção, o que importa para esses caras acima de tudo é cuidar dos seus filhos, não importa o que isso custe.

O Dia dos Pais está chegando e podemos dizer que em muitos games a presença deles é vital para o andamento da história ou para saber o motivo do nosso herói ou vilão ser tão determinado em certos aspectos.

Para celebrar essa data, colocamos aqui dez chefes de família que fariam de tudo pelas suas crias. Entretanto, desta vez não iremos dar números e sim apenas listá-los, pois como cada um possui motivações bastante específicas, ficaria meio difícil estabelecer um ranking entre eles. A única regra usada aqui é que todos eles devem ter sua origem em algum jogo. 

Papa

O pai do príncipe da série Katamary Damacy é provavelmente um dos personagens mais egocêntricos da história dos jogos. Sua família rege todo o cosmos, inclusive já contamos um pouco sobre ela aqui, no nosso especial sobre as famílias dos games

Porém, quem vê seu estilo espalhafatoso não imagina o quanto sua infância foi dura. Seu pai, rei anterior e referido como Papa, era uma pessoa austera e não aceitava nada que não fosse a perfeição. Educou seu filho para ser competitivo e ganhador em tudo, para que ele fosse um bom sucessor ao trono. Enquanto as outras crianças brincavam, ele passava seu tempo estudando matemática, boxe, música e dança. Quando seu filho perdeu uma final, Papa ficou bastante decepcionado e atirou o troféu em um rio, o que magoou muito o futuro rei.

Isso fez com que o jovem fosse ficando cada vez mais rebelde ao ponto que um pedaço de bolo foi a gota d’água para uma discussão entre Papa e seu filho. O jovem fugiu de casa e se envolveu em uma pesada briga de rua. Ele venceu os brigões com as técnicas que seu pai ensinou, mas seu corte de cabelo sofreu um dano grave. Após muito vagar, o aspirante ao trono conheceu sua futura rainha, que o convenceu a fazer as pazes com o seu velho pai. Foi assim que o futuro Rei de Todos os Cosmos reconheceu que apesar de toda a dureza, foi graças ao seu pai que ele aprendeu não só a se defender, mas como a ser o regente que a galáxia precisava. (Nem precisamos contar o que aconteceu depois, né?)

Marshall Law

Pais e filhos não são estranhos à franquia Tekken, vide os Mishimas, que tentam constantemente se matar. Porém, aqui vamos focar em alguém mais preocupado com o bem estar do seu filhote: Marshall Law.

Um dos mais famosos clones de Bruce Lee em jogos de luta, Law esteve em quase todos os jogos da série. Os únicos em que não esteve, no caso Tekken 3 (PS1) e Tekken Tag Tournament (PS2), foi substituído pelo seu filho, Forest Law. Sua entrada nos torneios do Rei do Punho de Ferro sempre foram visando o prêmio em dinheiro, assim ele poderia investir no seu dojo, no seu restaurante e manter seu filho longe das encrencas em que já se meteu no passado.

Marshall desaprova totalmente que seu filho lute fora do dojo da família, puxando para si toda essa responsabilidade. Forest sempre dá suas escapadas e seu pai sempre dá suas broncas, mas um fato inegável é que quando lutam lado a lado, os dois dragões são praticamente imbatíveis. 

Jecht

Alguns pais carregam motivações estranhas e até escondem suas reais intenções com atitudes duras e insensíveis. Um dos maiores expoentes dessa “classe” é Jecht, de Final Fantasy X (Multi), que por muitas vezes rebaixou seu filho, Tidus, e o tratava como um pirralho imaturo. Mal sabia ele, e os jogadores, que sua principal razão para tudo aquilo era para um bem maior.

Jecht sempre teve um jeito muito bruto de lidar com o seu filho. Se colocava em um pedestal como “O Grande Jecht” e o povo de Spira se referia a ele como “Sir Jecht”. Entretanto, a casca dura começa a se quebrar quando descobrimos as diversas esferas com memórias que ele deixou pelo caminho para que Tidus as encontrasse. 

Como agora já sabemos do enredo, desde o começo Jecht só queria que seu filho ficasse forte o bastante para que o libertasse daquele que seria o seu derradeiro destino: se tornar a personificação da destruição (SIN). Em um dos finais mais tocantes da série, Tidus e Yuna podem não ter ficado juntos, mas finalmente pai e filho se entenderam e ganharam o respeito um do outro.

Marcus Fenix

Ter um legado militar a ser seguido desde seu antepassados não é fácil. Marcus Michael Fenix vem de uma linhagem de altas patentes e combatentes natos. Porém, diferente dos seus antecessores, o protagonista da série Gears of Wars também tem um lado emocional muito forte. Isso é visto na sua busca incessante pelo paradeiro do seu pai. Mesmo sendo um herói de guerra, essa “missão paralela” acabou resultando em uma condenação pesada.

Mesmo assim, ele casou-se com Anya Stroud e eles tiveram um filho, James Dominic Fenix. O garoto cresceu ouvindo de todos a sua volta sobre como seus pais ajudaram a trazer paz para o planeta. JD sempre foi um jovem um tanto quanto rebelde e o relacionamento com o seu pai ficou bastante estremecido após a morte da sua mãe.

Com o passar dos anos, JD se alistou no exército COG (Coalizão dos Governos Ordenados), o mesmo em que seus pais serviram. Marcus se opôs, dizendo que a organização já não era mais a mesma. Essa foi a gota d’água na relação dos dois e resultou em James deixando sua casa.

A medida que JD descobriu as verdadeiras ambições da COG, como seu pai havia alertado, ele se juntou aos Outsiders, grupo de oposição à Coalizão. Quando tudo parecia perdido, Marcus deixa as rusgas do passado para trás, abandona a aposentadoria e parte mais uma vez para a batalha, pois nada no mundo é mais importante para ele que seu filho.

Dr. Light

Aqui está uma história que se assemelha muito ao conto de Pinóquio. Dr. Thomas Light sempre foi um cientista brilhante. Vencedor do Nobel de Física, ele dedicou sua vida a criar invenções que facilitassem a vida de todos em suas tarefas cotidianas.

Enquanto seu ex-parceiro, e agora inimigo, Dr. Albert Willy, se aplicava na construção de robôs com funções mais bélicas e destrutivas, Dr. Light criou dois protótipos com personalidades próprias: Rock (nome do Mega Man no Japão), para o auxiliar nas tarefas do laboratório, e Roll, para os trabalhos domésticos. Além disso, houve uma série de outras criações, concebidas para diversas funções similares.

Enciumado com a fama do seu desafeto, Dr. Willy roubou os projetos de Dr. Light e alterou suas programações para que eles se tornassem robôs destrutivos. Os únicos que não cederam à mudança foram Rock e Roll (sim, o trocadilho foi criado propositalmente pela Capcom). Ter esses dois ao seu lado fez com que ele considerasse esses dois como seus próprios filhos. Inclusive, por algumas vezes o próprio Rock se refere a Dr. Light como pai. Juntos, pai e filhos conseguem frustrar os planos de Dr. Willy por muitas e muitas vezes durante toda a franquia.

John Marston

Um cara que nasceu de um imigrante escocês e uma prostituta, ambos sem nome, realmente não teria uma bela história de vida. John Marston passou sua juventude assaltando e saqueando, a ponto de reconhecer o bando de ladrões que integrava sua família, ou algo próximo disso.

Com o passar dos anos, apaixonou-se por Abigail Roberts, uma prostituta que também convivia com a gangue. Os dois separaram-se do grupo, tiveram um filho, Jack, e começaram sua história em uma pacata fazenda.Tudo ia bem até o recém criado Escritório de Investigação sequestrar o filho e a esposa de John. Para libertá-los, foi exigido que o ex-fora da lei ajudasse na captura dos integrantes do seu antigo bando. 

Após cumprir com seu objetivo em Red Dead Redemption (PS3/X360), Abigail e Jack são soltos, mas uma emboscada se forma para eliminar os três, afim de queimar qualquer coisa que expusesse os procedimentos do Escritório. Em uma atitude nobre, John Marston troca tiros com os oficiais na porta de sua casa, se sacrificando para que sua esposa e filho possam fugir em segurança.

Mike Haggar

Se sua filha fosse sequestrada, o que você faria: a) Pagaria o resgate, independente do preço; ou b) Procuraria as autoridades responsáveis para encontrá-la onde quer que fosse? No caso de Mike Haggar, a escolha foi a letra c: descer a porrada em todo integrante da Mad Gear que aparecesse em sua frente até que ele encontrasse sua preciosa Jessica. É nisso que se baseia a trama de Final Fight (Multi).

A dedicação de Haggar em achar sua filha foi tão grande, que ele inclusive foi capaz de algo além do limite: fazer uma breve parceria com o seu “querido” genro, Cody Travers. É por essas e outras que não se mexe com a filha do prefeito de Metro City. 

Johnny Cage

Mortal Kombat X (Multi) trouxe maturidade a diversos personagens da franquia e um desses aspectos foi a paternidade. Se Jax Briggs virou um cara traumatizado, que viu a contragosto a filha Jacqui seguir seus passos nas Forças Especiais, e Kenshi teve que deixar Takeda aos cuidados de Scorpion e os Shirai Ryu para que ele não fosse exterminado como sua mãe, quem então seria o “paizão” ideal da série?

Mulherengo, falastrão, egoísta, metido… Johnny Cage pode ser resumido a isso e muitas outras coisas ruins. Porém, ninguém no mundo imaginaria que ele se tornaria um pai zeloso, dedicado e que faria de tudo não só pela sua filha, Cassie Cage, como pela sua agora ex-esposa, Sonya Blade.

Com uma aparência mais séria, alguns cabelos grisalhos e a mesma lealdade de sempre ao Plano Terreno, Johnny passou de estrela duvidosa de Hollywood a pessoa de confiança de todos e salvador da pátria. Seu amadurecimento foi tão grande que em seu final em Mortal Kombat 11 (Multi), a única alteração que ele faz na linha do tempo é deixar Sonya Blade viva para que sua família continue junta.

Kratos

Um dos caras mais controversos dos games a ser considerado um bom pai, Kratos sempre representou o inverso de algo considerado correto. Sempre alimentado pelo desejo de vingança contra os deuses do Olimpo, o espartano mais pistola do mundo esquartejou, dilacerou, incendiou, mutilou e exterminou tudo e todos em seu caminho para que Zeus e sua trupe pagassem por tê-lo enganado e feito matar sua própria família. Isso por si só já o qualifica como a pessoa menos recomendável do planeta para ter um filho.

Entretanto, o tempo passou e Kratos amadureceu no mais recente episódio da saga God of War (PS4). As diferenças nele não se limitaram só ao rosto barbado e ao machado que começou a usar no lugar das espadas. Agora morando nas regiões nórdicas, sua jornada segue com a companhia de seu filho Atreus, a quem ele se refere como “garoto”. Porém, isso não quer dizer que ele seja frio com o seu filho, pois mesmo sem grandes gestos de carinho, ele se dedica a ensinar o menino a sobreviver e combater qualquer coisa que possa lhe apresentar algum perigo. 

Terry Bogard

Talvez uma das histórias mais surpreendentes dessa lista, ele é o exemplo de como não se tornar aquilo que te feriu. As diversas franquias e personagens da SNK não são estranhas a diversos tipos de relação entre pai e filho, sejam elas amistosas ou conflituosas. A trinca de porradaria Fatal Fury, Art of Fighting e The King of Fighers estão cheias delas. Contudo, nenhuma supera a relação de Terry Bogard e Rock Howard.

Voltando na linha cronológica de Fatal Fury, o mestre Tung Fu Rue possuía dois discípulos: Geese Howard e Jeff Bogard, pai adotivo de Terry e Andy. Por Jeff ser escolhido pelo mestre para aprender uma técnica secreta, Geese fica possuído de raiva, julgando ser melhor que seu rival, e o assassina na frente dos seus filhos.

Os anos passam e os irmãos são criados por Tung Fu Rue, alimentando um instinto crescente de vingança. Após muito treino e brigas de rua, Terry conseguiu se vingar de Geese, o derrotando e concluindo sua vingança. O que ninguém sabia até então é que o vilão também tinha um filho, Rock Howard.

O garoto sempre viveu somente com a mãe, Marie, apesar de saber da existência do pai. Quando ele completou sete anos, ela contraiu uma doença grave e Rock foi atrás de Geese, para pedir ajuda na busca de uma cura. Logicamente, o chefão do crime de South Town disse que não tinha nada haver com aquilo e mandou o Rock embora imediatamente. Marie morreu naquela mesma noite.

Ao saber da morte de seu pai, Rock não ficou bravo. Ele sentia um misto de tristeza, pela mãe, e alívio, pelo fim do seu pai. Ele soube de Terry e começou a seguir o Lobo Solitário nas diversas brigas de rua que ele se envolvia, até que eles se encontraram de fato. Quando Terry soube de quem ele era filho, poderia ter sido essa a chance de colocar fim ao último integrante da linhagem maldita dos Howard. Porém, Rock ainda era só um garoto que nada sabia da vida, então Terry o adota e o leva junto para suas andanças pelo mundo. Foi assim que o Lobo Solitário virou o pai adotivo do filho do assassino do seu próprio pai, e colocou Rock no caminho do bem.


É com esta bela lista que desejamos a todos vocês um feliz dia dos pais. Se sentiram falta daquele seu personagem favorito, deixe o nome dele nos comentários.

Peço licença também para dedicar esse texto à Carlos França (Sr.), meu pai e principal exemplo da minha vida. Também gostaria de fazer uma dedicatória especial às honrosas memórias de Achilles Rescigno, o melhor avô que um cara poderia ter, e de José Luiz Bittencourt, um dos homens mais bondosos que já caminhou por essas terras.

Revisão: Henrique Moreno

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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