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Análise: Mortal Kombat 11 (Multi) é a evolução da série em sua melhor forma

Com direito a diversas referências ao seu passado, novo episódio da saga vem para se firmar como um dos melhores jogos de luta dessa geração.

Após diversos vídeos, notícias e o beta fechado, finalmente Mortal Kombat 11 (Multi) chegou para aplacar a ansiedade dos fãs.

Com jogabilidade reformulada, uma história bem trabalhada e diversos outros modos de jogo, esse título da saga mostra que a NetherRealm realmente fez um trabalho excelente.

Todo o tempo do mundo

A história de MK 11 conseguiu algo que poucos esperavam, ser interessante e surpreendente do começo ao fim. Kronika, o ser que rege as linhas do tempo e toda a existência, decide interferir nas ações de Raiden, apagando assim o Deus do Trovão daquela linha do tempo, o que causa toda uma comoção temporal.

Esse é o ponto de partida de uma série de encontros entre os lutadores e suas versões mais novas, assim como diversas reviravoltas (não daremos spoilers aqui). Destaque especial para os momentos entre o Johnny Cage do passado e do presente.

Outra coisa interessante é que é falado que existe mais de uma linha do tempo. Logo, foi justificado que todos os outros episódios da saga aconteceram em diferentes espaços temporais. Isso ajuda a legitimar jogos como Mortal Kombat: Deadly Alliance (Multi), Mortal Kombat Deception (Multi), Mortal Kombat Armaggedon (Multi) e até mesmo Mortal Kombat vs DC Universe (PS3/X360).

Deixa que a IA resolve

Uma das possibilidades que MK 11 oferece é a opção de personalizar como a inteligência artificial (IA) do seu personagem favorito funcionará. Ela pode ser focada em pressão ofensiva, combos, magias, arremessos e etc. Isso é definido por pontos distribuídos entre os quesitos agarrar, ataque, kombos, revide, zoneamento e escapada.

Inclusive, é possível colocar as IAs para se confrontarem. Em Batalha IA, escolhemos três lutadores para combaterem com uma equipe de outro jogador na rede. Podemos lutar livremente como atacantes e, caso alguém escolha o seu trio, ganha-se pontos como defensores. As cinco primeiras de cada dia sempre rendem recompensas. Em caso de vitória o prêmio são um ou dois trajes aleatórios. Já com a derrota são recebidas melhorias para equipamentos. 

Além das Torres Klássicas, que sempre funcionaram como o modo arcade de Mortal Kombat, existem as Torres do Tempo. Como o nome sugere, são eventos com variadas durações. Por eles podem ser conseguidos recompensas como brutalities, novas skins e animações de introdução e vitória.

Os grupos podem variar com apenas uma torre de luta única ou diversas torres com até doze oponentes. Existe também a possibilidade de usar modificadores, que conferem algumas vantagens durante a batalha. Porém, caso o jogador assim preferir, ele pode deixar a IA do lutador favorito fazer a tarefa por ele, se dando ao trabalho apenas de apertar em continuar.

Essa é uma alternativa curiosa e até justa, visto o tanto de recompensas que precisam ser arrecadadas para os desbloqueios na Krypta. Sem contar que, como a IA pode utilizar movimentos que ainda não estão liberados, como o segundo fatality de cada personagem, isso é uma mão na roda para quem quer conseguir todas as conquistas/troféus de maneira rápida.

Nem parece online

Para quem jogou Mortal Kombat X (Multi), a lembrança de diversos problemas no servidor vem a mente na hora. Só foi corrigido depois de um bom tempo. Com essa pequena mancha no histórico, é lógico que a NetherRealm ia se esforçar bastante para entregar uma ótima experiência online.

Além da boa e velha partida casual, está de volta o Rei do Pedaço. Trata-se de uma sala onde quem está ganhando continua jogando. Os players que estão no aguardo podem ficar assistindo o duelo. Tudo isso aconteceu de maneira fluida e sem quedas de conexão, a ponto de parecer o multiplayer local. É possível tanto entrar em uma sala disponível quanto criar uma aberta para a comunidade.

A procura de um oponente de maneira mais direta também é rápida, levando poucos segundos. No casual a revanche é infinita, já nas partidas oficiais é sempre na melhor de três.

Perdido na Krypta

Desde que teve seu trailer de revelação, a Krypta deixou diversos jogadores empolgados. É nesse modo que desbloqueamos novos fatalities, brutalities, roupas, acessórios customizáveis, entre outras coisas, através de baús. Eles podem ser comprados com moedas, almas e corações.

Foi desenvolvido um ambiente único, totalmente explorável, como se fosse um novo jogo dentro de MK 11. Usamos nosso aventureiro desconhecido em uma jornada pela Exoterra (Outworld) em que, além de liberarmos itens, também temos que resolver diversos enigmas.

A proposta é muito boa, porém na semana de lançamento houve muita reclamação da comunidade. O motivo era que os modos de jogo não davam recompensas o suficiente para o desbloqueio de itens, o que tornava o procedimento de juntar as quantias necessárias muito demorado. Os desenvolvedores fizeram uma atualização para aumentar as recompensas dadas, mas ainda assim a exploração toma um tempo considerável.

Outro fator bastante polêmico foi a aleatoriedade das recompensas. Infelizmente não temos a liberdade de focar nos conteúdos que premiam apenas nosso lutador favorito. O conteúdo de cada baú varia de um jogador para outro. A ideia era construir uma aventura única para cada um, mas pelo tanto de coisas que precisam ser desbloqueadas, isso torna a Krypta cansativa.

Para concluir, temos que estar sempre conectados para navegar pela Exoterra. Estranhamente, parece que a conexão oscila muito mais na Krypta do que no próprio online. Não foram raros os momentos em que fomos catapultados direto para o menu inicial, pois o contato com servidor havia sido perdido.

Guarda roupas apertado

Na customização, podemos escolher tanto a parte cosmética quanto a que influenciará nas batalhas. Cada lutador tem uma série de itens, que podem ser equipados com até dois tipos de pedras, que lhe conferem algumas vantagens, como aumento de dano em certas condições.

Além disso, é possível escolher de dois a três movimentos extras, que podem ser ataques especiais ou até combos. Isso cria diversas possibilidades de novas combinações e estratégias.

Entretanto, a parte que seria apenas enfeite traz um exagero enorme. Cada personagem tem pelo menos 60 skins. Variedade é muito bom, mas nesse caso são apenas seis ou sete roupas diferentes entre si, com inúmeras variações de cores.

Seria muito mais proveitoso colocar esses seis, ou até mesmo quatro, trajes diferentes entre si e deixar a coloração a gosto do jogador. A maioria delas está trancada na Krypta, o que tira bastante a vontade de ter todas, já que o local de cada uma varia a cada jogo.

Vitória quase perfeita

O nicho de jogos de luta tem diversas franquias bem estabelecidas e tradicionais. Logo, sempre se espera grandes novidades com o lançamento de um novo título. Mortal Kombat 11 não só corresponde a elas, mas também eleva o nível do que se deseja em um jogo de luta.

A Krypta pode ter gerado um aspecto negativo, como todo o tempo que ela consome. Entretanto, isso não tira o brilho de como o game está caprichado e traz uma experiência fantástica tanto na mecânica de jogo quanto em seu modo história. É indispensável para quem curte a série desde os anos 90.

Prós

  • História muito bem feita (para um jogo de luta);
  • Kronika é uma antagonista muito interessante e a luta final com ela é bastante desafiadora;
  • Contar com a IA para ajudar a obter as recompensas torna a tarefa menos desgastante;
  • Modo online com conexão rápida e pouquíssimos problemas de lentidão, mesmo contra adversários com qualidade de sinal inferior.
  • Diversas referências aos jogos antigos e ao filme de 1995.

Contras

  • Aleatoriedade da Krypta não é tão divertida assim;
  • Liberar tudo consome tempo demais;
  • Muitas skins repetidas.
Mortal Kombat 11 — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia cedida pela WB Games
Revisão: Diogo Mendes

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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