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Análise: Exception (Multi) até diverte, mas não tem nada de excepcional

Salve o sistema central de um computador de um ataque massivo de um vírus dominador, que invadiu por culpa da vovó.

Exception (Multi) traz a clássica fórmula plataforma, em que atravessamos diversas fases abatendo inimigos. São 128 estágios diferentes, divididos em oito partes, cada uma com sua característica diferente. Segundo a história, nosso protagonista percorre esses diferentes setores para combater diversos vírus que invadiram o sistema operacional do computador. Como eles chegaram lá? Por culpa da vovó Alice, que clicou onde não devia.

Vai, gira e volta

Ao longo da jornada, nosso herói possui uma espada, que além de servir para exterminar os inimigos durante a passagem, pode ser arremessada para os lados, para cima e para baixo, entre um salto e outro. Essas habilidades são adquiridas à medida que que evoluímos no jogo. Elas podem receber melhorias ao custo de pequenos chips azuis que encontramos pelas fases em áreas secretas.

O grande lance aqui é que na maioria das vezes precisamos “girar” o ambiente para progredir. Isso é feito com chaves luminosas, encontradas em pontos específicos. Nos primeiros estágios, ligeiramente mais simples, nem sempre é necessário ativá-las. Porém, a partir do sexto mundo, alcançá-las sempre será vital para conseguir finalizar cada objetivo.

Além deste tipo de mecanismo padrão, outros muitos vão aparecendo em cada parte diferente, como os botões, que só rotacionam partes específicas de cada cenário, e os blocos que se projetam como plataformas apenas quando estamos próximos. Mais para o final, todos estes elementos se somam, exigindo bastante precisão e calma do jogador.

Para finalizar, cada área possui seu chefe, que deve ser derrotado de uma maneira diferente. Não basta pular e atacá-lo, é necessário ter um mínimo de estratégia, senão nosso paladino virtual já era. Ao final de cada fase, somos recompensados com estrelas pelo nosso desempenho e velocidade, sendo quatro estrelas a maior graduação possível. Alguns títulos podem ser conseguidos e eles rendem alguns bônus de tempo, o que ajuda bastante na hora de conseguir a nota máxima.

Cyber mesmice

O visual de Exception não traz nada de muito diferenciado. Tanto os inimigos, quanto os cenários e chefes conseguem passar bem a sensação de estarmos em um ambiente cibernético. Nosso protagonista também tem seu visual high tech, mas nada que encha os olhos. A fusão do ritmo 2D com alguns efeitos em 3D também é bacana, mas poderia ter sido melhor explorada.

O jogo ainda conta com algumas cenas entre os mundos, que até tentam invocar um aspecto mais cartunesco, contando a história como se fossem páginas de histórias em quadrinhos. Porém, elas também são pouco atrativas. Como podem ser vistas à vontade no menu principal após serem liberadas, não faz muita diferença acompanhar a aventura com ou sem as cutscenes.

Já a trilha sonora teve todo um cuidado especial. Baseada principalmente em Synthwave, são quase duas horas de faixas originais desenvolvidas por nove músicos conceituados do gênero. Entre eles está o sueco Waveshaper, famoso pelo estilo retro-futurístico de suas melodias. Cada uma das músicas desempenha um bom papel na ambientação do jogo, sem se tornarem repetitivas ou irritantes.

Difícil de achar

No final, Exception é um bom jogo de plataforma que diverte, mas sem encantar muito. Seus diversos elementos são interessantes, mas em certos pontos a junção de tudo pode se tornar um pouco confusa, o que deixa seu ritmo um tanto quanto maçantes. Também é fácil ignorar as diversas habilidades do herói, se tornando provável que o jogador só venha a lembrar delas nas batalhas contra os chefes.

Outro ponto contra é que o título só pode ser encontrado a preço nacional pela Steam. Não existem versões nacionais na PSN, Microsoft Store ou Nintendo eShop, o que dificulta o seu conhecimento por jogadores que não possuem contas internacionais. No mais, Exception vale uma atenção dos fãs deste gênero que querem algo que misture o jeito clássico de pular e matar inimigos com uma boa dose de inovações mirabolantes.

Prós

  • Jogabilidade descomplicada e simples. Não é necessário usar as habilidades aprendidas para prosseguir no jogo;
  • Visual não compromete a ambientação;
  • Grande variedade de elementos inseridos à medida que o jogo avança, aumentando o desafio;
  • As batalhas contra os chefes são criativas, exigindo uma estratégia diferenciada em certos momentos;
  • Trilha sonora especialmente criada para o jogo que encaixa perfeitamente ao que ele se propõe.

Contras

  • Por ter mais de 100 fases, em alguns momentos é possível se sentir cansado ou entediado com a sensação de repetição;
  • Alguns estágios tentam juntar mais de um elemento no seu caminho, o que às vezes pode confundir o jogador e dificultar o entendimento de como prosseguir;
  • As habilidades adquiridas pelo protagonista não se fazem úteis, salvo algumas lutas contra os chefes;
  • As cutscenes até que são bem feitas, porém se tornam dispensáveis e de pouco interesse na aventura.
  • Só está disponível em contas nacionais pela Steam. Os consoles só possuem o título em suas lojas estrangeiras.
Exception ― PC/PS4/Switch/XBO ― Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Traxmaster Software
Revisão: Mariana Mussi S. Infanti

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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