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Análise: Bullet Witch (PC) entrega ação sem envolvimento e com boas doses de repetição

Lançado originalmente em 2006 para o Xbox 360, Bullet Witch possui mecânicas de jogo datadas e com pouquíssimas melhoras no PC.

A atual geração de consoles e games é conhecida por muitos como a “geração dos remasters”, por conta da grande quantidade de versões “atualizadas” de games antigos (ou não tão antigos assim) que recebemos. A lista é imensa e vai desde grandes títulos do PS3 como God of War III e The Last of Us, até coletâneas nostálgicas como Crash N’Sane Trilogy (Multi) e Street Fighter 30th Anniversary Collection (Multi). Porém, nem tudo são flores nessa onda de nostalgia, pois muitas vezes temos trabalhos preguiçosos e retornos não tão dignos de games antigos. Infelizmente, é nesse grupo que podemos encaixar Bullet Witch (PC).


Com um retorno pouco trabalhado e simplesmente com atualizações rasas de resolução, o game originalmente produzido pela Cavia tem um trabalho pouco digno 12 anos após seu lançamento. Mas vamos com calma para esmiuçar muito bem as características do game que, mesmo que não agrade a maioria, pode até convencer alguns de revisitá-lo.


O passado é o futuro

Inicialmente já começamos com um fator muito problemático: a falta de nomenclaturas que deixem claro que a versão de PC de Bullet Witch é uma remasterização de um game antigo. Ora, mesmo que o título seja um dos primeiros lançamentos exclusivos do Xbox 360, não é todo jogador que o reconhece à primeira vista. Assim,  chamá-lo apenas pelo nome original de 2006 foi um erro grande da Marvelous Europe e da XSEED Games, uma vez que pode gerar confusões desnecessárias.

Essas confusões se dão principalmente pelo jogo não ser atemporal. Na verdade, como muitos games produzidos entre 2005 e 2010, ele é bem datado, seja em suas mecânicas, em seu visual, mas principalmente em seu enredo. Ora, em 2006 uma franquia que estava em ascensão de popularidade era Devil May Cry, que teve seu terceiro e elogiado título lançado no ano anterior, e claramente Bullet Witch bebe um pouco da estética da franquia de Dante e Vergil.



A ideia de um apocalipse com demônios, cidades destruídas, criaturas exageradamente deformadas e protagonistas que, mesmo em um mundo tecnológico, se utilizam de magia, são alguns pontos que nos fazem lembrar da saga de Dante. Porém, para além disso, temos também uma estética de menus e músicas que lembram um pouco a franquia, mesmo que Bullet Witch seja um shooter, não um hack ‘n’ slash.

Porém, o problema do enredo de Bullet Witch em 2018 é se basear muito em datas. O jogo se passa no futuro distante de 2013 (sim, pode rir), onde uma onda de morte e devastação invade a terra com demônios a solta dizimando 90% da população do planeta. Como se não bastasse, a introdução do jogo dá uma linha de tempo caótica que começa em 2006 e vai até 2013. A sensação de jogar isso em 2018 é a mesma de ver uma campanha política de eleições dos anos 90: você sabe que aquilo tudo não vai acontecer de fato, o que tira um pouco a graça do enredo.



Fora o problema do “prazo de validade”, Bullet Witch tem um péssimo desenvolvimento de personagens (bem característico dos shooters da época), além de apresentar um ritmo lento demais para a história. Se em 2006 esses problemas poderiam ser levemente ignorados, em pleno 2018 eles são gritantes, prova de que o jogo não envelheceu bem o suficiente para justificar uma remasterização que modificasse tão pouco o jogo original.

Mecânicas sem atualização

Porém, não podemos exigir muito do enredo, uma vez que (mesmo que não fique claro à primeira vista) estamos falando de uma remasterização. Porém, em outros aspectos, o jogo poderia ter melhorado consideravelmente após 12 anos do seu lançamento. Um deles, com certeza, são suas mecânicas e jogabilidade como um todo. Isso porque a fórmula de avançar por fases atirando em inimigos com AI questionável não é nem um pouco surpreendente em um ano onde temos jogos como God of War (PS4) e Monster Hunter World (Multi) sendo lançados.



Em Bullet Witch, estamos na pele da bruxa Alicia, que possui inúmeras habilidades mágicas e, principalmente, a capacidade de transformar sua vassoura em diversos tipos de armas diferentes. A ideia básica da mecânica é boa e, transportada para os moldes atuais, poderia gerar uma experiência de jogo muito boa. Games como Shadow Warrior 2 (Multi) podem exemplificar como atualizar mecânicas antigas pode funcionar muito bem. Entretanto, infelizmente, não foi o que aconteceu com Bullet Witch.

Aqui temos os mesmos problemas do jogo original: cenários grandes demais, vazios em detalhes e NPCs, com poucos recursos e quase nenhuma justificativa para serem explorados. Além disso, os próprios inimigos são fáceis demais, com pouca inteligência artificial envolvida. Combine aí movimentação travada da protagonista e controles pouco fluidos para termos, como resultado final, uma experiência digna do ano de 2006, mas péssima para 2018.


Nostalgia como ponto positivo

Se mecânicas e enredo não justificam o retorno à Bullet Witch após 12 anos, um ponto pelo menos pode valer a pena, mesmo que não para todos. Este é a nostalgia. Bullet Witch representa não só um retorno ao próprio game lançado em 2006, como também serve para que possamos experimentar de novo a sensação de estar no meio da década de 2000. Isso porque, pelo fato do jogo ser tão datado, determinados elementos causam uma boa nostalgia, como os próprios menus e a dublagem do título.

Assim, o jogo pode não ser totalmente perdido, uma vez que serve realmente de “túnel do tempo” para vislumbrar em pleno 2018 os ares do meio da década passada. É mais incrível ainda notar como que um game de pouco mais de 10 anos de existência já tem diferenças discrepantes para o que vemos atualmente na indústria. Isso deixa um pouco de questionamento sobre onde vamos estar daqui há 10 anos, não é mesmo?


Uma jornada questionável

Uma coisa é certa, se você quer um shooter antigo, com certeza encontrará opções muito melhores no Steam. Por outro lado, se prefere games no estilo mais underground pelo qual Devil May Cry ficou famoso, também tem exemplos melhores disponíveis. Assim, o público que pode desfrutar de algo positivo de Bullet Witch (PC) se torna muito escasso, mesmo com seu preço reduzido.

Porém, mesmo assim, fica a indicação do título para você que curtia o game lá em 2006, mas que, por algum motivo, não tem acesso mais a um Xbox 360. Além disso, como falamos anteriormente, o jogo é uma boa experiência de viagem no tempo, para pegar um pouco da nostalgia do meio dos anos 2000. Infelizmente, é tudo que o game tem a oferecer em 2018, visto que mecânicas, visual e enredo são datados demais e não foram atualizados da melhor forma possível.


Prós

  • Boa nostalgia;
  • Ação pode agradar alguns;
  • Oportunidade de jogar no PC o jogo exclusivo de X360.

Contras

  • Mecânicas datadas;
  • Enredo ultrapassado com péssimo desenvolvimento;
  • Atualização gráfica rasa demais;
  • Controles pouco fluidos e movimentação travada;
  • Inteligência artificial previsível;
  • Nível de dificuldade tedioso;
  • Poucas justificativas para revisitação.

Bullet Witch - PC / X360 - Nota: 4.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: João Telhada
Análise produzida com cópia digital cedida pela XSEED Games.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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