Jogamos

Análise: Shadow Warriors 2 (Multi) esbanja adrenalina e ação de primeira

A continuação da polêmica e violenta história de Wang tardou mas não falhou em chegar arrebentando.

Em 1997, a 3D Realms lançava Shadow Warriors (PC), um FPS que foi bombardeado por críticas e censuras nos anos 1990 por conta da sua violência exacerbada, que fez o jogo, inclusive, ser banido de diversos países na época. Além disso, ficou famoso por ser muito semelhante a outra criação da empresa: a franquia Duke Nukem. Essas coisas forçaram a desenvolvedora a abandonar a franquia, deixando-a num limbo por mais de dez anos.


Em 2013, a Flying Wild Hog ficou responsável por ressuscitar a conturbada criação da 3D Realms através de um reboot com o mesmo nome que foi lançado para PC, XBO e PS4. A tarefa difícil foi feita com considerável maestria pela nova empresa, que rendeu bons frutos e garantiu que agora, em 2016, finalmente a continuação do jogo fosse lançada. Shadow Warriors 2 (Multi) está disponível para PC desde o dia 13 de outubro, mas também chegará ao XBO e ao PS4 em 2017. Com uma grande variedade de armas, muita ação e uma história simples e cativante, Shadow Warriors 2 pode ser uma das melhores experiências em primeira pessoa do ano.

Enredo cômico e interessante

O que já começa chamando a atenção para Shadow Warriors 2 desde o seu teaser é o tom cômico que o jogo possui. Com piadas e posturas que satirizam filmes de ação dos anos 1980 e 1990, o jogo chega a lembrar o personagem Deadpool em alguns momentos. Mas por trás das piadas a lá “Duke Nukem” e de todo o exagero de sangue e violência, o enredo do jogo agrada e seus personagens cativam bastante.

Na história, continuação direta do reboot de 2013, Lu Wang é chamado para usar seus serviços de mercenário para salvar a filha de ninguém menos que o chefe da Yakuza. Entretanto, ao encontrar o corpo da garota, Wang descobre que uma organização estava fazendo experimentos juntando pactos demoníacos e alta tecnologia, o que fez a garota ser possuída por uma entidade maligna. Até aí, um enredo básico, mas tudo se complica quando, para salvar a alma da garota, o ancião Smith a prende no corpo de Wang junto com ele.



Assim, para se ver livre da garota que serve como sua consciência chata e mimada, Wang precisa resolver diversos problemas e perseguir o corpo possuído da garota, enfrentando experiências genéticas, ninjas da Yakuza, soldados, demônios, robôs, andróides e tudo o mais que você puder imaginar entre a mitologia chinesa relacionada a demônios e a alta tecnologia com um toque cyberpunk muito bem vindo.

A história pode até ser bem simples, mas para um jogo de ação, ela cabe muito bem. Somado a isso, temos diversas cenas de diálogos com humor cínico muito bem encaixado, mostrando todo o carisma do protagonista da história. Além disso, diversos personagens secundários são apresentados e, enquanto alguns servem apenas para lojas, outros possuem uma importância ímpar na história, o que garante um pouquinho mais de apreço ao desfrutá-la.


Gráficos densos e jogabilidade rápida

Outro ponto muito positivo do jogo são seus gráficos. Assim que o jogo começa, após a introdução hilária em câmera lenta (que mais uma vez lembra um pouco Deadpool), você toma um choque ao se ver em uma região de florestas onde, ao ventar, absolutamente tudo se move. As árvores, seus galhos, suas folhas, a grama, os itens pendurados em construções, tudo pulsa na sua frente sem um mínimo de queda de frames por isso. Em alguns momentos, durante os poucos minutos sem ação entre uma leva de inimigos e outra, você chega a apreciar as belíssimas paisagens ao longe.

Os mapas por sua vez, gerados de forma aleatória em cada missão, acrescentam um quê a mais para o fator replay. Entretanto, não esbanjam uma grande variedade ao ponto de notar sua aleatoriedade. Em muitos momentos, o mapa só espelha um caminho ou então muda a ordem dos eventos no mapa. Nada que desagrade durante a experiência de jogo, mas também não expressa um exemplo de qualidade e inovação nesse quesito. Compensando essa frustração, os mapas são riquíssimos em detalhes e não são nem um pouco lineares em sua maioria. Você pode escolher seguir o caminho do mapa direto para a missão ou usar suas habilidades ninja para pular muros, entrar em várias casas e explorá-lo bastante, recebendo como prêmio muitos itens e dinheiro extra por isso.



Sobre a jogabilidade de Shadow Warriors 2, ela melhorou exponencialmente tudo que era visto no primeiro jogo em 2013. A movimentação está muito fluida e rápida, o que pode incomodar um pouco na primeira hora de jogo, mas acaba acrescentando mais adrenalina nas cenas de ação. Combinado a essa movimentação temos uma trilha sonora que junta temas orientais, épicos e futuristas, expressando muito bem a sensação de explorar cada parte do mapa. Isso tudo com um nível de desafio considerável mesmo no nível médio, o que torna o jogo uma boa pedida para aqueles que se consideram “old school”, pois, mesmo com vidas e munições a todo momento, sem a devida destreza e resposta rápida, qualquer monstro um pouco mais barra pesada pode acabar com a raça do nosso mercenário ninja.

Ação de primeira para qualquer tipo de ninja

Uma das coisas que chama bastante atenção no jogo é a sua imensa variedade de armamentos e upgrades disponíveis. São mais de setenta armas diferentes que incluem desde diversos tipos de katanas até lança-granadas cyberpunks, passando por metralhadoras demoníacas e pistolas de velho-oeste. O exagero brutal encaixa muito bem no estilo do jogo e a enorme variedade de armas é positivo também para as partidas online no modo cooperativo, fazendo com que os jogadores naturalmente se especializem em um estilo específico de armas, montando verdadeiras classes de ninjas mercenários extra oficiais.



Sobre o cenário, muitas são as utilidades que ele disponibiliza também durante as lutas. Dependendo do tipo de inimigo que se enfrenta, levar as lutas para lugares mais fechados, ou então mais abertos, pode ser uma enorme vantagem. Além disso, carros, cilindros de gás, galões de ácido e diversos outros itens espalhados pelas fases podem (e devem) ser utilizados para facilitar a vida de Wang, já que, em determinados momentos, mais de vinte inimigos aparecem simultaneamente para acabar com a sua raça. 

Falando sobre os inimigos, esses são apresentados em uma grande variedade. Mesmo que alguns funcionem até com movimentos parecidos, suas habilidades, fraquezas e pontos de vida são diferentes. Juntando animais, demônios, humanos e máquinas, muita criatura horrenda aparece na tela, algumas com as devidas explicações, outras, nem tanto, mas isso não impede o jogo de cumprir o seu papel de forma muito positiva.



Os upgrades das armas, por sua vez, incluem todo tipo de bônus: desde velocidade de recarga até danos elementais (dar tiros com uma shotgun que tem uma porcentagem de chance de deixar o inimigo pegando fogo é muito gratificante). Isso tudo dá ao jogo um choque muito significativo entre o antigo e o futurista. Tanto no quesito do enredo, que mistura temas orientais clássicos com cyberpunk cheios de neon, quanto também no quesito jogabilidade, pois traz de volta mecânicas esquecidas de FPS clássicos nos moldes da nova geração, o que vimos Doom (Multi) fazer muito bem esse ano também. 

Uma bela evolução da franquia

Se Shadow Warriors clássico foi visto com péssimos olhos pela maioria, e o seu reboot de 2013 não chamou tanta atenção como deveria, Shadow Warriors 2 vem com tudo para estabelecer de uma vez por todas a franquia como uma boa aposta para amantes de FPS. Mesmo com alguns probleminhas leves, o jogo é um excelente título que compete em igualdade com até mesmo o poderoso Doom (Multi). Todo esse poder trouxe algumas telas de carregamento um pouco lentas, mas nada que impeça a diversão. 

Outro porém que é importante ser citado é que as fases cyberpunk, com muitas luzes e efeitos de neon, podem causar uma dor de cabeça leve naqueles jogadores que se empenharem no jogo por muitas horas seguidas. Mas também nada que vá levá-los ao hospital (tendo bom senso, é claro). Salvos esses pontos, Shadow Warriors 2 é uma ótima pedida para amantes de FPS e ação desenfreada, para aqueles que curtem dar tiros em levas de monstros e inimigos horrendos, ou então preferem uma boa e velha espada, afinal, armas não faltam nesse jogo!


Prós

  • Gráficos densos e com muita movimentação;
  • Enredo cômico e interessante;
  • Jogabilidade rápida incrementa a ação;
  • Grande variedade de armas e upgrades;
  • Trilha sonora condizente com a ambientação;
  • Nível de dificuldade interessante;
  • Boa variedade de golpes especiais e habilidades;
  • Boa variedade de inimigos;
  • Choque entre antigo e novo agrada;
  • Fases amplas e com recursos interessantes para se usar.

Contras

  • Batalhas são um pouco confusas no início;
  • Fases cyberpunk podem dar dor de cabeça;
  • Telas de carregamento um pouco demoradas;
  • Aleatoriedade dos mapas não é muito perceptível.

Shadow Warriors 2 — PS4, XBO, PC — Nota: 9.0
Plataforma usada para análise: PC

Revisão: Ana Krishna Peixoto


Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais