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Análise: Unexplored (PC) apresenta incríveis dungeons e várias formas de morrer

O novo jogo da Ludomotion usa e abusa da geração cíclica de dungeons, fazendo a exploração se tornar uma experiência única.

Umm gênero de games muito apreciado por jogadores é o Roguelike. Essa linha clássica de jogos, iniciada por Rogue (PC) se caracteriza principalmente por mecânicas como a morte permanente, algum conteúdo gerado proceduralmente e dificuldade acentuada. Já escrevemos sobre o Roguelike aqui no Blast, inclusive.


No mundo dos games independentes, diversos são os títulos que abusam desse formato. Uns esbanjam qualidade como The Binding of Isaac (Multi) ou Dark Quest 2 (PC), já outros, patinam um pouco, como foi o caso de Rogue Wizards (PC). É nesse meio que temos Unexplored, um Roguelike no estilo clássico que apresenta alguns conceitos interessantíssimos para o gênero.

A exploração pela exploração

Inicialmente o jogo começa demasiado simples. Com a tradicional criação de personagem e a escolha mínima de aparência e equipamentos. Daí começamos rapidamente a atividade que move todo o jogo despretensiosamente: a exploração de masmorras. Aqui, não temos um enredo de fundo ou uma história a ser desbravada, são masmorras, cavernas, esgotos e calabouços gerados única e exclusivamente com o intuito de serem desbravados pelo jogador.

Os comandos são simples e bem instintivos. Isso é ótimo pois, como falaremos mais à frente, o sistema de combate é um dos pontos mais altos do game. Além disso, a visão “aérea” dá todo um visual característico para o jogo, que pode desagradar alguns no início, mas rapidamente nos acostumamos com ele e passamos a apreciá-lo.



Aqui, bem como em The Binding of Isaac, tudo que fazemos na aventura  é perdido caso sejamos mortos. Iniciando então um novo personagem que virá com o título de The Second, The Third e por aí vai (o que ajuda o jogador a contar quantas vezes ele já morreu). Essa exploração despretensiosa e, ao mesmo tempo, arriscada é o que motiva o game.

Por outro lado, mesmo que as masmorras sejam interessantíssimas, é sentida a ausência de um enredo mínimo que justifique sua exploração. Mesmo o clichê do resgate de um prisioneiro ou da destruição do mal supremo seria bem-vindo aqui, propiciando o pano de fundo ínfimo que daria mais diversão ainda para a aventura.

O desafio cíclico de cada andar

A principal inovação de Unexplored é também a sua base fundadora. O jogo se diferencia de outros títulos do gênero, pois suas masmorras são criadas através de uma lógica de programação chamada Cyclic Dungeon Generation (Geração Cíclica de Masmorra, em uma tradução livre). Esse novo conceito de desenvolvimento randômico de dungeons aumenta a variação de caminhos, tornando as masmorras muito mais labirínticas e, ao mesmo tempo, fechadas nelas mesmas.

Na lógica de uma masmorra de games, o jogador deve encontrar uma chave através de um caminho para, continuando esse caminho, ele encontre a porta que será aberta por ela. Ou então, outro formato muito utilizado é o de caminhos no formato de galhos, onde o jogador deve ir por um lado para encontrar a chave, retornar pelo caminho feito e seguir para o outro até encontrar a porta.

Em Unexplored, graças ao Cyclic Dungeon Generation, o jogador encontra um caminho possível para a chave e retorna por outro caminho ao ponto de partida, onde poderá abrir uma porta para o próximo nível. Esse formato cíclico se diferencia dos demais, pois cria uma maior gama de possibilidades nas masmorras e evita o surgimento de salas inúteis, uma vez que o jogador poderá fazer mais de um caminho para o mesmo lugar, pois tudo está conectado em um ciclo.

Esse sistema deixa a exploração muito mais dinâmica e livre, com masmorras complexas e desafiadoras. Além disso, diversos mecanismos foram introduzidos como nado, mergulho, desvio de objetos, armadilhas variadas, passagens secretas, enigmas a serem resolvidos e, claro, uma grande variedade de inimigos, dependendo do andar e do nível de dificuldade no qual você está jogando.

Sistema de combate impecável

Para um jogo com visão superior, o sistema de combate de Unexplored é excepcional. Com comandos fluidos e direção guiada pelo cursor, os próprios movimentos do mouse já são contados como movimentos de determinadas armas. Balançar uma espada, por exemplo, de um lado para o outro já conta como um golpe em determinados inimigos. Isso além do golpe próprio da espada, que precisa de um tempo para ser recarregado.

Além disso, o jogo conta com um número muito bom de armas e equipamentos, facilitando ou dificultando a movimentação, aumentando ou diminuindo a área de alcance de cada golpe, entre outros artifícios. Isso tudo é muito bem adaptado para a jogabilidade com o mouse e usa bastante da física de cada movimento. O recurso de poder usar uma arma em cada mão ou então um item de arremesso ou de defesa potencializa ainda mais a variação de estilos de combate.


Curva de aprendizado bem estruturada

Um elemento é muito importante em Roguelikes de vida única: a curva de aprendizagem. Isso porque se o jogo não permite que você guarde nenhum dos seus itens ou avanços para a próxima vez que você for tentar jogar, algo no jogador deve estar mudado, pois, caso contrário, a exploração jamais avançaria. E nisso, Unexplored acerta em cheio. A cada exploração, quem joga consegue, de fato, ir mais e mais longe, pois a cada aventura aprende algo novo que o auxilia na próxima vez que encontrar aquele desafio.

Além disso, quanto mais tempo durarmos nas masmorras, mais ouro acumulamos e mais itens estarão disponíveis na loja inicial antes da exploração começar. Mas esses elementos não são os cruciais para o enriquecimento da aventura, mas sim o aprendizado de tentativa e erro que cada um adquire ao longo da jogatina.



Entretanto, é importante ressaltar que essa exploração focada totalmente em aprendizado pode causar uma perda de foco em alguns momentos. Pode causar certa monotonia e até abandono da exploração. Porém, basta começar tudo de novo e a curiosidade é renovada, devido também ao uso mais familiarizado das mecanicas aprendidas anteriormente.

Recomeçar sempre!

Unexplored consegue divertir bastante e seu nível de desafio instiga o jogador a se superar cada vez mais. Infelizmente, o ganho material dentro do jogo não é suficiente para motivar ainda mais a exploração, o que pode causar monotonia em alguns pontos. Fora isso, tudo no jogo é sensacional.

A mecânica de geração de masmorras cumpre seu papel e a exploração é um dos pontos altos do game. Essa exploração é ambientada com uma trilha sonora impecável que cativa e motiva a jogatina. Mesmo com alguns leves deslizes, o título pode dar várias horas de diversão e ação, cada vez mais fundo e cada vez mais épico.


Prós

  • Sistema de geração de masmorras interessante;
  • Curva de aprendizado bem projetada;
  • Nível de desafio instigante;
  • Sistema de combate bem estruturado;
  • Trilha sonora cativante.

Contras

  • Pode ser monótono em alguns momentos;
  • Nível de dificuldade pode afastar alguns;
  • Falta de um objetivo claro pode desmotivar exploração.
Unexplored  — PC  —  Nota: 8.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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