Enquanto 1992 se destacou pela enorme quantidade e variedade de títulos, a SNK segurou as rédeas do Neo Geo no ano seguinte. Não se sabe se foi para concentrar forças em 1994 — um dos melhores anos da plataforma — ou se simplesmente haviam colocado tudo no ano anterior. Entretanto, foi em 1993 que o Neo Geo chegou oficialmente ao Brasil, em julho, acompanhado de World Heroes 2.
Vamos relembrar como a qualidade dos lançamentos compensou a quantidade.
Sengoku 2
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Lançamento: 18/02/1993 — Desenvolvedora: SNK — 74 Mega |
Critiquei bastante o primeiro Sengoku pelo quão desengonçado e datado ele era para 1991, e sua sequência ao menos é superior. Novamente, a dimensão dos humanos e uma dimensão feudal demoníaca se fundiram, e cabe a dois heróis salvar o mundo.
As animações estão infinitamente melhores e mais condizentes com sua época, inclusive com os protagonistas se virando para tentar acompanhar a posição dos inimigos em alguns ângulos. Os cenários também são mais detalhados e variados, sem repetir tanto os mesmos temas da prequela.
Infelizmente, embora a jogabilidade seja decente, Sengoku 2 ainda é um beat ’em up sem combos, reforçando a impressão de que a SNK realmente não era a mais capacitada para o gênero. É um título que chama bastante atenção por sua apresentação, mas não vai conquistar pelo quão gostoso é de jogar.
3 Count Bout
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Lançamento: 25/03/1993 — Desenvolvedora: SNK — 106 Mega |
Um jogo de luta livre com bastante liberdade poética — ao menos mais do que seria esperado para a modalidade. Os enormes sprites são a primeira coisa que chama atenção e, embora o design dos personagens seja bastante seguro, eles são interessantes e transmitem bem a ideia do arquétipo de cada lutador.
A jogabilidade é bem familiar ao estilo, com arremessos para fora ou contra as cordas do ringue, porradas lentas e impactantes, contagem caso um dos combatentes fique fora do ringue ou caído no chão, além do pin para imobilizar o adversário.
Até acho mais fluido que seu concorrente do mesmo ano, Saturday Night Slam Masters, mas perde um pouco do carisma do jogo da Capcom no design dos personagens. Foi uma boa primeira tentativa da SNK no mundo do wrestling.
World Heroes 2
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Lançamento: 26/04/1993 — Desenvolvedora: ADK — 146 Mega |
A ADK jogou seguro com World Heroes 2. É um jogo mais rápido, com a louvável adição de seis personagens, todos os veteranos de volta e arenas mais bonitas. O maior porém é que o “feeling” do combate ainda sofre pela falta de um sistema de combos.
O modo Death Match recebeu alterações bem interessantes nas regras. Além de haver fases exclusivas com armadilhas mais elaboradas, as tradicionais barras de vida são trocadas por uma única barra que funciona como um cabo de guerra. Quem estiver levando a pior na partida pode dar a volta por cima se conseguir acertos consistentes no oponente. Se alguém cair durante a luta, pode voltar à disputa apertando os botões rapidamente, como em uma partida de luta livre.
Samurai Shodown
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Lançamento: 07/07/1993 — Desenvolvedora: SNK — 118 Mega |
É inegável a importância e a popularidade de Fatal Fury e Art of Fighting no gênero, mas eu dou um pouco mais de crédito a Samurai Shodown pelo quão revolucionário ele foi em seu lançamento. Nada de porradinhas no soco em ambientes modernos; Haohmaru e companhia trouxeram os duelos 1v1 para tempos remotos, e as desavenças eram resolvidas na lâmina — ou o mais próximo disso.
Isso não é apenas uma mudança estética, pois o ritmo dos embates é mais lento para beneficiar a precisão. Ataques bem aplicados podem causar danos imensos ao adversário, trazendo uma visão mais tática para os jogos de luta. O dano pode ser ainda mais agressivo quando a barra de Rage está preenchida, beneficiando quem está perdendo a luta e oferecendo a oportunidade de um contra-ataque.
Como se não bastasse a jogabilidade satisfatória, essa era a produção mais bonita da SNK até então. As fases são deslumbrantes até hoje, tanto em escala quanto em detalhamento; os personagens são carismáticos; a apresentação evoca com maestria o Japão do século XVIII; e a trilha sonora é brilhante.
Samurai Shodown não só conquistou o Neo Geo como também foi uma das obras mais portadas daquela época, com cada versão trazendo suas peculiaridades. Contudo, nada se equiparava ao quão bem ele rodava no próprio hardware da SNK e, pelo menos em 1993, poucos sistemas poderiam competir nesse campo.
E o começo dessa jornada era apenas uma amostra do que viria em 1994.
Fatal Fury Special
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Lançamento: 16/09/1993 — Desenvolvedora: SNK — 150 Mega |
Uma versão totalmente melhorada da já ótima sequência. O elenco foi ampliado com o retorno de três personagens do primeiro Fatal Fury, todos os chefes se tornaram selecionáveis, além da introdução de Ryo Sakazaki, de Art of Fighting, em um dos primeiros crossovers dos videogames.
A jogabilidade também recebeu revisões bem-vindas. Houve um ajuste na velocidade e alguns comandos tiveram seus inputs facilitados. Finalmente, temos um jogo de luta da SNK com um sistema de combos. Isso melhora demais a dinâmica das lutas, tornando Fatal Fury 2 obsoleto.
O único problema é o quão absurda é a IA no modo arcade. Mesmo colocando na dificuldade fácil, o input reading é tão agressivo que, em algumas batalhas, precisamos encontrar brechas para conseguir avançar. É um ótimo título para partidas multiplayer, mas, sozinho, é doloroso.
Spinmaster
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Lançamento: 16/12/1993 — Desenvolvedora: Data East — 62 Mega |
O único game third party de 1993 no Neo Geo é um jogo de plataforma bastante honesto. No controle de um garoto radicalmente noventista e seu ioiô, devemos derrotar uma infinidade de inimigos distintos para resgatar sua amiga de um cientista.
Há um DNA bem claro da Data East na parte visual, com traços que remetem a Joe & Mac. Os sprites são grandes e bem animados, e o uso das cores é marcante e característico da produtora. A jogabilidade também tenta ser variada, com power-ups que mudam o funcionamento do ioiô.
Apesar da campanha simples, é uma experiência arcade divertida que inicia a jornada da Data East no Neo Geo.
Um respiro para um futuro bombástico
Apesar do ano curto, o peso de Samurai Shodown sustentou a qualidade dos lançamentos, enquanto Fatal Fury Special manteve a saga de Terry Bogard em evidência por mais tempo, até a chegada da terceira entrada. Já em 1994, a situação foi bem diferente — e por um lado positivo, inclusive —, pois foi a partir daí que o Neo Geo começou a receber clássicos cada vez mais. Chegaremos lá na próxima parte.
Revisão: Thomas Farias














