O ano de 1992 para o Neo Geo foi tão recheado de lançamentos quanto 1991. A plataforma ganhou um pouco mais de suporte de terceiros, e o tamanho dos jogos no cartucho começou a ficar grande — até estourar os três dígitos nos últimos lançamentos.
A estratégia de marketing da SNK continuou agressiva, tirando sarro da Sega e Nintendo pelo quão “fracos” seus consoles eram perante o todo-poderoso Neo Geo, e até ridicularizando a iniciativa da dona de Sonic de apostar no CD como forma de armazenamento. O mais irônico era que a conversa sobre adotar a mídia óptica estava rolando internamente na empresa.
Sem mais delongas, vamos desbravar o terceiro ano do monstro dos gráficos bidimensionais.
Football Frenzy
| Lançamento: 31/01/1992 — Desenvolvedora: SNK — 48 Mega |
Visual e sonoramente não é muito chamativo, com poucos usos do que o sistema é capaz. Há algumas animações nas contagens de pontos, mas mesmo elas não são fluidas. Perto de um certo jogo de futebol de verdade que foi lançado no final de 1992, esse aqui passa muita vergonha.
Soccer Brawl
Lançamento: 14/02/1992 — Desenvolvedora: SNK — 46 Mega |
Também não é um jogo com muito apelo na apresentação. Considerando a temática similar à Super Baseball 2020, esperava-se um pouco mais do estilo dos personagens, dos campos e até das cenas de transição. O que temos é uma “animação” de dois frames quando rola um gol na partida, reproduzida de maneira exageradamente acelerada.
Mutation Nation
Lançamentos: 16/03/1992 — Desenvolvedora: SNK — 54 Mega |
A SNK finalmente acertou na jogabilidade, com sistema de combo e agarrão funcionais, ritmo de combate satisfatório e inimigos legais de enfrentar, muito devido à temática de criaturas monstruosas. Além das ofensivas físicas, podemos usar um especial ao carregar o botão de socos para varrer a tela de ameaças, com os efeitos mudando ao coletar diferentes power-ups.
Os cenários são muito bonitos, sem economizar nos detalhes para aumentar a imersão, usando cores com bastante criatividade. As músicas são bem divertidas, com aqueles samples de guitarra e bateria característicos da primeira geração do Neo Geo. Recomendado!
Last Resort
Um dos melhores títulos do Neo Geo e top 3 dentre os shmups do sistema, Last Resort soa como uma produção de alto investimento da SNK. A jogabilidade é muito similar a R-Type, com tiros carregados e uso de um pod como barreira e tiro secundário, sendo possível alterar seu ângulo de ataque manualmente nessa abordagem.
Todo o resto é bem único, com claras inspirações no lendário anime/mangá Akira na direção de arte. Backgrounds com técnicas engenhosas de perspectiva, boa variedade de inimigos e chefes gigantescos marcam a obra. A música é sublime, numa vibe mais cinematográfica e por vezes atmosférica, sem largar uns belos riffs de guitarra na melodia.
É uma experiência que busca hype e grandeza a todo o momento, e ele só peca em um detalhe: a dificuldade frustrante. Um tiro destrói a nossa nave, e assim como R-Type, somos mandados de volta a um checkpoint — que quase sempre está muito distante de onde morremos.
Entretanto, passada a barreira do desafio papa-fichas, Last Resort é sublime. É um daqueles jogos do Neo Geo que não teve nenhum console contemporâneo que conseguiria reproduzir sua apresentação da mesma forma.
Baseball Stars 2
Sequência bastante melhorada de um dos primeiros lançamentos do Neo Geo. Além de contar com visuais mais bonitos, a interface é bastante estilizada, destacando retratos dos atletas e fazendo alguns jogos de câmera. Adoro que quando uma bola é rebatida, a tela se divide entre a visão aérea do campo e um corredor atravessando o campo enquanto a bola está em percurso.
Embora ainda ache Super Baseball 2020 mais chamativo, Baseball Stars 2 é bem melhor que os outros títulos de esportes do ano até então.
Quiz Meitantei Neo & Geo: Quiz Daisousasen Part 2
Aventura de quiz extremamente similar ao primeiro, trazendo Neo e Geo para uma confusão de viagem no tempo e até além da Terra. A estrutura é a mesma, muitos gráficos foram reutilizados, e no geral parece tão interessante quanto a prequela. Infelizmente, continua apenas em japonês, então só dá para admirar as belas animações de longe sem o uso de uma ferramenta de tradução.
Ninja Commando
Retornando à temática de ninja mais uma vez, Ninja Commando é um shooter vertical no estilo de Commando (ironicamente). Escolhemos entre três agentes das sombras que devem viajar por diferentes períodos do tempo atrás de um vilão, tacando projéteis em tudo que se mexe como se tivéssemos uma metralhadora de shurikens em mãos. A premissa é simples, mas divertida.
O aspecto audiovisual é similar ao de outros jogos da Alpha Denshi, utilizando tons mais escuros e trilha com sonoridade mais simples. Contudo, os chefes são comicamente grandes perto dos heróis, o que deixa as lutas um tanto difíceis pelo pouco espaço de movimentação em tela.
O que deixa o game ainda mais divertido é o uso quebrado de inglês nos textos. “Go investigate and ruin his plains LIGHT NOW!” é um dos exemplos hilários que rolam em diálogos.
A propósito, Ninja Commando é diretamente ligado a World Heroes. Além de Doc Brown ser o responsável por nos mandar na viagem do tempo, um dos ninjas selecionáveis é descendente de Fuuma — e isso antes da existência do jogo de luta entre figuras históricas, que seria lançado alguns meses depois.
King of the Monsters 2: The Next Thing
Lançamento: 25/05/1992 — Desenvolvedora: SNK — 74 Mega |
É uma produção mais fácil de entender, mas por consequência, só há três personagens selecionáveis. Em contrapartida, o elemento de destruição é mais integrado à gameplay, os monstros possuem mais movimentações, e há alguns momentos de jogabilidade diferenciada, como uma em que se deve descer uma cachoeira.
Esse foi o primeiro título a chegar na casa dos 70 megabits de tamanho.
Andro Dunos
Lançamento: 15/06/1992 — Desenvolvedora: Visco — 34 Mega |
O que chama a atenção do game são os gráficos, ou melhor, a simplicidade deles. Longe de ser um jogo feio, só que isso rodaria facilmente num PC Engine ou Mega Drive, pois não há grandes usos do que o Neo Geo é capaz. Perto de Last Resort, parece uma produção de uma geração anterior.
O verdadeiro início de uma nova era
Chegamos ao fim do primeiro semestre de 1992, e como puderam ver, parece uma extensão de 1991 com títulos de esporte, beat ‘em up e shmups. A segunda metade, no entanto, foi marcada por três chegadas gigantescas nos jogos de luta, dando um passo à frente na ambição das produções do Neo Geo. Veremos mais sobre na próxima parte.
Revisão: Thomaz Farias

