Análise: Bubsy 4D é o bom jogo que o lince merecia, embora precisasse de mais polimento

Continuação direta de um verdadeiro desastre dos games, a Fabraz entregou uma aventura competente.

em 21/05/2026
A chegada de Sonic em 1991 deu início a uma onda de mascotes radicais e descoladas nos videogames. Bubsy, um lince tagarela e carismático, surgiu entre personagens como Sparkster, Earthworm Jim e Crash Bandicoot, protagonizando um jogo desengonçado com boas ideias. 


No entanto, em vez de melhorar, a sequência foi estranha, com uma entrada ainda pior no Atari Jaguar e o que é considerado uma das maiores piadas na conversa sobre a "transição para o 3D", com Bubsy 3D. Na década passada, conquistamos duas entradas na franquia, porém ainda estávamos sob a maldição da mediocridade que envolvia o antigo símbolo da Accolade.

Bubsy voltou vitorioso com Bubsy 4D, regressando ao mundo tridimensional 30 anos após o insucesso do primeiro PlayStation. Sob a responsabilidade da Fabraz (conhecida por Demon Turf e pelo recente Demon Tides), o gato tagarela finalmente ganhou um título que podemos classificar como bom. No entanto, quão bom ele é?

As lãs de ouro

Os Woolies, inimigos clássicos da franquia, retornaram com um plano ainda mais maligno: em vez de roubar lã, que tal sequestrar todas as ovelhas do planeta? Eles até conseguem executar o sequestro global, mas as ovelhas conseguem se revoltar e se transformam nos BaaBots, utilizando a tecnologia dos extraterrestres.

Ao retornarem à Terra, eles decidem roubar as lãs douradas de Bubsy. É nesse momento que o lince entra na história, precisando explorar três planetas junto de sua família esquisita — apresentada em Bubsy: Paws on Fire! — para recuperar seus valiosos novelos. 

Os NPCs estão presentes apenas para fazer algumas piadas e sempre zombar do gato, com gags típicas de desenho animado. Apesar de o texto não ser brilhante, houve uma menção inesperada a Gex que me tirou uma risada sincera. É uma pena que a Atari, mais uma vez, não tenha localizado um jogo publicado por ela em português.

De imediato, Bubsy 4D parecerá bastante com Demon Turf e, particularmente, com Demon Tides. O foco está no controle aéreo do personagem, com uma variedade de pulos distintos para superar desafios de plataforma que, à primeira vista, parecem exagerados, mas se tornam progressivamente mais fáceis com prática e familiaridade com os controles.

Curiosamente, muito da pegada do primeiro Bubsy funciona dessa forma, só que em 2D. A habilidade de planagem encaixa bem no pular de plataformas, enquanto o botão para um avanço horizontal no ar ajuda a dar um gás a mais para alcançar o terreno mais próximo.

Saber o timing certo para usar a planagem e o avanço é a chave para vencer os desafios, e boa parte da campanha se concentra no puro platforming. O combate é praticamente inexistente, com uma retícula para se arremessar nos inimigos próximos, e só.

Além de poder se agarrar na parede e em grades, Bubsy ganhou a habilidade de se “inflar” e virar uma bola, podendo percorrer caminhos em formato de tubos — ou entrar em um tubo real — em alta velocidade. Quase toda fase terá uma sessão dessas, que acabam servindo de interseção entre áreas.

Embora pareça ameaçador à primeira vista, Bubsy 4D só exige mais persistência na busca por projetos para adquirir novos movimentos para o lince, e novelos de lã que servem como moedas para skins. No geral, a aventura é bem tranquila e definitivamente longe das sacanagens que os games originais faziam com o jogador.

“More like a bridge too short”

Embora as possibilidades sejam atraentes para os speedrunners por causa da grande liberdade de movimentação, Bubsy 4D falha na diversidade de gameplay. Há alguns elementos como domos antigravidade e sessões com visão superior estão presentes em alguns níveis, mas na maioria das vezes teremos momentos para rolar e entrar em tubos em praticamente toda fase.

Ao chegar na metade da campanha, comecei a sentir um certo desgaste com a repetição, como se não tivessem conseguido desenvolver muitas ideias a partir da jogabilidade. Isso pode justificar a brevidade do título, que conta com apenas quinze etapas divididas em três mundos, dando pouco mais de duas horas de campanha.

Para resumir, o visual e a arte de Bubsy 4D são excêntricos. Cada planeta visitado possui um tema central, sempre fundamentado na noção de que estamos explorando territórios artesanais, apresentados de maneira abstrata, com itens como caixas e frascos flutuando pelo ambiente. Algumas dessas ideias fazem referência ao estilo de Bubsy 3D, organizadas de maneira que funcione desta vez.

Apesar de ser um jogo decente do ponto de vista técnico, acredito que Bubsy 4D poderia ser visualmente mais atraente se houvesse um maior investimento em shaders que incorporassem melhor o estilo cartoon. A ausência de um sombreamento mais intenso e filtros básicos torna a identidade visual um pouco monótona, ainda que a temática geral seja interessante. 

E como não poderia deixar de ser, Bubsy é tagarela. Fica fazendo comentários sobre coletáveis durante as fases, ao pausar, ao executar certas habilidades, entre outras ações. Embora não haja muita variedade de falas, o protagonista mantém sua fama de ser bastante irritante como deve ser — e sim, existe um controle deslizante nos menus para silenciá-lo, caso deseje.

Bubsy 4D também apresenta uma trilha sonora de qualidade, com melodias memoráveis que combinam com o visual peculiar dos níveis. Os temas são dominados por EDM, jazz e eletrônica lo-fi, e me peguei cantarolando essas músicas enquanto tentava desvendar os mistérios de cada etapa.

“What could possibly go wrong?”

Fico feliz em dizer que Bubsy 4D é, finalmente, o bom jogo que o lince merece. Uma aventura divertida, com diversos movimentos que serão um deleite para aqueles que buscam dominar os controles num platformer 3D mais solto, porém acessível o bastante para quem apenas quer completar os desafios sem complicações.

Contudo, é uma obra longe de ser perfeita. Além do visual que carece de mais personalidade, há uma grande repetição de etapas — principalmente aquelas que exigem rolar por tubos —, bem como oferece pouca quantidade de níveis para se jogar. Mesmo assim, é uma experiência divertida que consegue trazer de volta um desacreditado mascote clássico dos videogames.

Prós:

  • Movimentação fácil de entender e difícil de masterizar, abraçando casuais e aqueles que desejam o desafio de concluir fases no menor tempo;
  • Há uma série de coletáveis para procurar em cada nível, nos recompensando com novos movimentos e skins;
  • Trilha sonora excelente, com alguns temas memoráveis;
  • O estilo de mundos artesanais consegue executar melhor o fator abstrato que os jogos clássicos tentavam fazer, especialmente Bubsy 3D.

Contras:

  • Os gráficos carecem de maior personalidade, com uma entrega técnica apenas decente;
  • Apenas quinze fases deixam a duração da campanha bem curta;
  • A câmera pode se tornar uma dor de cabeça para manusear;
  • Não há localização de textos em português.
Bubsy 4D — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Tomaz Farias
Análise produzida com cópia cedida pela Atari
OpenCritic
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Alecsander "Alec" Oliveira
Um ser que está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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