Análise: Sigma Star Saga DX é a melhor versão de um RPG repleto de batalhas e aventuras espaciais

Misturando gêneros diferentes, o game merecia um pouco mais, mas continua a oferecer uma experiência divertida mesmo após tantos anos da sua estreia.

em 10/04/2026
Recentemente, muitos jogos antigos receberam a oportunidade de chegar a novos públicos. De Mega Man a Fatal Frame, passando por Bomberman e Fighting Force, são muitos os exemplos de relançamentos nos videogames. A bola da vez é Sigma Star Saga DX, um RPG que mistura várias ideias em uma aventura intergaláctica única. Pronto para conhecer esta odisseia repleta de alienígenas e naves espaciais?

Uma nova oportunidade

Originalmente lançado para o Game Boy Advance, Sigma Star Saga chegou em 2005 com uma proposta inovadora, sobretudo para a época: um RPG com combates no estilo shoot ‘em up, mas também com explorações e combates em tempo real. A ambientação espacial, com direito a planetas desconhecidos e diversas raças alienígenas, tornava a aventura ainda mais original.
Apesar de ter conseguido algum sucesso com o público, diversas críticas foram feitas quanto ao ritmo da campanha. Desafios repetitivos, excesso de backtracking e enredo com partes arrastadas limitaram o potencial do game. Portanto, era de se esperar que a sua nova versão, Sigma Star Saga DX, traria novidades para elevar a qualidade geral do título para os públicos modernos.
 
Vale explicar mais sobre o jogo em si antes de falarmos dessas novidades. A aventura estrela Ian Recker, um talentoso piloto espacial em um futuro em que a Terra está em conflito com os Krill. Após uma quase derrota, os líderes humanos decidem enviar o protagonista em uma missão de infiltração, que deve descobrir os segredos inimigos antes que seja tarde demais.
Ian consegue entrar para as forças inimigas com sucesso, aprendendo mais sobre eles conforme executa missões e interage com o exército Krill. Eles fazem uso de parasitas para aumentar suas habilidades e pilotam naves biológicas, desafios inéditos para o herói terrestre. Novas e velhas parcerias surgem durante a campanha, que tem várias reviravoltas e eventos interessantes, como esperado de um RPG.

Novidades pontuais e vitais

Aliás, embora o gênero RPG seja o mais destacado em Sigma Star Saga DX, ele é seguido de perto pelo gênero shoot ‘em up. São diversas oportunidades em que o jogador precisa embarcar em uma nave espacial e enfrentar toda sorte de inimigos. Aqui também temos uma boa dose de qualidade, sobretudo graças ao sistema de customização do veículo.
São três tipos diferentes de opções (canhão, projétil e impacto), que podem ser escolhidas de acordo com itens encontrados ao longo da campanha. Logo, o jogador pode escolher características como direção, velocidade e alcance dos disparos, bem como o tipo de dano causado. Nada particularmente revolucionário, mas a jogabilidade funciona bem.
 
Por fim, o jogador precisa controlar Ian Recker pelos mapas do jogo. Mais do que apenas explorar, é preciso interagir com controles, enfrentar inimigos em tempo real, saltar de plataformas e usar habilidades do parasita que o herói recebeu. O título conta com seis planetas diferentes e uma boa dose de backtracking, deixando a plenas vistas as partes do cenário que não podem ser acessadas sem o recurso certo. Felizmente, o mapa do jogo é bem competente para essas situações.
Inclusive, podemos começar a falar das novidades que a versão DX traz ao Sigma Star Saga original. Uma delas é justamente os mapas, que agora trazem indicadores mais claros de pontos de interesse e para onde devemos ir. Recker também ganhou mais velocidade nas seções de exploração, permitindo atravessar áreas de forma mais rápida.

A fronteira final

Outra novidade importante é quanto aos combates espaciais aleatórios. Explico: embora missões e lutas contra chefes — usando espaçonaves — aconteçam em pontos específicos da história, elas são mais numerosas durante a exploração dos planetas. É como nos RPGs tradicionais, em que inimigos surgem aleatoriamente ao caminhar pelos cenários; a diferença é que aqui as lutas são entre veículos espaciais.
O jogo original tinha uma frequência de combates bastante alta, tornando a exploração dos planetas uma tarefa travada e morosa. A nova versão aumentou o tempo entre encontros, tornando as coisas mais fluidas. Para compensar a diminuição de oportunidades para obter pontos de experiência, a quantidade obtida em cada combate foi aumentada.
 
Essas modificações foram muito bem-vindas, pois confesso que não consigo me imaginar caminhando com um herói mais lento ou tendo o dobro de encontros aleatórios. O jogo realmente tem partes morosas, que seriam muito mais difíceis de encarar se essas mudanças no ritmo não tivessem sido executadas. Sigma Star Saga DX também recebeu mais pontos de salvamento e correções textuais em diálogos e descrições de itens.
Em resumo, todas as novidades da nova versão — que também modificou hit boxes das seções de plataforma e ajustou o disparo automático das armas — foram benéficas para o game. Minha única crítica nesse sentido é que as adições poderiam ter ido um pouquinho além. Talvez eu tenha ficado mal-acostumado com a produtora Wayforward em Shantae Advance: Risky Revolution, mas achei que faltou algo mais.

Resultado limitado

Mesmo que os visuais pixelados ainda sejam agradáveis e charmosos, algumas partes da aventura estão meio feinhas. Novas animações e ilustrações seriam ótimas para compensar isso e adicionar mais imersão ao universo do game. O trabalho no áudio está alguns passos atrás dos gráficos (algumas músicas são repetidas demais, por exemplo) e seria ainda mais beneficiado por novidades.
É uma pena, pois Sigma Star Saga DX é divertido no geral e merecia mais. Tarefas como conquistar novas habilidades para o herói — inclusive para revisitar planetas no estilo metroidvania — e obter customizações inéditas para as naves são interessantes, mantendo a jogabilidade suficientemente fresca. Os personagens são cativantes e proporcionam bons momentos.
 
Falando nisso, vale destacar que o game conta com mais de um final diferente. De acordo com as ações de Ian Recker em relação aos seus dois interesses amorosos — a pilota Krill chamada Psyme e a cientista humana Scarlet —, podemos encontrar um fechamento distinto para a campanha. Não espere algo incrível, mas é legal ter alguma flexibilidade e até incentivo para um New Game+.
A versão DX traz galeria de arte, jukebox com as canções do game, opção de rebobinar e um sistema de salvamento/carregamento instantâneo. Só cuidado: existe somente um espaço e não há mensagem de aviso quanto a sobrescrever o save anterior. Opções como filtro de tela e customização das bordas também estão inclusas (curiosamente, uma das bordas tem ilustrações modernas, que poderiam estar presentes em mais partes do game).

Uma boa pedida

Se a versão original já era divertida e com boas ideias, Sigma Star Saga DX conseguiu tornar a experiência mais agradável em termos modernos. Ajustando combates, mapas e textos, o (re)lançamento é uma boa pedida para conferir uma aventura com personagens cativantes, combates espaciais legais e diversas surpresas. As novidades poderiam ter sido um pouco mais profundas para compensar certos probleminhas do jogo original, mas ainda assim temos uma experiência suficientemente interessante.

Prós

  • RPG consegue combinar diferentes tipos de desafios de forma competente e divertida;
  • Atualizações da nova versão são todas muito bem-vindas, com destaque para balanceamento de combates e melhorias nos mapas;
  • Sessões shoot ‘em up são divertidas, com vários tipos de naves e inimigos diferentes;
  • Campanha é interessante e oferece uma boa dose de eventos na história;
  • Boa quantidade de customizações das naves, variedade nas seções de plataforma e recompensas para exploração no estilo metroidvania.

Contras

  • Alguns elementos pontuais do game não envelheceram bem em termos atuais, tais como visuais e áudio;
  • Mesmo com várias novidades legais, a nova versão poderia ter recebido um pouco mais de adições interessantes.
Sigma Star Saga DX — PC/PS5 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise redigida com cópia digital cedida pela WayForward
OpenCritic
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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