Análise: Fighting Force Collection reúne dois clássicos suficientemente divertidos num pacote quase insuficiente

Revivendo os primórdios dos jogos em três dimensões, temos aqui um título com boa dose de diversão, ainda que básica.

em 09/02/2026
Nada como reviver aqueles grandes clássicos dos videogames, não é mesmo? O mundo dos videogames conta com muitas pérolas do passado que valem a pena ser revividas, sobretudo por meio de coletâneas. Fighting Force Collection é o mais novo título da franquia, reunindo os dois games da década de 90, repletos de ação, em um só pacote. Pronto para mais uma análise explosiva?

Uma coleção que ficou devendo 

Antes de entrarmos mais a fundo nos jogos clássicos, vamos começar falando da coletânea em si. O título tem uma apresentação bastante simplista, com menus pouco inspirados, quase desleixados. Além dos dois games, é possível conferir uma galeria de arte com ilustrações e rascunhos, possivelmente utilizados durante a produção original.
Digo “possivelmente” porque elas são simplesmente jogadas na tela, sem contexto ou explicações. Nem mesmo são divididas entre dois games diferentes, cabendo ao jogador adivinhar de onde veio cada uma. Em qualquer um dos títulos, é possível salvar ou carregar até quatro estados, rebobinar e ajustar a tela como uma televisão de tubo.
Em termos técnicos, os games em si apenas receberam um aumento na taxa de quadros, mantendo as texturas e os modelos originais — ou seja, aqueles visuais cúbicos com cores um pouco estouradas. Eu não esperava mudanças nesse sentido por parte de uma coletânea, mas é importante o leitor saber que vai encontrar o “suco 3D” dos tempos do saudoso PlayStation.

Pancadaria para (quase) ninguém botar defeito

Vamos falar agora dos jogos em si, começando pelo primeiro Fighting Force. Original de 1997, ele é um beat ‘em up clássico, um dos primeiros em três dimensões. Podemos escolher entre quatro personagens — Hawk, Mace, Alana e Bem — para encarar várias fases e impedir os planos malignos do Dr. Dex Zeng, que quer destruir o mundo.
Um roteiro típico, com uma jogabilidade também típica. Os lutadores podem disparar socos e chutes, um ataque especial (que consome vida), além de pular e agarrar oponentes. Existem diferenças físicas entre os lutadores, mas giram em torno da velocidade e força dos ataques. Também temos itens que podem ser coletados e usados, como barras de ferro e pistolas.
Embora inicialmente divertido, com o tempo as coisas começam a ficar repetitivas, e Fighting Force se torna chato. Salvo cenários e aparência dos bandidos, as coisas não se renovam com novas habilidades ou mecânicas de jogo. Não ajuda o fato de que os inimigos, por vezes, ficam muito na defensiva ou se tornam difíceis de derrotar quando atacam em grupo (o game não oferece movimentos para lidar com esse tipo de situação).
Acredito que isso se deve à presença do modo multijogador cooperativo, certamente a melhor forma de curtir o game. Dividir as lutas com um amigo de forma local é bem mais divertido, como esperado de um beat ‘em up clássico. Finalmente, você pode ativar os bons e velhos códigos de trapaça: por exemplo, pressionar esquerda + Quadrado + L1 + R2 (no DualSense) no menu principal libera o “Cheat Mode”.

Uma nova abordagem

Passemos agora para o segundo jogo, Fighting Force 2. Embora o sistema de combate corpo a corpo tenha se mantido praticamente o mesmo, a proposta do game é bem diferente. O único personagem jogável agora é Hawk, numa aventura que eliminou o elemento cooperativo do primeiro game. O protagonista atua como um mercenário, espiando uma grande empresa suspeita de lidar ilegalmente com clonagens.
Portanto, salvos socos e chutes, o game passou de beat ‘em up para uma espionagem com missões a serem resolvidas. Não espere objetivos muito complexos — liberar uma sala com cartões obtidos após derrotar todos os bandidos do local —, mas as fases, sim, com cenários grandes e quase num formato de labirinto. Tudo tem uma pegada futurística, no estilo ficção científica
Apesar da presença de combates corpo a corpo, o foco de Fighting Force 2 está nas armas de fogo, que vêm em diversos formatos, como pistolas, metralhadoras e granadas. É possível, inclusive, mirar em primeira pessoa (com comandos para baixo e para cima invertidos, como num jogo de avião), talvez a melhor opção para conseguir atingir os inimigos.
Digo isso porque Hawk é controlado num estilo tanque, mais travado do que no primeiro Fighting Force. Logo, não somente os golpes são mais difíceis de conectar, mas também os disparos. Mesmo se renovando mais do seu antecessor ao longo das fases, a jogabilidade em si não é muito inspirada e o roteiro sofrível, tornando a aventura pouco envolvente (ao menos temos trapaças, como no game anterior).

Explosão limitada

Infelizmente, Fighting Force Collection é menor do que a soma das suas partes (que já não são incríveis por si mesmas). O primeiro jogo é mais chamativo e fácil de pegar, pois sua proposta beat ‘em up, apesar de simples, funciona bem, sobretudo ao lado de um amigo. O segundo título muda para uma aventura no estilo agente secreto, com mais armas e missões mais complexas.
Ambos entretêm por algum tempo, mas suas mecânicas são praticamente ultrapassadas para jogos em 3D atuais. É aí que a coletânea poderia ter incrementado as coisas, com mais melhorias técnicas, materiais interessantes sobre os jogos e opções de jogo. Considerando o pacote completo, fica a dica pela nostalgia ou curiosidade, mas muito pouco além disso.

Prós

  • A coletânea reúne dois jogos repletos de ação e nostalgia 3D, com direito até a códigos de trapaça;
  • O primeiro título da coletânea oferece uma experiência beat ‘em up clássica e suficientemente divertida;
  • O segundo título muda o foco para uma experiência sci-fi de espionagem, acrescentando novos desafios e itens em uma aventura minimamente interessante;
  • Ferramentas como salvamentos de estados, rebobinar e ajustes visuais são bem úteis;
  • Características como galeria de arte e possibilidade de modo cooperativo são vislumbres de algo que poderia ser ainda maior e melhor.

Contras

  • O elemento “coletânea” é básico demais, apresentando somente uma galeria de arte sem contexto e nada mais (tais como vídeos, arte das caixas, áudios etc.);
  • Faltaram mais adições técnicas ao game, como cooperativo online, lista de comandos, golpes e códigos de trapaça etc.
Fighting Force Collection — PC/PS4/PS5 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise redigida com cópia digital cedida pela Limited Run Games
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).