Acendendo o pavio
Original de 1983, a franquia Bomberman conquistou novos fãs logo de cara: usar bombas para destruir labirintos, obter novos poderes e avançar pelas fases. Foi no Super Nintendo, no entanto, que a marca começou a ganhar mais destaque, com direito a vários títulos diferentes com a subsérie Super, que foi de 1993 até 1997. Apesar do carinho por esses games, eles estavam presos ao console original até então.
Foi então que chegou o anúncio surpresa de Super Bomberman Collection, cujo lançamento foi no mesmo dia, 2 de fevereiro de 2026. O último título lançado da série foi Super Bomberman R 2, de 2023. Um título OK, mas sem o charme dos games clássicos. Portanto, a chegada desse lançamento não é somente um novo jogo após alguns anos, mas uma oportunidade de conhecer as melhores experiências da franquia.
Particularmente, sempre gostei bastante da proposta de Bomberman. Usar bombas para abrir caminho em cenários labirínticos, repletos de monstros e upgrades, é algo incrivelmente simples e divertido. Conforme o tempo passa, a dificuldade maior é lidar com os próprios poderes, cujas explosões muito grandes podem tornar tudo mais fácil ou difícil.
A coletânea reúne um total de sete títulos diferentes, mais uma boa quantidade de materiais interessantes. Antes de prosseguirmos para falar dos jogos em si, vale comentar sobre o pacote completo. Os menus são muito caprichados, com ilustrações carismáticas e animações agradáveis muito bem inspiradas pelos games que representam. Fazia tempo que eu não via algo de tão boa qualidade e bom gosto em coletâneas.
Detonação limitada
Falemos agora das atrações principais de Super Bomberman Collection: os sete jogos são divididos em cinco da subsérie Super e os dois primeiros da franquia. Portanto, temos Super Bomberman até Super Bomberman 5, assim como o primeiro Bomberman e sua sequência, Bomberman II. Esses dois últimos são interessantes pelo contexto histórico, mas apresentam uma qualidade inferior em vários sentidos.
Ou seja, ainda que divirtam, eles são superados pelos outros títulos disponíveis em termos de produção e variedade. Vale a pena conferir pela curiosidade e, logo depois, partir para os mais “modernos”. É curioso observar a evolução dos jogos ao longo do tempo, começando com desafios e visuais simplistas, e culminando em experiências bem mais completas.
Não vou detalhar cada título, mas valem alguns comentários gerais. Primeiro, os dois games mais antigos: Bomberman é uma experiência bastante crua em relação ao que a franquia se tornaria no futuro. Ainda assim, é interessante conferir o jogo para entender onde tudo começou. Já Bomberman II entrega uma jogatina mais suave, com visuais mais afinados e até mesmo um modo multijogador.
Sobre esse ponto, preciso fazer uma crítica que serve para toda a coletânea. É possível jogar sozinho usando teclado ou controle, mas a primeira opção não permite customizações das teclas. Pior que isso é, infelizmente, não poder dividir o teclado com outro jogador, exigindo o uso de dispositivos extras para cada participante.
Ainda sobre a montagem das partidas, não é possível jogar com outros bombardeiros pela internet. Eu entendo que os games são antigos e não deve ser tão simples de implementar um multijogador online, mas temos exemplos atuais que conseguiram fazer isso. Dado que os comandos dos jogos são relativamente simples, essas restrições são um grande desperdício, pois o mais divertido desses games é disputar com os amigos.
Um verdadeiro estouro
Vamos agora falar dos pratos principais da coletânea, que são os títulos do Super Nintendo. O primeiro Super Bomberman estabeleceu cenários mais bonitos, campanha caprichada, inimigos mais interessantes e multijogador para até quatro jogadores. Tudo muito divertido e viciante, tornando-se a base para os quatro títulos que vieram na sequência.
Por isso, as mudanças são mais incrementais e pontuais. Super Bomberman 2, por exemplo, trouxe novos tipos de bomba, como a poderosa e a gosma, bem como o Bomber Dourado. Ele é concedido ao jogador que vencer uma rodada, garantindo um item aleatório logo no início da próxima partida. Já Super Bomberman 3 chegou com um multijogador para até cinco pessoas e a estreia dos Louies.
Os carismáticos cangurus são obtidos em ovos e usados como montarias pelos jogadores, garantindo uma vida extra e uma habilidade especial única, de acordo com a cor do Louie. Super Bomberman 4, por outro lado, trouxe novas montarias, que podem ser obtidas ao derrotar determinados tipos de inimigos. Elas variam entre mecânicas e seres vivos, e, inclusive, podem ser acumuladas para caso o jogador perca a que estiver usando.
Nesse jogo também estreia a possibilidade de arremessar outros jogadores. Por fim, o título mais “recente” da coletânea é Super Bomberman 5, certamente o meu favorito. Ele não só traz vários elementos apresentados nos games anteriores (inclusive fases e inimigos, agora com roupagem mais bonita), mas adiciona várias novidades como bombas perseguidoras e minas, além de trazer o retorno dos Louies.
Inclusive, os jogos 4 e 5 eram exclusivos do Japão até então. Não somente eles finalmente chegaram oficialmente ao Ocidente, mas com direito a tradução para o inglês. Confira as cinco opções e escolha seu favorito, pois todos são muito bons.
Detonando por todos os lados
Uma característica bem positiva do Super Bomberman Collection é a presença dos manuais e das caixas originais. Embora os dois jogos mais antigos tenham ficado de fora, os outros cinco contam com livretos e embalagens digitais incríveis. Pena que o quarto e o quinto títulos, originalmente japoneses, ficaram com os textos não traduzidos. Aliás, o jogador pode alternar entre as versões japonesa, norte-americana e europeia dos materiais e dos jogos (quando disponíveis).
É interessante conferir os cartuchos e caixas em três dimensões, bem como as informações gerais de cada game com suas respectivas artes. Tal como os jogos em si, a trilha sonora da coletânea é muito boa, tornando a experiência muito agradável. Falando em agradável, o título conta com função rebobinar, salvamentos e carregamentos a qualquer momento, além de filtros de tela para tornar a jogatina ainda melhor.
O título também conta com um modo de “corrida” contra os chefes (um modo para cada um dos jogos Super Bomberman), perfeito para quem busca quebrar recordes de tempo. Finalmente, temos uma galeria repleta de artes legais (mais uma vez, os dois jogos antigos ficaram de fora) e um tocador de músicas chamado Radio BOMB, perfeitos para curtir mais desse universo tão colorido e cheio de charme.
Uma explosão de diversão
Super Bomberman Collection é uma verdadeira festa: os sete títulos que compõem a coletânea são ótimos, com direito a uma apresentação agradável e bonita. Além disso, o game tem uma série de materiais audiovisuais interessantes, ferramentas úteis para a jogatina e um modo de luta contra os chefes. Mesmo com um multijogador que poderia ser melhor, temos aqui um pacote praticamente perfeito para fãs de longa data ou para curiosos que queiram entender o porquê de a marca ser tão famosa no mundo dos videogames.
Prós
- Coletânea reúne muito conteúdo e jogos de qualidade da era de ouro da franquia Bomberman;
- Os cinco jogos Super e os dois jogos clássicos proporcionam uma experiência histórica completa para os fãs;
- Apresentação geral do título é muito bonita e repleta de carisma, com destaque para os menus coloridos e animações cheias de estilo;
- Opções como rebobinar e salvamento/carregamento por estados, bem como a adição do Modo Corrida aos Chefes, incrementam as formas de jogar;
- Galeria (repleta de desenhos, rascunhos de desenvolvimento), Rádio BOMB (com muitas músicas e opção para criar trilha sonora), manuais e outros materiais são ótimas atrações para ir além das partidas.
Contras
- Não é possível jogar em multijogador online com outros jogadores e a opção local não permite compartilhar um teclado (nem mesmo personalizar os comandos);
- Os dois títulos mais antigos da franquia não receberam o mesmo tratamento dos demais.
Super Bomberman Collection — PC/PS5/XSX — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Konami














