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Análise: The Dark Pictures Anthology: House of Ashes (Multi): guerras, mitos e sobrevivência

Novo jogo de terror da antologia oferece mais uma envolvente experiência narrativa.

Desde 2019, a Supermassive Games tem lançado uma antologia de jogos de terror chamada The Dark Pictures. Cada título apresenta uma narrativa própria, não sendo necessário jogar os anteriores. Após Man of Medan (Multi) e Little Hope (Multi), The Dark Pictures Anthology: House of Ashes conta uma nova história inspirada em lendas sumérias.

Uma zona de guerra e os mistérios de um passado remoto

Durante os conflitos entre Estados Unidos e Iraque, uma força-tarefa americana é enviada em busca de armas químicas que teriam sido escondidas por Saddam Hussein. No entanto, durante um embate, tanto esse grupo quanto soldados iraquianos são vítimas de um terremoto e acabam caindo em ruínas subterrâneas de um templo do povo sumério.

Cabe ao jogador controlar as ações de quatro membros do esquadrão americano, assim como um dos soldados iraquianos. Na pele desses personagens, é possível realizar várias escolhas que alteram as relações entre eles, impactam o desenrolar da história e podem levar a múltiplos finais.

Enquanto exploram as cavernas, os personagens encontrarão criaturas sinistras, e a existência concreta de inimigos que são uma ameaça desconhecida ajuda a dar um clima diferente à obra. Ainda há uma perspectiva psicológica do medo de coisas aparentemente sobrenaturais, mas essa diferença já é o suficiente para o título oferecer outro formato de terror e ser uma refrescante mudança em relação aos anteriores.

Também gostaria de destacar que, assim como havia percebido no teste antecipado que tive a chance de experimentar, as decisões tomadas não são tão triviais. Não dá para simplesmente tentar ser sempre bonzinho e esperar o melhor final possível por isso. No fim, é importante realmente experimentar diferentes escolhas para ver o que ocorre na trama.

Como nos outros jogos da série, há também dois modos multiplayer. No modo Sessão de Cinema, é possível reunir até cinco jogadores, atribuindo as escolhas dos personagens para cada pessoa. Ao chegar a vez dela, um aviso aparece na tela para que assuma o controle. Já a História Compartilhada é a opção de explorar o conteúdo com outro jogador online. Ambas as opções são formas excelentes de aproveitar a narrativa novamente vendo as ações de cada um e suas repercussões, adicionando outra forma de experiência à proposta do game.

Infelizmente, para quem joga sozinho, o fator replay pode não ser tão agradável. Digo isso especificamente por questões de qualidade de vida. Afinal, tomar decisões diferentes para observar outros finais é bem interessante, mas ter que rejogar toda a história afeta bastante a experiência. Há alguns checkpoints e é possível simplesmente retornar de um deles, mas eles são bem distantes entre si e nenhum dos vídeos possui opção de skip. Com isso, rejogar pode demandar muito tempo, valendo mais a pena realizar sessões com amigos.

Uma questão de polimento

Em comparação com os jogos anteriores, vale destacar que House of Ashes adiciona múltiplas dificuldades. Essa escolha afeta os momentos em que é necessário reagir aos quick-time events, garantindo experiências mais adequadas para tipos diferentes de jogadores. Há também uma variedade de opções de acessibilidade, como ajustes de legendas, fontes para disléxicos, ajustes de botões e limites de tempo para eventos rápidos.

O título conta com várias opções de ajuste de gráficos no PC. Além de escolher a qualidade baixa, média, alta ou ultra, é possível customizar a resolução, assim como a qualidade de antialiasing, oclusão, texturas, sombras e profundidade de campo. Também é possível ajustar os volumes de vozes, sons e efeitos sonoros separadamente.

Vale destacar que o jogo conta com legendas em português do Brasil, mas a dublagem só aceita inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e russo. De uma forma geral, os textos podem ser considerados de boa qualidade, porém, reparei em alguns erros ocasionais que pareciam indicar que os tradutores não receberam o contexto ao ter acesso ao texto original.

Em termos gráficos, a obra tem uma boa qualidade, mas as animações de alguns personagens chegam a ter um efeito leve de uncanny valley. Em algumas ocasiões, as transições entre cenas podem ser um pouco estranhas também. Porém, não é nada grave o suficiente para atrapalhar a experiência normalmente. Por outro lado, gostaria de destacar que as áreas das ruínas chamam a atenção com seus detalhes; há cavernas naturais, estátuas e estruturas arquitetônicas arcaicas, mas também pontos bem diferentes como o grande abismo e as zonas do fim do jogo.

Apesar dos ambientes ainda serem um tanto limitados, esses aspectos ajudam a dar vida à experiência. Outro elemento fundamental nesse sentido são os colecionáveis, que também são uma característica já tradicional da franquia. Dentre esses itens, existem tábuas com visões do futuro que servem de aviso para o jogador tomar cuidado com suas decisões. Há também outros objetos, especialmente textos que ajudam a entender a mitologia local e o que aconteceu no passado.

Mais uma bela obra de terror

A franquia The Dark Pictures continua produzindo obras narrativas de terror com alta qualidade. Para fãs do gênero, vale bastante a pena explorá-las. The Dark Pictures Anthology: House of Ashes mostra que a desenvolvedora está aprendendo com os feedbacks dos jogadores e que ainda há espaço para melhorias a cada novo jogo. Fica a expectativa de que a Bandai e a Supermassive continuem investindo em polir a experiência e em fortalecer a série a cada novo jogo.

Prós

  • História de terror interessante com elementos que a diferenciam bastante dos jogos anteriores;
  • Saber quais decisões levam para finais melhores não é trivial;
  • Colecionáveis que valorizam a experiência explicando eventos passados;
  • Modos sólidos de multiplayer local e online;
  • Algumas áreas, especialmente no final do jogo, possuem belos visuais;
  • Alertas e múltiplas dificuldades para os quick-time events.

Contras

  • Ausência de skip e checkpoints muito distantes desestimulam rejogar no modo single player;
  • A animação dos personagens conta com alguns problemas.

The Dark Pictures Anthology: House of Ashes - PC/PS4/PS5/XBO/XSX - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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