Blast Test

Impressões: Arcadegeddon (PC/PS5): salvando fliperamas e combatendo vírus cibernéticos

Junte-se com até três amigos e aventure-se em um ambiente virtual repleto de tiroteios e inimigos perigosos.



Desenvolvido pela IllFonic, Arcadegeddon aproveita a alta popularidade dos jogos de tiro cooperativos para entregar uma experiência original em um universo em que o mundo é regido pela tecnologia. Aqui, a ambição desenfreada de uma megacorporação nos coloca na luta em prol da sobrevivência do último arcade da região. Seu grande destaque fica por conta da imprevisibilidade característica do gênero, personagens carismáticos e customizáveis, além de efeitos luminosos vibrantes e que combinam com a temática do jogo. Neste Acesso Antecipado, tivemos a oportunidade de experimentar parte da aventura principal e ter uma boa ideia do que esperar deste título que chega ao PC e PlayStation 5.

Salvem o fliperama!

Gilly é o simpático e extrovertido dono de um fliperama local que luta para manter seu negócio vivo diante da ambiciosa empresa Fun Fun, que, apesar do nome inofensivo, não medirá esforços para derrubar o sonho de qualquer empreendedor local. Em sua última empreitada, Gilly conseguiu inventar uma super máquina batizada de Arcadegeddon, que é capaz de conectar os melhores jogos em um único ambiente virtual. Sentindo-se ameaçada por esta recente invenção, a mega corporação consegue invadir o sistema por meio de um perigoso vírus.



Na pele do sobrinho/a de Gilly, cabe a nós frear os planos da temível corporação. Para isso, teremos que realizar missões solicitadas por líderes de gangues de jogadores a fim de conquistar seu respeito e aumentar o reforço na luta dentro do Arcadegeddon contra a Fun Fun. A história é contada através de diálogos em um linguajar próprio em cutscenes muito bem animadas e cheias de vida, principalmente na hora de apresentar novas figuras.

Criando um combatente descolado

Ao criar nosso personagem, é possível customizar o cabelo, o estilo da cabeça e do corpo que, inclusive, alteram o gênero do personagem. Inicialmente as opções são bem limitadas, porém, conforme completamos novas tarefas para os líderes de outras gangues, desbloqueamos o visual do próprio líder. Na loja de Gilly, é possível trocar os recursos obtidos dentro do jogo por itens cosméticos para customização das armas e do nosso protagonista.




Embora em número reduzido por estarmos em Acesso Antecipado, achei interessante as possibilidades de customização, muito por conta do visual estiloso dos aliados que encontramos durante a aventura. Os seres vivos do jogo tem uma aparência azulada que lembra o desenho Osmose Jones, e cada um deles possuem uma personalidade forte e um carisma único. Poder liberar a aparência dos nossos aliados favoritos aumenta ainda mais o interesse em nosso personagem. 

Tiroteios cibernéticos

Com o aventureiro criado, o próximo passo é aprender as nuances do jogo. Um tutorial bem explicativo nos coloca a par de toda a jogabilidade. É impossível não fazer uma rápida comparação com Fortnite, não só pelo visual mais cartunesco, mas também pela câmera em terceira pessoa e as opções de esquiva e deslizamento que lembram o famoso battle royale. Os controles estão dentro do padrão do gênero e são fáceis de assimilar. O grande desafio estará na sobrevivência nas fases, que se intercalam em níveis crescentes de dificuldade.




Dentro dessa ideia de progredir o máximo possível através de vários níveis do mundo, embarcamos no início da jogada munidos apenas de um taco de beisebol e uma pistola pouco contundente. Rapidamente devemos buscar por caixas e baús atrás de recursos e armas mais poderosas antes que as hordas de inimigos comecem a surgir. Uma vez munidos de equipamentos melhores, podemos seguir o ícone indicativo na tela que dita o destino do próximo objetivo da fase. No geral, eles se resumem em assegurar/capturar pontos específicos, nos obrigando a manter e resistir na posição durante certo tempo, e destruir alvos marcados que, na prática, tratam-se de bugs causados pelo vírus.

Durante esse processo, grupos de inimigos vão surgindo de maneira aleatória. Por estar em Acesso Antecipado, a variedade deles é notavelmente limitada, resumindo-se a cinco tipos de robôs. Contudo, o jogo mistura adversários que atacam de longe com outros que atuam em curto alcance, o que nos força a uma movimentação constante e plena atenção ao nosso redor.

Conforme progredimos, o encontro contra os chefes da Fun Fun Corporation passa a ficar disponível. Eles são opcionais e contam com uma dificuldade alta, atiçando o jogador a correr o risco de perder a jogada em troca de conseguir recompensas melhores. Em minha jogatina, cheguei a me deparar com dois deles: uma espécie de robô aranha armado com mísseis e lasers; e a figura de um executivo. Em ambos os casos, o confronto traz uma boa dose de tensão devido ao alto dano dos ataques desferidos, sendo preciso analisar muito bem sua movimentação, aproveitando as proteções no cenário e atacando apenas nos momentos mais seguros.




Por sorte, contamos com um amplo arsenal para ajudar a igualar essa luta. As armas em Arcadegeddon se apresentam com um visual tecnológico e com efeitos inusitados, como a Pixel Pupper, que infla seus alvos até que estourem igual a balões de ar. Elas se dispõem em diferentes raridades sendo facilmente identificadas por sua cor, algo já familiar para quem já jogou esse tipo de jogo. 

As munições costumam ser limitadas e dificilmente conseguiremos manter uma mesma arma por longos períodos, já que a única fonte de munição que encontrei fica no ponto de descanso entre os níveis de cada fase. Neles é possível comprar novas armas, recuperar a vida e parte da munição, além de aumentar a dificuldade do próximo nível em troca, é claro, das moedas coletadas.




Habilidades especiais também marcam presença, elas iniciam desativadas até eliminarmos determinada quantidade de inimigos. Na tela de seleção, é possível ver uma quantidade considerável delas para escolher, permitindo que um membro da equipe foque em um poder de cura enquanto que outro dê preferência ao dano. Na prática, ficou claro seu potencial de virar o jogo a nosso favor em momentos desesperadores. A bola de fogo em si é capaz de matar todos os tipos de inimigos regulares encontrados e possui uma ampla área de alcance, sendo perfeita para aquele multikill.

Completando o pacote de incrementos, nos baús e em algumas caixas também encontramos os Hacks, melhorias que podem ser coletadas e que aprimoram aspectos básicos do personagem, como aumento na velocidade, maior resistência ou um dano elevado com determinado tipo de armamento. Não há limite de espaço para armazená-los e, caso encontre algum com efeito repetido, ele incrementa o valor original de seu benefício.


No geral, a jogabilidade do título traz todos os fatores capazes de agradar os fãs de jogos de tiro em terceira pessoa com uma pegada mais “arcade”. A movimentação ágil, mapas amplos e oponentes desafiadores são a composição ideal para uma série de estratégias e momentos de diversão para você jogar sozinho ou com até três amigos. Por falar em amigos, ainda não há menção se teremos algum modo PVP, já que o jogo se apresenta como uma experiência multiplayer cooperativa.

Mundo virtual impressionante

Os gráficos de Arcadegeddon contam com cores muito vibrantes, especialmente em detalhes luminosos nos mapas e com maior notabilidade em explosões e disparos. Seu estilo mais cartunesco não diminui a qualidade dos detalhes, principalmente no reflexo das luzes acentuado graças ao ray tracing. Por enquanto temos apenas três mapas diferentes, apresentados como biomas que, a cada jogada, são gerados de forma procedural para dar um ar de novidade a cada tentativa, mesmo que muitas similaridades sejam facilmente reconhecidas.



A trilha sonora consegue se destacar em meio aos tiroteios frenéticos, ela casa muito bem com a proposta futurista/tecnológica ao agitar as partidas por meio de raps e batidas eletrônicas em músicas licenciadas. A sonoplastia das armas e o som dos robôs quando derrotados é igualmente chamativo, principalmente quando jogamos com headset, ajudando na imersão do jogador.

Uma “matrix” com potencial

Arcadegeddon consegue entregar um mundo original, com um contexto elaborado que traz visual e personagens chamativos. São aspectos que já o colocam à frente de outros jogos que acabam se contentando em fazer “o mais do mesmo”. Mesmo na versão de Acesso antecipado, me surpreendi com o capricho visual e sonoro que o título já apresenta, além da estabilidade em seu desempenho, já que não encontrei nenhum tipo de “bug” além do vírus lançado pela Fun Fun Corporation. Resta agora à IllFonic trabalhar para que o projeto final chegue com ainda mais diversidade e eventos que ajudem a desenvolver e engajar a comunidade, evitando a repetitividade que leva a monotonia e desinteresse por parte do público.




Revisão: Farley Santos
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela IllFonic


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