E3 2006: Wii, assassinos e cristais eternos

Com as três grandes chegando na sétima geração, a feira foi palco de muitas novidades e jogos.

em 14/05/2015
O Xbox 360 já estava no mercado há um bom tempo, enquanto o PlayStation 3 e Wii aproximavam-se de seus lançamentos. Nessa ebulição do começo de uma nova geração, a E3 de 2006 trouxe muitos anúncios e jogos interessantes. Quem roubou a cena, no entanto, foi a Nintendo e seu Wii (sério que é esse o nome do console? muitos perguntavam). Embarque com a gente nessa viagem para Los Angeles, em maio de 2006.


O evento ocorreu novamente no Los Angeles Convention Center, entre os dias 10 e 12 de maio. Foi a última grande feira antes da E3 diminuir de tamanho e de público em 2007 e nos anos seguintes. Para nossa alegria, muitos jogos e consoles apareceram por lá. Tivemos uma nova maneira de jogar esportes no videogame e o surgimento de uma certa série de assassinos; o décimo segundo jogo da série Final Fantasy, e o aparecimento de Final Fantasy Versus XIII pela primeira vez; uma Microsoft empenhada com jogos como GTA IV e Mass Effect confirmados para o 360, entre outras novidades. Mas vamos começar com nosso Deus:


A jogada de mestre da Nintendo

A conferência da Big N começou com nosso mestre, Shigeru Miyamoto, dirigindo-se ao centro do palco. Com um Wii Mote na mão, Miyamoto se tornou um maestro de uma orquestra sinfônica de Miis, tocando o tema de The Legend of Zelda. E Quando Reggie Fils-Aime subiu ao palco, sua primeira frase foi: “se você quer a próxima geração, você veio ao lugar errado. O que a Nintendo vai te mostrar é o novo”. Daí para frente, a Nintendo se destacou na feira. Muita gente torceu o nariz para o nome Wii, mas, com títulos como Wii Sports conquistando as pessoas, o gelo foi quebrado. 
Até o Spielberg entrou na brincadeira.
Além disso, The Legend of Zelda: Twilight Princess chegaria também ao novo console, utilizando o novo controle por movimento. Super Mario Galaxy e Metroid Prime 3: Corruption foram dois arrasadores novos jogos anunciados. O, ainda jovem, Nintendo DS também recebeu atenção especial com projetos das franquias Star Fox, Kirby e Zelda sendo preparados para o portátil.
Painel com os lançamentos para o portátil.
Três novos jogos foram apresentados. Excite Truck, que prometia colocar um volante nas mãos do jogador através do Wii Mote. Project H.A.M.M.E.R e Disaster eram os outros dois. Mas o que aconteceu com esses títulos afinal? O primeiro acabou sendo cancelado, já o segundo foi publicado em 2008 recebendo críticas mistas.

Hoje, sabemos que tanto Wii quanto o DS foram videogames dos mais bem sucedidos da empresa. Na época, as coisas não eram tão claras, mas o sucesso dos dois aparelhos com o publico na E3 já dava um bom indício. Claro que muita coisa poderia ter mudado, e apenas jogos fariam tais sistemas se tornarem sucessos.

[Conferência completa da Nintendo. Logo no começo existe um clip bem legal que mostra alguns jogos e como os novos controles funcionam, e deixando clara a ideia da empresa em trazer novos jogadores. E próximo a 1h de vídeo você poderá conferir Iwata, Reggie e Miyamoto jogando Wii Sports no palco!]

Microsoft fazendo sua parte

O Xbox 360 já havia dado a largada para a geração, e cabia à Microsoft assegurar que os jogadores iriam encontrar grandes jogos em seu aparelho. Nesse sentido, nada melhor do que garantir que uma das maiores séries aparecesse também no 360. A confirmação de GTA IV para o console foi um momento muito importante para a Microsoft. Cabe lembrar que, na época, GTA: San Andreas era um dos jogos mais vendidos de todos os tempos (ainda é, mas caiu algumas posições de lá para cá).
Viva Piñata e Blue Dragon representavam os esforços da empresa em conquistar não só jogadores de shooters e jogos de esporte. Trazer o mítico pai da série Final Fantasy para o 360 foi uma jogada interessante, focando inclusive em um crescimento no mercado japonês. Sabemos que não deu certo, mas quem pode dizer que não foi uma tentativa razoável?

Halo 3 também deu as caras para reforçar o compromisso da Microsoft com a jogatina online e seu público shooter. Gears of War, Fable 2, Forza Motorsport 2 e Alan Wake eram outros exclusivos que prometiam agradar a muitos jogadores. Inclusive o começo da conferência da empresa mostrou um longo trecho de gameplay de Gears of War. A Microsoft também deu enfoque para o Xbox Live Arcade, com ainda mais jogos clássicos chegando.
Gears of War e Halo 3 foram a linha de frente da Microsoft na E3 2006.
Ainda falando do XLA, a empresa foi enfática em sua conferência: “queremos fazer para os jogos independentes, o que o festival de Sundance fez para os filmes”. Muitos jogos indie chegariam aos consoles graças ao Live Arcade. Talvez não seja exagero dizer que boa parte dos modelos de negócio e de entretenimento que temos hoje começaram com essas propostas da Microsoft.

A empresa também enfatizou as novas formas de se jogar no PC que chegariam com o Windows Vista, ou assim ela acreditava. Cabe lembrar que, pela primeira vez, Bill Gates apareceu em uma E3. O CEO terminou a conferência apresentando um trailer de Halo 3.

[Conferência completa da Microsoft. Atente aos 55 minutos, quando na ocasião do trailer de Shadowrun uma canção em português é reproduzida]

Sony preparando sua artilharia

Não era só a Nintendo que se preparava o lançamento de um novo console, a Sony também estava às vésperas da chegada do PlayStation 3 (que, na época, ainda tinha aquele controle horroroso como protótipo). Entre os jogos já anunciados para a plataforma estavam Heavenly Sword, Heavy Rain, Lair, Genji 2 e um tal de projeto Naughty Dog PS3. No caso, era o primeiro Uncharted, e o resto da história vocês já conhecem.
A empresa também investia no PSP para fazer frente ao domínio portátil da Nintendo. O foco era no poderio gráfico e de processamento, com jogos como Killzone: Liberation e Locoroco. Não foi um dos anos mais bombásticos da família PlayStation na E3, mas foi uma boa preparação de terreno para a chegada do PS3.
Ainda bem que mudaram isso.
A conferência foi um tanto morna, com a Sony reafirmando seus ótimos números de venda com o PS2 e falando sobre a capacidade do Blu-Ray. Depois seguiu para Gran Turismo e gastou um bom tempo com outra aposta, o Eye of Judgement. Só na seguna hora que mais jogos começaram a aparecer, inclusive com um trailer cheio de ação de Uncharted (que ainda não tinha nome definido). Um belo trailer de Metal Gear Solid 4 também foi apresentado. E finalmente o controle comum e parecido com o do PS2 foi anunciado para o PS3, deixando de lado o tal protótipo horroroso.

Desenvolvedoras brigando por atenção

Felizmente, as desenvolvedoras também estavam assanhadas para conquistar o público. A Ubisoft começava ali sua escalada para crescer ainda mais. Uma nova IP, Assassin’s Creed, chamou muito a atenção da imprensa e dos jogadores. Mas, outras grandes iniciativas como Red Steel (Wii), Saints Row e jogos das séries Splinter Cell e Rainbow Six também apareceram.
A Square Enix também trouxe muita coisa. Desde entradas da série Mana (Children of Mana e Dawn of Mana), até uma atenção à fantástica franquia Valkyrie Profile (com VP 2: Silmeria e o relançamento do primeiro jogo para PSP). Mas a gente sabe que o negócio da empresa é nos trazer enxurradas de Final Fantasy. Além da presença imponente do grandioso Final Fantasy XII, e do exclusivo para Wii, Final Fantasy Chronicles: Crystal Bearers, a empresa apresentou a tão falada iniciativa Fabula Nova Cristalys, que envolvia três jogos FF XIII.

O primeiro era Final Fantasy XIII Agito, um jogo para celulares que acabou virando o Final Fantasy Type-0 para PSP que você, fã da série, deve ter jogado em HD recentemente no seu PS4 ou Xbox One. O segundo era o próprio Final Fantasy XIII (que chegaria pela primeira vez para Xbox) e gerou toda aquela série de continuações que pintaram ao longo da sétima geração. Agora o terceiro, meus amigos, foi (e é) uma novela. Nada menos que Final Fantasy Versus XIII, que ficou vários anos em desenvolvimento, transformou-se em Final Fantasy XV na E3 2013, e provavelmente será lançado ano que vem, 10 anos depois de seu anúncio.
Estátua de um juiz do jogo Final Fantasy XII trazendo estilo para a Square Enix na feira.
A Namco Bandai também trouxe um grande número de títulos, dentre os quais Xenosaga Episode III, Tekken 6, Tales of the Abyss, Ridge Racer 7, além de jogos licenciados dos animes Naruto e One Piece. Konami marcou presença com Metal Gear Solid 4 e Sillent Hills Origins, além de Winning Eleven (saudades) e vários jogos Dance Dance Revolution.

A EA continuava, é claro, investido em seus jogos esportivos, mas trouxe também dois jogos que impressionaram: Spore e Crysis. A Eidos, que ainda não tinha sido comprada pela Square Enix, apresentou Just Cause e Hitman: Blood Money. Capcom trouxe bons títulos também, como Okami, Dead Rising, God Hand, Lost Planet e Phoenix Wright: Ace Attorney - Justice for All (melhor série da Capcom, lidem com isso). 

Equanto a Atlus mostrava um dos RPGs mais importantes dos útlimos anos, Persona 3, e publicava o viciante Disgaea 2, a BioWare preparava Mass Effect. A americana Blizzard continuava investido em seu World of Wacraft, trazendo a primeira expansão do título: The Burning Crusade.
Gosto de Rogue Galaxy. Ele estava jogável na E3 2006.
A 2K trazia grandes promessas como Prey e BioShock. Também publicava The Elder Scrolls IV: Oblivion. E a SEGA? Continuava pelejando com jogos do Sonic (para Xbox 360 e Wii), e preparava o “sucessor espiritual” de Shenmue, o também excelente Yakuza.

E vocês leitores, lembram-se desse jogos? Estamos chegando cada vez mais perto de 2015, e na próxima matéria conheceremos uma E3 diferente, menor. Não deixe de comentar sobre o evento de 2006 e seus jogos.



Revisão: Jaime Ninice
Capa: Paula Zanotelli


Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.