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Análise: Street Fighter X Mega Man (PC)

Em 2012, as duas maiores séries da Capcom completaram a invejável marca de 25 anos. Estou falando de Mega Man e Street Fighter . Enquan... (por Jardeson Barbosa em 27/12/2012, via GameBlast)

Em 2012, as duas maiores séries da Capcom completaram a invejável marca de 25 anos. Estou falando de Mega Man e Street Fighter. Enquanto o segundo resiste bem ao tempo, o primeiro vive uma crise que em muito lembra os artistas que morrem aos 27 anos. Surpreendendo a todos, a Capcom lançou, no último dia 17 de dezembro, o inusitado crossover Street Fighter X Mega Man. O título é exclusivo para PCs, não foi produzido pela equipe da Capcom e é totalmente gratuito. Será que a mistura deu certo? Descubra agora se o resultado dessa bagunça é uma bela homenagem ou uma grande vergonha alheia.

Fica! Vai ter bolo.

Nos últimos dois anos, o que mais se comenta é que a Capcom abandonou a série Mega Man. O robô azul, que outrora foi o maior astro da empresa nipônica, estaria apenas aguardando uma morte iminente. Toda essa condenação teve início graças ao fracasso na produção de Mega Man Legends 3, para 3DS. Além de o jogo não ter sido lançado, Keiji Inafune – o homem que é considerado o pai de Mega Man – deixou a Capcom para integrar o time de outra produtora.

E talvez esse tenha sido o motivo principal de tamanha surpresa diante do anúncio de Street Fighter X Mega Man. Durante todo o ano, a Capcom parecia não ter intenção de realizar uma comemoração à altura da importância da série – Street Fighter, por outro lado, recebeu um lindo box comemorativo no início deste ano. E é provável que os executivos da Capcom realmente não tivessem planos de lançar algo especial para a data. Até que surgiu um projeto independente bastante curioso. Seow Zong Hui, também conhecido como Sonic, é o nome por trás de Street Fighter X Mega Man. Fã das duas séries, ele resolveu fazer um embate épico entre os dois universos, semelhante ao que a Capcom já faz com suas franquias. O projeto ficou tão poderoso que a própria Capcom resolveu distribuí-lo como uma dupla comemoração.

A plataforma escolhida para o lançamento foi o PC, em especial o sistema operacional Microsoft Windows. Os motivos são diversos, mas é provável que isso tenha ocorrido porque Hui não possuía o kit de desenvolvimento dos consoles, ou porque a distribuição digital no PC é bem menos burocrática.

De volta aos 80s

Apesar do título, Street Fighter X Mega Man não coloca o robô camarada dentro do universo de lutas de Street Figther. Na verdade, é justamente o contrário. Decepcionando alguns fãs que receberam a notícia do crossover durante um evento comemorativo dos 25 anos de Street Fighter, o jogo não é de luta, e sim um legítimo Mega Man, muito parecido com os clássicos do NES ou os recentes lançamentos, Mega Man 9 e Mega Man 10.

Assista ao gameplay comentado do Game Blast:


No jogo, tudo foi recriado em 8-bits, desde os cenários clássicos da maior série de luta da Capcom, até os próprios personagens. Ou seja, temos versões pixelizadas de personagens clássicos como Ryu e Chun-Li. Isso, de certa forma, garante um charme inegável ao crossover e torna a experiência bem mais legítima e gratificante.

Na parte sonora, tudo ficou a cargo de Luke Esquivel, também conhecido como A-Rival, um artista especializado em chiptunes (aquele formato de áudio dos consoles 8-bit). As recriações musicais de temas clássicos de Street Fighter ou de efeitos sonoros, como o famoso "Hadoooouken!!!", ficaram impecáveis e são, de longe, o ponto alto do título.

Versus Street Fighter

Em Street Fighter X Mega Man, o robô azul, hoje desempregado e sem ter o que fazer, encontra oite novos desafiantes, saídos direto de Street Fighter. Ryu, Chun-Li, Rolento, Blanka, Rose, Dhalsim, Urien e C. Viper entram no lugar dos tradicionais "mestres robô" e são desafiados ao final de cada fase. A história é nitidamente precária, mas a premissa é pra lá de interessante.



Assim como nos demais jogos de Mega Man, os cenários são temáticos. Ou seja, na fase de Blanka, por exemplo, você encontrará elementos relacionados ao personagem, como cobras e florestas. Além disso, ao derrotar um chefe, Mega Man adquire seus poderes, assim como ocorria nos jogos antigos, um elemento imperdível para os fãs de ambas as franquias.


Os chefes também possuem características inéditas, como uma grande barra que vai sendo preenchida a medida que você os acerta. Assim que a barra é preenchida por completo, uma sequência cinematográfica (com direito a zoom e tudo) ocorre e o chefe executa um "golpe especial", semelhante aos que são feitos em Street Fighter. É possível escapar deles, mas o estrago ocasionado por um pode ser fatal.

De fãs para fãs

Apesar de toda a glória por trás do crossover, é impossível não notar que o jogo foi feito por fãs, e não pelos grandes produtores que trabalham para a Capcom. Não entenda mal, isso não é um ponto negativo. Por serem fãs, Seow Zong Hui e A-Rival sabiam exatamente o que fazer nesse jogo, mas algumas falhas de percurso ficaram bem evidentes, talvez ocasionadas pela falta de tempo para um maior polimento.

O level design do game não surpreende. É nítida a intenção de Hui em recriar situações clássicas da série Mega Man, mas o resultado final acabou se tornando sem graça e cansativo. É fácil encontrar elementos de diversos outros jogos de Mega Man sendo reutilizados. Seria realmente essa a intenção? As fases também estão longe de desafiantes, a maioria delas é, inclusive, extremamente fácil. O único desafio será encontrar a saída de alguns labirintos cansativos, mas a maioria das fases é linear e direta, exatamente o que se esperaria de um jogo do Mega Man.



Ao contrário das fases, os chefes proporcionam desafios acima da média. Por terem vindo diretamente do universo de Street Fighter, eles contam com movimentos bem mais acrobáticos do que os que Mega Man está acostumado. É necessário paciência e destreza para derrotá-los, o que é um ponto positivo. O único ponto negativo nisso tudo é que esse salto enorme na dificuldade (fases fáceis e chefes muito difíceis) acaba desestimulando os jogadores menos experientes. Para piorar, não há save states. É claro que a maioria dos fãs de Mega Man é hardcore, mas nem todo mundo consegue terminar um título, por menor que seja, de uma "tacada" só. E por falar em tamanho, Street Fighter X Mega Man é realmente curto. Se levarmos em consideração que o título foi produzido por apenas um desenvolvedor independente, fica fácil entender porque isso acontece, mas não dá pra deixar de comentar.


Já os controles são um desafio extra. O esquema WASD simplesmente não funciona com jogos de plataforma. A medida em que você avança, é perfeitamente possível se acostumar com a disposição das teclas e até mesmo dominá-la, mas a ausência de um menu agradável e acessível que permita alterá-la é desanimadora. Por outro lado, a compatibilidade com os principais modelos de gamepad é um extra que certamente garantiu a felicidade de muita gente.

Mega Man merecia mais

Por mais que Street Fighter X Mega Man seja um grande jogo, é fato que ele está longe de ser o que os fãs realmente esperavam para um comemoração tão importante. Sim, estamos diante de um quebra-galhos que apenas está servindo para testar a popularidade do personagem. Ao menos para isso, os resultados foram positivos, com direito a figurões da Capcom declarando que o jogo superou as expectativas de download e tudo mais.



Street Fighter X Mega Man é uma sólida homenagem de fãs para um personagem importantíssimo na história dos videogames. É algo que nem mesmo os desenvolvedores da gigante Capcom foram capazes de fazer, e isso já é digno de glória. Não se trata de um título precário, como aquelas versões alternativas feitas por fãs, facilmente encontradas na internet, mas não se trata, também, de algo tão grandioso quanto Sonic Generations (título lançado em comemoração aos 20 anos de Sonic), por exemplo. É um jogo que pode proporcionar algumas horas de diversão e que ao menos nos dá a sensação de que a data não passou completamente em branco. Simplesmente imperdível para quem gosta das duas séries.

O jogo está disponível gratuitamente no fórum oficial da Capcom, o Capcom Unity, ocupa apenas 30 mb e não precisa ser instalado. Vamos esperar, agora,  que a força dos fãs traga Mega Man de volta aos holofotes, um lugar de onde ele nunca deveria ter saído.

Prós

  • Uma união quase perfeita entre dois universos bem diferentes;
  • Premissa incrível;
  • Experiência semelhante a dos títulos clássicos;
  • Trilha sonora empolgante.

Contras

  • Chefes mal balanceados;
  • Muito curto;
  • O visual não fica tão agradável naquele seu monitor widescreen;
  • Fases pouco inspiradas e fáceis demais.
Street Fighter X Mega Man - PC - Nota: 8.0
Visual: 7.5 | Som: 9.5 | Jogabilidade: 8.0 | Diversão: 8.0
Revisão: Bruno Nominato 

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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