Blast Test

Staxel (PC) é uma mistura interessante de blocos e fazendas, mas com um toque de monotonia

Desenvolvido pela Plukit, Staxel (PC) é um ótimo encontro entre Minecraft (Multi) e Stardew Valley (Multi), mas com alguns probleminhas.

Jogos de simulação são cada vez mais variados em seus temas, principalmente com o crescimento exponencial de jogadores mobile. Assim a administração de lanchonetes, restaurantes, cidades, parques de diversão e tantos outros ambientes servem de palco para muitos jogos criativos e outros também muito repetitivos.



Alguns abusam da boa vontade do jogador enquanto outros conseguem instigar o suficiente para que eles fiquem presos horas a fio jogando. Nessa linha tênue entre prender o jogador e infernizá-lo é que encontramos Staxel (PC), pelo menos é isso que seu acesso antecipado tem passado. Mas claro que isso não resume todo o jogo, pois existem aspectos muito interessantes que podem ser cada vez mais explorados pela desenvolvedora, principalmente para o público infantil.

Visual em cubos bem detalhado

O primeiro dos pontos interessantes de Staxel é justamente o seu visual, lembrando um pouco um “gênero” que ficou marcado por Minecraft (Multi), os cubos aqui são um pouco mais bem feitos e com detalhes menores bem bonitos como insetos, flores e variações no solo. A fórmula básica ainda é a mesma de outros sandbox em cubo, mas Staxel tem seu quê de identidade própria bem relevante para a jogatina.



O mundo do jogo é aberto, mas relativamente pequeno. Existe bastante espaço com árvores, insetos, pedras e tantos outros elementos coletáveis, mas a exploração para além da cidade e da fazenda se torna um pouco repetitiva rápido demais. Os biomas são sempre os mesmos, mudando apenas de posição no mapa. Alguns desses biomas, como a tundra e a floresta densa são pequenos demais enquanto outros como a praia não tem muita coisa interessante para fazer, ao menos não na superfície.

Entretanto, nos pontos de interesse do mapa: a cidade e a fazenda principalmente, as coisas são um pouco diferentes. Existe uma quantidade considerável de lugares para ir na vila, com mercados variados e NPC bem interessantes. Elementos como a mesa de ferramentas e os balcões com itens para vender merecem o devido elogio, pois são bastante detalhados ao mesmo tempo que são bem simples em seu visual. A combinação perfeita para uma ambientação focada em bloquinhos de montar.


A boa e velha história do novato na fazenda

Assim como em outras experiências de administração de fazenda como Stardew Valley (Multi) e a franquia Harvest Moon, aqui começamos como um personagem que recebe uma fazenda para administrar sendo totalmente novato no negócio, assim como o é também como morador da cidade. Começamos então o jogo na prefeitura, recebendo a escritura da fazenda e conhecendo os principais pontos para iniciantes na cidade, como o mercado e a taberna. Após algumas missões rápidas somos levados para a fazenda onde boa parte da história vai se desenrolar.

Claro que a história em si já está explicada aí: somos um estrangeiro numa cidade pequena que recebe uma fazenda para cuidar e fazer crescer. Entretanto, assim como nos outros dois jogos citados, temos missões a serem feitas com os habitantes da cidade, as quais nos garantem itens que outrora não tínhamos ou então o direito de acessar funções que eram desconhecidas antes. As missões até que servem bastante para guiar a jogatina durante um tempo, mas acabam se tornando repetitivas e monótonas com o tempo, com o velho esquema do “garoto de recados” que recebe a missão de buscar um item com um personagem para levá-lo para outro e, assim, conseguir que o primeiro lhe peça outra coisa para fazer.


Excelentes mecânicas de crafting

A fazenda em si é uma mistura literal de Minecraft e Stardew Valley. Isso porque temos certa liberdade para construir casas com blocos tal como no game da Microsoft ao mesmo tempo que compramos animais, administramos plantações e coletamos recursos tal como no premiado jogo independente. A mistura das duas mecânicas distintas dá um senso de liberdade bem singular ao começarmos a criar coisas e receber os lucros da fazenda. 

Essa liberdade e criatividade de mecânicas é sentida também quando vamos escolher itens para comprar no mercado, literalmente escolhendo cada um deles nas prateleiras, assim como também vemos a criatividade de tudo isso quando começamos a construir manufaturas. Criar blocos de madeira, pedra e outros até mais detalhados em tijolo ou, quem sabe, misturando um ou dois desses materiais é um trabalho manual interessante, mesmo que prenda um pouco o jogador naquela função.



O mais divertido é que todas essas mecânicas, mesmo que explicadas de forma bem simples e didática pelos habitantes da cidade, são sentidas pelo jogador de forma bastante instintiva. A exploração dessas mecânicas realmente compensa e de passo em passo o jogador começa a se familiarizar com a maior parte delas por pura exploração, sem que necessariamente ele precise procurar tutoriais na internet ou então caçar um menu de explicações dentro do jogo.

Bom para adultos, melhor ainda para crianças

Staxel é divertido, simples e bem infantil. Mas não se enganem, isso não é problema nenhum aqui. As suas cores fortes, os textos fáceis e as mecânicas de jogo instintivas são uma combinação excelente que pode prender por algum tempo os adultos, mas que é melhor ainda para as crianças menores. O jogo tem a capacidade de ensinar bastante coisa se utilizado da forma correta. Alguns elementos chave como responsabilidade, criação de bichinhos de estimação, organização e até relacionamento com outras pessoas são pontos chave do jogo que fazem com que ele seja ideal para crianças.



Elementos mais complexos como a confecção de materiais também são um ponto interessante para ser passado aos pequenos, com um aspecto mais esforçado no realismo do processo, precisando cortar árvores, cerrar seus troncos e afinar as tábuas que saem deles, por exemplo, para só então começar a construir algo mais aprimorado com o recurso. Essas etapas de transformação, ignoradas por outros games do gênero, são uma faca de dois gumes para Staxel.

Ao mesmo tempo que tais mecânicas são muito ricas, educativas e realistas, algumas podem ser sentidas como chatas e demoradas, punindo o jogador ou até fazendo a experiência se tornar um tanto quanto monótona. Um balanceamento melhor dessas mecânicas é um dos caminhos que a Plukit precisa percorrer com a devida atenção até o lançamento oficial do game.


De qualquer forma, ainda é só o começo

Staxel tem pontos relevantes e outros a serem melhorados, mas é sempre bom lembrar que o jogo ainda não foi lançado em sua versão final e muita coisa pode mudar nesse percurso. Elementos como o tamanho do mapa, as opções do que fazer e a quantidade de recursos que podem ser criados e/ou manufaturados podem e devem aumentar na versão final do jogo. Assim como alguns pontos problemáticos como a otimização gráfica do jogo, que são problemas já comuns em games com acesso antecipado, mas que tendem a sumir após seu lançamento oficial.

A questão é que Staxel, com seus prós e contras, vale a pena ser visitado principalmente por crianças e fãs da administração de fazendas. Entretanto, tenha em mente que o jogo ainda está longe de ser uma obra prima, tendo alguns defeitos a serem considerados e o fantasma da monotonia pairando de hora em hora durante a experiência. No entanto, não é um jogo a ser descartado, pois seu poder de didática é bastante interessante, principalmente para a devida atenção de educadores em geral.


Blast Test produzido com uma cópia digital cedida pela Plukit
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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