Ghost Recon, a trilogia de livros

Os livros de Tom Clancy baseados nos jogos da Ubisoft.

O escritor estadunidense Tom Clancy é conhecido dos jogadores das franquias de tiro tático Ghost Recon, Rainbow Six e Splinter Cell, jogos baseados em suas obras literárias. Contudo nem todos os livros que levam o nome do autor são a origem dos jogos da Ubisoft: algumas vezes é o jogo que inspira os livros, como no caso da trilogia de livros Ghost Recon, lançada entre 2008 e 2012.

Nacionalismo e a Guerra Russo-Georgiana

Tom Clancy's Ghost Recon (Multi), da Red Storm Entertainment, foi o primeiro jogo sobre o esquadrão de elite conhecido como Ghosts. Lançado em 2001, ele foi o primeiro título da franquia sob o comando da Ubisoft — que neste momento já havia comprado a produtora de Tom Clancy e Doug Littlejohns. A trama de Tom Clancy's Ghost Recon se passa em um futuro próximo, onde um regime ultranacionalista assume o comando da Rússia, colocando seu líder Dmitri Arbatov como presidente.

Os soldados de elite do Exército dos EUA, os Ghosts, são enviados ao território russo para lutarem contra os rebeldes separatistas da Ossétia do Sul, república independente da Rússia, que causam problemas ao governo georgiano e seus aliados. Contudo, a presença norte-americana causa um incidente internacional, e a Rússia invade a Geórgia para ajudar os rebeldes.


Esta história lhe parece familiar? Coincidentemente, a Guerra Russo-Georgiana iniciada em agosto de 2008 foi causada por vários fatores descritos no jogo Tom Clancy's Ghost Recon. Especialista em tramas políticas envolvendo disputas de poder, espionagem e armamento bélico, Tom Clancy fez um enredo baseado em informações da situação real dos dois países europeus.

David Michaels e ghost writers

No mesmo ano do início da Guerra Russo-Georgiana, a editora estadunidense Berkley Books publicou o primeiro volume da trilogia dos Ghosts, intitulada Ghost Recon (David Michaels, 2008). O livro gira em torno do capitão Scott Mitchell e sua equipe de Ghosts em uma missão na China, cujo objetivo seria impedir que os paramilitares do Spring Tiger Group assumam o controle de Taiwan e iniciem um conflito no Oceano Pacífico.

Em 2011, chegou a sequência, Combat Ops (David Michaels, 2011), onde Mitchell e os Ghosts vão para uma missão no Afeganistão, país controlado pelo grupo nacionalista Talibã, na caça ao líder terrorista Mullah Mohammed Zahed. Este volume foi o último assinado sob o pseudônimo de David Michaels, nome usado para designar os ghost writers dos livros das franquias de Tom Clancy como Splinter Cell, EndWar e H.A.W.X.

Choke Point (Peter Telep, 2012) foi lançado um ano depois, escrito pelo estadunidense Peter Telep. No terceiro e último livro da trilogia Ghost Recon, a obra não traz a maioria dos protagonistas dos anteriores, mantendo a presença unicamente do capitão Scott Mitchell e do atirador Diaz. Em Choke Point, o embaixador dos EUA na Colômbia é sequestrado, e a equipe Ghost Recon luta contra os rebeldes para resgatá-lo. Todavia, eles descobrem evidências de um novo grupo fundamentalista islâmico que está sendo apoiado por cartéis de drogas e rebeldes sul-americanos.

Prólogo de Wildlands

Além da trilogia, para aqueles que gostaram da história do recém-lançado Tom Clancy's Ghost Recon Wildlands (Multi), da Ubisoft, o jogo de tiro tático em terceira pessoa recebeu uma novelização, intitulada Tom Clancy's Ghost Recon Wildlands: Dark Waters (Richard Dansky, 2017). A obra tem como protagonista o quarteto de Ghosts do jogo — Nomad, Weaver, Holt e Midas — em uma missão na selva amazônica para resgatar reféns estadunidenses de um grupo de soldados renegados venezuelanos que tomaram controle da área.

O livro de Richard Dansky faz um prólogo aos acontecimentos de Tom Clancy's Ghost Recon Wildlands e mostra o passado dos protagonistas e vilões do novo título da Ubisoft, gerando um aprofundamento dos conflitos e motivos encontrados durante o jogo ao proporcionar um acréscimo relevante de informações ao enredo.

Revisão: Bruno Alves
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

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