Os jogos preferidos de 2016 — Karen K. Kremer

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

O cenário dos games esteve movimentado este ano. Tivemos lançamentos de jogos prometidos há décadas, sequências de grandes franquias, o surgimento de novas séries AAA, exclusivos arrebatadores e indies impactantes. Realmente é um ano de ouro para os gamers. Contudo, em meio a tantas novidades, sempre têm aqueles jogos que roubam nossa atenção por mais tempo e se tornam nossos favoritos.


Como uma pessoa que gosta de refletir e identificar discursos nas mídias atuais, sou uma gamer que tem preferência por jogos com uma história inteligente, bem desenvolvida e intrigante. Da mesma forma, também levo muito em consideração a construção dos personagens, se são cativantes e que instigam nossa empatia ou despertam nossa revolta. Gosto de jogos que me façam sentir emoções, me importar com o enredo que está se desenrolando na narrativa e pensar na história mesmo depois de tê-la concluído, ter a chance de criar teorias ou pensar sobre a mensagem que o game quis passar. Assim sendo, esta é a minha lista de jogos preferidos de 2016.

10) Sherlock Holmes: The Devil's Daughter (Multi), da Frogwares

O lendário escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle é quem me apresentou ao maravilhoso mundo dos livros e, com isso, seu personagem mais icônico é o dono da minha obra literária favorita: Sherlock Holmes. Assim, os jogos da Frogwares ocupam um lugar especial em meu coração por seus títulos maravilhosos sobre o melhor detetive do mundo.


Sherlock Holmes: The Devil's Daughter apresenta um aprimoramento visual que supera os jogos anteriores e traz novos mistérios instigantes regados às mecânicas de dedução, estratégia e puzzles. Com vários casos investigativos, o centro da narrativa é uma história de teor sobrenatural. Particularmente, não gostei dessa mistura, pois tira o elemento racional da investigação e leva para o plano do sobrenatural, isso seria um trabalho para a Mistério, S/A., não? Contudo, como a maioria dos casos segue a fórmula deixada por Doyle, o game vale à pena.

9) Hitman (Multi), da IO Interactive

Fã do Agente 47 desde 2000, com Hitman: Codename 47 (PC) e cinéfila o suficiente para assistir o catastrófico Hitman: Assassino 47 (Xavier Gens, 2007) e o superficial Hitman: Agente 47 (Aleksander Bach, 2015). Bem como apaixonada por literatura para ler o prólogo de Hitman: Absolution (Multi), intitulado Hitman: A Condenação, de Raymond Benson, sem dúvida o retorno do Agente 47 num formato de jogo-seriado foi muito bem-vinda. O game em seis episódios que abordam os novos alvos do melhor assassino profissional do mundo dá um show em gráficos, personagens bem trabalhados e histórias de suspense, intriga e manipulação. Tudo o que eu esperava de um novo título da série.

8) Deus Ex: Mankind Divided (Multi), da Eidos Montréal

Onde há robôs, eu não posso estar muito longe... Além do enredo centrado em implantes robóticos de um mundo distópico futurista, Deus Ex: Mankind Divided ainda apresenta uma narrativa de estética cinematográfica, a fórmula mágica para entrar no meu ranking de jogos favoritos. Grande admiradora do cyberpunk, o novo Deus Ex traz ação num jogo com uma história profunda que nos faz refletir sobre um mundo cada vez mais mecanicista e menos humano.


7) Attack on Titan (Multi), da Omega Force

Inicialmente anunciado como um exclusivo para o PlayStation 4, me desesperei por muito tempo antes de saber que o jogo chegaria às demais plataformas. Apesar de 2016 ter tido grandes adaptações do anime para o videogame, como Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 (Multi) e Dragon Ball Xenoverse 2 (Multi) — e amei ambos! —, minha escolha por Attack on Titan se deu pelo fato de seu ineditismo, sendo a primeira adaptação do anime de Hajime Isayama para os games da nova geração, e claro, por eu ser uma otaku fã número 1 do mangá e do anime.


O jogo de hack and slash faz jus à qualidade do anime produzido pelos estúdios japoneses Wit Studio e Production I.G. Com uma jogabilidade fluída, o game destaca toda a ação e adrenalina nos combates via dispositivo de manobra tridimensional contra os titãs. O jogo ainda possui uma arte fiel aos traços de Hajime Isayama e mantém todo o tempo o pé na primeira temporada do anime de forma maravilhosa. Espero ansiosamente uma continuação para o jogo quando a segunda temporada de Attack on Titan estrear.

6) 35MM (PC), da Сергей Носков

Distopia é meu gênero literário, cinematográfico e de game favorito, então aqui está mais um título do segmento, o jogo de sobrevivência 35MM, da produtora indie russa Сергей Носков. Ambientado em uma Rússia pós-apocalíptica do futuro, 35MM narra a história de dois amigos viajantes que buscam uma maneira de sobreviver ao que restou do mundo em que vivem.


Após uma epidemia global, a maior parte da população do planeta morreu e você é um dos poucos sobreviventes num cenário devastado por cadáveres, destroços, ruínas e cidades fantasmas. 35MM é um jogo de exploração e que requer busca de suprimentos e materiais para sobreviver, bem como fugir ou enfrentar animais selvagens. Além de tudo isto, o jogo permite finais diferentes a partir das decisões tomadas ao longo da narrativa.

5) We Happy Few (Multi), da Compulsion Games

Ainda no formato de acesso antecipado e com mudanças a serem feitas a caminho da versão final, We Happy Few já figura em minha lista dos melhores jogos de 2016 devido à trama de crítica social contida em sua narrativa retrofuturista. O game de ação em primeira pessoa se passa em Wellington Wells, uma cidade inglesa distópica na década de 1960, onde todos vivem a base da droga conhecida como Joy, que causa a ilusão de felicidade ao usuário.

A história do jogo é muito próxima do enredo de Admirável Mundo Novo, do escritor britânico Aldous Huxley, onde as pessoas vivem em uma sociedade regada à droga Soma, que lhes dá a sensação de felicidade e onde os não usuários são vistos como loucos e considerados fugitivos da polícia por desobedecer as leis do governo ditatorial. Além da influência de Huxley, We Happy Few também apresenta algumas características das obras distópicas do conhecido escritor George Orwell. Um espetáculo de crítica à sociedade contemporânea.

4) Lucy: The Eternity She Wished For (PC), da M-vizlab

Visual novel sul-coreano da produtora indie Modern Visual Arts Laboratory (M-vizlab), o projeto ganhou vida através da ajuda dos fãs no site de financiamento coletivo Kickstarter em 2015 e chegou este ano ao computador. O game é um remake do jogo de mesmo nome lançado em 2010 na Coreia do Sul.


Lucy: The Eternity She Wished For se passa em um futuro próximo, onde haverá androides de aparência humana que vivem entre as pessoas. Nesse contexto, somos um garoto que conhece uma androide abandonada e começa a criar vínculos sentimentais com a robô. Lucy é um daqueles jogos que abordam a fronteira entre humanidade e mecânica numa trama com finais diferentes e que requerem um caixa de lenços, afinal, é um game para se emocionar e chorar. Belíssimo.

3) Orwell (PC), da Osmotic Studios

Leitora voraz das distopias de vigilância tecnológicas de George Orwell, Aldous Huxley, Ray Bradbury, Philip K. Dick e Haruki Murakami, o jogo de estratégia Orwell é um presente para minha vida. No game baseado na obra 1984, você é o sistema de vigilância governamental denominado Orwell, não teria nome melhor, não é? Sua função é vigiar os cidadãos de The Nation e identificar possíveis ameaças à segurança nacional.


Como uma paranoica da tecnologia, interessada em mensagens subliminares e teorias da conspiração, Orwell é para mim um jogo que retrata a realidade negada pela maioria das pessoas: a de que somos constantemente vigiados por governos e corporações interessadas em atender nossos desejos de consumo ou preocupadas em combater o terrorismo.

2) Final Fantasy XV (PS4/XBO), da Square Enix

Foram dez anos esperando este RPG e não teria como ele ficar numa posição melhor na minha lista de jogos favoritos de 2016. Aguardo o título desde a E3 de 2006 quando o jogo ainda se chamava Final Fantasy Versus XIII (PS3) e tinha a intenção de ser parte do trio da saga Fabula Nova Crystallis, composto também por Final Fantasy XIII (Multi) e Final Fantasy Agito XIII (Mobile). Como a ideia não deu frutos, o arco Fabula Nova Crystallis foi ampliado para novos jogos e Final Fantasy Versus XIII transformou-se em Final Fantasy XV.


Composto por um mundo aberto lindo e repleto de desafios e missões a serem cumpridas ao lado de vários personagens e criaturas mágicas, a trama principal é emocionante e transmite uma mensagem bonita e inspiradora para os jogadores. Os personagens são um espetáculo à parte, com integração e camaradagem, e onde personagens principais e secundários possuem personalidades diferentes, cativantes e originais que geram empatia com o jogador. Final Fantasy XV, sem dúvida, superou minhas expectativas e me deixa animada com o futuro da franquia da Square Enix.

1) Quantum Break (XBO/PC), da Remedy

Misture ficção científica, viagem no tempo, um toque de arte cinematográfica, teorias de física quântica, um elenco de Hollywood e mais uma série em live action e apresente para uma garota geek. Qual o resultado? Amor à primeira vista! Acompanho Quantum Break desde seu anúncio na E3 de 2013, quando a demo inicial do jogo de tiro em terceira pessoa foi exibida para mostrar a capacidade gráfica e mecânica da então nova engine da Remedy, a Northlight.


Quantum Break não apenas conseguiu o primeiro lugar de meus jogos favoritos de 2016, como alcançou o patamar de meu jogo favorito de toda a vida, posição antes ocupada pelo survival horror de 1999, Dino Crisis (PS1/PC) da Capcom. Além de todo espetáculo gráfico, a trilha sonora maravilhosa de Petri Alanko e a história intrincada e inteligente, o jogo ainda possui uma novelização intitulada Quantum Break: Estado Zero, escrita pelo australiano Cam Rogers, roteirista do novo título AAA da Remedy, e que enriquece ainda mais a trama vista no game ao abordar o passado dos personagens. Claro, não tenho como não comentar meu amor pelo ator irlandês Aidan Gillen, um dos fatores que tornaram a experiência do jogo ainda melhor. Afinal, jogos vão além de mecânicas e artes visuais, mas também trazendo a alegria de curtimos a jornada com um elenco que nos traz belas recordações e doces sentimentos.


O top 10 está concluído, mas ainda restam títulos que não couberam na lista. As menções honrosas vão para Agatha Christie: The ABC Murders (Multi), da Artefacts Studios; Steins;Gate (Multi), da Nitroplus; Drop Alive (PC), da Invi Games; ICEY (PC), da Shanghai FantaBlade Network Technology; Batman (Multi) e The Walking Dead: Michonne (Multi), da Telltale. Além dos inéditos, também não posso deixar de mencionar as versões remaster BioShock: The Collection (Multi), da 2K, e Batman: Return to Arkham (Multi), da Rocksteady Studios, duas séries que faziam falta na nova geração e que agora integram o catálogo de jogos do Xbox One e PlayStation 4 e companhia.

E vocês, se identificaram com a lista? Quais jogos curtiram em 2016?

Revisão: Arthur Maia
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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