Analógico

De Final Fantasy Versus XIII (PS3) a Final Fantasy XV (Multi)

O que mudou e o que ficou no novo jogo da Square Enix.

Depois de longos dez anos de espera, o RPG Final Fantasy XV (Multi) da Square Enix está às portas de seu lançamento. O novo título da série Final Fantasy faz parte da saga Fabula Nova Crystallis e vem criando uma onda de espera e expectativa por parte dos fãs. Em uma década que se passou, muitas coisas mudaram e muitas coisas permaneceram. Então, que tal relembrarmos como Final Fantasy Versus XIII (PS3) se tornou Final Fantasy XV?

O trio da Fabula Nova Crystallis

Originalmente, Final Fantasy Versus XIII era parte integrante de um trio de jogos anunciados durante a E3 de 2006, intitulado pela produtora de Fabula Nova Crystallis: Final Fantasy XIII. Era uma trilogia da saga Fabula Nova Crystallis formada por Final Fantasy XIII (Multi), Final Fantasy Versus XIII (PS3) e Final Fantasy Agito XIII (Mobile). Esse arco da franquia tinha a intenção de fazer games com histórias que trouxessem a magia para um mundo mais realista e parecido com o nosso, fazendo com que Final Fantasy se aproximasse mais da realidade dos jogadores.

Porém, mesmo com a boa recepção dos fãs na época, Final Fantasy Versus XIII continuou na fase de pré-produção por anos. A explicação por trás do atraso nunca foi esclarecida diretamente, contudo, a hipótese mais provável é que, com a produção do filme de animação Final Fantasy VII: Advent Children (Tetsuya Nomura, Takeshi Nozue, 2005), o líder de animação em CGI, Eiji Kitada, e outro animador central deixaram o projeto para se focarem na nova versão do filme para blu-ray, Final Fantasy VII: Advent Children Complete (Tetsuya Nomura, Takeshi Nozue, 2009) e mais tarde saíram da Square Enix para prosseguirem com seus trabalhos de arte visual em outros ramos da indústria audiovisual.


Aos fãs mais antigos, o primeiro trailer de Final Fantasy Versus XIII.

Por certo, não foi apenas a saída de membros chaves da equipe técnica de Final Fantasy Versus XIII que influenciaram no quase abandono do game por anos a fio. Outros fatores, sejam eles internos ou externos, também devem ser levados em conta, como a diferença de opiniões sobre a própria história do jogo. Final Fantasy Versus XIII havia sido anunciado como parte de uma trilogia, contudo, a Square Enix decidiu que o jogo deveria ser independente do primeiro título, mas ambientado no mesmo universo da saga Fabula Nova Crystallis. Isso ia contra a visão dos roteiristas, que desejavam uma ligação mais próxima entre os três games.

Devido à indecisão quanto ao futuro de Final Fantasy Versus XIII, a Square Enix transformou Final Fantasy XIII em uma subsérie do arco Fabula Nova Crystallis. Ao ter sua história própria, a ramificação da saga dos cristais foi denominada Lightning Saga, com títulos protagonizados pela cavaleira Lightning. Seguindo essa mesma tendência, Final Fantasy Agito XIII se tornou Final Fantasy Type-0 (PSP/PSVita), trazendo outro enredo e outros personagens ao novo arco temático de Final Fantasy.  

Lightning, Noctis e Ace coexistiriam em uma história que entrelaçaria os três jogos.

Crisis Core e Type-0: Hajime Tabata na direção

Depois de um ano de silêncio, entre 2008 e 2009, um novo trailer de Final Fantasy Versus XIII foi exibido na Tokyo Game Show 2009 com a intenção de mostrar aos fãs que o jogo não havia sido esquecido. Nos anos seguintes, o RPG passou por mudanças na mecânica e no visual, porém, a chegada da oitava geração de consoles — representada majoritariamente pelo PlayStation 4 e pelo Xbox One — fez com que os planos da Square Enix mudassem novamente. Apesar do intervalo de produção e da falta de notícias do então novo título de Final Fantasy, a boa notícia veio em 2012 quando o presidente da Square Enix, Yoichi Wada, desmentiu os rumores do cancelamento de Final Fantasy Versus XIII e afirmou que o game continuava nos planos da desenvolvedora.

No mesmo ano, o nome do game mudou para Final Fantasy XV — revelação que só se tornaria pública na E3 de 2013. A produtora decidiu que o novo título do RPG seria desenvolvido para a nova geração, deixando para trás a exclusividade do PlayStation. Ainda em 2012, Hajime Tabata se tornou o co-diretor de Final Fantasy XV com o intuito de finalizar o jogo. No ano seguinte, com a saída de Tetsuya Nomura da direção, o bastão de diretor de Final Fantasy XV foi passado oficialmente a Hajime Tabata, responsável por Crisis Core: Final Fantasy VII (PSP) e Final Fantasy Type-0.

Noctis, Prompto, Gladiolus e Ignis. Versão PS3 vs. Versão PS4.

Evolução gráfica e de narrativa

Sinal verde para Final Fantasy XV, o próximo passo agora era elaborar um novo design para os personagens remanescentes e renovar a história do antigo Final Fantasy Versus XIII. Originalmente com vestuários desenhados pelo estilista Himuro Takahara da marca de moda japonesa Roen, todos os personagens do novo título tiveram seus visuais repaginados para a nova geração. Entretanto, mesmo com vestimentas diferentes e novos cortes de cabelo, a maioria dos personagens compartilhava do mesmo design original de corpo, olhos e outras características de Final Fantasy Versus XIII. Como exemplo, podemos citar Stella Nox Fleuret, ou melhor, Lunafreya Nox Fleuret.
Lunafreya originalmente chamava-se Stella.
Porém, a semelhança física dos novos personagens com o título anterior não é uma regra. Enquanto o imperador Iedolas Aldercapt sofreu algumas alterações superficiais de aperfeiçoamento na textura de suas roupas e no cabelo, outros personagens sofreram mudanças mais radicais no visual. Como é o caso do rei Regis Lucis Caelum CXIII, pai de Noctis, que passou de um aspecto jovial e dinâmico para um monarca mais idoso e debilitado pela manutenção do Cristal Divino.
Rei Regis, irreconhecível na nova versão de Final Fantasy XV.
No que concerne à história de Final Fantasy XV, muito pouco foi revelado sobre o seu antecessor Final Fantasy Versus XIII, portanto, acredita-se que grande parte do conteúdo presente no novo título dirigido por Hajime Tabata já fazia parte dos planos originais da sequência inacabada de Final Fantasy XIII. A trama gira em torno da mitologia dos cristais, tema fundamental da saga Fabula Nova Crystallis, e coloca Noctis no centro de uma crise política e social do reino de Lucis, subjugado pelo império de Niflheim. Enquanto o príncipe luta para salvar seu país, ele ainda precisa resgatar sua noiva e descobrir o mistério por trás de seu poder concedido pelo cristal mágico.

Jogabilidade misteriosa e realinhamento de conteúdo

Quanto às diferenças e semelhanças de gameplay entre Final Fantasy Versus XIII e Final Fantasy XV, muito pouco se sabe. A jogabilidade do RPG para PlayStation 3 teve uma amostra pequena de suas funcionalidades, mas é possível notar que a intenção dos produtores era a de ter um gameplay que alternasse entre o quarteto de heróis, dando ao jogador liberdade de comandar Noctis, Prompto, Gladiolus ou Ignis. Na versão de Final Fantasy XV é possível jogar apenas com o príncipe de Lucis, deixando o trio de amigos jogáveis apenas nos DLCs.

Gameplay de Final Fantasy Versus XIII vs. Gameplay de Final Fantasy XV.
A exploração do mapa em Final Fantasy Versus XIII também dava ao jogador a possibilidade de pilotar veículos terrestres e aéreos, assim como acontece em Final Fantasy XV. Além disso, muitas fases e diversas mecânicas projetadas para Final Fantasy Versus XIII passaram a integrar o conjunto de Final Fantasy XV, ou foram reaproveitadas e melhoradas para compor o filme do jogo, Kingsglaive: Final Fantasy XV (Takeshi Nozue, 2016), onde uma das cenas e alguns elementos da trama fazem parte dos antigos materiais de Final Fantasy Versus XIII.
Confronto entre o imperador Iedolas Aldercapt e o rei Regis. Antiga cena de Final Fantasy Versus XIII se transformou em uma das cenas de Kingsglaive: Final Fantasy XV.

O novo mundo de Final Fantasy XV

Foram dez anos de produção, dez anos de rumores e dez anos de ansiedade. A expectativa pelo lançamento e o medo do cancelamento caminharam lado a lado atormentando os fãs da franquia Final Fantasy por uma década. Contudo, depois de todo o trabalho árduo, é chegada a hora de os fãs conhecerem o resultado final dessa longa espera. Final Fantasy XV irá trazer a visão de mundo da Square Enix para a nova geração.

Revisão: Érika Honda
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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