Resenha

Kingsglaive: Final Fantasy XV, um prólogo ao novo título da Square Enix

Filme é uma excelente introdução a Final Fantasy XV (Multi), mas falha como produto solo.

Enquanto o mundo tinha como filmes mais aguardados deste ano produtos das franquias Marvel, DC e Star Wars, a produção cinematográfica que eu mais aguardava era Kingsglaive: Final Fantasy XV (Takeshi Nozue, 2016). Afinal, esperar dez anos por Final Fantasy XV (Multi) da Square Enix é amor de fã e claro, a produtora não podia deixar de nos presentear com produções audiovisuais que antecedem o game que chega com uma década de atraso. Contudo, a espera valeu a pena.

A queda do Reino de Lucis

O longa-metragem animado Kingsglaive: Final Fantasy XV é uma introdução ao mundo que será apresentado em Final Fantasy XV. No filme, conhecemos personagens que farão parte do game, como o pai de Noctis, o rei Regis Lucis Caelum CXIII, a princesa Lunafreya Nox Fleuret, o chanceler Ardyn Izunia, o príncipe Ravus Nox Fleuret e o imperador Iedolas Aldercapt, bem como entendemos o contexto que envolve a fuga de Noctis e a queda do Reino de Lucis pelas mãos do exército imperial de Niflheim.

A capital real de Insomnia é a única cidade de Lucis que ainda não foi dominada pelas forças imperiais de Niflheim devido a uma muralha mágica que a cobre como uma redoma, fruto do poder do Cristal Divino mantido pelo rei Regis. Os minutos iniciais do longa são extremamente dramáticos e tocantes, mostrando a infância de Noctis e como ele e Luna se separaram. É recomendável uma caixinha de lenços para assistir a cena.


Então, somos transportados para uma batalha frenética entre os Espadas do Rei (ou seja, kingsglaive) e o exército de Magiteks de Niflheim na fronteira da muralha de Insomnia, onde conhecemos o protagonista Nyx Ulric, que chega salvando a vida dos companheiros e fazendo uma entrada triunfal derrotando um Behemoth.

CGI e arte visual arrebatadores

Se você achava que Final Fantasy VII: Advent Children (Tetsuya Nomura, Takeshi Nozue, 2005) tinha uma animação espetacular, você vai desmaiar com os efeitos visuais e os CGIs praticamente reais de Kingsglaive: Final Fantasy XV. Os personagens são quase um verdadeiro live action, tamanha fidelidade de movimentos, sombras, cores, fumaça e expressões faciais. Unido a isto a dublagem feita por um elenco renomado, encabeçado pelo ator britânico Sean Bean, de O Senhor dos Anéis e Game of Thrones, torna a experiência inesquecível.


A arte de brilho e iluminação são impecáveis, toda vez que um Espada do Rei se teletransporta com seu punhal os efeitos são belíssimos, mostrando as partículas luminosas se dissipando no ar. Unida a competentes efeitos sonoros criam o clima ideal das batalhas que envolvem magia, luta corpo a corpo e espadas. Os cenários do universo de Kingsglaive: Final Fantasy XV também chamam a atenção, com uma arte que mescla um estilo pintura a ambientes 3D, áreas abertas e fechadas possuem um alto nível de detalhamento com um tratamento primoroso em texturas de robôs, elementos da natureza, magia e construções arquitetônicas.


A cena que mais me impressionou por seus efeitos visuais foi a do momento do acordo de paz entre os reinos de Lucis e Niflheim, representados nas pessoas do rei Regis e o imperador Iedolas. A sequência de ação envolve um slowmotion com partículas de cristais no ar, juntamente com os guardas sacando uma sucessão de armas e poderes mágicos. Simplesmente épico. E claro, não poderia deixar de mencionar a batalha final do filme, com aparições dos deuses da Muralha Antiga, o Anel do Poder atuando sobre usuários indignos e os guardiões de Insomnia lutando para salvar a cidade, um encerramento com chave de ouro.

Trama fraca e pontas soltas

Nem tudo são flores em Kingsglaive: Final Fantasy XV. O filme é uma excelente introdução ao game e um presente aos fãs, contudo, a produção cinematográfica não funciona como um produto solo. A animação peca em um roteiro que deixa muitas pontas soltas e personagens descartáveis, cuja morte ou ação, não tem o impacto que deveria no público.

Com a mesma rapidez que somos apresentados a Nyx e seus companheiros, já nos despedimos de um deles numa morte previsível e sem impacto, cujo propósito era motivar os protagonistas restantes. No entanto, não houve tempo para nos afeiçoarmos ao personagem e quando ele morre, não sentimos absolutamente nada. A trama política por trás do rei Regis também foi uma jogada brilhante, mas, infelizmente, muito mal aproveitada. Sentimos vontade de saber mais de como as coisas chegaram àquele ponto, a questão da migração e os refugiados em Insonmnia, porém, o filme foca muito em Nyx e o rei e seus conselheiros reais ficam à margem da história. Uma pena, o rei Regis é um personagem extremamente importante e faltou um aproveitamento melhor da figura dele como monarca de Lucis e protetor do Cristal Divino.


Presente aos fãs

Como foi dito, Kingsglaive: Final Fantasy XV é uma produção cinematográfica direcionada aos fãs da franquia da Square Enix, e talvez por isso ele falhe em ser um produto solo, o que acaba deixando a sensação de um filme incompleto para o público geral. No entanto, enquanto uma produção voltada aos gamers, ele acerta em cheio ao deixar muitos mistérios inexplorados para que o jogador possa desfrutar da experiência completa no jogo. Mais do que recomendado, obrigatório aos fãs de Final Fantasy XV.

P.S.: o filme tem uma cena pós-créditos com Noctis...

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais