Jogamos

Análise: Batman: Realm of Shadows (Multi) é o começo de uma trama sombria

O Cavaleiro das Trevas faz sua estreia no universo interativo da Telltale e tenta mais uma vez salvar Gotham City.


Que a Telltale Games sabe como fazer ótimos jogos interativos e contar histórias incríveis ao mesmo tempo já é bem conhecido no mundo digital. Depois de prender os jogadores em uma constante tensão ao explorar os universos de The Walking Dead, Borderlands e até mesmo Game of Thrones, chegou a hora de descobrir como o Cavaleiro das Trevas de Gotham City se sai na sua própria história interativa. Com apenas o primeiro episódio da série de cinco que a produtora pretende lançar, iremos abordar cada um em análises futuras.

O Homem Morcego, estilo Telltale

A primeira questão complicada que surge ao imaginar uma aventura de Batman é: qual linha dos quadrinhos, séries e filmes ela vai seguir? Para não dar um nó na cabeça dos fãs ou deixá-los irritados por mexer em algum aspecto de trama já consolidado, a empresa decidiu por criar uma linha narrativa única, sem nenhum envolvimento com alguma história já conhecida do Cavaleiro das Trevas. Dessa forma, a Telltale tem toda a liberdade para poder criar sua trama e, ao mesmo tempo, surpreender os jogadores com diversas revelações e reviravoltas ao longo dos episódios.
Na série, o conflito entre as duas personas será explorado bem a fundo.

No primeiro deles, Realm of Shadows, o jogador é apresentado a um Bruce Wayne que é Batman há pouco tempo, portanto, ainda não possui a confiança de muitas pessoas em Gotham City e tem sérias dúvidas sobre seu papel como justiceiro. Somente esse aspecto já rende muitas possibilidades para a trama e para quem está por trás das tomadas de decisão. Rostos conhecidos dos fãs estão por lá, como o mordomo Alfred, comissário Gordon, Mulher Gato, Harvey Dent, entre outros. Felizmente, se o jogador tiver alguma dúvida sobre algum dos personagens, existe um painel biográfico no computador da Batcaverna que pode ser acessado a qualquer momento para tirar dúvidas.
Todos os seus personagens preferidos do universo do Morcegão estão lá.

Talvez o maior desafio da Telltale ao pegar algo como Batman para trabalhar foi tentar se desvencilhar do estilo já cunhado pela série Arkham, da Rocksteady. Afinal, jogos interativos são muito diferentes de games de ação mas, ao mesmo tempo, Batman sem combate não é Batman. Foi assim que alguns elementos de luta foram inseridos no game e muitos se resumem a Quick Time Events que quebram a monotonia enquanto cenas de combate rolam na tela. Não são nada emocionantes ou requerem uma excelente coordenação motora, mas pelo menos permitem uma interação com o jogador ao invés de serem somente cinematics.
As sequências de combate nada mais são do que quick time events.

Aliás, falando em cinematics, Batman tem um excesso delas. Os jogos mais recentes da Telltale vêm recebendo constante críticas de que estão se tornando mais filmes interativos do que games e, em Batman, isso se sobressai. Os diálogos e tomadas de decisões são praticamente jogadas para o escanteio, enquanto longas cenas tomam conta do game. Em alguns momentos, os diálogos são tão rápidos que podem pegar o jogador de surpresa, especialmente quando ocorrem depois de uma longa sequência de filmes. A pergunta que fica agora é, das poucas tomadas de decisões que existem, será que elas realmente farão a diferença no final?
As escolhas ainda estão lá: mas será que elas realmente importam?

A noite promete ser longa

Apesar de tudo, o excesso de cinematics é recompensado com um visual de ótima qualidade que remete aos primeiros jogos da empresa, como The Walking Dead e The Wolf Among Us. Além do visual ao estilo de quadrinhos, também é dado um tom de realismo ao contorno dos personagens e nas cores do ambiente (tentando se aproximar um pouco com o que muitos já conhecem do Morcegão através dos games da série Arkham). E mesmo com poucos diálogos, pode-se perceber que a trama está se tecendo de uma ótima maneira e conseguindo deixar o jogador ansioso pelo o que vem pela frente. Só desejo que a espera seja recompensada quanto à questão das escolhas.
Apesar de poder usar os gadgets de Batman, não espere por algo semelhante à série Arkham.
Quem já jogou algum game da Telltale, não encontrará muitas novidades nas mecânicas de jogabilidade de Batman. A exploração do ambiente é uma característica que a Telltale parece ter definitivamente abandonado, a exemplo dos últimos títulos Tales of the Borderlands e Game of Thrones. No entanto, isso é um problema quando estamos falando do Homem Morcego, o maior detetive do mundo dos quadrinhos. Mesmo que presente em alguns momentos do episódio, como quando é necessário analisar uma cena de crime ou planejar um ataque, as conexões que o jogador precisa fazer são tão óbvias que até parece um insulto à inteligência do herói.
Os poucos momentos de investigação do game tornam o trabalho do maior detetive do mundo simples demais.

Mesmo podendo lutar com seus punhos, podendo usar alguns de seus fantásticos aparelhos e descobrir detalhes mais íntimos sobre os personagens de Gotham City, o único aspecto forte em Batman é o apelo de sua trama, especificamente pelo que ela pode revelar. A sensação que fica é que a fórmula da Telltale já está velha, e tentar embarcar em novas franquias não está ajudando a revigorar seu estilo. Batman tem seu valor como game para aqueles que desejam uma experiência diferente da série Arkham, porém, da maneira como a Telltale está trabalhando nele, realmente seria mais interessante assistir a um filme ou série em partes do que ter o trabalho de desenvolver toda a mecânica de um game.
O Homem-Morcego chegou ao universo interativo. Porém, será que ele se manterá forte ao longo de cinco episódios?

Prós

  • Combinação de visual de quadrinhos e realismo;
  • Trama bem elaborada.

Contras

  • Excesso de cinematics;
  • Parte de investigação simples demais;
  • Poucos diálogos e tomadas de decisão.

Batman (A Telltale Series): Episódio 1: Realm of Shadows — PC/PS4/Xbox One — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Vitor Tibério
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais