Blast Test

Overwatch (Multi) se mostra digno de todo o hype

Novo jogo da Blizzard reinventa o FPS entre equipes, depois de um projeto totalmente fracassado.



A Blizzard Entertainment, conhecida produtora de jogos de sucesso, como World of Warcraft (PC), Starcraft (PC), Diablo 3 (Multi), entre outros, anunciou em 2014 seu novo projeto: Overwatch (Multi), um FPS entre equipes em que os personagens são estilizados e cheios de poderes especiais.

De lá para cá o hype em torno do jogo apenas aumentou, tanto para os fãs da empresa, quanto aos simpatizantes de FPS, que ficaram totalmente ensandecidos para pôr a mão no game. Tamanha empolgação não se dá por menos: a Blizzard é conhecida por criar verdadeiras obras de arte em suas produções, além do fato do jogo ser muito parecido com o popular Team Fortress 2 (PC), da Valve.

A queda do Titã

Mike Morhaine, CEO da Blizzard
Antes de falar sobre Overwatch, preciso contar-lhes como ele surgiu. Durante sete anos a Blizzard trabalhou em um MMO chamado Titan: “Nós tínhamos criado o World of Warcraft, e tínhamos certeza de que sabíamos como fazer MMOs. Então, propomo-nos a criar o projeto mais ambicioso que se pode imaginar, e não funcionou. Nós não encontramos a diversão. Nós não encontramos a paixão. Nós falamos em colocá-lo em um período de realiviação, e, no fim, o que nós reavaliamos era se o jogo realmente devia ser feito. A resposta é não”, disse o CEO da empresa, Mike Morhaime, durante um entrevista ao site Polygon.

Jeff Kaplan, diretor de Overwatch
Segundo o diretor Jeff Kaplan, a equipe responsável por Titan “falhou horrivelmente de todas as maneiras que um projeto pode falhar”. “Produzir Overwatch nos uniu como time, com uma vontade enorme de mostrar para o mundo que não somos fracassados e que podemos criar algo divertido" — acrescentou Jeff.

Apesar do fracasso inicial, a equipe conseguiu se recuperar. Eles queriam provar que mereciam fazer parte da Blizzard. Assim sendo, nasceu Overwatch.

O mundo precisa de heróis

No futuro, robôs inteligentes e autônomos — chamados de Ômnis — foram criados para ajudar a humanidade a prosperar, mas, como em um bom clichê hollywoodiano, eles se rebelaram contra os humanos e uma guerra se iniciou, ganhando o nome de Crise Ômnica.

Neste momento de crise, a ONU decidiu reunir os melhores combatentes, aventureiros, cientistas e anômalos de todo o planeta, a fim de criar uma força tarefa capaz que combater os Ômnis, e assim surgiu a Overwatch.
Jack Morrison, o futuro Soldado 76
A humanidade venceu a guerra, humanos e Ômnis começaram a conviver em paz e a Overwatch continuou com seu trabalho mesmo após a crise, trazendo a paz em momentos de conflito. Porém, a corrupção interna e externa acabou por afetar a agência e o grupo foi desfeito, sendo proibido de agir novamente, além de alguns membros serem considerados como criminosos pelo governo. Sem os heróis de outrora lutando pela justiça e igualdade, o mundo começou a mergulhar no caos novamente.

Cansado de ver toda a injustiça e destruição ao redor do mundo, Winston, o gorila cientista veterano da Overwatch, após sofrer um ataque da organização criminosa conhecida como Talon, convocou os heróis para atuar novamente, mesmo sem o apoio das Nações Unidas. E é neste ponto que o jogo começa.
Gabriel Reys, o futuro Reaper
Se você não conhecia a história de Overwatch, fique feliz de ter lido sobre ela aqui. O game não possui um “modo história”, de forma que você não encontra nenhuma informação sobre a lore ingame — pelo menos durante o beta. A Blizzard está contando a história do jogo através de curtas de animação, HQs e artigos. As informações que aqui escrevo são um resumo de tudo que consegui pesquisar para os leitores.

O ponto negativo sobre a lore de Overwatch, até então, está nos mapas. Você sabe qual é seu objetivo — atacar ou defender —, mas não sabe o porquê. Claro que esse é um detalhe mínimo, mas que pode fazer toda a diferença.

Heroísmo e vilania juntos

Em Overwatch, temos a nossa disposição 21 personagens únicos — sejam eles heróis ou vilões —, cada qual com suas próprias armas, modelos, habilidades, vozes e história, e que foram criados nos mínimos detalhes, tanto em gráfico quanto em background. Todos possuem sotaque característico de sua terra natal.

Todos os heróis e vilões de Overwatch possuem jogabilidade singular, as armas são diferentes para cada um e não podem ser trocadas — como acontece em muitos jogos de FPS, como Call of Duty, Battlefield e Counter Strike. A mobilidade é um grande diferencial, cada personagem possui uma forma de locomoção especial diferenciada dos demais, que pode ser corrida, dash, teleporte, gancho, voo, rolamento, entre outros. Tudo isso para tirar o melhor proveito do mapa.



Cada personagem possui uma habilidade suprema baseada em sua função. Ela é carregada com o tempo e deve ser guardada para momentos oportunos, pois com ela é possível mudar o rumo da partida, seja matando todo o time adversário, mostrando a localidade do inimigo ou aumentando as defesas.

Os personagens são divididos em quatro funções: ofensivo, defensivo, tanque e suporte. Conheça-os:

Ofensivos
  • Soldado 76: Um vigilante que vai lutar até o fim para entregar os inimigos da Overwatch nas mãos da justiça;
  • Genji: Um ciborgue ninja e mortal que fez as pazes com seu corpo mecânico;
  • Reaper: Um mercenário e assassino sem escrúpulos que caça antigos membros da Overwatch;
  • Pharah: Uma oficial condecorada que patrulha os céus com sua armadura experimental;
  • Tracer: Uma ex-agente da Overwatch, aventureira que salta no tempo e uma força incontrolável para o bem;
  • McCree: Um pistoleiro fora da lei que faz justiça com seus próprios termos.
Defensivos
  • Widowmaker: Uma assassina perfeita: paciente e impiedosamente eficiente que não mostra emoção nem remorso;
  • Bastion: Um robô que se transforma e explora o mundo, fascinado pela natureza e cauteloso com a humanidade;
  • Hanzo: Um arqueiro e assassino mortal sem igual;
  • Torbjörn: Um habilidoso engenheiro que projeta sistemas de armas no campo de batalha;
  • Mei: Uma especialista em manipulação climática que luta para preservar o meio ambiente;
  • Junkrat: Um lunático obcecado por explosivos que vive para causar destruição e caos.


Tanques
  • D.VA: Ex-gamer profissional que foi transformada em piloto de mecha de última geração na defesa de sua cidade natal;
  • Reinhardt: Um campeão de eras passadas que vive pelos nobres códigos de valor, justiça e coragem;
  • Roadhog: Um matador sanguinário com uma força extraordinária, conhecido por sua crueldade e destruição gratuita;
  • Zarya: Uma das mulheres mais fortes do mundo que sacrificou o triunfo pessoal para proteger seu país;
  • Winston: Um gorila geneticamente modificado e altamente inteligente, cientista brilhante e herói com potencial humano.
Suportes
  • Lúcio: Celebridade brasileira da música eletrônica que luta pela mudança social através de suas composições e ações;
  • Mercy: Um anjo da guarda, curandeira sem igual, cientista brilhante e defensora convicta da paz;
  • Zanyatta: Um monge ômnico que vagueia pelo mundo em busca de iluminação espiritual;
  • Symmetra: Experiente manipuladora de construtos de luz sólida.


Os personagens possuem uma série de implementos cosméticos, abrangendo skins, falas, sprays, poses de vitória, animações e cenas de destaque. Ao subir de nível, ganha-se uma caixa contendo cinco itens aleatórios, podendo premiar com qualquer cosmético ou ouro, que pode ser usado para desbloquear os itens desejados, caso não tenha sorte com as caixas.

Apesar de alguns serem heróis e outros vilões, não há distinção na hora da jogatina, todos podem ser escolhidos e até repetidos — durante o beta foi muito comum ver times compostos por um só personagem. Em se tratando de lore, é completamente inviável que trabalhem juntos, mas por motivos de mecânica e balanceamento, qualquer composição de times é possível.



E falando em composição de times, elas são essenciais para a vitória. Apesar das reclamações que rolam pela internet, nenhum personagem é poderoso demais, todos possuem fraquezas. É preciso saber qual a melhor composição de time para vencer a equipe adversária. No início da partida e a cada morte, os jogadores podem trocar de personagem quantas vezes acharem necessário.

As partidas em Overwatch são sempre uma caixinha de surpresas. Uma nunca está ganha até aparecer escrito “vitória” na tela, isso porque o jogo pode mudar nos últimos segundos. É direito de ambos os times a prorrogação. Enquanto houver confrontos no local do objetivo a partida não termina. Durante a prorrogação, uma derrota clara se torna uma gostosa vitória de virada.

Um mundo em perigo

Overwatch possui atualmente 12 mapas, divididos em três modos de jogo: carga útil, ponto de controle e híbrido. No modo carga útil, o time atacante deve escoltar a carga de um ponto a outro, enquanto o time adversário tenta impedir. No modo ponto de controle, os dois times devem disputar o controle de um ponto específico durante um tempo determinado. No modo híbrido, primeiramente o time atacante deve conquistar o ponto, liberando a carga que deve ser escoltada; por sua vez, o time defensor deve tentar impedir de todas as maneiras.

As partidas são configuradas em modo espelho: se um time está atacando, na próxima partida ele estará defendendo, e vice-versa. Quase todos os mapas são inspirados em cidades reais, com um misto de tecnologia, e estão espalhados pelo globo. São eles:


Dorado: uma cidade localizada no México;
Hollywood: Um autêntico estúdio Hollywoodiano, nos Estados Unidos;
King’s Row: Uma Londres futurística, na Inglaterra;
Numbani: Uma cidade utópica localizada no continente Africano;
Observatório Gibraltar: Uma base da Overwatch no Rochedo de Gibraltar;
Hanamura: Uma cidade japonesa, com direito a templos característicos;
Indústrias Volskaya: Uma construtora de mecanoides controlados por humanos, na Rússia;
Templo de Anubis: Uma mistura de antigas ruínas egípcias e tecnologia, no Planalto de Gizé;
Ilios: Uma cidade litorânea, na Grécia;
Torre Lijiang: Semelhante a Hong Kong, na China;
Nepal: Um templo ômnico no alto da montanha;
Rota 66: Uma rodovia no deserto dos Estados Unidos. O visual vintage lembra a zona inicial de Fallout 4 (Multi).

O nível de detalhes dos mapas é impressionante. Eles são completamente decorados, e seus elementos são destrutíveis, tais como: quadros, placas, vasos, eletroeletrônicos e afins. Cerca de 90% dos mapas é acessível, estruturas, tanto internas como externas, podem ser acessadas, tornando a estratégia e posicionamento um grande diferencial, somado com a mobilidade dos personagens.

O horizonte dos mapas é magnífico e igualmente rico em detalhes. Dependendo do mapa é possível ver carros voadores, robôs gigantes e barcos na beira do mar. Quase todos os cenários possuem referências aos jogos da Blizzard, seja no fliperama em Hanamura ou na lanchonete na Rota 66. Em alguns mapas, é possível encontrar computadores e tablets rodando Hearthstone (PC/ Mobile).

Um grande defeito, que chega a dar raiva, principalmente quando se joga com um personagem “camper”, como a Widowmaker, é que pequenos muros e telhados não permitem serem caminhados, seu personagem simplesmente escorrega. Muitas vezes fui em busca de um melhor posicionamento e o personagem escorregou, sendo que era evidente que a estrutura comportaria o personagem.

No final de cada partida é mostrado o replay da “Jogada da Partida”. Como o nome sugere, é destacada a jogada mais impactante durante o decorrer da jogatina, seja por abates múltiplos ou a defesa de uma habilidade suprema. Tal evento é o ápice da partida, todos querem aparecer ali, como se ganhasse medalha de ouro nas Olimpíadas.

Trilha sonora que inspira o heroísmo

O game possui poucas músicas, mas que cumprem bem o seu papel. A trilha do jogo é de aventura, senão heroica, transmitindo-nos a sensação de uma importante missão a cada partida.

A música é quase inexistente durante o gameplay, fato muito importante em se tratando de um FPS, pois é imprescindível ouvir a movimentação do inimigo. Mesmo sem trilha sonora tocando ao fundo, o jogo nos oferece uma experiência audível surpreendente, sendo possível ouvir o vento soprando, as sirenes tocando ao longe e os passos dos personagens — amigos ou inimigos. O som das armas é excelente, não importa se são metralhadoras ou canhões de plasma, cada movimento da arma emite um som.

Quando o tempo para cumprir o objetivo está acabando, começa a tocar uma música característica, chamando a atenção dos jogadores. Quando esta faixa toca, mexe com o emocional do jogador e faz a adrenalina subir, pois a partida poderá ser decidida a qualquer momento e uma simples morte pode ser a derrota do time inteiro.

A Blizzard não possui um bom histórico de comunicação por voz in game. Em World of Warcraft o sistema não é usado devido à baixa qualidade, apesar de estar disponível. Com Overwatch a empresa decidiu investir e, durante os testes realizados, a comunicação se mostrou melhor do que aquela feita através de aplicativos de terceiros, como o Team Speak.

Mesmo com o bom funcionamento da comunicação por voz em Overwatch, os personagem se comunicam automaticamente. Quando o jogador avista algo importante no jogo, como uma armadilha, por exemplo, seu personagem diz algo para alertar os aliados — cada personagem tem um jeito diferente de falar, levando em conta suas características. Além destes avisos automáticos, os personagens conversam entre si enquanto esperam o inicio da partida.

Um hype viciante

Durante o beta, que ocorreu entre os dias 3 e 10 de maio, consegui a marca de 18 horas de jogo e alcancei o nível 25. Meu personagem “main” é a Widowmaker.

A princípio, senti que o jogo seria enjoativo: ficar rodando de mapa em mapa, cumprindo os mesmos objetivos, perdendo umas e ganhando outras. Porém, quanto mais eu jogava, mais vontade de jogar sentia. A cada nível alcançado era uma explosão de satisfação. Partidas com os amigos são extremamente divertidas, seja na derrota ou na vitória. Cada “Jogada da Partida” dos amigos era uma festa.

Ao longo do dia, durante o trabalho ou afazeres pessoais, ficava imaginando: “como seria um partida só com X personagens?”; “Como eu poderia ter vencido aquela partida?”; “Na próxima vez vou fazer tal jogada”. Quando eu fechava os olhos para dormir, cenas do jogo passavam em minha mente, algo que poucos jogos me causaram até hoje.

Fico imaginando como será a partir do dia 24 de maio, com o lançamento oficial. Overwatch é o tipo de jogo que traz muitas possibilidades, muitas composições, um jogo que desperta o lado competitivo do jogador.


Revisão: Vitor Tibério
Douglas Fubarion Marciano escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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