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Análise: Ancestory (PC) traz união entre a clássica estratégia em turnos e card games

Com jogabilidade limitada e simples, o jogo aposta na diversão do multiplayer e pode ser uma boa pedida para iniciantes do gênero TCG.

Do clássico Magic, passando por Pokemon e Yu-Gi-Oh!, até o famoso Hearthstone, os TCGs unem a estratégia individual com o multiplayer para trazer ao jogador horas e horas de diversão  e sempre apostando nas expansões de conteúdo para que o jogo não perca a graça. O problema, é claro, é que a popularização desse tipo de jogo torna mais e mais difícil que novos lançamentos inovem na sua jogabilidade, correndo o risco de novos jogos desapontarem e trazerem apenas mais do mesmo.


Lançado através da Steam, Ancestory é um card game tático no qual você controla um xamã capaz de invocar diversas criaturas ou magias para derrotar seus adversários. Como a grande maioria dos TCGs, Ancestory não inova no modo single player: todo o jogo gira em torno de rápidas batalhas que, para os fãs de jogos com história, podem não fazer muito sentido.


Conquiste o mapa e destrua seus inimigos

No começo das partidas, você controla um xamã que é capaz de invocar monstros e conjurar feitiços. Matar tropas do adversário ou realizar determinados objetivos concedem pontos aos jogadores e aquele que juntar uma determinada quantidade de pontos primeiro é considerado o vencedor.

Seguindo o mesmo esquema de jogos similares, Ancestory divide as suas partidas em turnos. Ao começo de cada turno, o jogador ganha determinada quantidade de mana, crescendo exponencialmente na medida em que os turnos passam. As diversas cartas (que podem ser criaturas ou magias) têm um determinado custo de mana, que é utilizado para se invocar a carta e qualquer semelhança com Hearthstone ou Magic não é mera coincidência.

O jogo deixa bastante a desejar na inteligência artificial dos seus oponentes, que é bastante fraca e limitada. Vencer partidas garante ao jogador pontos de experiência e passar de nível permite que novas cartas sejam desbloqueadas, mas mesmo assim é possível perceber uma quantidade bastante limitada de cartas disponíveis. Por fim, o modo história é apenas uma sucessão de partidas contra o computador, sem nenhuma narrativa ou história fluente.


Inovação é a solução

A verdadeira inovação de Ancestory acontece na jogabilidade e nos mapas. Diferente dos demais TCGs, Ancestory traz mapas isométricos em 3D, onde cada oponente começa em um lado oposto do mapa. O objetivo, além de eliminar tropas  e o xamã inimigo  é conquistar determinadas estruturas do mapa, chamadas Totems, para se acumular mais pontos.

Visualmente, os mapas são bem interessantes, com fortes referências a florestas da América do Sul, construções do Egito e ruínas perdidas do passado. O gráfico não é espetacular, mas é o suficiente para manter os jogadores entretidos e chamar a atenção aos objetivos essenciais de cada partida. Nesse ponto, o visual de Ancestory sofrem do mesmo problema de League of Legends: os gráficos são interessantes se você aproximar bastante o zoom, mas você vai precisar manter a câmera afastada na maior parte do jogo para traçar sua estratégia com eficácia.


O multiplayer de um só jogador

Como já era de se esperar, o modo multiplayer tem tudo para ser a melhor parte de Ancestory. Infelizmente, a comunidade de jogadores ainda não é grande o suficiente para tornar esse modo realmente divertido e o jogador pode ficar desapontado com a quantidade de tempo que terá que esperar na fila antes de começar uma partida multijogador.

Além disso, a jogabilidade segue a mesma do modo história, com a única diferença sendo que o seu adversário é outro jogador, ao invés da inteligência artificial.


Colocando as cartas na mesa

Ancestory manda muito bem ao tentar inovar, jogando os conceitos básicos de um TCG em uma estratégia baseada em turnos em um mapa isométrico 3D  de fato, essa nova experiência foi justamente o que mais me atraiu no jogo. Por outro lado, aqueles que, como eu, já estão acostumados com os card games, certamente irão perceber que Ancestory usa muitos conceitos e mecânicas já estabelecidas por outros jogos sem trazer nada de novo ou único, o que pode ser bastante desapontador.

De qualquer modo, a simplicidade do jogo e a diversão visual proporcionada pelos mapas e pela possibilidade de se customizar seus decks garantem horas de diversão e podem ser uma boa pedida para aqueles que ainda não tiveram seu primeiro contato com os TCGs.

Prós

  • Inova ao misturar estratégia em turnos com TCG;
  • Decks simples e divertidos de se construir;
  • Jogabilidade fácil e simples de se aprender;

Contras

  • Variedade limitada de cartas;
  • Inteligência artificial dos inimigos é bem fraca;
  • Não possui nenhum tipo de narrativa no modo história;
Ancestory PC  Nota: 7.0


Thiago Fernandes estudou Design Gráfico e Letras, mas atua como professor de Game Design com especialidade em Teoria dos Jogos e RPGs. É redator do GameBlast e editor da RPG Vale, mas tá sempre pelo twitter em busca de loot.

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