O ano de 2026 talvez seja um dos melhores anos para a Capcom; ela simplesmente, até agora, conseguiu entregar um simulador de pai de menina com Pragmata, misturou ação e terror em Resident Evil Requiem e simplesmente reviveu uma franquia antiga com Onimusha: Way of The Sword, para encerrar este ano com chave de ouro.
Ela entrega como último projeto um DLC robusto para Dragon's Dogma 2, ou melhor, Dragon's Dogma 2: Dark Arisen, conforme chamado agora. Posso adiantar que esse é mais um acerto da empresa, que consegue entregar uma expansão com mapa novo, novas ameaças e uma nova trama intrigante, mas que não está livre de alguns tropeços, dos quais vou comentar.
Um chamado para o norte
A nova história se passa durante a campanha principal e coloca o herói — que teve seu coração roubado por um dragão no sentido literal, e não romântico — a caminho das terras gélidas de Norgan, a princípio apenas para investigar o surgimento de um novo Nascem, mas logo, como os trailers revelaram, ele descobre existir também um dragão morto-vivo, diferente de tudo já visto, e a trama começa a ficar mais complicada.
Quando o assunto é narrativa, eu admito que Dragon's Dogma 2 nunca me conquistou muito, mesmo eu o zerando duas vezes para obter o seu final verdadeiro. Sempre pareceu que a trama precisava de mais investimento, e acaba desperdiçando algumas ideias e carecendo de personagens carismáticos.
O novo capítulo consegue ter uma premissa intrigante, mas julgo que ela enrola bastante até realmente começar a responder às questões interessantes. Os novos personagens apresentados são consideravelmente esquecíveis; parece que faltou um tempero neles e nas novas missões secundárias, que são simples, mas bem bobas e desinteressantes, com poucas realmente conseguindo prender minha atenção.
Todavia, algumas liberam funções importantes, como poder contar com a ajuda de uma loba para rastrear recursos e a história principal. Embora demore para engrenar, quando começa, demonstra competência até certo ponto.
Norgan, um reino frio e perigoso
Após fazer meus comentários sobre a história, acredito que está na hora de falar do atrativo principal da nova jornada, a região inédita Norgan. A primeira coisa que chama atenção, com certeza, é sua diferença visual. Estamos saindo de climas e biomas como desertos, vulcões e florestas para um ambiente de frio intenso de tamanha beleza.
Agora conseguimos nos deparar com tundras nevadas com córregos de água cristalina, montanhas com cânions gigantes e um castelo imponente que é possível ver desde o começo da nova jornada. Mas, além das novas arquiteturas, ainda temos uma nova forma de explorar com gancho de escalada para pontos específicos.
O clima também se faz presente, trazendo consequências imediatas ao protagonista, pois, em alguns lugares, fortes nevascas vão ocultar o minimapa e aumentar o custo da estamina, fazendo ações básicas, como correr ou golpear, serem mais custosas. Essa nova adição reforça a imersão em um local mais árduo, em que o jogador tem que se esforçar mais para sobreviver.
Isso me agradou bastante e deu uma valorizada maior em elementos antigos, como os acampamentos, que agora são mais importantes, já que são uma das formas de se aquecer. Outra adição que faz uma função parecida são as pedras quentes, que podem ser utilizadas para manter o herói e seu grupo aquecidos.
Contudo, Norgan também guarda novos perigos físicos, além dos climáticos. Uma pequena leva de inimigos vem com literais bárbaros, daqueles bem estereotipados, com machados gigantes ou arcos e flechas, sendo os primeiros a aparecerem. Eles são basicamente versões mais desafiadoras dos oponentes humanos existentes no jogo base.
Meus confrontos contra eles foram interessantes, mas achei-os resistentes até demais; mesmo você pegando equipamentos melhores, ainda parece, às vezes, que você está enfrentando uma parede de músculos. Além dessas, outras criaturas mais fantasiosas voltam, como harpias, um gigante das neves que possui um sopro de gelo devastador como marca registrada.
No geral, no quesito elenco de monstros, essa empreitada traz mais subespécies inéditas do que criaturas estreantes, o que, a meu ver, é um problema, pois a quantidade de inimigos sempre foi um ponto fraco de Dragon's Dogma 2. Em mais de setenta horas de jogatina, perdi a conta de quantos grifos matei.
Então, uma das minhas expectativas com a chegada dessa nova aventura era receber um frescor com novos adversários e, até certo ponto, ela foi atendida, mas foram poucos rostos genuinamente novos; logo voltam a surgir criaturas repetidas como grifos, goblins, harpias, que ficam repetitivas novamente. Diria que isso ocorre num ritmo menor, pois o mapa é menos extenso e outras mecânicas inéditas, como as relíquias, ajudam a amenizar essa sensação.
Loot aleatório e novas habilidades
Norgan traz, com tudo mencionado até o momento, um novo loot exclusivo chamado relíquias. Ele é encontrado em baús e dropado de ameaças. Esse artefato são equipamentos e armas utilizados pelos antigos habitantes da região, mas estão em péssimo estado.
Por isso, devem ser levados para uma senhora, na primeira cidade do novo reino, por alguns pontos de Cristais da Fenda, os quais possibilitam invocar peões. Ela abre essas relíquias e restaura a sua antiga glória; os equipamentos que vêm são aleatórios. Além disso, existe a chance de as ferramentas virem com buffs únicos, como aumento de dano ou versões novas de habilidades já existentes.
Admito que, em um primeiro momento, essa nova mecânica não me conquistou, mas, com o passar do tempo, fui me acostumando e percebendo como ela facilita o gerenciamento de recursos e agiliza o aumento de força para deixar as coisas mais fáceis nas terras geladas. No entanto, por algum motivo, essa nova leva de armas e armaduras não pode ser melhorada no ferreiro, o que acaba tornando essa função praticamente inútil, o que é uma pena.
É até possível criar alguns projetos com ele, mas não compensa tanto quanto apenas farmar alguns artefatos, o que garante equipamentos mais fortes do que os fabricados. Além dessa nova funcionalidade, a jogabilidade recebeu recentemente uma opção para equipar até seis talentos, o que encaixou perfeitamente com a nova leva de poderes.
Os doze trabalhos do Nascem
O último destaque do novo capítulo foi a adição de doze masmorras de desafios, que ficam todas em Vermund, ou seja, no reino antigo no qual se passa a campanha principal. Cada uma oferece recompensas únicas e árduos oponentes para serem superados. As tarefas entram em algumas delas na forma de condições para acessá-las.
Por exemplo, uma das quais fiz exigia que levasse apenas meu peão principal na equipe para ser acessada, enquanto outra não precisava utilizar a classe de arqueiro mágico. Ao todo, as doze masmorras são um conteúdo interessante e guardam oponentes formidáveis que, no final, entregam recompensas à altura, mas diria que seu destaque são as condições que forçam o jogador a sempre ter que adaptar sua estratégia e as chamas da oferenda.
Esse último item serve para ser utilizado em Norgan, em pilares congelados, que, ao serem reacesos com a chama, vão liberar versões ainda mais fortes das habilidades já existentes e algumas inéditas para cada classe. Algumas delas são bem roubadas, então vale muito a pena correr atrás de terminar esse novo conteúdo.
Graças a algumas qualidades de vida implementadas via atualização gratuita, como pedra de viagem rápida infinita, é possível percorrê-la rapidamente entre Vermund, acessando facilmente esses doze trabalhos. Contudo, talvez algumas condições acabem atrapalhando mais alguns jogadores do que realmente os divertindo, como ter que estar com peso leve durante toda a dungeon.
Um complemento competente que poderia ser melhor
Dragon's Dogma 2: Dark Arisen era a última peça que faltava para fazer essa sequência atingir seu ápice, todavia acredito que poderia ter havido um tratamento melhor na qualidade da narrativa e das missões secundárias.
Em contrapartida, a expansão entrega um reino novo, lindo e difícil, com uma exploração que faz suspirar ao seu clima diferente, com ameaças inéditas e rostos conhecidos prontos para serem enfrentados agora com novas habilidades e equipamentos inéditos.
No final, Dark Arisen, mesmo com seus tropeços, consegue ser um excelente DLC que facilmente vai render mais umas boas horas de conteúdo para os veteranos da série ou novos Nascem que vão desbravar essa aventura pela primeira vez.
Prós:
- A nova região tem o tamanho ideal, conseguindo equilibrar perfeitamente oponentes mais árduos com as mudanças climáticas e ainda demonstrar uma beleza deslumbrante;
- Os doze desafios são um conteúdo árduo e divertido que faz o jogador ter que se adaptar para conseguir vencê-los. Mesmo algumas condições sendo meio exageradas, isso não ofusca a sua qualidade;
- As novas habilidades para as classes são consideravelmente fortes;
- A possibilidade de utilizar cordas para escalar alguns locais traz maior versatilidade para a exploração;
- O sistema de relíquias agiliza o gerenciamento de recursos e facilita o jogador a ficar mais forte.
Contras:
- A narrativa se sai melhor que a da campanha base, mas demora muito a engrenar, não conseguindo apresentar novos personagens marcantes;
- Os novos oponentes são um pouco resistentes demais; além disso, a maior parte deles são apenas subespécies com pequenas mudanças, tornando os confrontos repetitivos com o passar do tempo;
- O novo sistema de loot acaba deixando inúteis mecânicas antigas, como o ferreiro.
Dragon's Dogma 2: Dark Arisen — PS5/XSX/PC/Switch 2 — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: Playstation 5
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Capcom









