Análise: Onimusha: Way of the Sword é o retorno triunfal da franquia em uma obra de ação extremamente divertida

Acompanhe Miyamoto Musashi em sua jornada para salvar Quioto de uma iminente invasão do Inferno e de seus Genma.

Após vinte anos na geladeira, a Capcom resolveu, em um ano lotado de lançamentos incríveis, como Pragmata e Resident Evil Réquiem, reviver uma de suas franquias mais queridas: Onimusha.


Finalmente, ao poder testar Onimusha: Way of the Sword, é possível adiantar que muitos elementos que elogiei na demo se mantêm, como sua jogabilidade e sua narrativa. Porém, alguns outros problemas me surpreenderam.

Uma jornada digna de um filme de Akira Kurosawa

Onimusha: Way of the Sword coloca o jogador no controle de Miyamoto Musashi, pouco antes de ele desafiar o mestre samurai Shizuka Gozen. Contudo, após sua vitória, coisas estranhas começam a acontecer, desencadeando uma série de eventos sobrenaturais.

Para resumir, o protagonista é cercado por demônios, morto e revivido do inferno por uma figura chamada “Homem de Branco”, utilizando uma manopla Oni. Agora, guiado pela voz do objeto misterioso, Miyamoto Musashi deve caçar monstros para fortalecer a manopla e, assim, conseguir se livrar dela e, de brinde, impedir uma invasão do inferno a Quioto.

Desde a demonstração, já tinha boas expectativas em relação à narrativa e, felizmente, fui surpreendido, principalmente pelo seu tom mais cômico, com várias cenas nas quais o protagonista brilha com seu bom humor e sua personalidade descontraída. Mas, quando necessário, a trama sabe ser séria, criando também excelentes momentos dramáticos e até macabros.


Preciso enaltecer também a dublagem em português, que está impecável e tem papel importante na imersão da trama, com vozes famosas como César Emilio (Miyamoto Musashi), Sasaki Gayru (Yuri Chesma) e Bruna Matta (a voz da manopla), entre muitas outras surpresas. A qualidade é tanta que até os chefes são carismáticos, com vozes marcantes, e o antagonista principal, sobre o qual não falarei muito, também cumpre seu papel muito bem.

Além disso, as cutscenes, bastante presentes, são muito bem coreografadas e visualmente deslumbrantes, principalmente nas expressões faciais dos atores, que atingem um nível tal que parece estarmos assistindo a um filme.

Aparando, esquivando e fatiando tudo pela frente

Além da excelente trama, a obra entrega uma jogabilidade orgânica e viciante, que confere uma identidade revigorada à franquia. O samurai pode desferir estocadas leves e pesadas, além de se esquivar ou bloquear investidas. Caso o jogador execute esses dois últimos comandos com precisão cirúrgica, acionará a esquiva ou a aparada perfeita. A partir desse gatilho, o loop de ação transforma-se em uma dinâmica estimulante: fatiar os Genmas, defletir suas ofensivas no tempo exato e rechaçar o cerco inimigo.  


A partir disso, a gameplay vai se tornando uma viciante dança entre fatiar os Genmas, aparar seus movimentos e esquivar no momento certo. Mesmo sendo movimentos básicos, eles são suficientes para garantir horas de diversão, graças à inteligência dos adversários, que atacam em grupo de forma organizada, até mesmo se posicionando no ponto cego do jogador, detalhe que me surpreendeu.

Por conta disso, os combates permanecem divertidos e cinematográficos, sustentados por coreografias de movimentos que tornam extremamente satisfatório realizar aparadas e esquivas. Esse esmero corrobora a declaração do diretor do jogo, que destacou o profundo esforço de pesquisa da equipe para alcançar tal patamar. Afirmo com tranquilidade que valeu a pena, pois este é, facilmente, o projeto com a esgrima mais bonita que já tive a oportunidade de jogar. 


Mas os embates não são apenas bonitos: eles vão ficando mais difíceis conforme novos demônios, com visuais macabros e formas inusitadas, aparecem. Para balancear isso, o samurai vai adquirindo novos poderes graças à manopla de Oni, como as armas Oni.

Na demo, estavam disponíveis apenas as adagas, que arrancavam mais facilmente almas amarelas dos inimigos, facilitando a recuperação de vida. Agora, na versão completa, o leque é bem maior, mas o que vou destacar é o martelo, que quebra a barra de stamina dos adversários, facilitando a realização de finalizações neles.


Entretanto, achei que os embates, mesmo sendo bons, acabam ficando repetitivos devido a alguns fatores, como os inimigos comuns nem sempre possuírem a agressividade ideal, o que atrapalha o fluxo de gameplay, pois não é realmente possível usar todas as abordagens disponíveis.

Um caminho cheio de inimigos fortes

Mas, se os Genmas normais nem sempre entregam um desafio, os chefes são o oposto, sendo um dos pontos mais altos da experiência, pois realmente exigem que o jogador se esforce para usar todas as mecânicas básicas com maestria.


Esses adversários de elite, como Sasaki Kojiro, atacam com um leque de movimentos diferentes que testam os reflexos, não dão espaço para se curar e, caso consigam quebrar a postura do Musashi e coletar as almas que ele solta, ficam mais fortes antes da hora. Todos os chefes possuem três estágios distintos, que são ativados conforme a vida deles vai diminuindo.

Claro, assim como as lutas contra oponentes normais, as deles também são um espetáculo visual, com momentos que parecem ter saído de um longa-metragem de ação, o que é um incentivo para sempre tentar executar as defesas perfeitas ou esquivas. Todavia, achei que alguns desses chefes tinham muita vida, o que prolongava de forma desnecessária alguns confrontos.

O Leste de Quioto ainda resiste

Uma das minhas maiores surpresas em Onimusha: Way of the Sword foi encontrar uma grande área aberta para explorar o Leste de Quioto. A cidade, no começo, é bastante limitada, com muitas partes ocupadas com miasma, uma névoa tóxica para humanos, mas agradável para as criaturas vindas do inferno.

Conforme a aventura avança e mais partes vão sendo liberadas, o desbravamento melhora, surgindo atividades extras, como missões secundárias, NPCs para salvar, Poderes Oni para encontrar e baús com recursos valiosos, com pontos de habilidades ou matérias para melhorar o equipamento do herói, como sua espada, roupa e manopla.

Visualmente, a representação de Quioto está bastante fiel à época, com casas de madeira mais simples, interiores muito fidedignos e ruas de terra. Todos esses locais estão sempre cheios de sangue e cadáveres, o que ajuda a reforçar a ideia de que o lugar está sendo invadido por forças malignas.


Contudo, meu problema com essa experiência foi que, com o passar das horas, o Leste de Quioto se torna cansativo de explorar e, às vezes, passa a sensação de ser uma “barriga” no ritmo da história. Isso ocorre porque, após terminar uma missão importante da narrativa, sempre há uma missão seguinte cujo objetivo é “fechar a fenda” — um portal de onde demônios escapam do inferno. Essa tarefa funciona como uma “calmaria” logo depois da tempestade. 

A questão é que esse objetivo se repete muitas vezes, o que torna a experiência cansativa, principalmente porque, embora o jogo tenha bons oponentes, eles não apresentam uma diversidade tão grande. Assim, os confrontos ficam repetitivos e, para piorar, ainda existem alguns chefes — cujo nome prefiro omitir — que reaparecem nessas fendas, o que só faz o combate se tornar monótono e repetitivo.


Todavia, há também sessões lineares em mapas isolados, como o Templo Kiyomizu-dera, local da demo. Esses trechos são excelentes por serem visualmente deslumbrantes, com trechos rápidos e, às vezes, quebra-cabeças que deixam tudo mais divertido. Ao final da fase, sempre há uma excelente luta contra chefões. Facilmente trocaria Quioto por mais fases assim.

O retorno triunfal de Onimusha


Onimusha: Way of the Sword
é mais uma prova de que a Capcom não cansa de acertar com suas IPs, conseguindo entregar um retorno triunfal da franquia, que vai atrair novos e antigos fãs da série com sua história bem-humorada, duelos simples e fluidos, e ainda uma região inteira para explorar.

Mesmo com alguns tropeços, como chefes com vida além da conta, tornando cansativos alguns confrontos; baixa variedade de oponentes comuns; e alguns problemas na exploração, esses fatores não são suficientes para ofuscar esta obra-prima.

Prós:

  • Dublagem em PT-BR excelente, com dubladores famosos emprestando sua voz a personagens importantes, como o protagonista;
  • Cutscenes muito bem animadas e cinematográficas, que às vezes fazem parecer que você está assistindo a um filme;
  • Batalhas contra chefes desafiadoras, cinematográficas e diversificadas, permitindo ao jogador utilizar várias estratégias para vencer;
  • O combate é dinâmico e violento, tornando-se cada vez mais viciante conforme novas habilidades e inimigos vão sendo desbloqueados;
  • Narrativa cativante e engraçada, que desenvolve bem seus personagens mais importantes.

Contra

  • O Leste de Quioto é interessante de explorar, mas acaba sendo um dos fatores que tornam os combates exaustivos e repetitivos;
  • Embora os embates sejam envolventes, há uma carência na variedade dos Genmas, que logo deixam de ser novidade e se tornam monótonos.
  • Alguns chefes têm barras de vida grandes demais, o que prolonga de forma desnecessária os confrontos.
Onimusha: Way of The Sword – PS5/XSX/PC/SWITCH 2 – Nota: 9,0 
Plataforma: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal 
Texto de análise redigido com cópia digital fornecida pela Capcom
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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