Persona 5: o JRPG de maior sucesso dos videogames que continua roubando corações completa dez anos de aniversário

Uma década desde o lançamento de um grande sucesso que criou uma legião de fãs e influenciou diversos games desde então.

Dentro de cada gênero do mundo dos videogames, existem títulos que representam o melhor que a categoria pode oferecer. Essas experiências são tidas como referências quase absolutas. Persona 5 pode ser considerada uma dessas sumidades, representando o melhor do que os JRPGs têm a oferecer. Em meio às festividades do décimo aniversário desse verdadeiro clássico, vamos conferir o porquê de tanta festa e pompa.

Parabéns, parabéns! Saúde e felicidade! 

Lançado originalmente em setembro de 2016, Persona 5 saiu para os PlayStation 3 e 4 simultaneamente. Ele chegou aproximadamente 8 anos após a quarta entrada da franquia, que, juntamente com o terceiro, havia consolidado a série que surgiu originalmente como um spin-off. A pergunta era uma só: ele conseguiria superar o sucesso dos predecessores?
O resultado foi estrondoso, com avaliações quase perfeitas tanto de público quanto de crítica. Eu mesmo já havia jogado Persona 3 via PSP, com a versão Portable, mas não cheguei a terminar a campanha. Foi somente com Persona 5 que eu entendi a proposta da série e as suas grandes qualidades. De certa forma, foi como quando descobri a excelente luta contra os mortos-vivos via Resident Evil 4.
 
Minha experiência com Persona 5 foi no PlayStation 3, em tempos que o PlayStation 4 já estava a pleno vapor. Eu estava procurando algum novo lançamento e descobri o mais novo JRPG da Atlus, um dos últimos grandes títulos a chegar ao terceiro console da Sony, que estava no final do seu ciclo. Logo de cara a abertura do game fisgou meu coração, bem como o design dos menus e elementos na tela.
 
Os visuais são repletos de estilo, com cores vibrantes e formas arrojadas. Salvo Pokémon, nunca fui um grande fã de jogos de combate por turnos, que eu julgava serem lentos e desinteressantes. Tal como no meu caso com os pocket monsters, faltava uma proposta viciante e ousada que tirasse esse meu “ranço” para conhecer e aproveitar uma experiência única. Hoje essa incrível experiência completa dez anos.

Senta que lá vem história

Para quem não sabe, Persona 5 tem como estrelas os Phantom Thieves of Hearts, um grupo de jovens – liderados pelo protagonista Joker – que busca enfrentar injustiças e resolver crimes usando o poder do subconsciente, por meio do ingresso a um universo paralelo chamado Metaverse. É nele que residem os Palaces e o Mementos, grandes dungeons onde a campanha progride, todas repletas de inimigos e surpresas.
Além dos cenários de aspecto fantasioso, o game também traz uma bela recriação de Tóquio. Os cenários urbanos modernos se misturam com elementos tradicionais da cultura japonesa, resultando numa verdadeira viagem cultural. Em meio a tudo isso, o game costura assuntos importantes da vida real como depressão, abuso e corrupção de maneira orgânica e competente aos elementos fictícios, resultando numa história incrível.
 
Mesmo após dez anos, essas ambientações continuam top de linha. Os combates por turnos também são muito bem animados, proporcionando muitos recursos e personalizações para criar estratégias diferentes. Cada companheiro de Joker adiciona novos poderes às lutas, que vem em um nível equilibrado de dificuldade. A exploração também é agradável, sobretudo graças à ótima representação dos cenários.
Outro dos pontos altos de Persona 5 é o sistema de relacionamentos. É possível criar amizades e até criar laços amorosos com vários personagens ao longo da campanha. Eles não somente proporcionam momentos divertidos, mas também rendem bônus e habilidades especiais para serem utilizadas durante as missões dos Phantom Thieves of Hearts.

Qualidades por todos os lados

Outro ponto forte do game é o seu sistema de criação e gerenciamento de Personas, que são criaturas utilizadas pelos heróis e heroínas do game para enfrentar as Shadows, que representam os vilões. A variedade e o sistema de personalização são enormes, conferindo um saudável viés colecionista ao JRPG. Tal como os personagens, os “monstros” do game são interessantes e bem apresentados.
A ampliação do escopo da obra ocorre de forma fluida e organizada: se no início o grupo de jovens tem poucos recursos e enfrenta problemas na escola, no final eles estão cheios de opções e precisam lidar com o futuro do Japão (e, quiçá, do mundo). O sistema de progressão é muito otimizado, levando o público a encarar desafios cada vez maiores de forma equilibrada.
 
Essa evolução não se dá somente na jogabilidade: os personagens, que são o carro chefe do game, vão mostrando novas facetas conforme encaram seus problemas e criam laços com o mundo ao seu redor. Praticamente todos são carismáticos e envolventes, criando um sentimento de camaradagem extremamente agradável. Acredito que esse cuidado geral ao game seja uma das razões do sucesso de Persona 5.
Afinal, praticamente tudo funciona bem e tem uma bela representação, incluindo as belas músicas e dublagens. Apesar da sua duração girar em torno da centena de horas, o jogador aproveita a campanha sem perceber o tempo passar. Tal é o nível de qualidade e o porquê de precisarmos comemorar o décimo aniversário do título, que influenciou outras produções como Fire Emblem: Three Houses e Honkai: Star Rail.

Legado e spin-offs

Como já é de praxe na franquia, o game recebeu uma versão melhorada chamada Persona 5 Royal em abril de 2020. Particularmente, essa produção me é muito especial pelas circunstâncias em que eu o recebi e o joguei: para quem não sabe ou não notou, sua data de lançamento coincidiu com o começo do agravamento da pandemia no Brasil. Em meio a todo o caos, tive a oportunidade de fazer a análise do título para o GameBlast (juntamente com Doom Eternal, “equilibrando” uma pegada cadenciada com outra de ação intensa).
O carisma e a profundidade continuavam lá, mas a versão Royal incrementou ainda mais as coisas: um novo arco de campanha, golpes inéditos, um local para curtir a arte do jogo, melhor gerenciamento de tempo para aproveitar mais do que o game disponibiliza, etc. Ou seja, a versão definitiva de um título que já era repleto de conteúdo e muitas qualidades.
 
O sucesso e a popularização de Persona 5 foram tamanhos que o game teve seus personagens e ambientação adaptados para várias outras produções na forma de spin-offs. Persona 5: Dancing in Starlight, por exemplo, é um título rítmico estrelando canções e personagens da obra principal. Ao acertar os comandos que aparecem na tela, os heróis mostram suas habilidades na pista ao som das belas canções do game.
 
O gênero musou também foi contemplado com Persona 5 Strikers, que fez uma ótima adaptação dos combates por turnos em lutas dinâmicas e cheias de emoção. Com combos cheios de estilo em meio a hordas intermináveis de inimigos, o game é um prato cheio para os fãs. A produção e a caracterização continuam excelentes, despejando estilo
Persona 5 Tactica colocou os Phantom Thieves dentro dos combates de turno novamente, mas agora com uma pegada tática. Além de escolher as ações, é preciso posicionar os personagens em cenários que parecem mapas no estilo tabuleiro de xadrez. Assim, elementos como distância, níveis verticais e cobertura tornaram os combates ainda mais estratégicos. Os visuais são mais “fofinhos”
Indo além dos títulos “derivados”, Persona 5 também deu as caras em cameos e conteúdos especiais em outros games. Alguns exemplos importantes são Sonic Forces, Overwatch, Astro Bot, Granblue Fantasy e Fortnite. Talvez o mais significativo seja Super Smash Bros. Ultimate, na qual o protagonista Joker é um lutador divertido e competente, disponível via compra de DLC.

Roubando corações

Em um universo de tantos lançamentos, poucos são os games que conseguem alcançar o status de referências no mercado. Persona 5 é um excelente exemplo de sucesso que completa dez anos, entregando uma experiência incrível que trouxe para os holofotes o gênero JRPG. Suas qualidades e vendas foram tantas que geraram uma versão melhorada, diversos spin-off e participações em diversos outros jogos. Ainda não se sabe muito sobre a sua sequência, porém uma coisa é certa: ela vai ter que suar bastante para conseguir roubar nossos corações como Joker e cia fizeram.

Revisão: Thomaz Farias
Siga o Blast nas Redes Sociais
Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).