Resident Evil: a história e a evolução da franquia nos videogames — Parte 1

Vamos entrar no mundo dos zumbis na primeira parte desta matéria sobre a trajetória da famosa série de terror, sobrevivência e ação.

em 19/03/2026
Num mercado tão competitivo, são poucas as franquias de videogames que conseguem manter os níveis de qualidade e relevância ao longo dos anos. Uma das mais consolidadas e longevas desde o seu surgimento é Resident Evil, saga de grande sucesso da japonesa Capcom. Nesta matéria especial, vamos contar um pouco da história dessa eterna luta contra os mortos-vivos.

Vale frisar que a quantidade de games é grande, então esta será a primeira parte da nossa viagem e será focada nos títulos considerados “principais” da franquia. Em breve, teremos os demais jogos aqui no GameBlast. Pegue suas ervas verdes e carregue sua fiel pistola, pois vamos começar!

O nascimento dos mortos-vivos

Embora não tenha exatamente inventado a temática dos zumbis nos videogames, certamente ele foi o responsável pela popularização e subida de régua na seriedade da apresentação: Resident Evil estreou em 1996 para o saudoso PlayStation, também com versão para PC. O jogador pode escolher entre Chris Redfield e Jill Valentine para jogar a campanha, cada um com suas próprias vantagens.
Os cenários pré-renderizados, as tomadas de câmera, as inúmeras surpresas escondidas na mansão, os combates tensos: essas e outras novidades (na época) levaram o game ao sucesso. Não somente por ser único, mas pela qualidade na execução geral. O jogo também trouxe outros nomes que se tornariam carimbados na série, como Albert Wesker, Rebecca Chambers e Barry Burton.
O sucesso do game levou ao lançamento da versão Director’s Cut em 1997, contando com novidades como novas roupas, armas e inimigos. Curiosamente, em 1998 saiu uma versão adaptada para o recém-lançado DualShock, lembrando que o primeiro controle do PlayStation não contava com analógicos ou vibração. Finalmente, tivemos a versão Deadly Silence, de 2006, lançada para o Nintendo DS com direito a vários minigames.
 
O sucesso garantiu uma sequência, lançada dois anos depois: Resident Evil 2, que manteve o foco no terror de sobrevivência. O game teve versões para PlayStation, PC e até mesmo Nintendo 64, cujos cartuchos com memória reduzida exigiram trabalho intenso, porém bem-sucedido, de acomodação. Continuando a luta contra os produtos da Umbrella, corporação chave da série revelada no game anterior, para muitos esta é considerada a experiência definitiva da franquia.
Afinal, a história dividida em duas partes – estrelando Leon S. Kennedy e Claire Redfield – acertou na mosca ao oferecer aventuras suficientemente únicas, mas com uma boa dose de interconexões entre elas. A presença do assustador Mr. X e os diversos quebra-cabeças são algumas das atrações do game, que transcorre numa (enorme) estação de polícia. Também temos aqui as estreias de Ada Wong e Sherry Birkin.

A luta tem que continuar

Apenas um ano depois, em 1999, Resident Evil 3: Nemesis estreou para o PlayStation. Com versões para PC, DreamCast e GameCube chegando em 2000, o game voltou para uma aventura de roteiro mais unificado, agora estrelando somente Jill Valentine. A história começa antes do segundo game, estreando a possibilidade dos títulos da série da Capcom não serem necessariamente sequências.
Um dos maiores destaques é a constante e ameaçadora presença do vilão Nemesis, que persegue a heroína diversas vezes ao longo do game. Uma das novidades foi a inserção de decisões pontuais do jogador entre duas ações, que mudam o desenrolar da aventura. O título – que também estreou o modo Mercenários – é relativamente mais curto que os dois anteriores, tendo sido produzido em paralelo com o game seguinte, Resident Evil – Code: Veronica.
 
Lançado em 2000 para Dreamcast, ele estrela Chris e Claire Redfield e estreia os cenários renderizados em 3D, com direito a movimento de câmera. Os personagens alternam o protagonismo da campanha (uma metade para cada um), que se passa em uma prisão remota e depois uma instalação na Antártica. O jogo recebeu uma versão chamada Code: Veronica X – com direito a mais cutscenes e mudanças gráficas – para o Dreamcast e demais consoles da época, visto que o primeiro não gozava de boas vendas.
 
Dois anos depois, chegou Resident Evil Zero, exclusivo para o GameCube. Como o nome sugere, o game é uma prequel para o primeiro Resident Evil, estrelando os personagens Rebecca Chambers e Billy Coen. Inicialmente pensado como um exclusivo para o Nintendo 64, a produção se mostrou muito difícil e acabou mudando para o console sucessor da Nintendo.
A proposta principal do game é que ambos os personagens atuam juntos, sendo possível (e necessário) alternar o controle entre eles, controlá-los ao mesmo tempo e até manda-los para locais diferentes. Cada um deles conta com habilidades únicas: por exemplo, ela consegue criar misturas químicas, enquanto ele consegue mover itens pesados. Somente em 2016 o game deixou de ser um exclusivo da Nintendo, ganhando versões em alta definição para outras plataformas.

Um novo (re)começo

Apesar de terem boa qualidade, esses dois últimos títulos não angariaram o mesmo sucesso de seus predecessores. Resolvendo inovar na fórmula da franquia, Resident Evil 4 estreou em 2005 como um exclusivo para o GameCube. O sucesso absoluto do game, somado aos números relativamente baixos nas vendas do videogame da Nintendo, acabou levando a criação de versões para os demais consoles da época.
Aliás, o game recebeu ports para os mais diversos equipamentos – a maioria deles com vários conteúdos extras –, incluindo versão VR e para o videogame brasileiro Zeebo. O game traz a aventura de Leon S. Kennedy em busca de Ashley, filha sequestrada do presidente dos EUA. No caminho, a dupla precisa lutar contra a Seita dos Iluminados, lidar com a espiã Ada Wong e o mercenário Krauser, entre outras tantas desventuras.
Como em time que está ganhando não se mexe, quatro anos depois a Capcom lançou Resident Evil 5, mantendo (e aumentando) o foco na ação com versões para PS3, Xbox 360 e PC. O jogo viu o retorno de Chris Redfield, agora agente do grupo BSAA, acompanhado da estreante Sheva Alomar. A localidade do título era o interior da África, com direito a participações (importantes) de Albert Wesker e Jill Valentine.
A proposta principal foram as dinâmicas cooperativas, visto que, pela primeira vez na série, era possível dois jogadores jogarem simultaneamente (online ou localmente). Com diversos conteúdos extras lançados posteriormente – com direito a Gold Edition –, o game parecia apontar numa direção segura para a sua continuação. E foi apostando tudo na ação que Resident Evil 6 chegou em 2012 para PS3 e Xbox 360.
 
Ele trouxe uma campanha dividida em várias partes, cada uma focada em duplas diferentes: Chris e Piers Nivans, colegas de BSAA; Leon e agente secreta Helena Harper; Jake Muller, filho de Wesker, e Sherry Birkin (há uma campanha final da Ada Wong, após completar as outras). O título contou com muitos comandos de ação, como correr, pular, rolar e deslizar, bem como munição à vontade e inimigos em quantidade.
Apesar de muito bonito e divertido de jogar, era evidente a sensação de que a série da Capcom havia se desviado das origens mais assustadoras. O roteiro corrido e com divisões mal interligadas só pioraram as coisas. Portanto, apesar das vendas expressivas, a recepção geral do título número seis da franquia não foi tão boa e levou a mudanças profundas na franquia.

Voltando às raízes

Buscando recuperar o prestígio como jogo de terror e sobrevivência, Resident Evil 7: Biohazard saiu em 2017 para os consoles da geração passada. Ethan Winters, o protagonista estreante, não era um soldado ou agente especial, tornando a experiência mais intensa, intimista e assustadora. O game foi desenvolvido com uma visão em primeira pessoa e usando um mapa relativamente pequeno.
Somando isso com uma quantidade (bem) limitada de recursos e um nível de dificuldade justo, mas exigente, tivemos uma aventura digna das melhores da série. Mais uma vez a franquia da Capcom voltou aos holofotes da indústria dos games. Retornando como protagonista, embora agora já com algum treinamento de combate, Ethan estrelou Resident Evil Village, de 2021.
Ainda em primeira pessoa, o game se deu ao luxo de adicionar um pouco mais de ação à aventura, não muito diferente do que Resident Evil 4 fez 16 anos antes. A fórmula, enfim, se revelou mais um grande sucesso para a franquia. Usando uma vila enorme como hub principal, o jogador precisa explorar pontos no mapa para obter informações e recursos para continuar liberando áreas e avançar na história. O título conta com combates e quebra-cabeças interessantes, muitos segredos e personagens marcantes.
 
Finalmente, o mais novo jogo principal da franquia da Capcom hoje é Resident Evil Requiem, lançado com grande sucesso em fevereiro deste ano. O game apostou mais uma vez em uma aventura dividida, estrelando a novata Grace Ashcroft e o veterano Leon. A divisão, entretanto, é mais radical do que nas experiências anteriores: enquanto a heroína tem desafios mais focados em sobrevivência e furtividade, o Sr. Kennedy retorna com recursos e habilidades para o combate.

Come back anytime!

Assim terminamos a primeira parte da nossa matéria sobre a história e a evolução da franquia Resident Evil. Vale lembrar que ainda temos muitos games para conhecer, de remakes a participações especiais em outros jogos. Comece a procurar por munição e tesouros, pois em breve vamos continuar nossa jornada nesse universo tão rico e divertido.
O que você achou da matéria, leitor? Faltou alguma informação interessante? Deixe o teu comentário!
Revisão: Thomaz Farias
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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