Análise: Crimson Moon entrega um roguelike cooperativo promissor, mas com vários tropeços

No controle de um híbrido de humano e anjo, combata exércitos de demônios sozinho ou junto de um aliado.


Preciso admitir que, há pouco tempo, eu não era fã do gênero roguelike, mas, após experimentar obras como Hades II e BlazBlue Entropy Effect X, ocasionalmente sinto vontade de matar a saudade do gênero.


O título que me chamou a atenção desde seu anúncio foi Crimson Moon, um RPG de ação 3D com temática sombria e gameplay que mistura soulslike e roguelike, tudo isso com foco em partidas cooperativas ou solo. Entretanto, embora realmente possua ótimas ideias, a execução de algumas deixou a desejar.

O híbrido de humano e anjo contra as forças do mal

A história nos ambienta em um mundo em guerra; a humanidade está enfrentando exércitos de demônios e, no ritmo atual, está perdendo. Como medida desesperada, ela comete um pecado capital, criando uma nova leva de soldados perfeitos, híbridos de humanos e anjos, os Nephilim.



Com essa nova espécie, o rumo da guerra mudou, mas sua concepção foi considerada um ato pecaminoso; isso os tornou propriedade da Igreja da Lua Carmesim (Crimson Moon). Agora, a organização ordena que os Nephilim vão até a cidade de Gildenarch para deter um lorde vampiro que aterroriza o local a partir de uma torre macabra. Para alcançá-lo, são necessárias três pedras de abraxas, protegidas por guardiões.

A premissa da obra é bem direta ao ponto, como padrão de uma boa parcela dos roguelikes. Ao contrário de títulos como Hades I e II, porém, Crimson Moon não aprofunda seus personagens nem enriquece muito seu universo. 



Todavia, o projeto que está sendo analisado fica só no superficial mesmo; o personagem que controlamos não possui nome, sendo chamado apenas pelo nome de sua espécie, Nephilim. Essa decisão acaba tornando o personagem principal consideravelmente esquecível. Além dele, existem outras figuras que habitam a base do jogo, a Igreja da Lua Carmesim, que são igualmente desinteressantes e bastante superficiais, não tendo nenhum desenvolvimento.

Para não dizer que não houve tentativa de investir na trama durante as missões realizadas pelo Híbrido, seu anjo guardião faz alguns comentários que ajudam o jogador a compreender o contexto geral, complementados por pergaminhos que revelam detalhes sobre o universo e os arredores da torre.



Mesmo não esperando algo grandioso do enredo, até porque o marketing nunca prometeu isso, fico levemente triste ao ver um universo que possui uma temática interessante, tendo demônios, humanos, religião e anjos, não fazer nada com isso. Ao menos o jogo possui legendas em português, facilitando o entendimento de tudo. 

Enfrentando seres malignos de forma travada 

Agora que sua narrativa é devidamente apresentada, é hora de adentrar em um dos pontos mais fortes e, ao mesmo tempo, problemáticos do jogo: sua gameplay, que possui algumas características de Soulslike, principalmente em seu ritmo menos cadenciado.



Isso faz com que os movimentos básicos, como ataques fracos e fortes, sejam lentos, independentemente de a arma utilizada ser leve ou pesada. As esquivas e aparadas também são afetadas, exigindo bons reflexos para serem bem executadas.

Contudo, nesses movimentos básicos, já existe um problema: a mecânica de aparar golpes inimigos não é tão responsiva e é chata de executar, o que, sinceramente, faz com que nem valha a pena tentar realizá-la, ainda mais quando a esquiva é bem mais útil e foi o recurso que mais utilizei durante minha experiência.


Outro empecilho que notei foi a trava de mira, que mais dificulta do que ajuda, pois a câmera fica “maluca”, entrando na parede e no chão. Isso ocorre principalmente em locais fechados e contra seres grandes, ainda existindo o risco de você acabar ficando preso embaixo deles, coisa que me ocorreu durante o primeiro chefão.

Mas nem tudo são pontos negativos; a obra apresenta uma mecânica muito divertida de utilizar o modo anjo, que permite que o personagem se transforme em um ser angelical muito poderoso. Mas, para acessar esse poder, é preciso carregar uma barra por meio de execuções de oponentes de elite que ocorrem quando eles são derrotados.

Essas eliminações são bem estilosas e violentas, o que é até certo ponto satisfatório, mas, devido à quantidade limitada de oponentes que existem, elas ficam repetitivas quando não bugam. Um fator que ajuda a amenizar isso é a dificuldade escolhida; no começo só estão disponíveis os modos fácil e normal. Porém, no normal, os demônios ficam muito resistentes e se transformam em verdadeiras “esponjas de dano”, tornando os embates bem chatos.



Tanto que recomendo que você jogue no fácil, pelo menos até ganhar um pouco mais de níveis, já que isso aumenta a vida máxima e as poções de cura, e, sinceramente, nem é tão “fácil” assim, já que, em alguns momentos, aparecem cinco adversários juntos.

Uma aventura cooperativa problemática 

Como mencionei no início desta análise, chegou a hora de nos aprofundarmos nas missões, pois será por meio delas que os principais elementos de roguelike vão se manifestar. Ao todo, serão cinco, cada uma delas dividida em duas ou três fases, com objetivos “variados” e elementos como baús, criaturas e loot que eles soltam sendo totalmente randômicos, conforme é comum no gênero.

Será possível acessar tais incursões a partir da igreja da Lua Carmesim, que funciona como base principal e lobby. Nela, teremos acesso a ferreiros e comerciantes que vendem equipamentos adquiridos com almas ou moedas de ouro, sendo que o primeiro recurso é zerado quando você perece e o segundo não. Esses aspectos citados são algumas das qualidades que tornam esse um roguelike bastante acessível e amigável, principalmente para quem não tem costume com o gênero, por ser menos punitivo.

Por exemplo, é comum, após você perecer, perder armas e armaduras conquistadas durante a missão. Aqui é um pouco diferente: você pode manter parte do armamento encontrado, caso o tenha guardado no inventário, o que facilita as expedições e, como elas são muito bonitas, ainda permite que você fique extremamente estiloso.



Além disso, é muito fácil aumentar a raridade de armaduras e armas utilizando as moedas de ouro. Essas são melhorias permanentes, e esse equipamento fica sempre disponível no começo de cada missão. Contudo, nem tudo é tão amigável. Embora o título permita partidas cooperativas, elas não têm compartilhamento de loot nem de colecionáveis, apesar de eu acreditar que esse segundo problema seja apenas um bug. 

Também não é possível entrar em uma partida quando a missão já começou. Todos esses pontos tornam contraditório o modo cooperativo. Por um lado, ainda é muito divertido, principalmente nas batalhas contra chefões; no entanto, os problemas citados atrapalham a experiência. Mas acredito que a maioria deles vai ser arrumado por meio de atualizações futuras.

Uma cidade recheada de cenários lindos e escassos

Outro ponto positivo da obra está em seus mapas; existem dois mapas disponíveis que alternam ambientação e temática, mantendo apenas os mesmos monstros. Essas regiões são muito belas, tudo isso graças à escolha do estúdio por gráficos mais cartunescos e um aspecto gótico e sombrio na ambientação. 



Graças a isso, temos vilarejos incendiados, castelos, igrejas e mansões que me fizeram parar a matança de criaturas monstruosas para apreciar um pouco os biomas ao meu redor. No entanto, essa apreciação dura pouco, pois as localidades são escassas e quase não variam entre as incursões, o que acaba fazendo tudo ficar monótono.

Um roguelike cooperativo com potencial


Crimson Moon
é um roguelike cooperativo com potencial. Ele possui ambientações belas, uma jogabilidade competente, mesmo com problemas, e vem com legendas em português. O problema é que falta polimento em vários aspectos para eliminar bugs, refinar o combate e mexer principalmente na resistência dos adversários, o que dificulta recomendar o projeto, pelo menos no seu estado atual, considerando que existem outras obras melhores do gênero.

Prós:

  • Gráficos cartunescos bonitos que criam cenários variados e visualmente deslumbrantes;
  • Armas e armaduras muito estilosas;
  • Gameplay competente, mesmo com ressalvas; ainda entrega combates desafiadores e muitas possibilidades de criação de builds;
  • Alguns chefes são competentes, conseguindo entregar boas lutas;
  • Os elementos roguelike são bem simples, tornando a experiência bastante acessível;
  • Legendas em PT-BR bem feitas.

Contras:

  • Adversários de elite são muito resistentes, tornando os confrontos demorados e chatos;
  • Embora as partidas cooperativas sejam divertidas, elas não são vantajosas, já que os recursos não são compartilhados;
  • A opção de fixar a câmera e a mecânica de aparagem mais atrapalham o jogador do que realmente ajudam;
  • Os inimigos se repetem muito durante as missões, o que só ajuda a torná-las muito repetitivas;
  • Alguns bugs, como travar embaixo de inimigos grandes.
Crimson Moon — PS5/XSX/PC — Nota: 6.5
Plataforma: PlayStation 5

Revisão: Camila Sales
Texto de análise redigido com cópia digital fornecida pela ProbablyMonsters
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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