Análise: BlazBlue Entropy Effect X traz aos consoles confrontos dinâmicos e combos estilosos em um roguelike divertido

O combate ágil, proporcionado por um elenco de personagens distintos, é o principal destaque desse spin-off da franquia BlazBlue.

em 09/02/2026
BlazBlue Entropy Effect X
chega aos consoles como a versão definitiva de um roguelike já aclamado nos PCs e dispositivos móveis. A nova versão traz tanto todo o conteúdo já lançado quanto novidades, como um novo personagem — Naoto — e uma nova história, liberada após zerar a campanha.


O jogo é um spin-off da famosa franquia de jogos de luta BlazBlue, criada pela Arc System Works, que possui uma história ampla e complexa. Porém, para entender o novo título, não é necessário conhecê-la para conseguir desfrutar de sua narrativa intrigante.

Explorando todas as possibilidades para salvar o mundo

A narrativa se desdobra quando a doutora Mercurius acorda o protagonista, Ace, após um grave acidente. Antes de ele conseguir entender a situação, a enigmática cientista revela que precisa de sua ajuda para salvar o mundo de um fim iminente. Para realizar essa árdua tarefa, Ace deve utilizar uma máquina especial em um processo chamado de Mergulho — essencial para coletar os Fragmentos de Possibilidade, que guardam a salvação do mundo.



A jogabilidade propriamente dita manifesta-se a partir do Mergulho, no qual a mente do protagonista entra em um dos dezesseis avatares de BlazBlue. Após isso, ele terá de progredir por mapas lineares, estruturados em momentos de ação e plataforma, enfrentando inimigos e chefes e, a cada obstáculo superado, fortalecendo-se, ganhando golpes novos — chamados de Potencial — e bônus elementais, que, juntos, formam combos poderosos.

Como BlazBlue Entropy Effect X é um roguelike, Ace precisará revisitar as fases várias vezes, até concluir todo o percurso ou falecer tentando. Mas, como é comum no gênero, cada tentativa trará golpes, poderes elementais e chefes diferentes. Além disso, também haverá salas com desafios e lojas, o que, até certo ponto, torna cada partida única. Um diferencial que o título apresenta é a mecânica de preservar as habilidades de um personagem para usar em partidas futuras; tal característica abre margem para desenvolver estratégias.


Enquanto Ace não estiver fazendo um Mergulho, ele poderá interagir com quatro cientistas: Cafe, Lime, Ti e Fox. Embora eles não possam ajudar diretamente nos confrontos, oferecem serviços importantes. Conversar com eles desenvolve o universo e revela detalhes sobre seus passados. Fiquei surpreso com o quão carismáticos eles se revelaram.

Fox introduz um modo extra, no qual o protagonista pode testar os campeões em embates contra chefões; Lime vende produtos, como um desbloqueador de avatar; Cafe permite que o jogador reveja tutoriais; e Ti faz melhorias permanentes no elenco jogável, além de permite equipar habilidades passivas neles. Achei a história contada intrigante, porém um pouco demorada para começar a revelar alguns segredos importantes.

Um elenco de campeões variados

O combate é, definitivamente, o ponto de maior destaque do jogo: ele entrega esquivas ágeis, habilidades extravagantes, golpes estilosos e, principalmente, um elenco de dezesseis avatares para serem controlados. Cada um tem características e estilos diferentes, e o que mais gostei foi testar cada um deles e ver minha evolução conforme dominava seus golpes destrutivos.


Alguns dos avatares que mais me chamaram atenção foram o estreante Naoto, que usa armas feitas de sangue; Bullet, uma lutadora especializada em agarrões, que consegue dar suplex nos inimigos ao melhor estilo Alex, de Street Fighter; e Ars, uma guerreira com espada grande, que causa dano em área com seus golpes inspirados em lendas arturianas. Dominar seus estilos é essencial para conseguir se sair bem nos percursos e, para auxiliar, a obra oferece vídeos que explicam as principais características deles.

Conforme eu ia entendendo os personagens e suas peculiaridades, a sensação de controlá-los se tornava similar à de um jogo de luta, em que criar combos é relativamente simples. Para diversificar a experiência, o título conta com um modo cooperativo online e um local para dois jogadores. 


Os confrontos em dupla se mantêm divertidos, mas trazem mais adversários aos estágios, deixando os embates um pouco caóticos. Porém, isso não ofusca a experiência cooperativa. O modo agrega muito à experiência, ainda mais tendo em vista que roguelikes com coop local são raridades.

Entretanto, se os lutadores são ágeis, os adversários encontrados são lentos e simples demais: eles quase não se movem pelos estágios e, mesmo estando em maior número, não conseguem ser um desafio. Mesmo sendo possível modificar a dificuldade deles, inevitavelmente os confrontos se tornam repetitivos a longo prazo. 


Os poucos adversários que escapam desses males são alguns chefões localizados em dificuldades mais elevadas. Eles conseguem entregar um desafio de verdade, graças aos seus movimentos complexos, que exigem mais atenção e cautela durante os confrontos.

Se perdendo em meio a tantas possibilidades 

Além dos golpes extravagantes, o spin-off traz os já comentados poderes elementais, que variam entre criar esferas de fogo quando o inimigo se aproximar, criar gelo a cada esquiva e fazer raios atingirem o campo de batalha a cada uso de habilidade.


O problema desses poderes — chamados de Tática — é que não foram tão bem aproveitadas nas batalhas. Embora possam ajudar, não são o mais importante. É muito mais efetivo apenas focar em criar combos, ainda mais com a mecânica de herdar habilidades de avatares antigos para usar em outros. Falta uma sinergia melhor entre eles e os golpes.

Para um roguelike, essas táticas não têm a variedade esperada do gênero. Em pouco tempo, já é possível ver tudo que elas conseguem fazer. Além disso, existe uma árvore que desenvolve melhor essa funcionalidade, mas ela é um pouco confusa de usar e de entender, mesmo após várias horas jogando.

Dois convidados inusitados aparecem

Além dos heróis da franquia principal, a obra conta com dois convidados de outros mundos: Icey e o Prisioneiro de Dead Cells. Muito mais do que apenas uma colaboração, os dois personagens trazem fases temáticas próprias, com mecânicas únicas. Caso o jogador já tenha concluído a mini-campanha dos visitantes em outra plataforma, é possível trazer esse progresso por meio do compartilhamento de saves entre elas.

Icey apresenta estágios menos lineares, com caminhos secretos e obstáculos com lasers para se esquivar. Além disso, como não fala, temos um narrador bem-humorado, que ficou ainda mais engraçado graças à tradução para o português. Ele também quebra a quarta parede, falando diretamente com o jogador e podendo até mesmo alterar algum trecho, caso o jogador fique preso nele.

O prisioneiro traz o seu humor característico e um mapa com exploração e baús escondidos, além de trazer chefões exclusivos para ele enfrentar. Ambas as experiências são ótimas para quebrar o ritmo da campanha. Teria sido bom ver tais características — como cenários com caminhos alternativos e baús escondidos — presentes na campanha principal.

Atravessando mapas futuristas cheios de luzes neon pouco variadas

Nos mergulhos do protagonista, ele passará por vários percursos diferentes. A direção de arte desses locais é linda, inspirando-se em uma temática futurista, com as principais localidades sendo cidades com letreiros brilhantes iluminando a noite, laboratórios gigantes com criaturas presas e uma versão cyberpunk de Tóquio, com hologramas de folhas de cerejeira caindo no chão.

Entretanto, para os padrões de um roguelike, as fases possuem poucas variações: elas quase não têm obstáculos para desviar, não possuem caminhos alternativos e, mesmo tendo momentos de plataforma, são poucos. Outras características, como salas de desafio ou lojas, também apresentam pouca variação. Tudo isso torna os ambientes muito repetitivos em pouco tempo, aumentando a dificuldade. Alguns aspectos, como obstáculos, melhoraram, mas não o suficiente.

Poderiam ter se inspirado na estrutura das fases dos heróis convidados, criando estágios com caminhos alternativos, mais momentos de plataforma e baús escondidos. Se isso tivesse sido aplicado, os ambientes demorariam mais a se tornarem monótonos.

Um roguelike modesto, com um ótimo sistema de luta


BlazBlue Entropy Effect X
entrega combate frenético com um elenco de personagens únicos, tornando o ato de dominá-los essencial para conseguir se sair bem nas fases. O jogo ainda oferece a possibilidade de jogar em coop online ou local. Porém, os percursos carecem de variações e os inimigos não proporcionam um bom desafio, tornando a experiência repetitiva após algumas horas. 

Prós

  • Legendas em português;
  • O cooperativo local e online enriquecem as lutas, ao possibilitar desfrutá-las ao lado de um aliado;
  • As colaborações com Icey e o Dead Cells entregam uma boa jogabilidade e oferecem uma experiência diferente da presente na campanha;
  • A jogabilidade com cada personagem de BlazBlue é ágil e extravagante, tornando essencial dominá-lo para conseguir fazer combos estilosos;
  • O combate é dinâmico e ágil: é fácil começar a fazer combos e, mesmo não sendo tão bem utilizadas, as táticas incrementam os embates;
  • Boas opções para customizar a dificuldade.

Contra

  • Os mapas, embora bonitos, são pouco variados, o que os torna repetitivos em pouco tempo de jogo;
  • Os inimigos comuns são lentos demais e não conseguem entregar um desafio ao jogador, colaborando para tornar os embates repetitivos.
BlazBlue: Entropy Effect X — PS5/XSX/SWITCH — Nota: 7.5
Versão usada para análise: PlayStation 5

Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela 91Act

OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).