Análise: Hades II eleva o patamar da franquia a um nível titânico em um roguelite viciante

A princesa do submundo chega aos consoles, trazendo uma sequência mais ambiciosa com novos deuses e inimigos em uma jornada de vingança épica.

em 13/04/2026
Lançado em 2020, Hades chegou fazendo barulho e colocando em destaque o gênero roguelike ao apresentar uma jornada mitológica de uma forma ainda não explorada, com combate ágil e viciante. Agora, após seis anos, Hades II é lançado e adianto que as aventuras de Melínoe contra Cronos aprimoram e ampliam tudo que seu antecessor entregou nesta sequência verdadeiramente titânica.

Traga morte a Cronos

Passaram-se anos após a jornada de Zagreus, filho de Hades, de tentar fugir do submundo e ir para a superfície. Em Hades II, vemos o início de uma nova saga grega; assumimos o controle da carismática bruxa Melínoe, ou apenas Mel, filha de Hades e irmã do protagonista do primeiro jogo.


Sua família foi sequestrada quando ela ainda era pequena pelo seu avô, o titã que controla o tempo, Cronos (pai de Zeus, Hades e Poseidon). Agora, após anos de treinamento, a jovem herdeira finalmente começa sua caçada para salvar sua família e o próprio Olimpo.

A premissa é mais comum do que a vista no primeiro título; no entanto, conseguiu surpreender ao entregar diálogos fascinantes, um vilão marcante e, principalmente, uma excelente protagonista. Sinceramente, como jogador de primeira viagem na franquia, fiquei surpreso com a qualidade da narrativa.


Mel é destemida, doce, compreensiva, mas também vingativa. Sempre trata as divindades com respeito, mesmo que alguns personagens não mereçam. Ela me lembrou, em partes, a Mulher-Maravilha do universo absoluto da DC Comics. Alguém muito poderosa, porém que respeita o que está ao seu redor e às vezes tenta resolver as coisas sem violência. Embora não adiante de nada, o importante é tentar.

A herdeira do trono não está sozinha em sua luta contra seu avô. Ela conta com vários personagens marcantes, como sua mentora Hécate, a poderosa guerreira Nêmesis, o estrategista Odisseu e a caçadora Ártemis. Todos eles ocupam o mesmo espaço, a Encruzilhada.


Esse espaço funciona como base principal; nele é possível sempre conversar com seus aliados e presenteá-los, o que permite conhecê-los melhor. Além disso, aqui fica o caldeirão, mecânica importante, pois, por meio dele, podemos fazer melhorias permanentes que alteram as fases, desde que tenhamos os ingredientes certos. 

Entretanto, coletar esses recursos é uma tarefa que, a longo prazo, acaba atrapalhando o ritmo da gameplay. Uma vez que, como estamos falando de um roguelite, alguns destes podem não aparecer por causa do fator de aleatoriedade que é característico do gênero, o que é bastante frustrante.

Deixando Hécate orgulhosa

Hades II é um roguelite; sendo assim, sua jogabilidade é rápida e viciante. Melínoe consegue usar ataques fracos e fortes e esquivar-se. Como novidade, ela pode conjurar um círculo mágico ao apertar um botão, que impede que os inimigos se movam. Dominar os comandos é simples e intuitivo; com isso, iniciar uma nova noite se torna algo viciante.


As noites representam as características “runs” que estão sempre presentes em um roguelike. Durante elas, podemos encontrar eventos aleatórios e várias figuras mitológicas que ajudarão a protagonista, como os deuses do Olimpo que oferecem poderes diversos. Dentre o panteão, figuras como Zeus e Poseidon retornam.

Mas temos novidades, como Héstia, deusa da chama, que nos permite queimar nossos inimigos, e Hera, do casamento, que vincula um inimigo ao outro, possibilitando compartilhar o dano entre eles. Cada aparição dos Olimpianos é um colírio para os olhos, por serem visualmente deslumbrantes e possuírem diálogos divertidos com a heroína.


Além de rever membros da família, a heroína também encontrará ambientes distintos e, durante minha experiência, tive eventos aleatórios em que me deparei com Nêmesis e Hércules, que me desafiaram para disputas sobre quem eliminava mais inimigos. Também deparei-me com figuras menos competitivas, como Circe, que oferecia poderes peculiares. Todos esses encontros tornam cada run praticamente única.

O submundo é o cenário principal da aventura, mas dessa vez também temos a superfície, onde habitam os humanos. Lá podemos enfrentar novos adversários mitológicos e, passando por eles, chegaremos até o Olimpo, onde uma figura poderosa está causando problemas aos deuses. A mudança de ares é bem-vinda, ajudando a evitar a repetição.

Enquanto estamos explorando os vários ambientes da superfície e do submundo, é perceptível como os cenários são lindos, com cada local tendo características marcantes. O mundo inferior possui inúmeras almas penadas sempre andando, mas, ao mesmo tempo, apresenta regiões submersas com maquinários avançados. Já no mundo humano temos cidades gregas e navios.

Contudo, os inimigos que enfrentamos não compartilham da mesma diversidade proveitosa, o que os torna monótonos rapidamente, embora sejam visualmente interessantes. Já os chefões são desafiadores, com muitos movimentos distintos, exigindo várias tentativas para decorá-los e tornando cada confronto único.


Por fim, temos uma ampla variedade de armas disponíveis para a protagonista usar. Cada uma, além de características únicas, dispõe de variações que as tornam ainda mais poderosas e permitem inúmeras builds. Isso é reforçado pelas cartas de tarô que dão bônus únicos. Em minha experiência, o machado foi o que mais utilizei, pois prefiro armas lentas e fortes; porém, todas as ferramentas disponíveis são excelentes.

Um mundo mitológico que pulsa criatividade

Não poderia terminar de falar sobre Hades II sem dedicar algumas palavras a seus aspectos visuais. Desde a protagonista até as divindades, todos os personagens são muito bem desenhados; as artes se destacam principalmente por destoar das representações mais comuns que vemos, como na franquia God of War


Os olimpianos possuem armaduras brilhantes que caracterizam bem a individualidade que cada um apresenta. Não somente isso, há uma representação em tons de pele que fogem de uma visão mais branca, de maneira a haver maior representatividade. Enquanto a princesa do submundo tem pé flamejante e braço espectral que irradia, o que já garante que ela seja bastante única.

Além disso tudo, ainda temos uma trilha sonora magistral, que utiliza vários instrumentos, gerando canções lindas, como o dueto que Mel e Artemis podem fazer na Encruzilhada. Ela também está presente nos confrontos e momentos importantes da história, tornando-os épicos e melancólicos, o que melhora ainda mais a experiência. Tudo isso reforça o quão cuidadosa a Supergiant Games foi com a sequência de seu projeto mais famoso.

Um roguelite excelente em todos os aspectos


Hades II 
é um verdadeiro titã dentro de seu gênero: apresenta uma história cativante, com personagens icônicos e carismáticos e novas divindades. Seu combate é robusto, com bastante variedade de armas e eventos para tornar as runs únicas.

Em contrapartida, os inimigos não são tão variados, o que infelizmente os torna repetitivos a longo prazo, e o fato de termos que coletar ingredientes para avançar na campanha quebra um pouco o ritmo da jogabilidade. Mas nada disso ofusca o brilho do game.

Prós:

  • Melínoe é uma protagonista carismática e marcante;
  • A campanha é emocionante e apresenta personagens secundários carismáticos;
  • O estilo artístico dos personagens e ambientes é um deleite visual;
  • O combate é versátil e frenético, com muitas opções de armas diferentes;
  • As noites têm muitos eventos aleatórios, o que as torna únicas;
  • Chefes têm bastante variedade de movimentos, tornando cada confronto um desafio a ser superado;
  • Trilha sonora magistral.

Contras:

  • Recolher ingredientes para poder avançar na campanha quebra o ritmo da gameplay;
  • Os inimigos se tornam monótonos com o passar das horas.
Hades II — PS5/XSX — Nota: 9.0
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Supergiant Games
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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