Hands-on: Control Resonant traz um Dylan Faden querendo mostrar a que veio

Continuação do game de 2019 ousa na gameplay e promete trazer ainda mais intrigas à Antiga Casa.

em 22/06/2026

O que se espera de uma sequência? Conforme já escrevi no passado, o número 2 do lado de um título — ou a presença implícita dele — abre todo um mundinho de possibilidades, sejam elas narrativas ou mecânicas. Alguns jogos são mais tímidos e preferem se ater ao que deu certo; outros chutam a porta com os dois pés e propõem mudanças radicais a quase tudo.

Control Resonant, claramente, entra na segunda categoria. Um dos grandes lançamentos prometido para o abarrotado mês de setembro, o game da Remedy Entertainment faz uma aposta alta: trocamos de protagonista, de estilo de gameplay, de mapa e de escopo, além de recebermos novas ameaças paranaturais à Nova Iorque que os irmãos Faden navegam. 

O GameBlast teve a oportunidade de jogar uma demo de duas horas exclusiva para a imprensa e conta tudo sobre como o jogo está. O software apresentado pode não representar o produto final. 

New York, New York

Nossa história começa com Dylan Faden, irmão mais novo da protagonista original Jesse, acordando de um coma de sete anos e descobrindo que a irmã desapareceu e o Ruído, força misteriosa presente em cada canto do universo de Control, escapou da Antiga Casa e tomou o bairro de Manhattan, em Nova Iorque. Para complicar as coisas, mais uma dessas entidades entrou em jogo: a Ressonância, que faz oposição ao Ruído, porém não é exatamente amigável. 

A demo de imprensa nos levou primeiro por uma volta na cidade (que está mais para sandbox do que para um mundo aberto tradicional, segundo os desenvolvedores) para conhecer as minúcias do estilo de gameplay do novo personagem principal. 

Assim como sua irmã, Dylan luta com o uso de um Objeto de Poder, um artefato fantasioso com a capacidade de mudar de forma: a diferença é que, ao passo que Jesse utilizava a Arma de Serviço, fazendo do primeiro Control um jogo de tiro em terceira pessoa, Dylan recebe o Aberrante, uma viga de metal que se transforma em todo tipo de arma melee, entre alcance curto, médio e longo. 

Logo, Resonant é um RPG de ação mais aberto que seu irmão mais velho; quem curte a série Yakuza ou Devil May Cry, por exemplo, se adaptará bem ao novo regime de esmagar botões e fazer combos. Também existe o sistema de Abalo, similar às glory kills de DOOM (2016): podemos executar inimigos (exceto chefes, claro) que estejam em qualquer porcentagem de HP ao encher uma barra à parte. Com a Sede de Sangue, que recompensa execuções em série ao fornecer mais dano a cada uma, é possível entrar em um estado de flow bem agradável.

Também se destaca a mobilidade de Dylan, que leva o game mais para o território do gênero plataforma 3D. Nosso garoto corre, pula, flutua e se teleporta por Nova Iorque; em algumas fases especiais, como na região do Sumidouro (um buraco no meio da cidade que deve ser monitorado), a gravidade também pode sofrer inversões, possibilitando que Dylan caminhe em qualquer eixo. Paredes viram chão e o chão vira as paredes, uma boa metáfora visual para as loucuras que a série Control adora fazer. 

Sendo eu uma jornalista de games, classe famosa por jogar mal, demorei um pouco para concluir a demo com minhas armas de médio e longo alcance. Apesar disso, nunca senti que a dificuldade padrão, da qual não saí, era injusta: cada morte (comunicada por uma tela estilosa em vermelho vivo, a cor assinatura da franquia a este ponto) foi uma oportunidade de aprendizado e me deixou evoluir um pouquinho mais. 

Lá em 2019, público e crítica concordaram que a gameplay do Control original não era bem um destaque, e a Remedy parece ter ouvido esse feedback alto e claro: Resonant é polido e gostoso de jogar. Que bom! 

Quem está no controle?

Em matéria de história, conforme destacado, estamos a sete anos dos eventos do primeiro jogo. Dylan e a audiência têm muitas das mesmas perguntas: para onde Jesse foi? Qual é a origem da Ressonância? O que aconteceu com os personagens do primeiro jogo? Onde foi que o dr. Darling se meteu?!

Claro, mesmo duas horas com Resonant não conseguem responder a todas essas perguntas; isso é de propósito. O que temos são sementinhas plantadas, mas algumas já começaram a brotar um pouquinho que seja. A primeira é o próprio Dylan Faden: como ele se sai no papel de protagonista?

Desde o começo, entre as diferenças de gameplay (que discuti com o diretor criativo Mikael Kasurinen durante a gamescom latam 2026) e a voz interna distinta do personagem, Dylan marca sua presença a cada momento. Ele é emotivo e se deixa levar pelos próprios instintos, além de buscar constantemente a validação da irmã mais velha. 

Uma escolha interessante feita pela Remedy para mostrar mais do personagem é o acesso dele ao Lapso, um hub diegético para conseguir habilidades e alterar a build a qualquer momento. Dentro da história, Dylan pode acessar esse hub ao desmaiar no mundo real e acordar por ali, interagindo com diversos objetos. É uma área de tons cinzentos, mostrando assim seu interior tumultuado, criado como um rato de laboratório do Departamento Federal de Controle por toda sua vida adulta. 

Ao seu redor estão os outros membros do DFC, incluindo algumas caras novas. A primeira que conhecemos (e única, dentro dos limites da demo) é Zoe De Vera, agente especial cuja missão é ficar de olho no nosso protagonista. Zoe não conhece muito bem a dinâmica dentro da Antiga Casa — sequer ficou sabendo da morte do Diretor Trench no início do primeiro jogo, por exemplo — e serve como representante da pessoa relativamente “comum” em meio a tantos acontecimentos paranaturais. 

A demo também prometeu nos atualizar a respeito de alguns personagens do original no futuro: Emily Pope, por exemplo, aparenta ter se tornado a diretora interina do Departamento na ausência de Jesse, deixando implícito o desenvolvimento da relação das duas nestes sete anos. É esperar para ver!

Entra na minha Antiga Casa, entra na minha vida

Sob risco de soar hypada demais, Control Resonant promete ser a sequência com a qual os fãs do original sonharam por esses seis anos — e muito mais. A repaginação completa das bases lançadas em 2019 ainda tem o tecido conectivo e o gostinho da série, tudo enquanto indica caminhos ousados para o futuro. 

O game estará disponível em 24 de setembro para PC (via Steam e Epic Games Store), PlayStation 5 e Xbox Series X|S, dublado e legendado completamente em português do Brasil. 

Revisão: Vitor Tibério
Agradecimentos à Remedy Entertainment

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Hiero de Lima
Jornalista formada pela PUC-SP e eterna apaixonada por videogames, especialmente aqueles japoneses de mistério. Sempre tem alguma redação gigante para escrever depois que zera um Yakuza.
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