Copa do Mundo de Futebol e sua relação com os videogames em 2026

Vamos entender melhor como funciona na atualidade essa afinidade entre duas grandes paixões.

em 25/06/2026
O maior evento esportivo do planeta Terra começou: a Copa do Mundo de Seleções, reunindo 48 países que disputam o título de campeão mundial de futebol. Enquanto todo mundo curte as partidas e as festas envolvidas, os fãs de videogame podem se perguntar como esse acontecimento está sendo representado nos jogos eletrônicos atuais. Vista seu manto sagrado, calibre a gorduchinha e entre em campo com o pé direito, pois vamos analisar essa relação tão tênue em meio a direitos e valores financeiros.

Noventa milhões em ação

Antes de começar a texto, vale comentar a matéria especial do GameBlast que fala sobre a história da Copa do Mundo no universo dos videogames, partindo desde os primórdios dessa indústria. Por aqui, estamos interessados em conhecer mais sobre a relação do evento na atualidade, sobretudo em tempos de grande disputa midiática. Para começar, vamos falar do jogo de futebol mais popular da atualidade: EA Sports FC.
 
Se você conhece um pouco da história dessa franquia da Electronic Arts, vai lembrar que, até 2023, ela carregava o nome da FIFA. Em 2021, a EA não renovou a licença de uso da marca com a entidade máxima do futebol, motivando uma progressiva e definitiva separação. Antes, o título era conhecido simplesmente como “FIFA”; desde 2024, mudou para EA Sports FC.
 
Embora não tenhamos confirmações oficiais, duas razões principais surgem para o fim dessa parceria que vinha desde 1993 com FIFA International Soccer. A primeira é o custo da marca: estima-se que foi pedido 1 bilhão de dólares por um contrato de quatro anos. Esse valor seria mais que o dobro do acordo anterior, deixando a EA numa posição complicada para um investimento tão grande.
A segunda motivação para essa separação é relativa à primeira: a alta pedida possivelmente vem de uma perspectiva da FIFA em acreditar que pode arrecadar mais na indústria dos videogames – cada vez mais rica e tratada como um investimento relevante – por meio de outros caminhos. Ou seja, seria possível auferir mais lucro em novas parcerias do que manter o acordo com a EA.

Waka waka, eh, eh

Embora a Copa do Mundo de Futebol seja um evento por si só e, portanto, pudesse ser licenciado individualmente, certamente a FIFA não abriria mão da sua prerrogativa sem a devida compensação. Provavelmente seguindo a mesma lógica que eu acabei de trazer, nenhum dos grandes jogos da atualidade garantiu os direitos para usar conteúdos da festa maior do esporte.
 
Na última copa, por exemplo, tivemos um evento no EA Sports FIFA 2023 (o nome ainda estava em transição), com desafios e recompensas relacionadas ao torneio. Hoje em dia, não é só a franquia da Electronic Arts que ficou de fora, pois mesmo nomes famosos como eFootball – o antigo PES e, antes disso, Winning Eleven – da Konami, também não conseguiu ingresso para a festa.
Outro nome menos famoso, mas que ganhou força recentemente é UFL, jogo de futebol gratuito lançado no final de 2024. Apesar de contar com marcas famosas e nomes famosos graças a parceria com a FIFPro (que vou abordar mais à frente), ela também passou longe da Copa do Mundo. Títulos mais voltados ao arcade (menos realistas), tais como Rematch e GOALS, igualmente ficaram de fora.
 
Falando em arcade, rumores indicam que a FIFA não teria tanto interesse em “flexibilizar” excessivamente o uso da sua marca com produções menos realistas. EA Sports FC, embora tente emular a dinâmica do futebol, traz alguns elementos mais exagerados, como o “superchute”, questão ainda mais exagerada em eFootball, com direito a colaborações até com Naruto.

Just like a wavin' flag

A FIFA não é dona da licença e dos direitos de imagem dos jogadores de forma individual e das suas respectivas ligas. Quem cuida disso é a FIFPro, que tem sob seu guarda-chuva mais de 65.000 atletas e 60 ligas diferentes. Eventualmente essa organização perde algum clube em específico devido a um contrato de exclusividade, mas em geral ela é bem completa de forma mundial.
 
Por curiosidade, a ausência de uma agência semelhante no Brasil é justamente uma das razões que torna difícil o licenciamento do Campeonato Brasileiro, incluindo seus clubes e atletas. Como nomes famosos do futebol mundial, tais como Barcelona, Liverpool e Bayern de Munique, podem ser acessados via FIFPro independentemente da FIFA, essa restrição por parte da entidade não compromete a produção dos jogos.
Infelizmente, não temos como participar de forma oficial da Copa do Mundo sem essa parceria. Na prática, títulos como EA Sports FC 26 apelam para eventos “similares”: chamado The World's Game (lembrando que a Copa do Mundo se chamada World’s Cup em inglês), ele traz seleções e jogadores importantes do evento, ainda que não o cite diretamente.
Já eFootball 2026 conta com The Football Festival, que também traz figurinhas carimbadas do maior evento do esporte. Confesso que é engraçado ver tantas referências ao evento, como camisetas, estádios e atletas, mas nada do termo “Copa do Mundo” e seus respectivos elementos. Curiosamente, a FIFAe World Cup 2026, versão virtual do evento, é disputada usando eFootball 2026.

Mundo é um tapete verde

Antes de terminar a matéria, preciso ser totalmente justo e admitir que existem alguns games “oficiais” da Copa do Mundo. Talvez o maior “destaque” seja o título de FIFA World Cup: Launch Edition, exclusivo do serviço de streaming da Netflix e gratuito para assinantes. Infelizmente, o game é bastante simplista, mesmo para padrões de smartphones, com jogabilidade e animações bem limitadas.
A necessidade constante de internet e de um smartphone, que funciona como controle, são outros pontos negativos. Também temos FIFA Super Soccer é uma espécie de FIFA Street, mas criado dentro da plataforma Roblox. FIFA Heroes, voltado para dispositivos móveis, tem uma pegada parecida, com direito às mascotes da Copa do Mundo. Finalmente, Football Manager 26, jogo de gerenciamento de futebol, também recebeu conteúdos sobre o evento.
 
Concluindo, se no passado tínhamos até títulos exclusivos dedicados para o evento maior do esporte, lamentavelmente a Copa do Mundo de Futebol não tem mais uma boa relação com os jogos eletrônicos. Limitada a games de menor expressão, essa grande festa está disponível para um pequeno grupo de jogadores (e sem muita qualidade). O negócio é acompanhar as transmissões das partidas reais e ficar na torcida para que, daqui a quatro anos, essas duas paixões brasileiras voltem a jogar mais juntas.

Revisão: Thomaz Farias
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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