Análise: The Adventures of Elliot: The Millennium Tales leva o charme do HD-2D a uma aventura entre diferentes eras

Para salvar a Princesa Heuria e assegurar um futuro à humanidade, Elliot precisa percorrer quatro períodos distintos da história de Philabieldia.

em 17/06/2026
Desde que popularizou o estilo HD-2D com Octopath Traveler, a Square Enix passou a utilizar essa estética como uma de suas principais identidades visuais. Com isso, muitos de seus lançamentos recentes adotaram essa abordagem, seja em obras completamente inéditas ou em remakes de títulos clássicos.

Embora grande parte desses projetos tenha entregado experiências de RPGs por turnos, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales rompe com o padrão ao apostar em um sistema de combate em tempo real, além de um foco acentuado na resolução de puzzles.

Uma jornada entre diferentes eras

The Adventures of Elliot é ambientado em Philabieldia, um continente dominado por tribos de feras que levaram os humanos à beira da extinção. Nesse cenário hostil, os sobreviventes habitam o reino de Huther, cuja segurança é garantida por uma barreira mágica sustentada pelos poderes da Princesa Heuria.

Ao realizar uma expedição além das muralhas da fortaleza, o aventureiro Elliot descobre um portal misterioso capaz de conectá-lo a diferentes eras. Atendendo ao chamado do rei e motivado pelo desejo de alterar o destino de seu povo, o protagonista embarca em uma jornada temporal em busca de meios para assegurar um futuro melhor para a civilização.

Ao longo da trama, navegamos por quatro períodos distintos — Safekeeping, Reconstruction, Magic e Budding —, cada qual apresentando realidades sociais e políticas distintas. Além dessas nuances, cada era introduz um elenco próprio, cujos personagens estão frequentemente ligados à evolução ou ao declínio da magia e da tecnologia que moldam aquele mundo.

Um ponto relevante é que, em certo momento, a trajetória de Elliot também passa a envolver a remoção de uma maldição que aflige a Princesa Heuria. Nesse sentido, o jogo é muito feliz ao dedicar boa parte de seu primeiro ato à convivência entre os dois, permitindo o desenvolvimento de um vínculo genuíno que faz o jogador se importar com o destino da jovem.

Posteriormente, Heuria dá lugar à fada Faye como companheira de viagem, uma personagem igualmente carismática e envolta em mistérios sobre sua origem. No geral, The Adventures of Elliot oferece uma narrativa envolvente, sustentada por um elenco cativante e elementos que despertam constante curiosidade. Infelizmente, este é mais um título da Square Enix que não conta com legendas em nosso idioma.


Philabieldia e as recompensas da exploração

Como mencionado, a campanha de The Adventures of Elliot se passa ao longo de quatro eras distintas, com cada uma delas apresentando nuances próprias. Essa abordagem se reflete diretamente na navegação por Philabieldia, pois, embora o cenário geral seja familiar, há mudanças visuais e geográficas notáveis em cada período visitado.

Com esta obra, o estilo HD-2D mais uma vez demonstra por que se tornou uma das estéticas mais encantadoras da atualidade. O jogo entrega ambientes visualmente deslumbrantes, utilizando iluminação dinâmica, efeitos de profundidade e animações minuciosas para conferir vida aos cenários. A variedade de biomas, que abrange desertos, regiões gélidas, florestas e montanhas vulcânicas, também é um fator crucial para manter a exploração constantemente interessante.

Ao percorrer esses cenários, o jogador é frequentemente incentivado a desviar da rota principal para investigar cada cantinho do mapa. Nesse sentido, os baús escondidos oferecem recompensas valiosas, o que inclui magicites (equipamentos que veremos mais adiante) e, principalmente, versões aprimoradas do arsenal de Elliot. 

Paralelamente, há diversas dungeons opcionais espalhadas pelo mundo, focadas em enigmas bastante satisfatórios de se resolver. Muitas dessas masmorras, inclusive, presenteiam o aventureiro com fragmentos de coração capazes de expandir a vida máxima, mecânica que remete diretamente aos títulos da franquia The Legend of Zelda.

Outro ponto interessante é que o mundo conta com diversos NPCs responsáveis por oferecer missões secundárias. Além de renderem itens igualmente úteis, essas tarefas ajudam a expandir o universo do jogo ao apresentar mais detalhes sobre os habitantes, os conflitos de cada era e o funcionamento daquele mundo. Soma-se a isso uma curiosa subquest envolvendo encontrar gatos espalhados por Philabieldia, atividade opcional que também garante recompensas próprias.

Por fim, vale ressaltar que o mapa é bastante intuitivo e revela progressivamente novas informações, incluindo a localização de pontos de interesse importantes, como melhorias de armas, fragmentos de coração e os próprios gatos. Contudo, a ausência de um minimapa durante a exploração acaba fazendo falta, já que isso obriga o jogador a abrir constantemente o menu principal para se orientar.

Aos moldes de The Legend of Zelda

Diferentemente dos demais títulos em HD-2D da Square Enix, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales aposta em um sistema de combate em tempo real. Ao longo da campanha, Elliot tem acesso a um arsenal razoavelmente diversificado, incluindo espada, lança, bombas, arco e flecha, bumerangue e kusarigama. Como seria de esperar, cada equipamento possui alcance e padrões de ataque distintos.

Em nosso texto de impressões sobre a demo, ressaltamos que a obra parecia mais próxima de um jogo de ação e aventura, aos moldes da já mencionada franquia The Legend of Zelda, do que de um RPG de ação, gênero no qual a desenvolvedora o classifica. A nosso ver, essa percepção se confirmou na versão final.

Ao derrotar inimigos e destruir objetos nos cenários, coletamos fragmentos de um mineral denominado magicite. Esses itens podem ser combinados para criar pedras completas capazes de conceder atributos específicos para cada arma, como uma chance de aplicar algum dano elemental ou retardar a detonação de bombas em troca de maior potência.

Na prática, contudo, o sucesso nos combates depende muito mais da habilidade do jogador em esquivar e defender do que da evolução dos parâmetros de Elliot e de seus equipamentos. Consequentemente, o sistema de magicites acaba se tornando menos relevante do que aparenta, funcionando como um complemento totalmente opcional, e não como um elemento essencial à progressão. Sendo honesto, essa mecânica beira o descartável.

Evidentemente, essa característica, por si só, não representa um defeito, dado o enorme charme da fórmula de The Adventures of Elliot, especialmente para quem sente falta dos Zeldas clássicos, cujo foco na exploração de masmorras e resolução de enigmas era o pilar da experiência. No entanto, jogadores que esperam sistemas robustos de builds e maior profundidade na customização, justamente pelo fato de o título ser divulgado como um RPG de ação, podem se decepcionar nesse aspecto.

Apesar dessa ressalva, os confrontos contra chefes são divertidos e alguns são genuinamente memoráveis, seja pela construção visual, pelos padrões que utilizam ou pela exigência de domínio das ferramentas disponíveis. Vale ressaltar que o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade e permite utilizar uma moeda específica para reviver em batalhas, embora o custo aumente progressivamente a cada derrota.

Outro ponto importante é a participação da fada Faye durante os combates, que pode ser controlada por um segundo jogador no modo cooperativo local. À medida que avançamos na campanha, novas habilidades são desbloqueadas para a personagem, sendo úteis e adicionando mais variedade tanto para a exploração quanto para o combate. Para exemplificar, a deidade é capaz de usar chamas para incendiar inimigos ou detonar bombas. Outro exemplo é sua capacidade de gerar uma cópia temporária de Elliot, que replica seus golpes. 

O jogo também possui acessórios capazes de conceder efeitos variados, embora, assim como as magicites, esses elementos tenham impacto mínimo na progressão geral. No fim das contas, assim como acontecia nos Zeldas mais clássicos, a principal forma de fortalecer Elliot está diretamente ligada à exploração, seja encontrando versões mais poderosas de suas armas ou coletando fragmentos de coração para expandir sua vida máxima.


Uma jornada prazerosa

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um título charmoso e divertido, cujos maiores méritos estão em seus elementos de construção de mundo, no carisma de seu elenco de personagens e no forte foco em exploração de masmorras e resolução de puzzles. Mesmo com ressalvas quanto à profundidade de seus sistemas de customização, a jornada pelas diferentes eras de Philabieldia é bastante satisfatória.


Prós

  • História interessante, sustentada por um elenco carismático de personagens;
  • Mundo visualmente belo, com considerável variedade de biomas e excelente utilização das principais características da estética HD-2D;
  • Philabieldia é um universo interessante e recompensador de explorar, graças às mudanças entre eras, às boas missões secundárias, aos segredos espalhados pelo mapa e às dungeons repletas de puzzles satisfatórios de resolver;
  • Muitos dos confrontos contra chefes são divertidos e memoráveis, exigindo boa leitura de padrões e domínio das ferramentas disponíveis;
  • Participação ativa de Faye na exploração e nos combates adiciona certa variedade às mecânicas da aventura.

Contras

  • Sistemas de magicites e acessórios possuem pouco impacto na progressão geral, tornando os elementos de customização praticamente descartáveis;
  • Ausência de minimapa durante a exploração obriga o jogador a abrir constantemente o mapa principal para se localizar;
  • Ausência de legendas em português.
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales — PC/PS5/XSX/Switch 2 —  Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
OpenCritic
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Lucas Oliveira
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