Nos ombros de gigantes
Para quem está chegando agora nesse universo peludo, jogos de encontrar gatinhos perdidos em grandes cenários são bastante populares. Alguns exemplos incluem Cats Around Us: Giant Cat e Hidden Cats in Spooky Village, cada um com uma temática para se diferenciar dos demais. É o caso do game da nossa análise, que, inclusive, vai além de uma mera ambientação diferente.
A Planet Full of Cats é uma espécie de paródia — repleta de bichanos a serem encontrados — da série Metroid. A protagonista do game é Judy, uma caçadora espacial felina que viaja ao planeta Gattaca, da Federação Galática Felina, para investigar um sinal misterioso. O local é dividido em várias áreas, a grande maioria delas repleta de gatinhos a serem encontrados.
Conforme explora o planeta, Judy conhece outros colegas felinos que precisam de ajuda para resolver vários problemas. A caçadora adquire vários equipamentos e itens diferentes durante sua aventura, recompensas que, por sua vez, permitem à heroína acessar novas áreas e resolver novas tarefas. Ou seja, além de emprestar ideias da franquia de Samus, temos uma estrutura geral inspirada no gênero metroidvania.
Vale ressaltar que o jogador não controla a gatinha Judy, pois toda a “ação” ocorre ao mover o cursor e clicar com o mouse em elementos na tela. Deslocar-se entre as áreas é simples: basta clicar nas portas (se você tiver a chave correta). Além de encontrar bichanos, outros itens, como casacos, inimigos e folhas, podem ser incluídos nas buscas.
Inovação familiar
Em outras palavras, A Planet Full of Cats não foge das mecânicas principais de jogos de encontrar gatos, mas incrementa a experiência com sua inspiração em Metroid. O enredo simples é funcional, com Judy encontrando vários outros gatos que a ajudam (ou não) em suas tarefas. Fofinho e Lily se destacam nessa história, que traz algumas reviravoltas e até mesmo monstros a serem derrotados.
Tudo sempre com a mesma jogabilidade de apontar e clicar usando o mouse. No geral, é como aqueles passatempos de revistas em quadrinhos e caça-palavras: tarefas simples, mas divertidas e com dose razoável de desafio. Salvo algumas áreas que exageram na quantidade de gatinhos ou os escondem demais (exigindo zoom máximo), gostei de todas as “missões” de Judy.
Uma dessas exceções que preciso citar foi na nave Puss Explorer. Eu demorei bastante tempo (e ainda tive de procurar na internet) para notar um discreto rabinho do gato perdido numa pequena gaveta entreaberta. Talvez o leitor me ache exagerado, afinal, num jogo de procurar bichanos, é natural que existam casos bem difíceis. Só me parece que alguns fugiram muito do nível geral, mesmo com o sistema de ajuda, que destaca as regiões onde devemos procurar.
Para incrementar ainda mais, A Planet Full of Cats também traz alguns quebra-cabeças diferentes, além de apenas procurar gatinhos (e eventuais outros itens). Arrumar encanamentos quebrados para permitir a passagem de água e decifrar símbolos de uma linguagem perdida são alguns exemplos interessantes. Não espere algo incrível, mas sim variações valiosas da jogabilidade básica, que poderia cansar com o tempo. Pena que não podemos rejogar desafios já vencidos via alguma opção extra nos menus.
Experiência de outro mundo
Falando em termos de produção, A Planet Full of Cats também faz bonito. Os visuais são bem legais, com cores berrantes que remetem a temas alienígenas. Os gatinhos são todos fofinhos, com destaque para os protagonistas, que ganham um acabamento mais caprichado. Os cenários são bem detalhados e agradáveis de se encarar durante as procuras.
Eles variam entre laboratórios, espaçonaves, cavernas e ambientes embaixo d’água. Em termos sonoros, o jogo também faz bonito, com músicas simples, mas competentes, que remetem a temas de ficção científica e espaço sideral. Confesso que eu gostaria de ouvir um pouco mais de miados ao longo da aventura, mas nada que prejudique os amantes de gatos.
É importante ressaltar que o game, apesar de trazer uma estrutura metroidvania, tem uma estrutura basicamente linear — e que pode ser terminada em poucas horas. Ou seja, a maioria dos caminhos é única, sem possibilidades de alternativas. Para ajudar na progressão, uma atualização adicionou dicas ao mapa geral, deixando mais fácil para os jogadores saberem onde devem dar os próximos passos.
Passagens “secretas” também estão espalhadas por alguns cenários do jogo, podendo ser acessadas conforme o jogador adquire novos equipamentos. Coloco entre aspas porque, como já comentei, a estrutura linear do título praticamente obriga a coleta desses itens. Armaduras, visão de raio X, bombas e lasers são alguns exemplos de melhorias que Judy obtém durante sua aventura.
Aventura gatástica
Não se deixe enganar pela sua aparência: A Planet Full of Cats vai além de um mero conjunto de passatempos de encontrar gatinhos. Quebra-cabeças e uma estrutura “metroidvania-lite” dão corpo a experiência, que traz visuais bonitos e desafios agradáveis. Faltou ousar um pouco mais, tal como os títulos que inspiraram a temática do game. Ainda assim, temos aqui uma boa recomendação para os fãs do gênero (e de bichanos espaciais).
Prós
- O jogo combina, com competência, a procura por gatinhos em uma aventura inspirada na série Metroid;
- Produção audiovisual de boa qualidade, sobretudo na combinação do estilo gráfico e da paleta de cores utilizadas;
- Jogabilidade simples funciona adequadamente para todos os desafios;
- Nível de dificuldade equilibrado para praticamente toda a aventura, com presença de suporte, caso necessário;
- Apesar de simplista, o enredo traz desdobramentos interessantes e justifica bem os desafios apresentados ao longo da campanha.
Contras
- Alguns cenários exageram na quantidade e dificuldade de gatinhos a serem encontrados;
- Faltaram conteúdos e desafios mais ousados, como escolher e rejogar cenários e quebra-cabeças, além de uma estrutura menos linear.
A Planet Full of Cats — PC/PS5 — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Marçal
Análise redigida com cópia digital cedida pela Devcats






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