Tudo começou na casa da família Moomintroll, onde seus três membros se preparavam para hibernar durante todo o inverno gelado. Após explicar a necessidade desse sono prolongado para o pequeno Moomintroll (sim, o nome do personagem é o mesmo que o da espécie), a Moomin Mãe sai do quarto dele para ir dormir com o Moomin Pai. Acontece que o filho mal colocou a cabeça no travesseiro quando teve que levantar para investigar barulhos estranhos na residência.
A partir daí, nosso protagonista se verá diante de uma série de obstáculos e desafios em sua aventura para trazer logo a primavera. Ao longo do caminho, ele fortalecerá vínculos com amigos, conhecerá novas criaturas e ajudará habitantes do Vale dos Moomins, tudo isso enquanto consolida sua autonomia na ausência dos seus pais. Eis a jornada de Moomintroll: Calor do Inverno.
Conhecendo o Vale dos Moomins
O título se passa no universo Moomin, criado pela artista escandinava Tove Jansson e muito conhecido pelo seu adorável desenho animado. De fato, fofura é o que não falta nesse jogo: desde o próprio Moomintroll até as filhas da Filomena, o estilo de arte é fofíssimo em cada traço. Por falar na arte, é preciso enaltecer a beleza dos ambientes da obra. Mesmo sendo um tanto quanto monocromático pela onipresença da neve e do gelo, a aventura é linda em todos os cantinhos do Vale dos Moomins, contando ainda com charmosos personagens 2D.
O mundo é inspirado pelo folclore nórdico, com trolls, enigmáticos Seres do Inverno e uma lenda sobre a natureza da estação gelada. Trata-se da Senhora do Frio, entidade responsável pelo advento da neve e do gelo todo ano. A relação do Moomintroll com a figura da Senhora do Frio pauta boa parte da introspecção do protagonista ao longo do jogo, sendo um aspecto importante em seu arco de personagem.
O desenrolar da aventura
Moomintroll: Calor do Inverno é o sucessor espiritual de Snufkin: Melodia do Vale dos Moomins. Isso significa que não é uma continuação direta que exige ter jogado o antecessor, mas sim uma produção no mesmo universo, com o mesmo estilo de arte e mecanicamente parecido. No caso do título aqui analisado, o fluxo de gameplay é simples, mas muito efetivo em imergir o jogador. Ele consiste basicamente na alternância entre diálogos e o cumprimento de missões. Estas podem envolver desde simples coletas de itens até resoluções de puzzles mais complexos.
Tais enigmas também são variados. Para citar exemplos frequentes, podem ser baseados em exploração, como ter que navegar uma labiríntica caverna ou escalar uma imponente montanha, ou em descobrir qual item do Moomintroll deve ser utilizado no caso. Aqui, tocamos em um ponto crucial da obra: as quatro ferramentas do protagonista e seus respectivos upgrades. Apesar de ser majoritariamente um game de aventura, é aqui que ele revela também possuir aspectos de metroidvania na medida em que novas habilidades representam novas formas de se interagir com as mesmas áreas. Isso possibilita resolver puzzles já encontrados, acessar novos espaços e obter mais recursos. O único problema nesse panorama ocorre em um caso específico de melhoria de item em um local que não possui qualquer motivo explícito para ser revisitado, o que pode resultar em sua obtenção tardia ou até mesmo em não encontrá-la.
Buscas constantes por objetivos importantes
Praticamente a partir do início da obra, Moomintroll: Calor do Inverno possui dois contadores de materiais a serem coletados. Trata-se dos pedaços do vaso da Moomin Mãe, que se quebrou quando um esquilo invadiu a casa da família bem no comecinho da aventura, e da lenha necessária para executar o ritual que visa trazer a primavera. Logo que tais indicadores aparecem, também ficamos sabendo do objetivo numérico de cada: 25 cacos e 125 madeiras. Ambos se configuram como buscas constantes ao longo de todo o gameplay, mas cumprem papéis diferentes na manutenção do ritmo da jogatina.
Enquanto os cacos do vaso da Moomin Mãe servem principalmente como recompensas pontuais de missōes, os pedaços de lenha aparecem no jogo com uma frequência impressionante. Desde remover neve com a pá até quebrar troncos com o machado, quase qualquer atividade da aventura pode resultar em ganhar-se uma madeira. Dessa forma, o indicador mais escasso cadencia o desenrolar do gameplay de acordo com suas vitórias enquanto o mais abundante serve como estímulo onipresente à exploração e à interação com os ambientes. Com tudo isso, Moomintroll: Calor do Inverno acaba por possuir um excelente ritmo por toda a sua curta, porém deliciosa, duração.
Amizades quentinhas em um mundão gelado
A excelência no gameplay e o esmero na arte não pintam todo o quadro da experiência do jogo. É preciso falar das relações entre os personagens, que compõem o núcleo emocional da aventura. Ao longo da narrativa, Moomintroll desenvolve suas amizades com uma série de seres do Vale dos Moomins. A primeira e provavelmente mais importante é a Tutiki, responsável por explicar ao protagonista sua situação, orientá-lo em sua jornada, ensiná-lo a usar seus itens e confeccionar os upgrades. É através dela que o pequeno entra em contato com um fio condutor temático da história: a Senhora do Frio.
Metáfora para a natureza e para o inverno, a Senhora do Frio passa a ocupar a imaginação do Moomintroll a partir do momento em que Tutiki a apresenta. Inicialmente, nosso protagonista se revolta contra o conceito, denunciando sua crueldade e inconsideração. Contudo, conforme ele estreita laços e transforma perspectivas de figuras como a Tristabel e a Filomena, percebe o valor e a importância das dificuldades que amigos devem aprender a atravessar juntos. Na verdade, o que se forma no final das contas não é apenas uma rede de amizades, mas sim uma verdadeira família. As emoções transbordam com a beleza dos visuais e das relações interpessoais, garantindo a Moomintroll: Calor do Inverno o lugar de uma memorável obra de arte.
Prós
- Visuais lindos e fofos, com esmero em cada traço e charmosos personagens 2D;
- Fluxo de gameplay simples e efetivo em imergir o jogador, com aspectos de metroidvania;
- Ritmo excelente, cadenciado pelas duas buscas constantes ao longo de todo o game;
- Forte núcleo emocional baseado nas relações entre os personagens.
Contras
- Um upgrade de item se encontra em um local sem motivo explícito para ser revisitado após ser possível obter a melhoria, o que pode resultar em frustração.
Moomintroll: Calor do Inverno — PC/Switch/Switch 2 — Nota: 9.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Hyper Games








