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Análise: Gravitar Recharged (Multi) é difícil de pilotar, mas compensa pela jornada

A revitalização de mais um clássico do Atari muda o rumo dado para as releituras até então, com boas escolhas e mudanças necessárias.

Viagens interplanetárias, exploração de locais inóspitos e um piloto habilidoso combatendo inimigos espaciais. Era isso que a imaginação dos jogadores idealizava com os vetores e borrões coloridos de Gravitar, lançado para Atari em 1982.

Agora cá estamos, 40 anos depois, e se envolve o Atari, vocês já sabem que vem aí mais uma reimaginação de um clássico. Gravitar: Recharged poderia ficar estigmatizado pelo “molde” que os outros títulos desse movimento trouxeram — a saber: Missile Command, Centipede, Black Widow, Asteroids e Breakout —, mas, de maneira brilhante, a sua execução é surpreendente e muito bem pensada.

A gravidade da gravidade

Para quem nunca ouviu falar sobre como Gravitar funciona, vai uma breve explicação: Viajamos por uma galáxia na qual devemos aterrissar em um dos planetas disponíveis. Ao escolhermos um destino, a perspectiva do jogo muda e cabe ao jogador cumprir uma determinada missão e escapar do local a tempo. Cada sistema tem um número de objetivos que devem ser concluídos para que se possa ir para o próximo, que tem novos planetas, e assim em diante.

Em Gravitar: Recharged, essa essência foi mantida e executada de maneira mais imersiva do que simplesmente deixar tudo estaticamente na tela. A bordo do nosso caça espacial, orbitamos em um sistema que tem um sol ao centro e diversos planetas, cada um em seu movimento. Devemos ir até um deles e esperar a missão começar, só que a atenção do piloto já deve estar no ponto, pois asteroides podem nos acertar e acabar com a jornada antes dela começar.

A jogabilidade, entretanto, é um pouco mais delicada aqui. Controlar a nave requer uma proficiência  minuciosa de quem está no “manche”, e isso pode levar um tempo até ser dominado. A opção de jogo mais básica nos permite tomar dois danos antes de perdermos uma vida, pois temos a proteção de um escudo que se renova com o passar do tempo se não formos atingidos novamente. 

Ao pousar no corpo celeste escolhido, devemos encarar inimigos, coletar combustível e lidar com mais um perigo iminente: a própria gravidade. Sim, cada planeta tem uma força gravitacional diferente: enquanto em uns é perfeitamente tranquilo ficar parado estaticamente, em outros sua nave será puxada com muita força em direção ao centro do sistema solar, o que pode ser um grande empecilho para quem não tiver reflexos rápidos.

Por si só, esse elemento já dá uma boa margem de desafio, pois é nítida a diferença que as variadas forças de atração causam na jogabilidade. Os diferentes tipos de inimigos só aumentam a graça do combate, pois temos que encarar canhões terrestres, naves inimigas, bombas, barreiras de lasers e até mesmo reatores prestes a explodir.

A sensação de repetição fatalmente acaba surgindo, principalmente por causa do design mais simples de algumas fases e por só haver os modos Arcade e Missões. Ainda assim, a variação de obstáculos e objetivos, além da grande variedade de planetas, ajuda a dar um fôlego extra durante a jogatina.

No Arcade, devemos cumprir as missões dos seis planetas existentes no sistema para avançar para o próximo e assim consecutivamente, com a motivação de obter a melhor pontuação. Podemos deixar as coisas mais interessantes ao cortar alguns benefícios, como o uso de poderes e a ativação de escudo, ou ter apenas uma vida. Escolher uma dessas privações aumenta o multiplicador de pontos logo de cara, além de deixar a tarefamais complicada.

As missões seguem o mesmo padrão dos outros games com o selo Recharged. Estão disponíveis mais de 30 estágios, com focos diferentes. Como dessa vez o Arcade já contém tarefas a serem feitas, as missões em si não são tão distintas. Devemos ativar faróis, eliminar um certo número de inimigos, utilizar poderes específicos, coletar dados, explodir reatores e fugir do planeta antes de sermos engolidos.

Outra mudança que funcionou muito bem foi a colocação dos power-ups estáticos pelas fases. Em vez de ter que abater um inimigo específico de cor diferente para obter essas vantagens, fica a critério do jogador coletá-las ou não com seu raio de tração. Entretanto, essas modificações ainda duram apenas por um período determinado.

Pelo menos dessa vez o modo Multiplayer não foi colocado à parte com as mesmas missões. O mesmo menu serve para tudo e fica bem explícito que tudo pode ser feito por um ou dois jogadores a qualquer momento.

Na penumbra da galáxia

Ao imaginar mais um Recharged, já pensamos em uma saturação de cores neon acompanhadas das mesmas melodias synthwave. Entretanto, a escolha para Gravitar foi totalmente diferente e muitíssimo acertada.

As cores são brandas, como em um quadro, e aplicadas sempre no plano de fundo. Todos os elementos que seriam de destaque são totalmente pretos, com detalhes em vermelho para os objetos hostis e azuis para nossa nave e tudo aquilo que podemos coletar e acionar. Dá a impressão de que estamos sempre na sombra do sol, o que, convenhamos, combina bastante com a vibe do jogo.

Megan McDuffee assina novamente a trilha sonora, e graças aos deuses do bom senso a mesma coletânea de canções dos outros jogos não foi replicada aqui. Não me levem a mal, pois nas outras análises eu elogiei o álbum e as músicas, mas elas não combinariam nem um pouco no caso de Gravitar. 

A compositora criou toda uma seleção de melodias bem mais amenas, que casam perfeitamente com o ritmo mais lento proposto pelo jogo. É como se pudéssemos flutuar livremente pelo espaço com cada canção, mesmo com alguns asteroides na nossa rota de colisão.

Missão concluída com êxito!

Gravitar: Recharged conseguiu algo que seus irmãos não conseguiram. Apesar de não dar uma ênfase tão grande ao multiplayer como os demais, ele conseguiu apresentar mais variedade de jogo e ser menos repetitivo no que diz respeito ao conteúdo oferecido. Entretanto, o maior destaque realmente vai para as novas escolhas visuais e sonoras, que nos fazem desejar que os próximos Recharged que aparecerem também ganhem algo que sejam suas caras.

Prós

  • O modo Arcade tem bastante conteúdo por si só;
  • Cada planeta oferece um desafio bem-elaborado;
  • A mecânica de lidar com a gravidade é um elemento inteligente
  • O estilo visual é lindo e combina perfeitamente com a vibe do jogo;
  • As trilhas sonoras ajudam muito na imersão;
  • Não há duplicidade de menus em detrimento do multiplayer.

Contras

  • O design das primeiras fases é mais simples e um pouco repetitivo;
  • Os controles podem ser difíceis de dominar;
  • O modo de Missões é menos convidativo que o Arcade.
Gravitar: Recharged — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Atari

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.
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