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Análise: Centipede: Recharged (Multi) é um clássico dos anos 1980 reimaginado com competência

Novos tiros, novos modos de jogo e uma jogabilidade simples e nostálgica marcam esse retorno.


O Atari 2600 foi o meu primeiro console e tenho lembranças de tardes maravilhosas que passei com seus jogos simples, mas que eram o que havia de mais moderno na indústria do entretenimento doméstico. Um dos que me renderam muita diversão foi Centipede, que agora está voltando com o remake Centipede: Recharged. Será que ele continua bom ou seu apelo é meramente nostálgico?

Tiro de canhão

Centipede começou sua história nos arcades em 1981. Trata-se de um fixed shmup onde controlamos um canhão que se move horizontalmente na parte inferior da tela, com o objetivo de destruir um monstro centopeia que desce através do mapa. Além da centopeia, existem cogumelos espalhados pelo campo que bloqueiam seus tiros.

Se você atingir a centopeia, um cogumelo será criado no local do impacto e o monstro se dividirá em duas partes, que se movimentam de forma independente. Esses pedaços também se dividem em partes menores quando atingidos.

O jogo continua até que o jogador elimine todos os fragmentos da centopeia, reiniciando o ciclo, ou até que o canhão seja atingido, fazendo você perder uma vida. Eventualmente aparece uma aranha saltitante na parte inferior da tela, que concede uma pontuação bônus se você acertá-la.

O clássico reimaginado

Centipede: Recharged é uma versão modernizada comemorativa do aniversário de quarenta anos do arcade clássico. O remake segue todos os conceitos do jogo original, mas renova a jogatina com algumas mecânicas inéditas. A principal delas é que agora a aranha saltitante libera power-ups ao ser atingida. São trinta novos poderes, que incluem disparos laterais, disparos em leque, tiros rápidos, bombas, lasers e a capacidade de afugentar os inimigos para o topo do mapa.
Armas novas, mas o espírito é o mesmo!
Os tiros modificados são temporários e sua duração pode ser conferida por uma barra na borda da tela, em um sistema que considerei muito inteligente para apresentar a informação sem que o jogador precise desviar o foco da ação. A distribuição dos poderes é frequente, o que torna a ação bastante dinâmica, pois a todo momento queremos correr atrás das aranhas para pegar um poder novo.

Ao contrário do arcade clássico, na versão Recharged o jogador só possui uma vida; ser atingido resulta em um game over imediato. Pode parecer um pouco cruel, mas as partidas são tão rápidas que não é problema recomeçar uma após a outra. Iniciar uma nova partida é praticamente instantâneo, basta apertar um botão.

Novos tempos, novos desafios

Além dos novos tiros, Centipede: Recharged traz uma modalidade chamada Desafios. São trinta mapas com obstáculos em posicionamentos diferentes, em que você precisa atingir um objetivo específico, como alcançar uma pontuação dentro de um limite de tempo, destruir uma quantidade de inimigos ou cumprir uma tarefa sem atingir certos alvos.
Aceita um desafio?
Apesar de a jogabilidade ser sempre a mesma e um pouco repetitiva, os desafios dão novos ares à fórmula clássica de Centipede, já que você precisa jogar prestando atenção ao tempo ou evitar atingir certos alvos. Isso por si, aliado à mecânica de sempre trocar o tiro recebido pelas aranhas, acrescenta uma camada extra de diversão ao título.

Ao final de uma partida, é possível comparar seu placar com os de outros jogadores pelo mundo, amigos ou seus próprios recordes pessoais. Foi acrescentado também um novo sistema de conquistas, que registra o atingimento de metas como abater uma certa quantidade de monstros ou acumular uma quantidade de pontos.

Para jogar a dois

Recharged conta com um multiplayer cooperativo local, que pode ser jogado em todos os modos de jogo, incluindo o Arcade e os Desafios. Acredito que o multiplayer é seu ponto alto, quando você recebe uma visita em casa e quer jogar algo descompromissado, simples e gostoso. A mecânica clássica e intuitiva de Centipede se encaixa muito bem para jogadores casuais e apresenta um desafio interessante aos mais experientes, quando tentamos bater os modos avançados. Quando um jogador morre, o outro pode revivê-lo coletando itens das aranhas.
Em dupla o jogo é muito mais divertido.
Centipede: Recharged tem uma quantidade enorme de opções que permitem configurar a jogabilidade totalmente ao gosto do freguês. O Modo Imersivo faz com que a tela se movimente junto com o canhão, dando um visual mais dinâmico à jogatina. Se quiser, você pode desabilitar esse recurso e jogar no bom e velho modo clássico, onde temos a visão total do campo de batalha numa tela fixa.

A estética segue o estilo neon, homenageando os anos 1980, minimalista e muito bonita. Há um modo de acessibilidade para daltônicos, com opções para protanopia, deuteranomalia e tritanopia. No PC é possível ajustar a resolução, atingindo até impressionantes 240 quadros por segundo. Estão disponíveis dez opções de idioma, incluindo português do Brasil, embora não haja nenhum tipo de campanha ou história.
Estética neon e trilha sonora retrô.
A trilha sonora é uma delícia, com um estilo eletrônico retrô da década de 1980, bastante empolgante e combinando perfeitamente com a atmosfera do jogo. A composição é da premiada Megan McDufee, responsável por trilhas incríveis em games como River City Girls (Multi) e Inner Demons (PC).

Um clássico nunca morre

Centipede: Recharged é extremamente fiel às suas origens e inova com gráficos modernizados, novas armas e mais modos de jogo. Embora sua jogabilidade seja um tanto repetitiva e possa fazer o jogador enjoar rápido, por outro lado é uma mecânica clássica que nunca fica realmente velha ou desinteressante. É uma escolha excelente para uma partida multiplayer local com um amigo, seja qual for seu nível de habilidade.

Prós

  • Fiel ao conceito original, mas com mecânicas novas;
  • Jogabilidade intuitiva;
  • Multiplayer local divertido;
  • Excelente trilha sonora.

Contras

  • Jogabilidade repetitiva.
Centipede: Recharged - PS4/XBO/Switch/PC - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Atari

é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.


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