Blast from the Past

Star Wars: Masters of Teräs Käsi (PS) – Sabres de luz, blasters e porradaria espacial

Relembre uma inusitada experiência no universo de Star Wars que colocou os icônicos heróis e vilões da franquia trocando socos e tiros.


Saudações, jovens padawans e honrados mestres! Neste 4 de maio, celebramos o Star Wars Day relembrando mais uma obra inspirada na icônica série cinematográfica criada por George Lucas. Este já é o terceiro ano em que publicamos uma matéria especial da nossa coluna dedicada a relembrar os games do passado para comemorar a data. Se você perdeu as edições de 2020 e 2021, deixo o convite para que dê uma clicada para conferir dois ótimos jogos, pois o deste ano será um pouco menos notável.

Star Wars: Masters of Teräs Käsi foi uma experiência inusitada criada para o primeiro PlayStation que colocou os famosos heróis e vilões da franquia trocando socos, chutes, tiros de blasters e golpes de sabres de luz em um jogo de luta no mínimo curioso — para não usarmos adjetivos menos agradáveis. A famosa frase "tenho um mau pressentimento sobre isso" cairia bem agora.

Punhos de aço

Teräs Käsi é uma antiga arte marcial criada para lutar contra os Jedi e pode ser traduzida como “punhos de aço”. Seus praticantes são ranqueados como novatos, adeptos ou mestres dependendo de suas técnicas, habilidades e vestimentas. Mencionada pela primeira vez na obra Sombras do Império, de Steve Perry, no cânone cinematográfico de Star Wars a arte do Teräs Käsi foi referenciada apenas uma vez, no filme Han Solo: Uma História Star Wars (2018). No longa, a personagem Qi’ra (Emilia Clarke) revela que é praticante da arte marcial ao ajudar Han (Alden Ehrenreich) a se livrar de uma emboscada.


Por ser uma luta criada com o intuito de combater os Jedi, é natural que os que se opõem à Ordem Jedi ou seus simpatizantes a conheçam. Darth Maul, o lorde sith que lutou contra Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999), é praticante de Teräs Käsi. Outro exemplo são os soldados pretorianos da guarda pessoal do Imperador Palpatine, assim como os que compõem a proteção particular do Líder Supremo Snoke (Episódios VII e VIII), que também são adeptos deste estilo de luta.

No jogo lançado em 1997 para o PlayStation, uma personagem original foi criada para ser a representante oficial do Teräs Käsi. Arden Lyn é uma praticante da arte que, de certo modo, leva a sério o significado do nome do estilo, pois possui um braço metálico capaz de desferir golpes devastadores. Na história do jogo, ela foi recrutada por Darth Vader para assassinar os principais líderes da Aliança Rebelde. Ao descobrir o plano, Luke e seus aliados se unem para combater esta ameaça ao futuro da Guerra Civil Galáctica. Além do game, a personagem nunca foi aproveitada em nenhum outro projeto relacionado à franquia.

Virtua Fighter espacial ou Tekken galáctico?

Star Wars: Masters of Teräs Käsi foi lançado para PlayStation em 31 de outubro de 1997, nos Estados Unidos. Europa e Japão receberam suas versões em março e setembro do ano seguinte, respectivamente. É um jogo de luta inspirado em outros hits da década de 1990 que estavam explorando o uso do 3D, como Tekken, Virtua Fighter, Battle Arena Toshinden e Soul Edge. Se todo mundo estava explorando esse novo universo, por que não também levar Star Wars na crista da onda?

A história se passa entre os filmes O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi (1983) e coloca os principais personagens da trilogia clássica de filmes, como Luke Skywalker, Darth Vader, Han Solo, Leia Organa e Chewbacca em batalhas mano a mano ao estilo habitual deste tipo de jogo. Com exceção de Arden Lyn e Thok, um guarda gamorreano, todos os outros personagens podem lutar com suas mãos nuas ou usando uma arma, seja um blaster, um sabre de luz ou outro tipo de arma corpo a corpo, como uma lança.


A vitória pode ser obtida de duas formas: acabando com a barra de vida do adversário ou fazendo ele cair da plataforma da arena, no caso dos estágios que contam com essa limitação. A forma como as lutas são realizadas é que deixou essa experiência, digamos, não tão intuitiva e prazerosa como em outros exemplares do gênero.

Quando o lutador não está segurando uma arma, os quatro botões frontais do controle assumem o papel de representar cada um dos quatro membros do corpo do personagem — ou seja, um botão para o braço direito, um para o braço esquerdo e os dois restantes para as pernas. Quando o personagem saca sua arma, o layout assume um novo mapa de comandos, com três ataques (fraco, médio e forte) e um botão para chute.


Se a ideia de manusear um sabre de luz, utilizar os poderes da Força ou “atirar primeiro” soa interessante, executar essas atividades é, na verdade, uma verdadeira bagunça por conta dos movimentos truncados e pesados dos personagens e de um sistema de combos que raramente respondem adequadamente aos comandos do jogador, além de serem desnecessariamente longos de se executar. Fazer um movimento especial chega a ser tão desafiante quanto aguentar um dia intenso de treinamento com o mestre Yoda em Dagobah.

Um dos poucos estímulos para a jogatina se dá por conta dos personagens desbloqueáveis obtidos ao terminar o modo arcade com diferentes bonecos. Darth Vader, que assume o papel de chefe final, é o principal lutador para obter, além da versão de Leia com o biquíni usado quando foi capturada por Jabba, e personagens do antigo universo expandido, como Mara Jade, par amoroso de Luke Skywalker, e Jodo Kast, um caçador de recompensas que utiliza uma armadura mandaloriana muito parecida com a de Boba Fett.

“Faça ou não faça, tentativa não há!”

Por ser um produto ligado a Star Wars, obviamente a atenção que Masters of Teräs Käsi recebeu foi grande. Por isso, a crítica e o público não mediram esforços para detonar o jogo nas análises da época, que ressaltaram justamente a falta de uma mecânica eficiente e a quase constante necessidade de precisar esmagar botões o tempo todo, torcendo para que algo de bom acontecesse durante a luta.

O desbalanceamento dos personagens também foi algo que quebrou o gameplay, pois os usuários da Força, como Luke e Vader, são incrivelmente mais poderosos que os demais por conta de suas habilidades especiais, deixando outros lutadores, principalmente Arden Lyn, que foi criada para a ser a protagonista da história, praticamente inúteis contra os Jedi e Sith.


Apesar de não ter se tornado um game positivamente memorável, Star Wars: Masters of Teräs Käsi foi, à época, uma curiosa experiência com a propriedade intelectual de George Lucas. Não é o tipo de jogo que gera aquele sentimento de satisfação ao se jogar, mas sim o de curiosidade e até nostalgia pelo período em que foi lançado. Visto o que temos hoje envolvendo Star Wars, será que uma nova entrada de luta da franquia nos dias de hoje daria certo? Deixo esta reflexão neste Star Wars Day. Que a Força esteja com você!

Revisão: Davi Sousa

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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