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Análise: Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin (Multi) reconta uma história de forma surpreendente

Esta releitura das origens de Final Fantasy é audaciosa, competente e mira justamente em quem não gosta do RPG convencional da franquia.


O nome Final Fantasy, por si só, tem um peso imenso. No ano em que a franquia completará 35 anos de existência, a Square Enix nos entrega um material ao mesmo tempo curioso e audacioso. Anunciado durante a apresentação da empresa na E3 2021, Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin nos apresenta uma releitura da história que deu origem à série em 1987.

Pouco menos de um ano depois de sua revelação, o título que muitos imaginavam como uma espécie de soulslike no universo fantasioso da Square Enix é, na verdade, um competente RPG de ação, com mecânicas e características que flertam com o temido gênero que assusta muitos pela sua dificuldade, ao mesmo tempo que seduz pelo seu alto grau de desafio, e tem como alvo justamente quem gosta de Final Fantasy, mas não curte muito um RPG propriamente dito.

Vamos matar o Chaos!

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin se passa em um vasto continente onde conhecemos o próspero reino de Cornelia. Com o poder dos quatro cristais tendo se esvaecido, o mundo sofre com fenômenos cataclísmicos oriundos da falta da influência mágica deles e o surgimento de uma entidade maligna chamada Chaos. A esperança de que o mal seja extinguido reside em uma antiga profecia: “Quando as trevas encobrirem o mundo, quatro Guerreiros da Luz virão…”

As figuras dos heróis da profecia surgem, inicialmente, na forma de três homens: Jack, Jed e Ash. Suas origens são um mistério, mas os três compartilham da posse de cristais cor de ébano com resquícios de magia elemental e um imenso desejo de derrotar Chaos, o responsável pelo mal que assola o mundo. Sob as ordens do rei de Cornelia, o trio ruma ao santuário onde a figura maligna vive, mas ao derrotar o imponente cavaleiro, uma quarta pessoa é revelada: a jovem Neon. Assim como os três guerreiros, a garota também possui um cristal negro e uma vontade sem tamanho de encontrar e derrotar Chaos.


O quarteto retorna ao reino de Cornelia após a frustrante batalha e o rei então revela o restante da profecia, que fala sobre a real tarefa do grupo, de restaurar os quatro cristais elementais que regem a vida no planeta: vento, terra, fogo e água. Se os quatro são mesmo os salvadores profetizados, então seu destino está atrelado à conclusão desta missão. Porém, Jack, o líder do grupo, acredita que o Chaos não se resume apenas a uma aura maligna que quer destruir tudo, mas a alguém, uma pessoa, e sua vida não estará completa sem derrotar o dito cujo. Para ele, essa vontade é mais que um desejo. É uma necessidade, como matar a fome ou saciar a sede.

Durante a jornada, Jack e seus aliados encontram uma quinta pessoa, chamada Sophia, que também nutre um desejo incontrolável de encontrar e derrotar Chaos. Ao explorar as belíssimas localidades do jogo, o grupo também se depara com alguns ecos do passado, revelando acontecimentos que antecederam o que ocorreu com eles próprios antes de estarem naquele lugar mas, por motivos que demoram a ser esclarecidos na narrativa, suas memórias estão nebulosas e incertas.


A história parece não fazer sentido algum, mas tudo começa a se esclarecer nos momentos finais e o resultado é deveras surpreendente — e nem um pouco inesperado se você se atentar para as “pistas” durante a campanha — até mesmo para quem nunca teve contato com qualquer Final Fantasy. Esse foi um dos motivos para que eu me aventurasse neste mundo e foi uma sacada interessante para quem já estava esperando ver a mesma história sendo contada de novo, mas de um jeito curioso e até engajador. Você pode até conhecer ou dar uma pausa nesta leitura para saber sobre a história do Final Fantasy original, mas garanto que ainda assim você vai ter algumas ótimas reações com esta nova edição da mitologia.

Agora vamos dar um tempo com a contação de história e pontuar algumas coisas, principalmente se você conhece ou mesmo lembra da história de Final Fantasy (NES) de 1987. Você deve ter notado — assim como eu quando estava jogando — algumas boas similaridades no roteiro. Reino de Cornelia? Cristais elementais? Guerreiros da Luz? Um cavaleiro chamado Garland? Sim, é a história do primeiro Final Fantasy realmente sendo recontada, com direito a um pouco de fanservice que só quem é veterano da franquia vai perceber.

Já quem nunca se aventurou no primeiro jogo da série, seja o original ou seus relançamentos no decorrer dos anos para diversas plataformas, vai ficar bem confuso com a história. E tudo por conta de detalhes que foram adicionados nesta nova versão para deixá-la mais moderna e intrigante. O destaque maior fica para Jack Garland, o protagonista com pinta de brucutu de Hollywood com visual desleixado, que curte Limp Bizkit no talo em seu smartphone e possui uma língua tão afiada quanto sua espada. O tipo de herói que a série precisava e até então eu não sabia que queria tanto.

O Final Fantasy mais intenso que eu já vi

Quando Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin foi revelado em junho de 2021, muitos acreditaram que ele seria uma experiência soulslike, o famigerado gênero cuja popularidade chegou a um novo patamar recentemente graças ao elogiadíssimo Elden Ring, lançado no fim do mês passado. O gênero vive um boom de popularidade que está dando o que falar graças ao “Dark Souls de mundo aberto” da FromSoftware.

A verdade é que Stranger of Paradise flerta muito com o gênero, mas não é mais que um sólido e competente RPG de ação. Desenvolvido pela Team Ninja em parceria com a Koei Tecmo Games, o game tem forte inspiração de outro consagrado produto da casa: Nioh. Quem já jogou vai ver muitas similaridades, principalmente na jogabilidade, estrutura de itens e de fases. O gameplay ágil e intenso que rivaliza com o jeito mais cadenciado e ensaiado dos jogos da FromSoftware também é outro elemento que compartilha com o “Dark Souls de samurai”.

Muitos elementos e a estrutura de um soulslike convencional estão presentes, como os pontos de salvamento que recuperam a vida do herói mas também traz todos os inimigos de volta, o uso de itens limitados de cura, o combate feroz contra diversos tipos de inimigos e, principalmente, batalhas desafiadoras contra chefes. Entretanto, por mais que o título se assemelhe com o gênero, há detalhes que fogem à regra e o caracterizam como um ARPG.


A ausência de uma barra de stamina, não sofrer prejuízos ao morrer, como perder itens ou pontos de experiência e, principalmente, a ausência de um sistema de níveis complexo e super detalhado são algumas coisas que a Team Ninja fez justamente pensando na parcela de jogadores que não curtem esse gênero pela dificuldade e trabalho para progredir com seu personagem. Por isso, se você estava com receio de Stranger of Paradise por ser um soulslike, pode ficar tranquilo pois ele não é. Até pause (no single player, apenas) e ajuste de dificuldade ele tem.

O combate é bastante rápido e fluido, e conta com uma mecânica única chamada de Soul Burst. Essa técnica funciona como uma espécie de execução quando um inimigo recebe dano o suficiente para esgotar sua barra de atordoamento. Ao executar a técnica, além de eliminá-lo já de cara, a quantidade máxima de MP de cada membro do grupo aumenta, além de restaurar uma parcela de acordo com o tamanho do oponente aniquilado. Até os chefes estão submetidos a essa regra e as animações são brutais e satisfatórias de se ver.

Jack também possui uma barra semelhante, mas seu funcionamento é um pouco diferente. Ao receber golpes, mesmo que esteja defendendo, a barra é consumida. Quando ela esgota, o brutamontes fica atordoado temporariamente, se tornando um alvo fácil para ataques inimigos. Ela também é consumida ao usar uma técnica chamada de Soul Shield. Ao bloquear um ataque nessa condição, além de defender perfeitamente o ataque, o máximo de MP é aumentado levemente, além de ser restaurado. A barra, chamada de Break Gauge, é restaurada com o tempo.

Outra habilidade interessante é a de roubar técnicas dos inimigos. Alguns ataques dos adversários são indicados com uma mensagem na cor roxa. Quando Jack utiliza o Soul Shield para aparar esse tipo de ataque, ele é roubado e armazenado, permitindo que seja utilizado. É uma técnica interessante por adicionar mais uma opção ofensiva, além de permitir o uso de técnicas que não são aprendidas naturalmente.

Um jogo de classe, muitas classes

Agora vamos à parte mais gostosa de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin, que é sua jogabilidade. É nisso que o jogo brilha com muita força e vai conquistar muitos. Durante a campanha, o jogador controla apenas Jack e pode ser acompanhado por até dois membros do seu grupo. A progressão se dá por meio da seleção de missões principais e secundárias no mapa do mundo e elas podem ser rejogadas quantas vezes for necessário para a obtenção de equipamentos melhores.

Sem um sistema de níveis convencional, o que define a força de cada personagem são os níveis dos equipamentos que ele está usando. Classificados por raridade, alguns deles proporcionam atributos especiais, como a adição de um golpe especial extra no rol de habilidades, ou de algum efeito adicional, como causar dano elemental ou aumentar a taxa de dano crítico. Esses equipamentos também favorecem a afinidade do personagem com seu Job, sua classe de combate.

Os Jobs estão disponíveis em vinte e oito tipos e divididos em básicas, avançadas e experientes. Cada um dá ao personagem uma técnica especial única e a capacidade de lutar com um ou mais tipos específicos de armas. Conforme os evoluímos, técnicas adicionais são liberadas, podendo até mesmo ser usadas quando se está jogando com Jobs diferentes.


São diferentes categorias que proporcionam, essencialmente, quatro estilos de gameplay para o jogador escolher. Para quem gosta de uma experiência mais balanceada, Swordsman (espada longa) ou Swordfighter (espada e escudo) são uma boa pedida. Quem prefere ser mais agressivo e ágil, Pugilist (luvas) ou Duelist (adagas) são duas opções para esse estilo. Já quem curte usar magias, seja de suporte ou para atacar os inimigos, vai se dar bem com o Mage (maça). Mas se sua vibe é mais agressiva, querendo causar dano massivo, Marauder (machado) ou Ronin (katana) são as classes ideais para você.

As classes sobem de nível por meio de pontos de experiência que geram pontos de habilidade (Job Points) que devem ser alocados em suas respectivas árvores para desbloquear afinidade adicional (atributo que libera benefícios extras), habilidades ativas e passivas e, principalmente, novos Jobs. Os Jobs avançados em diante só são liberados quando um nó específico em cada árvore é destravado, permitindo que o jogador possa selecioná-la. A maioria exige que o nó seja ativado em duas classes diferentes, pelo menos.

A importância de ter diferentes classes disponíveis para usar se dá por meio da vantagem estratégica fornecida ao enfrentar variados tipos — e tamanhos, diga-se de passagem — de inimigos. A grande maioria tem fraquezas e vantagens contra um determinado tipo de arma ou elemento, mas todos compartilham de um ponto fraco que é o ataque pelas costas, que sempre resulta em dano crítico.


Somando esse sistema com a imensa variedade de equipamentos que podem ser coletados, são inúmeras as combinações que podem ser feitas para criar um personagem totalmente único para enfrentar o crescente desafio das missões pelo mundo de Stranger of Paradise. É mais um estímulo para jogar e rejogar, até mesmo em dificuldades mais altas, em que o nível das recompensas também são melhores.

Se já não fosse suficiente, após liberar o acesso ao Smithy, é possível desmantelar os armamentos e peças de trajes que você não quer manter para obter recursos para melhorar seus itens. E dado o volume de equipamento que é coletado durante a jogatina, é algo que você vai querer e precisará fazer com certa frequência. A rotatividade de itens é constante e isso é mais um ponto que vai te prender com o controle na mão. Afinal, quem não gosta de catar trecos para fazer outros melhores e deixar seu char mais forte, não é mesmo?

Precisa de uma mãozinha?

A campanha de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin começa a ficar tortuosa bem rápido. Inimigos cada vez mais ferozes, chefes imponentes e cheios de truques para que possam ser derrotados com menos dificuldade e missões em localidades cada vez maiores, demandando mais tempo e exploração. Felizmente, Jack tem o apoio de até dois companheiros ao mesmo tempo.

Como mencionei no tópico anterior, os Jobs são divididos, essencialmente, em quatro estilos de jogo. Jack é o único do grupo que pode usar duas classes ao mesmo tempo, cada uma com seu próprio loadout de equipamentos. Isso sem falar da liberdade em poder trocar os Jobs dos integrantes do grupo a qualquer momento. Entretanto, o acesso ao menu não pausa o jogo, então deixe para fazer qualquer alteração quando nenhum inimigo estiver por perto.

A inteligência artificial dos aliados é bem ‘OK’, se comparada com outras experiências que tive com aliados controlados pelo computador. Digo isso pois eles sabem se virar e não morrem como qualquer NPC abestado que já vi em outros jogos. Ainda assim, não é a ideal por não haver uma opção para escolher o tipo de postura (ofensivo, defensivo, balanceado) ou customizar suas habilidades. O máximo que podemos fazer é equipá-los e selecionar seus Jobs, que são pré-determinados, dando bem menos opções que Jack, que pode usar todos, e utilizar um comando chamado Ressonance, em que eles assumem uma postura extremamente ofensiva por um período de tempo, fazendo com que os inimigos não deem prioridade a você, pois estão sendo atacados pelos aliados.

Essa falta de ajuda realmente eficiente foi um complicador em algumas missões que eu joguei justamente por não poder contar com um mago para curar o grupo ou conjurar magias de proteção, alguém pra tankar o chefe enquanto me recupero pra usar alguma habilidade ou, o pior de todos, me ressuscitar quando sou nocauteado. Esse sistema pouco eficiente rendeu boas horas contra alguns chefes bem parrudos e fez minha jogatina durar mais horas que o planejado. Ainda bem que o gameplay é gostoso e mesmo morrendo dezenas de vezes ainda tive pique pra continuar lutando.

Parece o fim da picada, mas eis que sou surpreendido pela presença de um modo multiplayer online que a Square Enix meio que escondeu durante todo esse tempo — digo isso porque não vi a desenvolvedora falando sobre o assunto e a página do game tem uma menção bem sutil sobre isso — e só resolveu abrir o bico sobre o assunto na semana do lançamento. Memórias ruins sobre a última vez que eu joguei um Final Fantasy com essa funcionalidade voltaram com força.


Para minha surpresa o multiplayer funciona e muito bem, obrigado! Pelo menos durante minhas sessões para a produção desta análise. A função tem caráter cooperativo e permite que grupos de até três jogadores se juntem para realizar todas as missões do jogo. Tanto as principais quanto as secundárias. Pare e pense na simples possibilidade de que você pode contar com ajuda externa para chegar no fim do jogo caso tenha — e terá, eu garanto — dificuldades em fazer isso sozinho. A melhor parte é que a obtenção de itens e o progresso são igualmente partilhados, estimulando ainda mais a jogatina online.

Na teoria isso é ótimo, e na prática também é, por mais incrível que pareça. Só consegui jogar com outras pessoas na semana do lançamento, pois foi quando o acesso antecipado foi liberado para jogadores que compraram na pré-venda. Diferente de outro jogo que deveria ter feito algo eficiente assim para se manter, aqui a forma como nos conectamos com outros jogadores é bem simples.

A qualquer momento, seja no mapa do mundo ou interagindo com os pontos de salvamento nas missões, pode-se criar uma sala e deixá-la ativa enquanto você joga. Digamos que você tenha criado a sala, deixado as condições de participação como livre, e começado uma missão. Você pode continuar jogando normalmente até algum outro jogador entrar, pois ele assumirá o papel de um dos dois companheiros de Jack, seja ele quem for, mas com o loadout do jogador, incluindo a capacidade de usar dois Jobs. Convidar amigos ou restringir o acesso por meio de um código de identificação também estão disponíveis, caso queira jogar só com seus amigos.

Diferente de quando jogamos com os parceiros controlados pela IA, aqui os jogadores podem usar suas poções para ressuscitar aliados caídos e ainda contam com três plumas de Phoenix Down para emergências. Na primeira noite em que fiz uso dessa funcionalidade, fiquei surpreso em passar por um chefe que sozinho foi uma tarefa hercúlea para vencer, e em poucos minutos, graças ao ótimo trabalho em equipe, foi derrotado em menos de cinco minutos.


Outra coisa que me deixou feliz foi a qualidade da conexão. Pelos nomes dos outros jogadores com quem eu estava, eu supus que não eram brasileiros, e a qualidade estava excelente. Talvez fossem, mas jamais saberei. Parecia que eu estava jogando com alguém do meu lado. Não sei se tive sorte ou se o servidor é bom mesmo, mas o fato é que o multiplayer funciona, e muito bem.

Só senti falta de uma espécie de lobby para ver sessões ativas e escolher onde entrar, como nos jogos de luta, em que dá pra verificar, pelo menos, a qualidade de conexão do oponente. O cooperativo de Stranger of Paradise usa um sistema de matchmaking baseado nas preferências informadas pelo jogador, como tipo de aliado que deseja ou missão específica que quer jogar, além do nível de seus equipamentos. Uma ferramenta de comunicação simplória com mensagens de saudações, pedidos e ordens é a única forma de conversar com os parceiros. Básico e minimamente funcional.

Um puxão de orelha na Team Ninja e na Square Enix

A história é meio confusa, mas no final tudo faz sentido. O gameplay tem muitas mecânicas e detalhes, mas é viciante e gostoso. O multiplayer funciona e favorece todo mundo igualmente. Ainda assim, nem tudo consegue ser tão bom, e no caso dos consoles da geração anterior, o problema está no departamento gráfico e na performance.

Novamente fazendo uma comparação com Nioh, Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin pode ser jogado em dois modos: resolução e performance. O primeiro prioriza a estética e tem como meta manter o jogo a 30 quadros por segundo. O segundo, como o nome já implica, oferece uma jogabilidade mais fluida, com meta de 60 quadros por segundo e com uma depreciação da parte gráfica.

O problema no PlayStation 4, onde joguei, é que ambos os modos têm problemas de execução e sobra pro jogador a escolha de como é menos pior jogar. Como gráficos não são prioridade para mim, principalmente em um título frenético como esse, optei por jogar no modo performance mesmo. No modo resolução, mesmo com a taxa travada em 30, a queda é quase constante. Com momentos em que o jogo dava umas travadas legais quando tinha muita coisa na tela, algo recorrente.


Já no modo performance, a fluidez deixou o gameplay bem mais satisfatório, mas ainda com quedas pontuais em momentos mais intensos. Se o modo prioriza a performance, creio que isso seja o que menos deveria acontecer. Outro problema foi a falta de um anti-aliasing, mesmo que fosse em um nível mais baixo, para dar uma maquiada no serrilhado. Em algumas cenas ele era tão evidente que nem dava pra chamar assim, parecia um serrote mesmo. As demais entradas da série sempre se destacaram por trazer um capricho no departamento visual, mas aqui ele foi meio deixado de lado.

Pessoalmente fiquei meio decepcionado com isso já que em Nioh — lá vou eu trazer ele de novo — esses mesmos modos existem e cumprem muito bem seu papel. Será que a Team Ninja perdeu a mão nisso ou o jogo, que claramente foi desenvolvido para os consoles next-gen e PCs mais parrudos, foi trazido para essa geração nas fases finais de desenvolvimento? Fica esse questionamento válido para meditar.
Um jogo bonito de ver ou fluido pra jogar. Os dois não dá!
Outro ponto questionável, pelo menos no nosso caso, foi a falta de localização para o português. A Square Enix já está habituada a trazer seus jogos para o Brasil devidamente localizados, com alguns até contando com dublagem, como os jogos da Marvel (Avengers e Guardians of the Galaxy) e os dois últimos Tomb Raider. Final Fantasy também já foi favorecido por essa comodidade com FFXV e FFVII Remake. Pode ser que futuramente recebamos uma atualização com suporte ao nosso idioma — o que duvido muito, pra falar a verdade —, mas dar esse vacilo justamente com Final Fantasy, e neste ano tão importante, pegou mal, dona Square.

Um Final Fantasy estranho, mas muito bom!

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é uma ótima adição ao rol de inúmeros títulos e gêneros já apresentados pela franquia ao longo de 35 anos de história, unindo mitologia e gameplay de um jeito estranho, mas que deu certo. Ele faz jus à reputação da Team Ninja e da Koei Tecmo Games quando o assunto é ação, entregando um produto que tem como maior responsabilidade carregar o pesadíssimo nome de Final Fantasy.

Sim, ele é estranho, diferente de tudo que já foi feito com a franquia e tem seus motivos para ser um jogo que de Final Fantasy só tem o nome na capa. Mas deixar que isso desmereça um título que conseguiu ser exatamente, até mais, que outros ARPG recentes, eu já acho injusto. Este jogo foi feito do seu próprio jeito, sendo audacioso para sair da zona de conforto que a franquia tem. Um novo Final Fantasy feito à sua maneira que deu certo.

Prós

  • Jack Garland;
  • Excelente para quem não curte o RPG convencional da franquia;
  • O combate é bastante satisfatório e conta com estilos bem distintos para vários perfis de jogadores;
  • O sistema de Jobs engaja o jogador para desbloquear e fortalecer todas as classes;
  • Dezenas de combinações de armas, habilidades e técnicas permitem a criação de personagens únicos e extremamente poderosos;
  • O sistema de missões e o multiplayer cooperativo adicionam um fator replay altíssimo.

Contras

  • A história demora para ficar realmente boa;
  • O excesso de mecânicas de combate pode desmotivar quem não está muito acostumado com ARPGs;
  • O comportamento limitado da IA dos companheiros, sem opção de ajustes, deixa a campanha em modo single player mais difícil;
  • O modo resolução tem péssimo desempenho e o modo performance possui instabilidades no PS4 base;
  • A ausência de anti-aliasing deixa o visual com qualidade ruim;
  • Sem localização para o português.
Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin — PC/PS5/PS4/XSX/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia cedida pela Square Enix

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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