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Análise: R-Type Final 2 (Multi) não é perfeito, mas mantém as tradições da franquia

A sequência desse shooter clássico pode não ser muito bonita, mas traz a dificuldade e as mecânicas da série.

R-Type Final 2
é o mais recente título da tradicionalíssima franquia de jogos de nave com rolagem horizontal criada pela Irem em 1987. Fazer parte deste legado é, ao mesmo tempo, uma honra e uma responsabilidade e tanto. Após um longo hiato, Final 2 mantém as melhores características de seus antecessores e, embora deixe a desejar em alguns pontos, consegue ser um bom representante da família.

A união faz a Force

Fruto de um financiamento coletivo que levantou mais de 1 milhão de dólares entre maio e novembro de 2019, este título é uma sequência de R-Type Final (PS2) de 2003, que é considerado pelos fãs como um dos mais fracos da franquia. Isso porque ele ousou demais, distanciando-se muito das mecânicas dos jogos clássicos, com excesso de cortes durante a jogatina e alteração maluca de ângulos de câmera no meio das fases.

R-Type Final 2 corrige os erros de seu antecessor, aproximando-se de suas origens com um level design mais tradicional e mantendo praticamente o tempo todo o side-scrolling 2D sem cortes. Você começa com uma nave com um tiro básico, que pode ser carregado por alguns segundos para disparar um tiro mais poderoso. Power-ups podem ser coletados no decorrer da fase, sendo o primeiro deles o icônico e importantíssimo Force.


O Force é o elemento central de jogabilidade em todos os R-Type e isso foi mantido em Final 2. Trata-se de um orbe de energia indestrutível que pode ser acoplado na parte da frente, atrás ou atuar independente da nave principal.
 
O acessório pode ser usado defensivamente, absorvendo tiros menores e pequenas naves, ou ofensivamente, como um aríete que pode ser arremessado contra os inimigos. Esta mecânica traz uma riqueza única, que diferencia a franquia R-Type de todas as outras do gênero. Em Final 2, não é diferente e muitas fases exigem o uso criativo e estratégico deste elemento.

Concessionária de naves

Ao completar fases, você ganha uma espécie de moeda local, dividida em três tipos de materiais, que podem ser usados para comprar novos tipos de nave. Se você estiver com dificuldade de passar uma certa fase, experimente um modelo ou equipamentos diferentes. É impressionante o quanto uma leve alteração pode fazer toda a diferença.


São 99 modelos, agrupados em famílias. Verdade seja dita: alguns são completamente inúteis e outros variações quase idênticas de irmãos da mesma família, parecendo que estão lá só para fazer número. Apesar disso, a diferença entre naves de ramificações diferentes é expressiva e com o tempo você monta uma coleção variada, que pode dar aquela mão para passar de uma fase que parece impossível. 
 
Conseguir materiais para as naves é uma motivação forte para grindar as fases que você já bateu, conferindo um bom fator de rejogabilidade, embora possa ser um tanto enjoativo no começo, quando você não tem tantos estágios liberados. Também é possível gastar pontos para personalizar a aparência das naves e do piloto, mas na prática essas personalizações são pouco úteis, pois a nave é pequena e o piloto sequer aparece durante o gameplay.

Tradicional, mas feinho

Os gráficos de R-Type Final 2 são um pouco decepcionantes, faltando refinamento na modelagem e nas texturas. Não parece um título moderno, trabalhado no motor gráfico Unreal Engine 4 (o mesmo de Final Fantasy VII Remake e Gears 5), tem cara de geração retrasada. Por outro lado, esse aspecto pode ser uma boa notícia para jogadores de PC com hardware modesto, pois uma velha GTX 950 já dá conta do recado.




O design, além de parecer antiquado, é confuso. Vários cenários possuem fundos excessivamente rebuscados e elementos móveis que se confundem com alvos ou inimigos. Talvez seja um efeito proposital, mas confunde o jogador e atrapalha o gameplay.


As músicas não são memoráveis, mas também não são ruins, cumprindo bem o seu papel. Não há localização para o português, mas isso não afeta a jogabilidade, já que o roteiro não é exatamente o foco de jogos de navinha.

Numa sentada só

R-Type Final 2 não oferece a opção de continuar a partir de uma fase que você já tenha batido, embora seja possível revisitar fases para treinar e bater high scores. Em outras palavras, para chegar ao final da campanha é necessário jogar tudo desde o começo, numa sentada só. Acredito que esse modelo seja pensado para aproximar a sensação do jogo à de um arcade, mas é um design antiquado para os dias de hoje, especialmente se você somar isso à dificuldade brutal da campanha.

Trata-se de um R-Type; logo, espere uma experiência extremamente desafiadora, punitiva, que exige memorização das fases para prosseguir. Sua nave explode com um único tiro e volta ao último checkpoint, perdendo todas as melhorias conquistadas até então.


Às vezes sua nave é encurralada no único cantinho da tela possível para não morrer, e enquanto você vai para lá, um pequeno inimigo chega pelas costas e dispara um tiro exatamente naquele local. O jogo é pensado para fazer você morrer muitas e muitas vezes, até descobrir e decorar a única sequência de ações possível para sobreviver.

Essa mecânica arcaica fazia sentido nos fliperamas comedores de ficha da década de 1980 e agrada velhos saudosistas como eu, mas não sei se é algo atraente para jogadores da nona geração de consoles domésticos. Final 2 é destinado a um público muito específico de jogadores hardcore de shoot ‘em ups difíceis.

Teoricamente é possível terminar a campanha em três horas. Eu levei 15h para terminar o jogo pela primeira vez no modo normal, após passar muita raiva em alguns pontos e treinar muito (muito mesmo) a quinta fase. Existe um interessante recurso de rotas alternativas, pois o item que você escolher no final da fase 5 levará a variações nas fases 6 e 7.


Eu achei as fases iniciais meio sem graça, mas do meio para o final do jogo o level design torna-se muito mais interessante e as batalhas contra os chefes, memoráveis. Finalizar R-Type Final 2 é uma sensação incrivelmente satisfatória, que está ao alcance de jogadores insistentes que se disponham a treinar.

Vale a pena?

Após uma geração inteira sem novos R-Type, é bom poder jogar Final 2, que manteve as principais tradições da série. Ele não é muito bonito e tem picos de dificuldade malucos no meio da campanha, mas o level design criativo das fases finais e aquela sensação de bater um jogo difícil compensam bastante o início um pouco lento e chato.

R-Type Final 2
não é para qualquer um; é explicitamente voltado a fãs hardcore de shoot ‘em ups, mas para esses é uma adição interessante à biblioteca nos consoles atuais, tão carentes de bons representantes neste gênero.

Prós

  • Mantém as principais mecânicas da franquia R-Type;
  • Muitas naves para desbloquear;
  • Múltiplas rotas a partir da fase 5;
  • Fases finais muito inventivas e divertidas.

Contras

  • Grande parte das 99 naves existentes são variações do mesmo tema ou versões inúteis;
  • Picos de dificuldade desbalanceados;
  • Checkpoints em lugares malucos;
  • Gráficos ultrapassados.
R-Type Final 2 - PS4/XBO/XSX/Switch/PC - Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Xbox Series X
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America

é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação. Gosta de acompanhar a evolução da indústria dos games e considera-os um dos melhores entretenimentos do mundo.


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