Meus jogos favoritos de 2019 – Guilherme Endler

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.


O mês de dezembro costuma ser um período de pausa e reflexão, e para quem gosta de videogame não podia ser diferente. Os grandes lançamentos já passaram, estamos nos preparando (inclusive financeiramente) para os títulos que virão no próximo trimestre, e é inevitável lembrar daqueles jogos que nos marcaram ao longo do ano. Fomos bem servidos em 2019, com remakes excelentes, continuações de franquias consagradas e novas IPs que surpreenderam. Nesta lista, busquei explorar um pouco de cada plataforma a qual tive acesso. Espero que possa servir de referência para quem quiser aproveitar a virada de ano para testar algum jogo lançado nos últimos 12 meses. Confiram meus games preferidos de 2019:

Resident Evil 2 | PS4, Xbox e PC

A versão 2019 do clássico de PlayStation 1 é uma aula de como criar um remake. Depois de ter lançado alguns jogos que fugiam da proposta inicial da franquia, a Capcom parece ter ouvido os fãs e encontrou a forma perfeita de modernizar o jogo original. A desenvolvedora conseguiu fazer uso da nostalgia – cada vez mais explorada em vários segmentos da cultura pop – sem ser apelativa, realmente reinventando o game. Os gráficos e a jogabilidade do Resident Evil 2 foram atualizados, mas o clima de survival horror continua ali, fazendo com que cada novo espaço explorado da delegacia de polícia de Racoon City cause apreensão aos jogadores, tanto veteranos quanto novos.

A história continua a mesma, e acompanha o policial novato Leon Kennedy e a jovem Claire Redfield enquanto eles tentam sobreviver na cidade infestada de zumbis. No entanto, a trama conta com surpresas bem-vindas em relação ao game original, misturando esse ar de nostalgia com algumas novidades também na narrativa do jogo.

Espero ansiosamente pelo remake do Resident Evil 3, o primeiro da série que joguei do início ao fim, lá em 1999.


Total War: Three Kingdoms | PC

Gosto de jogos de estratégia desde quando eu era pré-adolescente, então sou fã da franquia Total War há muitos anos. O game é dividido em duas etapas: a maior parte ocorre em turnos, com o jogador gerindo seu império em um grande mapa global, mas as batalhas são em tempo real, reunindo milhares de soldados na mesma tela. A série já teve várias temáticas, indo do Japão Feudal até a fantasia medieval, mas é no título de 2019, situado na China durante o chamado Período dos Três Reinos (entre 220 e 280 depois de Cristo), que chega ao seu ápice. 

A direção de arte é excelente, com mapas e menus que simulam gravuras da época em nanquim, e a jogabilidade é viciante. Um dos destaques são os heróis: personagens icônicos da cultura chinesa, que lideram os exércitos e são capazes de enfrentar tropas inteiras sozinhos. Várias vezes esqueci de prestar atenção no resto do exército para ver dois generais duelando no meio do campo de batalha, é quase como ver uma cena do filme O Tigre e o Dragão no meio do gameplay.

Disco Elysium | PC

Provavelmente o game que mais me chamou atenção neste ano, Disco Elysium é um RPG único. O jogador controla um detetive que bebeu demais, não lembra nem do próprio nome e precisa resolver um possível caso de assassinato. O jogo utiliza a câmera isométrica de clássicos como Baldur’s Gate e Diablo, mas é totalmente baseado em diálogos e escolhas do jogador. Não há um sistema de combate, as possíveis lutas são decididas a partir dos atributos do personagem (intelecto, psique, físico e capacidade motora) e de uma rolagem de dados, como se fosse um RPG de mesa. 

Contudo, o maior destaque de Disco Elysium é o funcionamento das habilidades. Elas representam mais do que o que o personagem principal sabe ou não fazer: elas integram a própria personalidade dele. Isso faz com que o jogador tenha vários “diálogos” com aspectos da mente do detetive. A skill Drama, por exemplo, que possibilita detectar quem está dizendo a verdade ou não, “fala” como se fosse um ator shakespeariano, e até mesmo tenta convencer o personagem a mentir em alguns casos. 
Há a previsão de lançar o jogo também para Playstation 4 e Xbox One em 2020. Pelo sistema inovador, ótima história e diálogos incríveis, vale ficar de olho.

Star Wars Jedi: Fallen Order | PS4, Xbox e PC

Fazia tempo que não lançavam um bom jogo single player de Star Wars. Quando anunciado, Jedi: Fallen Order não despertou grande confiança – eu mesmo não estava muito empolgado, principalmente depois da campanha para um jogador bem sem graça que a EA Games colocou em Battlefront 2. Mas dessa vez a desenvolvedora americana acertou a mão e, em parceria com o estúdio Respawn Entertainment, produziu um game que faz jus a essa que é uma das principais franquias da cultura pop. 

O game tem uma jogabilidade balanceada, intercalando entre segmentos de combate, partes de plataforma e alguns puzzles. Levemente inspiradas nas da série Dark Souls, as lutas são rápidas, obrigando o jogador a estar sempre em movimento e usando diferentes poderes Jedi para vencer. Também tem uma variedade de inimigos razoável. Além de diferentes “tipos” de stormtroopers, o personagem principal enfrenta vários monstros e membros da Inquisição, caçadores de Jedi que proporcionam bons duelos com sabre de luz. 

A história não chega a ser algo impressionante, mas cria uma boa ambientação no universo Star Wars. O jogador é levado para diferentes planetas da franquia e encontra personagens secundários que divertem e trazem a clássica mistura de humor e aventura da série. O único ponto que me incomodou foi o sistema de checkpoints, que também se inspira em Dark Souls. Sempre que o game é salvo, todos os inimigos derrotados voltam à vida. Da mesma forma, caso você morra, é necessário acertar um ataque em quem o derrotou para não perder todos os pontos de experiência conquistados até ali. Isso não faz sentido algum para a narrativa e não é justificado em nenhum momento da história, parece que colocaram no jogo só porque faz sucesso em outros títulos.

Luigi’s Mansion 3 | Switch

Lembro de ter muita curiosidade de jogar o primeiro Luigi’s Mansion quando foi lançado para GameCube em 2002. Como passei anos sem ter nenhum console da Nintendo, só tive a oportunidade de conhecer de verdade a série neste terceiro game. E valeu bastante a espera. Luigi’s Mansion 3 é mais um exemplo de como a desenvolvedora japonesa sabe criar ótimos jogos mesmo que o Switch tenha menos recursos tecnológicos que os concorrentes PlayStation 4 e Xbox One, e possui uma proposta simples, mas muito bem feita e divertida.

Como de costume nos títulos de Mario e companhia, esse é um típico game “para toda a família”. A história é básica: Luigi precisa salvar seus amigos, que foram presos em um hotel assombrado, armado somente com uma espécie de aspirador de pó que captura fantasmas. Contudo, o enredo digno de Sessão da Tarde é só o pano de fundo para uma jogabilidade muito bem desenvolvida e um trabalho excelente de ambientação. As lutas são rápidas e os quebra-cabeças intuitivos, mas ao mesmo tempo trazem uma sensação de progressão, já que as habilidades que o personagem ganha conforme a trama se se desenrola sempre adicionam algo interessante para o gameplay.

Mas o que faz o game realmente brilhar é a exploração. Os inúmeros ambientes do hotel são detalhados e muito bonitos graficamente, com móveis e objetos que podem ser destruídos ou puxados pelo aspirador de pó, às vezes dando acesso a passagens secretas. Os efeitos de luz e poeira são bem feitos, e detalhes como a própria expressão do personagem (que toma sustos e treme de medo quando encontra os fantasmas) ajudam bastante na imersão. Esse capricho todo, que dá um ar de animação da Pixar para o game, mais a possibilidade de jogar em modo cooperativo para duas pessoas, fazem com que Luigi’s Mansion 3 seja perfeito para uma diversão despretensiosa sozinho ou em dupla.

The Outer Worlds | PS4, Xbox e PC

Numa época em que as desenvolvedoras parecem disputar quem faz o jogo mais longo, a Obsidian Entertainment mostrou que um RPG não precisa necessariamente ter 80 horas de duração para contar uma boa história. A equipe usou a bagagem de títulos como Neverwinter Nights 2, Fallout: New Vegas e Pillars of Eternity e entregou uma narrativa divertida, cheia de humor ácido e que se molda às escolhas do jogador.

The Outer Worlds se passa em uma colônia espacial falida e localizada num sistema solar distante. Os habitantes vivem sob as regras de várias megacorporações, que não só empregam a todos, mas agem como Estado nos planetas. Tudo é estereotipado e escrachado, com slogans satíricos, mascotes bizarros e trabalhadores que idolatram as empresas para as quais atuam, o que gera situações engraçadas em cada lugar visitado. O jogador controla alguém que estava numa das naves que levavam colonizadores para esses planetas, mas que por algum motivo parou no meio do caminho, fazendo com que todos ficassem dormido em estado criogênico por décadas.

Essa é desculpa perfeita para que seja possível criar um personagem do zero, escolhendo não só aparência e gênero, mas habilidades, vantagens e desvantagens. A jogabilidade é bastante parecida com as versões mais recentes de Fallout, com perspectiva em primeira pessoa e inúmeras possibilidades de se resolver as missões. O sistema de combate parece com um FPS simples, mas funciona bem.

O ponto alto, porém, é a narrativa. Há diversos personagens bem construídos, que geram diálogos interessantes e dão vida à trama. Também me chamou atenção o fato de não haver missões principais longuíssimas, que obrigam a andar distâncias enormes para levar determinado item do ponto A ao B, tão comuns em games desse gênero. The Outer Worlds é um jogo que diverte de forma rápida e direta: sem grind, quests sem sentido ou dezenas de marcadores no mapa que estão ali só para aumentar as horas de gameplay. 

~

Se este ano foi bom em termos de lançamentos, 2020 promete ser ainda melhor. Logo no primeiro semestre, já teremos lançamentos como os remakes de Resident Evil 3 e Final Fantasy VII, Cyberpunk 2077 e The Last of Us 2. Haja tempo (e dinheiro) para encaixar tudo isso na agenda!

Revisão: Farley Santos

Escreve e joga videogame desde criança. Jornalista, é apaixonado pelas inúmeras formas de se contar boas histórias através dos jogos eletrônicos.

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