Discussão

Final Fantasy VII Remake (PS4) pode ser vítima do passado de remakes problemáticos da franquia

Entre jogos geniais, e alguns nem tanto, a desenvolvedora é conhecida por ter processos problemáticos de desenvolvimento.


Durante a E3 de 2015, Final Fantasy VII Remake foi finalmente anunciado, depois de muita expectativa dos fãs em todo mundo. Fazia tempo que a comunidade pedia o jogo, e o tech demo do PS3 apenas alimentou os boatos e ansiedade. Na E3 desse ano, finalmente tivemos a data de lançamento anunciada - 03, de março de 2020. Contudo, apesar desse jogo ser o remake mais esperado da franquia, remakes e remasters de Final Fantasy não são novidades, alguns deles, inclusive, foram bem polêmicos. Olhando pelo histórico de reformulações da franquia Final Fantasy, o que podemos esperar em 03 de março 2020?


Uma cultura de reinvenção

A Square-Enix é uma das empresas de games pioneiras das remasterizações. Já na época do Playstation, a desenvolvedora remasterizou quase todos os jogos da franquia Final Fantasy (menos o terceiro) para o console da Sony, trazendo, inclusive o clássico Chrono Trigger. Contudo, apesar de jogos como Final Fantasy I e II poderem ser apreciados com um “tapa” visual nos CDs da coletânea, Chrono Trigger e Final Fantasy VI sofriam com tempos de load exagerados, inclusive para abrir menus.
Depois de romper com a Nintendo, a Square trouxe quase todo seu acervo para o Playstation

Claro, estávamos nos primórdios da mudança das mídias de games, e os load times eram um dos problemas enfrentados ao se adaptar jogos antigos para os CDs. O CD, apesar da capacidade de armazenamento quase 100 vezes maior que um cartucho da mesma geração, tinha os tempos de carregamento 4 vezes menores. A Square-Enix até achou um jeito de dar uma “disfarçada” nesses tempos de carregamento nos jogos feitos para a geração Playstation, mas o mesmo cuidado não foi levado às remasterizações.
As versões do PSP são reimaginações fiéis dos originais
Durante a época do PS2 tivemos uma lacuna de remasterizações de jogos da franquia Final Fantasy para Playstation, apesar das versões para os portáteis da Nintendo estarem com a bola toda. Em 2007 tivemos o primeiro grande remake da franquia, Final Fantasy IV chegava ao Nintendo DS totalmente remodelado e com vozes! O jogo foi extremamente bem recebido pelos fãs, sendo visto por muitos deles como um modelo perfeito de um remake de Final Fantasy. Aproveitando o embalo, a Square-Enix lançou o nunca antes visto no ocidente Final Fantasy III, nos mesmos moldes de FFIV. Tudo parecia perfeito.


A chegada das versões mobile

Os fãs estavam satisfeitos com as versões de Nintendo DS, e o terceiro jogo da franquia até chegou a ser portado para o PSP, em uma versão mais bonita que a original. Durante a mesma época (final dos anos 2000) Final Fantasy I e II e o IV também tiveram suas versões remake, desta vez para o PSP. Apesar de não seguir os moldes dos remakes do terceiro e quarto episódio da franquia lançados para DS, os jogos não desagradaram os fãs.
Os jogos de DS foram os primeiros remakes da franquia

Existiam esperanças de que Final Fantasy VI recebesse o mesmo tratamento dos remakes feitos para Nintendo DS e PSP e, com o tech demo de lançamento do Playstation 3, os rumores de um jogo totalmente refeito de Final Fantasy VII tomavam cada vez mais força. Foi então que chegaram os jogos mobiles. Sim, os dois primeiros títulos da franquia até seguem a mesma arte das versões do PSP, porém o quinto e o (amado) sexto episódio tiveram um tratamento visual que desagradou totalmente os fãs da última fantasia.
Arte das versões mobile não foi muito bem aceita pelos fãs

E os problemas não param por aí. As versões de Final Fantasy IX e VII também foram portadas para os celulares, porém sem nenhuma grande modificação a não ser alguns filtros de resolução nos modelos tridimensionais. Acontece que, quem joga essas versões consegue perceber como os cenários parecem ser desfocados em relação aos personagens, como se fossem apresentados em uma resolução bem inferior. Esses mesmos jogos, sem nenhum ajuste, foram portados para o Playstation 4 e PC, e neste ano para o Nintendo Switch e o Xbox One. Isso significa que todos os problemas técnicos foram juntos, inclusive aquele bug chato da música do mapa que se repetia quando terminávamos as batalhas.

Perdidos ao longo do caminho

Em uma entrevista não muito recente alguns desenvolvedores da Square-Enix disseram que a empresa não costumava guardar os códigos dos jogos desenvolvidos até meados dos anos 90, e isso acabava impactando na qualidade das remasterizações. Para quem é fã da franquia, é fácil verificar que as versões de Final Fantasy X e Final Fantasy XII, recém remasterizadas para quase todos os consoles, tiveram um tratamento mais cuidadoso, em todos os sentidos.
Final Fantasy XII The Zodiac Age recebeu um trabalho de remasterização primoroso

Contudo, o que conflita com esse argumento de “não temos o código do jogo original” é a capacidade dos fãs de lançarem ports que corrigem problemas que deveriam ter sido corrigidos pelas próprias desenvolvedoras. Um exemplo muito claro disso são os mods que fãs lançaram recentemente, que deixam os cenários dos jogos Final Fantasy VII e Final Fantasy IX em resolução impressionante, corrigindo o desfoque que tinha nos remasters originais. Aliás, os modders da Steam costumam corrigir problemas de jogos a muito tempo, não só na franquia Final Fantasy.
E onde o remake do Final Fantasy entra?
Apesar de cara, versão especial esgotou já na pré-venda

Não há dúvidas de que Final Fantasy VII Remake é o jogo mais esperado da franquia agora, é um dos mais aguardados no mundo todo. Tanto que a coleção especial 1st Soldier, aquela bem cara com a action figure do Cloud Strife em sua moto, esgotou ainda na pré-venda. Eu, como fã de longa data da franquia, e tendo o nº 7 como meu jogo preferido de todos os tempos, sou um dos mais ansiosos (e ao mesmo tempo, temerosos) pelo resultado final. Muitos motivos me levaram a esse temor.
Grandes remasterizações foram anunciadas para todas as plataformas em 2019

Primeiro, o desenvolvimento conturbado do título, que teve mudança na direção e troca de estúdio bem no início da produção. Desenvolvedoras como a Ubisoft consegue entregar resultados satisfatórios com desenvolvimentos complexos e curto espaço de tempo, mesmo com todos os bugs. A Square-Enix não consegue fazer isso. Segundo, o modelo episódico do jogo não me traz muito ânimo.

Será que vem bomba pela frente?

Apesar dos desenvolvedores garantirem que cada “episódio” terá o tempo de um jogo stand alone, sendo o primeiro lançado em dois discos blu-rays (façanha alcançada apenas por Red Dead Redemption 2, até o momento), essa lógica me assusta um pouco. Será que realmente a Square conseguirá nos entregar tanto conteúdo assim para ser necessário dois blu-rays, ou será que vai encher o jogo de side quests repetitivas e desinteressantes, assim como fez em Lightning Returns: Final Fantasy XIII. Tenho minhas dúvidas.

Dois blu-rays pode parecer interessante para nós fãs, porém devemos lembrar que a Square-Enix não é a Rockstar, e ela já pisou na bola conosco diversas vezes. Mesmo Final Fantasy XV, que particularmente me agradou, possui vários, mais vários problemas que evitam que ele seja classificado como um jogo realmente épico. Muitos fãs de longa data vaticinam que o problema da empresa foi a saída do criador da saga, Hinorobu Sakaguchi. Com ele, inclusive, FFVII Remake nunca teria saído do papel (ele era veementemente contra o projeto).

Pesquisando pelos grupos de facebook, inclusive um em que sou administrador, dá para ver que o pessoal anda bem otimista, apesar de não ter gostado do formato em que o jogo será apresentado – diga-se, episódios. Se o jogo vai ter conteúdo suficiente para ser apresentado em múltiplos episódios (nem a desenvolvedora sabe ao certo quantos serão), vamos ter que conferir. Minha aposta agora é ter um hype moderado para não me decepcionar depois. Qual a sua aposta?

Revisão: Henrique Gomes Moreno


Apaixonado por JRPG, video game, Rock'n'Roll e literatura. Fanboy de Final Fantasy, admirador nato de The Legenda of Zelda, sonha em se tornar escritor. Enquanto esse dia não chega, escreve sobre as coisas que ama na Game Blast

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