Blast Battle

Uma cidade no ar, uma cidade no mar. Qual a maior metrópole de BioShock?

A série BioShock possui dois personagens principais: Rapture e Columbia , com seus ricos universos recheados de personagens interessantes... (por Bruno Grisci em 13/08/2013, via GameBlast)

A série BioShock possui dois personagens principais: Rapture e Columbia, com seus ricos universos recheados de personagens interessantes, histórias complexas e ambientes exóticos. Esse conto de duas cidades que aspiravam ao posto de paraíso na terra (ou melhor seria no céu e no mar?), mas que acabaram tornando-se palcos de grandes tragédias é fascinante e um dos grandes trunfos da Irrational Games. Mas comparando estas duas gigantes lado a lado, qual seria a maior potência? Para discutir cada ponto desta batalha, conto com a ajuda do colega Luís Antônio Costa na escrita desta matéria.
ALERTA: O texto abaixo contém muitos spoilers para quem não terminou BioShock, BioShock 2 e BioShock Infinite.

História

Rapture 0 x 1 Columbia

Política e religião

Antes que o movimento revolucionário Vox Populi emergisse do submundo da pobreza e do proletariado marginalizado das grandes indústrias de Columbia (e principalmente da ira de Daisy Fitzroy por Comstock), política era um assunto que não merecia ser muito discutido na conversa do café da manhã de qualquer cidadão columbiano. O sistema político da cidade era simples: um governo teocrático, comandado a mão-de-ferro por Comstock. Certamente o líder possuía outros conselheiros que lhe auxiliavam a administrar a cidade, mas qualquer decisão final era sempre promulgada pelas palavras do grande profeta.
“O que é Columbia se não outra Arca, para outro tempo?” - Zachary Comstock
A religião talvez seja uma das peças mais importantes que movem as engrenagens sociais de Columbia. Ao se proclamar profeta e dar provas de seus “poderes divinos” utilizando-se da ciência e de artefatos de outros universos, Comstock conquistou os corações e mentes de um grupo enorme de pessoas, que não pensaram duas vezes em seguir seu sonho louco de um Novo Éden ao lado do “Cordeiro de Columbia”. Em pouco tempo, um culto religioso gigantesco começou a se formar em torno do grande profeta, que passou a ser mais conhecido como “Pai Comstock”. Sua figura tomou um ar quase divino e suas ações tornaram-se inquestionáveis. Os cidadãos não passavam de marionetes nas mãos do profeta e qualquer sacrifício em seu nome era justo. Outro culto que também ganhou destaque foi o da Fraternal Order of the Raven (Fraternidade da Ordem do Corvo). Esse grupo se formou depois que Lady Comstock foi assassinada e, como a primeira dama de Columbia já possuía ares de santa após ser dito que ela havia gestado o “Cordeiro” em apenas um mês, alguns cidadãos dedicaram suas vidas a cultuar sua imagem. Atormentados pela morte da santíssima senhora, os integrantes abusam do poder do Murder of Crows para punir criminosos indiscriminadamente e, se vestindo de preto como arautos da morte, carregam caixões com a imagem da primeira dama nas suas costas.

Até existe um sistema eleitoral, afinal a origem da cidade foram os Estados Unidos, mas após a secessão da União a cidade passou a operar por suas próprias regras. O grupo dos Fundadores, liderado pelo profeta Comstock, é que detém todo o poder político e controla as forças policiais, perseguindo duramente a oposição. O direito de Comstock governar é “garantido por Deus” e portanto não cabem questionamentos. Também é possível observar a aplicação de um  “Destino Manifesto”, já que a herdeira do profeta é vista como destinada a destruir a “Sodoma abaixo”, fazendo referência às cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra que, por serem pecaminosas, foram destruídas pela ira divina.. Os “Pais Fundadores”, especialmente George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, heróis da independência norte-americana, são venerados como ícones religiosos, embora em vida tenham sido contra várias das ideologias presentes na estrutura social e política de Columbia. O presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, assassinado 30 anos antes da finalização da construção da cidade, é demonizado pela Fraternal Order of the Raven como um traidor e corrupto, enquanto transformou-se em figura popular entre os membros da Vox Populi por ter conseguido a aprovação da lei que deu fim à escravidão nos Estados Unidos.


O sistema é a antítese do que encontramos em Rapture. Andrew Ryan idealizou a cidade como uma utopia livre das amarras da moral, política e religião, após ficar desiludido pelo modo como viu as pessoas sendo exploradas no seu país de origem, a Rússia, e posteriormente nos Estados Unidos. Ateu e liberal convicto, construiu uma filosofia bastante individualista onde cada um deveria ser responsável por seu sucesso ou fracasso. O que aconteceu na prática, no entanto, foi o surgimento de uma elite que apoiava Ryan. A falta de freios éticos acabou permitindo a realização de atrocidades, e a censura, que tanto era criticada,  acabou encontrando seu caminho através de seu próprio maldizente.
“Eu escolhi o impossível. Eu escolhi... Rapture. Uma cidade onde o artista não temerá o censor. Onde os cientistas não serão limitados por moral mesquinha. Onde o grande não será contido pelo pequeno. E com o suor do seu rosto, Rapture pode se tornar sua cidade também.” - Andrew Ryan
O controle de Ryan sobre a cidade estava assegurado  não fosse pela súbita chegada do ganancioso Frank Fountaine que, com a desculpa de começar um negócio de pesca, fundou uma empresa de desenvolvimento tecnológico, a Fountaine Futuristics, que rivalizava diretamente com os projetos de Andrew. Em pouco tempo, os lucros obtidos por esse inescrupuloso homem cheio de ideais tão megalomaníacos quanto os de Ryan atraiu mais pessoas para o seu redor e bastou apenas uma faísca para fazer com que o barril de pólvora dos ânimos das duas correntes políticas de Rapture explodisse em uma guerra civil devastadora.

Após a guerra, Rapture só voltaria a ver uma liderança organizada com o trabalho da psiquiatra Dra. Sofia Lamb. Trazida da superfície para ajudar os cidadãos da cidade a se ajustarem ao novo ambiente e posteriormente cuidar dos detentos na prisão política de Persephone, Sofia acreditava na filosofia do “bem maior”, na qual os indivíduos deveria ser sacrificados em favor da sociedade. Acabou criando um culto ao redor da imagem de sua filha, que se tornaria salvadora da humanidade graças ao poder de guardar memórias coletivas obtidas através do ADAM, numa história que lembra um pouco a teocracia de Columbia.
Rapture 1 x 1 Columbia

Sociedade

Os cidadãos de Columbia usufruem de uma falsa sensação de liberdade e livre-arbítrio. Certamente a entrada de estrangeiros na cidade não é bloqueada (se você for caucasiano, é claro, caso contrário, seu destino será limpar o chão ou lustrar os sapatos da aristocracia) e os cidadãos podem se locomover e até deixar a cidade quando quiserem. No entanto, parece ser um requisito obrigatório para se conviver socialmente em Columbia louvar o profeta Comstock. Pôsteres, cartazes gigantescos e até estátuas que fariam os gregos ficarem com inveja cercam a cidade, carregando imagens e outros símbolos de culto à imagem do “Pai Comstock”.

Claro que essa falsa sensação de liberdade começa a desmoronar quando a real estrutura social da cidade começa a ser exposta. O que encontramos é um regime de apartheid e xenofobia. Os operários em sua maioria trabalham nas indústrias Fink e são explorados com jornadas de trabalho de 16 horas diárias e remuneradas com créditos que só podem ser utilizados nas lojas da própria marca. A diferença social é gritante na comparação das zonas mais luxuosas da cidade com a favela que se formou ao redor de Finkton, onde moram a maioria da população negra a estrangeira. A Fraternal Order of the Raven, filiada ao movimento dos Fundadores, é um grupo até certo ponto inspirado na Ku Klux Klan que defende a “pureza racial” e superioridade de Columbia.

Não é de se admirar que, num ambiente desses,  surjam revoltas populares, como a Vox Populi. Curiosamente, em meio a tantas restrições, as mulheres parecem possuir direitos mais igualitários que no resto do mundo da época. A polícia e a indústria da cidade utilizam trabalhadoras tanto quanto trabalhadores, e algumas das figuras mais influentes e importantes de Columbia são mulheres: Lady Comstock, Daisy Fitzroy, Rosalind Lutece e Elizabeth, que é a “sucessora do trono”.
“Todas as coisas boas dessa terra flutuam para a cidade.” - Letreiro na entrada de Rapture
A população de Rapture a princípio é muito mais livre que Columbia, com pessoas de múltiplas etnias e ausência de um estado teocrático opressor, apesar de não terem permissão para entrar em contato com a superfície. Mas a cidade guarda seus segredos sujos. A ausência de fiscalização e regulamentação expõe os habitantes da cidade a situações de alto risco. Na prática, a elite da metrópole vive com muito mais direitos e manipula a vida dos demais, e membros de grupos que discordam das visões de Andrew Ryan, como religiosos, são perseguidos e enviados para a prisão secreta e desumana de Persephone, onde vários acabam suicidando-se.

Os cidadãos de Rapture não são mais os mesmos há anos.
Além disso, existe preconceito racial, como é visto em uma mensagem gravada pelo cientista negro Charles Milton Porter narrando sua indignação pela sugestão de alguém de usar Plasmids para trocar a cor de sua pele. No fim, as divergências entre Andrew Ryan e Frank Fontaine, os dois maiores magnatas de Rapture, somados com a perda de sanidade provocada pelo uso de Plasmids, também acaba lançando a cidade em uma violenta guerra civil que resulta em uma anarquia, com cidadãos comuns e splicers lutando pela sobrevivência. Anos mais tarde, a Dra. Sofia Lamb consegue reorganizar alguma espécie de sociedade ao redor de um culto, mas a cidade nunca conseguiu se recompor, então Columbia leva a vitória nesse quesito.
Rapture 1 x 2 Columbia

Arquitetura e arte

O visual da cidade voadora lembra a idealização de uma América perfeita presente na atração Main Street, U.S.A. dos parques temáticos da Disney, além de buscar inspiração na Exposição Colombiana de Chicago de 1893 (foto abaixo), onde foram demonstrados os avanços da Revolução Industrial e acabou virando símbolo do Excepcionalismo Americano.

O estilo neoclássico se mistura a essa proposta, podendo ser observado nas fachadas e acabamento de vários edifícios que imitam a arquitetura greco-romana. Esse tipo de detalhe pode ser percebido com facilidade no jardim da igreja de Comstock, logo na chegada de Booker a Columbia, onde os Fundadores da ideologia da cidade estão usando robes gregos. Também faz-se uso das grandes áreas abertas, que a localização nas nuvens permite, aproveitando a luminosidade quase constante. Porém, talvez a maior influência na arquitetura de Columbia seja a própria figura do profeta Zachary Comstock. A cidade é repleta de estátuas e outras inúmeras obras de artes que refletem toda a adoração e fanatismo religioso que a imagem do profeta desperta em seus cidadãos. Com formas austeras, limpas e robustas, a arquitetura de Columbia tenta de todas as formas se aproximar da visão de um “novo Éden”, cultivada por Comstock. Isso sem falar nos inúmeros cartazes de propaganda nacionalista e pinturas clássicas com figuras importantes da história americana.

A arte de Columbia reflete claramente o momento nacionalista que os Estados Unidos experimentavam no começo do século XX. A cidade é repleta de pôsteres e outras propagandas ao estilo belle époque que fazem alusão ao espírito da cidade (na forma da valente heroína fictícia americana, Columbia). Além disso, é comum entrar em casas ou mansões e dar de cara com quadros ou pinturas de figuras importantes da história americana ou que fazem referência a assuntos patrióticos ou militares. Mas, sem dúvida, um dos aspectos mais curiosos e interessantes da veia artística de Columbia seja sua produção musical, que fica a cargo da Magical Melodies, de Albert Fink. O simples compositor se viu diante de uma oportunidade de ouro quando começou a ouvir várias músicas do futuro, como os anos 50, 60 e 80 através de fendas na cidade. Com a esperança de fazer sucesso, o artista pegou carona nas melodias e adaptou-as a seu estilo para se tornarem trilha sonora da cidade. É comum passear por Columbia e ouvir vários “clássicos” de Albert tocando, como versões da década de 10 de “Girls Just Wanna Have Fun”, “God Only Knows” ou “Everybody Wants To Rule The World”. Para complementar e exaltar as qualidades históricas e artísticas da cidade, Columbia possui diversos Kinetoscopes espalhados pelas ruas e estabelecimentos. Esses filmes mudos de 30 segundos exibem notícias, eventos e situações típicas do cotidiano de um cidadão columbiano.



Com certeza, o estilo de Columbia é muito diferente do encontrado na cidade aquática de Rapture. Não apenas o ambiente fez toda a diferença na hora de escolher a arquitetura predominante do local, a época também foi determinante. Sua construção aproveitou o estilo Art déco popular entre as décadas de 1920 a 1930, muito presente na cidade de Nova York. A ornamentação pesada confere ao ambiente um tom industrial e opulento. Os cenários, bem mais escuros e fechados que os presentes em Columbia, se aproveitam de decoração de interiores e luzes neon, o que resulta numa sensação de estar andando por algum teatro ou cinema sofisticado. Mas o grande destaque vai para a integração ao ambiente marinho graças a grandes janelas de vidro, o que torna Rapture um cenário inigualável.

“Uma cidade embaixo da água? Ridículo.” - Booker DeWitt
Muito do conteúdo cultural e artístico da cidade pode ser admirado em Dionysus Park, local de retiro privado da psiquiatra Dra. Sofia Lamb, cujo um dos objetivos era garantir que artistas pudessem produzir livremente. Entre as atrações, estão o Triton Cinema, um jardim e diversas galerias de artes finas. Outro ponto cultural da cidade é Fort Frolic, centro de entretenimento aos cuidados do poeta, pintor, escultor e músico Sander Cohen. Mais famoso e influente artista de Rapture, Cohen deve sua fama mais à boa relação com o poderoso Andrew Ryan do que a seu talento. Durante o jogo é narrado o processo de enlouquecimento do artista, que inclusive o levou a eliminar rivais e a criar estátuas vivas com corpos reais. Um dos propósitos de Rapture era possibilitar um ambiente onde o “artista não temesse o censor”, inclusive usando os poderes dos Plasmids para criar peças únicas, mas  na prática  quem não se comprometesse em exaltar a ordem vigente acabava sendo excluído dos círculos de influência.
Rapture 2 x 2 Columbia

Economia

Apesar de exibir casarões luxuosos e produtos fantásticos em feiras gigantescas, além de esbanjar gastos no desenvolvimento de certas áreas da cidade, a distribuição de renda em Columbia é um bom exemplo de um típico país de terceiro mundo, com uma pequena classe rica e desenvolvida ao lado de uma grande parte de sua população marginalizada e vivendo na quase extrema pobreza. Esse contraste se torna gritante ao observar a diferença entre os cidadãos presentes nas feiras de Columbia, como a Raffle Square Fair, e o proletariado explorado e pobre do submundo das fábricas de Fink. A situação econômica dessa “utopia voadora” é tão crítica e injusta que o Banco do Profeta coleta 50% de todo o dinheiro dos habitantes da cidade para colocar nos bolsos de Comstock.

A cidade aquática, por sua vez, funciona sobre a ideologia da “corrente invisível” de Andrew Ryan que dita um liberalismo econômico feroz, com “livre concorrência” e sem fiscalização dos negócios, permitindo várias atividades desleais. Na prática, a milícia de Ryan defende os interesses da sua empresa gigantesca, Ryan Industries, inclusive atacando diretamente indústrias concorrentes, como foi o caso da Fountaine Futuristics. Ainda assim, o poder econômico dos cidadãos e empresas embaixo da água parece maior que o dos habitantes do monopólio de Columbia. A região mais pobre de Rapture, Pauper’s Drop, que não estava prevista na criação da cidade e foi surgindo aos poucos pelas camadas mais necessitadas da população, é visivelmente mais desenvolvida que a favela ao lado de Finkton em Columbia, onde as pessoas precisam lutar por pedaços de comida.
Rapture 3 x 2 Columbia

Ciência e tecnologia

Apesar de tantos prodígios científicos, pode-se dizer que todos as invenções de Columbia (desde o Sky Hook até os Vigors) derivam da mente de apenas uma pessoa (ou duas para ser mais exato): Rosalind e Robert Lutece . Ao estudar as propriedades da física quântica, além de conseguir desenvolver o mecanismo que permite que a cidade flutue nas nuvens, a genial física criou uma máquina que permitia a abertura de portais para outros universos. Seu trabalho teve tanto sucesso que, através das fendas temporais criadas pela máquina, ela pode vislumbrar diversas criações científicas de outros universos em outros tempos e aproveitá-las para o desenvolvimento de Columbia.

A máquina de fendas dos irmãos Lutece.
Essa é uma decisão complicada. Embora Columbia esteja muito mais avançada que o resto do mundo (é uma cidade voadora!), com robôs autômatos, ciborgues e manipulação genética, o segredo do desenvolvimento científico local são os experimentos de Rosalind Lutece quase que exclusivamente. As ideias para a concepção dos Handymen, Songbird e Vigors, por sinal, foram muito provavelmente “emprestadas” dos Big Daddies e Plasmids de Rapture. Em sua defesa, além de contar com tecnologia seis décadas mais antiga que a cidade submarina, os cientistas de Columbia aprimoraram esses inventos: enquanto os Plasmids causam dependência e efeitos colaterais severos, eventualmente levando a deformações e loucura, os vigores parecem ser muito mais seguros. Além disso, os experimentos de física quântica por si só já conferem a cidade o status de grande centro científico.

Já Rapture é uma pérola da engenharia. Construída no solo do Atlântico norte, a cidade precisou ser projetada para aguentar a grande pressão e suprir seus habitantes com os mantimentos necessários. Apesar de não contar com uma mente tão genial quanto a de Rosalind Lutece, um time de especialistas conseguiu erguer no fundo do mar um palco para alguns dos assombrosos avanços da humanidade (tanto no mal quanto no bom sentido). O trabalho da geneticista Dra. Brigid Tenenbaum com lesmas do mar levou à criação dos Plasmids (e das Little Sisters). Já a ideia de protetores incondicionais em armaduras pesadas, os Big Daddies, é de autoria do Dr. Yi Suchong. No centro de tecnologia de Rapture, Minerva’s Den, ainda foram concebidos robôs e maquinário autômato para uso doméstico, industrial e militar. O poderoso computador The Thinker, dotado de uma inteligência artificial avançada capaz de pensar de maneira independente, foi projetado e construído por Charles Milton Porter e cuidava da manutenção da cidade.

Elite de Rapture: Brigid Tenenbaum, Sander Cohen, Gilbert Alexander, Andrew Ryan, Sofia Lamb e Yi Suchong.
Como praticamente tudo na história, a ciência funciona como uma faca de dois gumes. Enquanto garantiu poderes incríveis para sua população, a falta de regulamentação e desprezo por ética e moral nos estudos e experimentos acabou gerando resultados catastróficos.
Rapture 4 x 2 Columbia

Poder militar

Graças à produção incessante das fábricas do empresário capitalista inescrupuloso, Jeremiah Fink e das mãos habilidosas do artesão de armas, Chen Li, Columbia possui um poder militar de dar inveja a muitas nações que se orgulham de seu poderio bélico. A cidade conta com armamento pesado e uma força policial fortemente armada. Além disso, turrets e outras máquinas de guerra fazem a defesa de Columbia. Isso sem falar que,  em momentos críticos, a cidade pode se utilizar das diversas tears espalhadas para trazer máquinas e outros artefatos de guerra de outros universos para auxiliar no combate. Podemos sentir um pouco de todo o poderio militar de Columbia quando ela lança um ataque massivo de mísseis e bombas incendiárias contra Nova York no final de 1983.

Não poderíamos esperar nada menos de uma cidade cujo propósito é servir a uma profecia como  “a semente do profeta deve sentar-se no trono e afogar em chamas as montanhas do homem”. Embora o final obtido com decisões “ruins” do primeiro jogo da série sugira que Rapture poderia lançar um ataque à superfície, imaginar uma tentativa de invasão de sua parte a Columbia é extremamente fantasioso. Um cenário mais provável seria a cidade voadora tentar destruir sua contraparte durante seu levante contra a América. Mas será que um ataque de Columbia a Rapture em 1983 seria bem sucedido?

Em primeiro lugar, precisamos lembrar que isso ocorreria vinte anos após o segundo jogo da série, ou seja, Rapture já estaria num estado lamentável de conservação. Mas considerando que a cidade tenha conseguido se preservar ao longo destas décadas, será que ela seria capaz de resistir a uma invasão columbiana? A sua localização com certeza lhe daria a vantagem de defender-se das bombas incendiárias de Columbia, obrigando a um confronto direto. Mais uma vez as tropas de Columbia se veriam em desvantagem por terem que lidar com um ambiente fechado e escuro com o qual nunca estiveram acostumados, permitindo aos splicers a utilização de táticas de guerrilha. Os Plasmids também possuem aparentemente mais força que os Vigors, apesar de causarem danos à saúde dos usuários a longo prazo. Os bots e turrets de segurança de Rapture provavelmente não conseguiriam conter um grande contingente, mas Big Daddies e Big Sisters com certeza conseguiriam lidar com inimigos pesados como Patriotas Motorizados e Handymen. O Songbird, como é mostrado no próprio BioShock Infinite, não aguenta a pressão da água, então essa seria mais uma vantagem para Rapture. No fim, contudo, as tropas mais bem organizadas, numerosas e sãs da cidade voadora conseguiriam subjugar a metrópole aquática e até mesmo detoná-la de vez.
Rapture 4 x 3 Columbia

Uma história de duas cidades

No fim, Rapture acabou ganhando com uma pequena vantagem, embora tenhamos que reconhecer que com dois jogos inteiros ela teve muito mais espaço para se exibir que Columbia, e agora estará de volta no DLC Burial at Sea de BioShock Infinite. Mesmo assim, nada tira o brilho destas duas belas e ainda assim tristes metrópoles. Ainda que possuam grandes divergências, os faróis que dão acesso aos seus domínios representam bem a natureza das duas cidades: são fantasmas de grandes sonhos de utopia por homens comuns.

“Há sempre um farol, há sempre um homem, há sempre uma cidade.” - Elizabeth
Revisão: Rafael Neves
Capa: Vitor Nascimento

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


  1. Cara... Você foi fodástico!!!!!!

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  2. Obrigado, Guja! Mas metade do crédito é do Luís Antônio Costa, escrevemos em dupla :D

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