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Análise: Little Witch Academia: Chamber of Time (PS4/PC) — fidelidade visual e muito vai e vem

Apesar dos problemas de performance, o game é uma adaptação de boa qualidade.


Little Witch Academia: Chamber of Time (PS4/PC) é um RPG de ação e beat’em up baseado no anime de mesmo nome, criado por Yoh Yoshinari ainda em 2013. A história do game é original e contada com a presença de diversos personagens do anime, que marcam presença com seus diálogos simples, engraçados e cheios dos trejeitos característicos de cada um.


A Câmara do Tempo

A história de Chamber of Time acompanha a protagonista do anime, Akko, prestes a entrar no período de férias de verão da escola de bruxas Luna Nova. Akko é uma pessoa de coração enorme e sem muito talento natural para magia e, graças a isso, sempre se mete em confusões. Presa à tarefa de arrumar toda a biblioteca durante as férias de verão sob o risco de ser expulsa, a garota acaba abrindo uma câmara secreta que abriga o relógio Horologium, que controla o fluxo do tempo. O fluxo é quebrado, prendendo Akko e suas melhores amigas e também alunas de Luna Nova, Lotte e Sucy, em um loop temporal eterno, fazendo-as retornar ao primeiro dia do início das férias de verão sempre que o relógio bate meia-noite.

A história é simples e leve, como um episódio do anime. Tudo fica ainda mais charmoso por conta dos personagens, que são replicados com fidelidade à obra original, incluindo trejeitos físicos e de vozes. As conversas são gostosas de se ouvir enquanto descobrimos mais sobre os mistérios que cercam a câmara secreta, o relógio de Horologium e o fluxo do tempo.



Um dos grandes problemas de Chamber of Time está na maneira como a história avança. Às vezes o jogador fica preso em um vai e vem pela escola de Luna Nova, buscando itens aqui e ali, para finalmente poder avançar na história principal. Além disso, é preciso considerar que alguns personagens aparecem apenas em determinados períodos do dia, exigindo que o jogador volte ao dormitório e avance o tempo até o período em que seu objetivo irá aparecer. Isso é amenizado quando desbloqueamos os cristais de viagem rápida espalhados por Luna Nova.

Os momentos finais de Chamber of Time também parecem um tanto quanto arrastados, e mesmo o game parece reconhecer isso, pois ele acaba levando o jogador automaticamente para os locais necessários em determinados momentos, evitando o excesso de exploração e caminhadas desnecessárias.

Além da história principal, temos a chance de explorar Luna Nova e descobrir diversos subeventos, que servem de missões secundárias para Akko, garantindo itens especiais e até mesmo desbloqueio de opções de evolução e magia. São pequenas histórias que apenas engordam a duração do game, mas nada que seja exatamente memorável, salvando-se mais pelos diálogos e interações entre Akko e personagens secundários.

Magia para todo lado

Little Witch Academia: Chamber of Time utiliza de dungeons para oferecer seu sistema de combate e evolução aos jogadores. Atreladas à história principal, cada dungeon possui cenário e inimigos próprios, sendo acessadas com chaves que o jogador pode adquirir avançando na história, explorando Luna Nova e completando subeventos. São sete chaves mestras que dão acesso às versões “principais” das masmorras e que avançam a história. Chaves menores oferecem diferentes configurações de um mesmo cenário, tendo dificuldade de acordo com o nível da chave.

O combate é como um bom e velho beat’em up, porém com magias. É feitiço para todo lado, com luzes e cores explodindo na tela a todo momento. O jogador é acompanhado por mais duas personagens controladas pela inteligência artificial, que é de grande valia em diversos confrontos, exceto contra chefes ao final das fases. A inteligência artificial cisma em partir com tudo para cima deles, não evitando ataques e estando sempre no lugar errado, na hora errada. Ao final de cada dungeon, recebemos pontos de experiência para nossas personagens subirem de nível.



Subir de nível gera pontos que podem ser distribuídos nas estatísticas gerais de cada personagem, bem como gera pontos de constelações. As constelações liberam novas magias e poderes para as bruxinhas, cada uma possuindo características próprias e danos elementais, cada um sendo mais eficiente contra um grupo de inimigos. Há também magias especiais de dano poderosíssimo, que oferecem uma belíssima animação antes de causar estrago. Infelizmente, as bruxas que não estão no grupo do jogador não ganham experiência nenhuma, exigindo que o jogador repita as dungeons para subir seu nível e, consequentemente, desbloquear suas magias mais poderosas.

Há uma boa dose de diferenciação em cada personagem. Akko possui ataques moderadamente rápidos e fortes, e é a única que possui esquiva. Amanda possui ataques que lembram muito artes marciais, com chutes mágicos sendo desferidos nos inimigos; Jasminka, por outro lado, é voltada para a força bruta, e possui os ataques mais fortes e lentos entre as personagens. Além disso, cada bruxa possui uma habilidade especial que beneficia o grupo quando colocada de líder do grupo. Cabe ao jogador decidir aquela com benefícios que o agradam mais.



Akko e suas amigas podem ser equipadas com diversos itens para que tenham suas estatísticas melhoradas, como ataque, defesa e chance de ataque crítico. Os itens são ganhos dentro das dungeons ao se derrotar inimigos, chefes e abrir baús de tesouros. Os equipamentos podem ainda receber encantamentos, deixando-os mais fortes e abrindo um leque de possibilidades para o jogador, que pode construir um time com capacidades únicas.

Embora as dungeons de Chamber of Time ofereçam boas situações de combate e algumas mecânicas diferentes entre si, que não consistem apenas em derrotar todos os inimigos e avançar, a impressão final é a de que há um pouco de repetição em suas fases. Os chefes, por outro lado, são bem variados, e a grande maioria é interessante de enfrentar, não bastando apenas esmagar um botão ou soltar magias sem freio. É preciso realizar certas ações para abrir suas defesas e então causar dano.

Bruxas on-line

Chamber of Time possui um modo multiplayer cooperativo para até três pessoas através da Luna Nova Tower. Aqui, temos dois modos oferecidos: Underground Labyrinth e Phantom Mirror. O primeiro pode ser jogado on-line ou off-line, e consiste em uma dungeon de até 999 níveis; já o modo Phantom Mirror permite que dois grupos de jogadores se enfrentem em partidas com objetivos variados. Há uma dose de competição e cada batalha é lutada no mano a mano, então magias de grupo não servem aqui. É preciso escolher com cuidado quais usar.

Ambos os modos oferecem recompensas baseadas nos níveis concluídos e nas vitórias obtidas. É um desafio a mais para aqueles que querem um foco ainda maior no combate do game, bem como a chance de se jogar com amigos tanto on-line quanto off-line. O game oferece um sistema de busca por salas, e a dificuldade em achá-las é legítima, minando a vontade de se experimentar as modalidades em rede.

Os modos multiplayer de Chamber of Time são ridiculamente dispostos ao jogador, não fazendo parte de nenhum tipo de tutorial, deixando-os às escondidas. Eu mesmo os encontrei por acaso enquanto percorria Luna Nova atrás de um objetivo da história principal. O que é uma pena, pois percorrer os níveis do Underground Labyrinth pode ser bem divertido ao lado de outros jogadores.

Cenários vazios e personagens fiéis ao anime

Explorar Luna Nova é uma experiência mista em Chamber of Time. Para os fãs do anime e do mangá, é divertido e encantador perambular pela escola, encontrando diversos rostos familiares e engajando em conversas simples mas legais. Porém, ao mesmo tempo, os cenários parecem vazios demais e sem detalhes, sendo preenchidos mais pela presença de personagens do que por qualquer outra coisa. O nível de interação também não é lá grande coisa, se restringindo às já mencionadas conversas e a algumas magias específicas de exploração que Akko pode realizar para acessar áreas bloqueadas. O visual das bruxinhas, por outro lado, parece ter sido transposto diretamente do anime para o game, com gráficos 2.5D que lembram muito o estilo artístico de Dragon Ball FighterZ (Multi). A modelagem é em 3D, mas o estilo artístico faz com que a percebamos como modelos em 2D. É bem bonito.



Da parte técnica, o que mais se encontra prejudicado é a taxa de quadros por segundo. O game almeja os 60 quadros, mas dificilmente os mantém mesmo em momentos de exploração, e com quedas ainda mais bruscas em momentos de combate contra certos chefes e grupos de inimigos.

Little Witch Academia: Chamber of Time (PS4/PC) possui o charme, a simplicidade e a leveza do anime homônimo. O visual das personagens e das magias é de dar gosto. Fãs irão se sentir em casa, mas novatos também poderão tirar proveito da experiência caso sintam-se atraídos pelo game. A história tem seus momentos de lentidão; a performance técnica não é das melhores e o modo multiplayer não é o mais “povoado”, mas, ainda assim, a experiência de Chamber of Time tem um saldo positivo graças ao seu sistema de combate e evolução de personagens.

Prós

  • Semelhança visual e sonora com o anime;
  • Sistema de combate e evolução de personagens;
  • Visual das bruxinhas e das magias;
  • Modo Undergorund Labyrinth para ser jogado com mais dois jogadores off-line.

Contras

  • História se arrasta em certos momentos;
  • Falta de detalhes na construção de Luna Nova como um cenário;
  • Performance e taxa de quadros por segundo extremamente oscilante.
Little Witch Academia: Chamber of Time — PS4/PC — Nota: 7.0

Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Renata Bottiglia
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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