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Análise: Dragon Ball FighterZ (Multi) agrada a veteranos e novatos em jogos de luta

A saga dos Saiyajins nunca ficou tão bem retratada em um jogo de luta quanto nessa obra da Arc System Works e Bandai Namco.

A conhecida franquia Dragon Ball sempre foi sucesso nos animes e, por isso, diversos bons jogos baseados em seu universo foram lançados. Dragon Ball FighterZ é o mais recente dessa lista e já era muito aguardado desde o seu anúncio na E3 de 2017, pois mostrou um visual incrível que remeteu diretamente ao anime e logo cativou os fãs da obra de Akira Toriyama, bem como os amantes de jogos de luta.

Controlando batalhas de anime

Como as lutas no anime geralmente são feitas com voos dos personagens e ocupam muito espaço, utilizando cenários muito vastos, um jogo no estilo clássico 2D, mesmo com personagens 3D, talvez não fosse a opção que causasse a maior impressão de estarmos controlando os personagens em batalhas do anime, mas Dragon Ball FighterZ conseguiu criar esse sentimento muito bem em quem o joga.

É interessante notar como o visual do jogo não apenas reproduz o do anime, até porque estamos falando de um animação que passava há 20 anos, e, se fosse apenas reproduzida, não ficaria tão impactante quanto ficou. Por mais que tenhamos a impressão que o jogo está idêntico ao anime, está diferente e evoluído, mas ainda assim fiel à saga.


Não foi apenas o visual que ajudou a remeter tão bem o imaginário dos fãs ao anime original, como também o fato de cada personagem ser bem individualizado e fiel ao seu estilo próprio de luta, trejeitos e personalidade única. O fato de a câmera e o próprio visual serem dinâmicos também colaboram para criar essa impressão nostálgica de estarmos controlando os personagens do anime, pois em diversos momentos, geralmente de golpes especiais, a câmera acompanha o movimento do boneco, e o visual se comporta de acordo com o momento, permitindo que o jogador se sinta mais imerso na jogatina. A trilha sonora sempre frenética é mais um ingrediente para criar um clima vibrante em torno das partidas.

Você sempre quis ver a Androide nº 18 derrotando o Cell.

Acessível a novatos e desafiador para veteranos

Ao todo, são 24 personagens à disposição do jogador, sendo três deles desbloqueáveis. Apesar de alguns terem a jogabilidade parecida, percebe-se o cuidado que o pessoal da Arc System Works teve ao escolher os lutadores, considerando os seus estilos únicos de luta e como eles seriam aproveitados nas partidas. Há bonecos para todos os estilos, seja curto, médio ou longo alcance. Como as lutas são 3-vs-3, é preciso considerar a estratégia ao utilizar cada um, já que o Kuririn, por exemplo, pode não ter níveis de poder tão altos quanto o Goku, mas fornece sementes dos deuses (feijões senzu, na tradução do jogo) para auxiliar os companheiros.

Yamcha é um bom personagem de curto alcance.
Apesar de não ser um número pequeno de lutadores, não há como negar que vários personagens importantes ficaram de fora, como o Mestre Kame, que provou ainda estar em excelente forma em Dragon Ball Super. Como já se tornou rotineiro, mais personagens aparecerão depois via DLC, e, eventualmente, será lançada uma versão “completa” do jogo, com todos eles incluídos.

É importante destacar o quão acessíveis são os controles do jogo. Os desenvolvedores simplificaram ao máximo a forma como os golpes são desferidos e praticamente todos os especiais podem ser realizados com o movimento de quarto de lua para frente ou para trás. Os combos, geralmente pesadelo de qualquer novato em jogos de luta ou mesmo quem já não tem tanto tempo para se dedicar a dominá-los apropriadamente, contam com formas bem simplificadas. Basta apertar constantemente o botão de golpe fraco, médio ou forte para que uma sequência de golpes incrível seja desferida com facilidade, deixando o jogo acessível para todo tipo de jogador.

Um golpe potente desses é muito simples de realizar.
Além dessa facilidade, o jogo conta com tutoriais básicos que ensinam tudo que é necessário saber para se jogar adequadamente, inclusive combos um pouco mais complexos. Ainda assim, engana-se quem achar que a Arc System “nivelou por baixo” e criou um jogo para “noobs”. Toda essa facilidade, apesar de convidativa aos iniciantes, é apenas a superfície do que pode ser feito no jogo. Esses autocombos simples são também mais fracos que combos mais complexos e que exigem dedicação do jogador para aprendê-los adequadamente. Há muito que o jogo não ensina e que a comunidade já vem descobrindo rapidamente. Dificilmente um jogador que apenas utiliza autocombos será páreo para um mais dedicado. Basta encarar uma partida ranqueada para notar que a diferença é brutal.

Enredo original e personagem inédita

Uma das poucas decepções que Dragon Ball FighterZ trouxe foi o seu modo história. O enredo em si, apesar de não ser brilhante, não é ruim e ainda tem bons momentos de diversão para os fãs da série. Ele é original e não canônico, e conta com diálogos razoáveis, mas permeados por várias referências ao anime e encontros inusitados, já que muitos dos personagens não são contemporâneos, ou estão se reencontrando depois de muito tempo, e quase sempre há alguma rixa entre eles. O problema está na forma como a narrativa acontece. Há algumas curtas cenas com diálogos e, logo em seguida, passamos para um mapa no qual devemos escolher um caminho até o chefe. Como a maioria dos inimigos são clones sem personalidade, temos que enfrentar os mesmos lutadores repetidas vezes para avançar na história, o que logo se torna muito enfadonho e mais que triplica o tempo que deveria ser despendido nesse modo.

Clones sem personalidade para "encher linguiça".
Para piorar a situação, as batalhas são muito simplificadas, o que colabora ainda mais para que os jogadores percam o interesse rapidamente. Um modo mais difícil é desbloqueado depois de terminar os três arcos da história, mas depois de 15 horas disso, é pouco provável que alguém queira passar por tudo novamente e, provavelmente, muitos só terminarão a primeira vez para desbloquear a antagonista principal, que é uma personagem inédita cuja criação foi supervisionada pelo próprio Akira Toriyama.


Outro fato que pode incomodar aos fãs de Dragon Ball é que não temos vozes em nosso idioma, mas apenas legendas em português. Como muitos já estão acostumados à ótima dublagem feita no Brasil, certamente ficarão desanimados com o fato. O que é uma pena, já que Dragon Ball Super está sendo dublado pelo time original de dubladores e estavam mais que dispostos a emprestarem suas vozes aos personagens do jogo, como deixou claro o Wendel Bezerra, dublador do Goku.

Encarando outros jogadores

Assim que se inicia o jogo, somos levados a um hub estilo MMO em que encontramos os avatares de jogadores daquela sala, caso estejamos online. Há vários modos que podemos conferir usando o nosso próprio avatar para chegar até cada um deles. Além dos clássicos história, tutoriais e arcade (que não pode faltar num jogo de luta no seu lançamento), é possível lutar contra jogadores online em partidas casuais, que não valem nada além da vitória; ou ranqueadas, que contam pontos para melhorar no ranque. Ainda é possível marcar com um amigo para uma partida amistosa, ou mesmo um torneio para até 16 jogadores, mas isso deve ser feito fora do jogo, já que não há como simplesmente convidar um amigo que esteja jogando para ir direto para a ação.


As partidas online, desde a versão beta do jogo, têm sofrido com problemas nos servidores. Desde que o jogo foi lançado, algumas manutenções e atualizações foram feitas para melhorar essa situação, que diminuiu consideravelmente, mas ainda era comum ser desconectado da sala de jogo, mesmo durante partidas. Eventualmente, os servidores do jogo devem ficar estáveis o suficiente, já que o empenho para isso tem sido constante e produtivo.

Melhor jogo da franquia

Muito hype foi criado em torno de Dragon Ball FighterZ desde o seu anúncio, e o jogo conseguiu entregar uma experiência notável que deve agradar tanto aos jogadores mais dedicados quanto aos mais casuais. Há vários modos de jogo e ainda ocorrem alguns problemas nos servidores, mas as constantes manutenções já estão deixando a conexão mais estável e logo deve chegar ao ponto ideal. Os fãs da série também têm o que comemorar, pois o visual dinâmico do jogo consegue criar a sensação de estarmos controlando uma batalha do anime. Além disso, ainda que o modo história seja enfadonho, os diálogos são repletos de referências retiradas diretamente da obra de Akira Toriyama.

Prós

  • Visual que remete ao anime;
  • Comandos simples para os jogadores casuais;
  • Profundidade das lutas para jogadores dedicados;
  • Diversos modos de jogo.

Contras

  • Modo história enfadonho;
  • Problemas na conexão online.
Dragon Ball FighterZ — PS4/XBO/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para a análise: PS4
Revisão: Vitor Tibério
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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