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Análise: Wizard of Legend (Multi) traz ação ágil e feitiços estilosos

Explore calabouços repletos de perigos no controle de um mago poderoso capaz de desferir combinações devastadoras.


Para ser reconhecido como um mago lendário, um feiticeiro precisa vencer uma intensa competição. Essa é a premissa de Wizard of Legend, título independente de ação e dungeon crawling lançado para PCs e consoles. O foco das mecânicas é a velocidade: o herói é veloz e tem à disposição magias que podem ser utilizadas em sequências poderosas. O resultado é uma aventura frenética, variada e muito divertida.

Vestindo o manto de um poderoso feiticeiro

Wizard of Legend utiliza a já conhecida fórmula de outros dungeon crawlers e roguelikes. Em cada estágio, o objetivo é encontrar e derrotar um chefe para poder avançar para o próximo andar. Pelo caminho aparecem inimigos e armadilhas, como buracos, fogo ou áreas venenosas. Como é de praxe, vários elementos mudam entre as partidas: os mapas são gerados proceduralmente, a ordem das áreas temáticas muda constantemente e diferentes itens e habilidades aparecem pelo caminho.

A característica mais legal do jogo é seu sistema de combate. O protagonista é um mago extremamente ágil, capaz de atacar rapidamente os inimigos. Ele começa cada partida com um golpe de curto alcance, um feitiço de movimentação (ou seja, um dash) e duas outras magias quaisquer. As batalhas são muito rápidas e lembram bastante um hack ‘n slash: precisamos atacar e nos movimentar constantemente, pois os inimigos não ficam parados um só segundo.


Durante as partidas, encontramos outros feitiços que expandem o arsenal do herói. Há forte incentivo à experimentação e montagem de combinações de ataques devastadoras — usar as magias na ordem certa permite interromper as investidas inimigas. Artefatos especiais conferem habilidades passivas, como aumentar o dano de certos elementos ou diminuir o tempo de carregamento de alguns encantamentos. Já mantos alteram características do herói, como poder de ataque, defesa e velocidade. Wizard of Legend conta com mais de 100 feitiços e inúmeros itens, fazendo, assim, com que cada partida seja bem distinta uma da outra. E um dos desafios é desbloquear permanentemente tudo isso.

A variedade de opções me impressionou em Wizard of Legend, e em cada tentativa eu me surpreendo com algum feitiço novo. Em uma partida, meu mago deixava uma trilha de fogo ao escapar, lançava dragões flamejantes e finalizava os combos com uma sequência de ataques elétricos combinados com teletransporte. Já em outra jornada, usava um tornado para puxar os inimigos e em seguida conjurava uma poderosa explosão de fogo à curto alcance. Também já fui especialista em ataques à longa distância: atordoava os oponentes com grandes pedras, depois lançava flechas de gelo e finalizava com um grande relâmpago. As possibilidades de combinações são imensas, e até mesmo feitiços de conceito parecido têm uso bem distinto.

Uma competição intensa

Dominar as habilidades do feiticeiro é essencial em Wizard of Legend, pois a jornada não é nada fácil. O principal motivo disso vem do fato de que os inimigos atacam em grupo e são bastante agressivos, bastando um momento de desatenção para apanhar bastante. No final de cada andar, enfrentamos uma espécie de subchefe: um inimigo mais poderoso que só pode ser acertado em momentos específicos, exigindo, assim, atenção para atacar no momento certo. Itens de recuperação são bem raros, tornando imprescindível não ser acertado — para isso é necessária habilidade e agilidade.

Depois de dois estágios, enfrentamos o mestre daquela área em combate solo. Essas batalhas são bem intensas e são também meus momentos favoritos no jogo. Os mestres são bem poderosos e contam com ataques rápidos e devastadores, alguns deles cobrindo toda a área com perigos muito difíceis de escapar. Esses encontros exigem grande domínio das habilidades do herói e sair vitorioso é bem recompensador — e é justamente por isso que gosto tanto dessas batalhas.


Um detalhe interessantíssimo é a dificuldade progressiva. Conforme avançamos no torneio, os inimigos ganham novos ataques e ficam ainda mais agressivos — alguns deles mudam tanto que me pareceram oponentes completamente novos. Sendo assim, somos forçados constantemente a mudar de estratégia para sobreviver e conseguir avançar. Os chefes, em especial, ficam ainda mais difíceis, principalmente por causa da diminuição significativa de seus momentos de vulnerabilidade. A dificuldade é intensa, contudo, é balanceada e não parece injusta.

A aventura já é ótima sozinho e, por sorte, Wizard of Legend conta com multiplayer cooperativo local para dois jogadores. Uma dupla de magos é capaz de coordenar ataques, permitindo, assim, montar combinações ainda mais poderosas. A desvantagem é que a ação fica mais caótica, resultando em investidas inimigas mais difíceis de escapar, além de itens e feitiços que precisam ser divididos. Mesmo assim, não deixa de ser uma boa opção para aproveitar o jogo. Há, também, um modo competitivo em que dois feiticeiros se enfrentam em arenas, com novos feitiços aparecendo de tempos em tempos — enfrentar outro humano é bem intenso e divertido.

Beleza estilosa e detalhes que incomodam

Além de apresentar ótimas mecânicas de combate, Wizard of Legend me encantou com seu visual. O título utiliza gráficos em pixel art que remetem ao início da era 16-bits, ou seja, não são tão detalhados assim. Porém, o jogo em ação é bem agradável e tem charme próprio, principalmente por conta da diversidade visual dos feitiços. O resultado é algo bem estiloso de ver e de jogar.

Os aspectos de roguelike são bem inseridos, resultando em partidas mecanicamente distintas, já que os feitiços e itens encontrados costumam ser diferentes. Também há sensação de progressão com os vários desbloqueáveis, sendo um ótimo incentivo para tentar de novo após a derrota. É bastante recompensador encontrar novos feitiços legais para montar combos.


Entretanto, dois detalhes me incomodaram bastante. O primeiro deles é a geração procedural dos estágios. É um recurso que ajuda a trazer variedade a títulos roguelike, porém, em Wizard of Legend ele não foi tão bem implementado, resultando em estágios com trechos sem saída que só atrapalham a experiência. É frustrante avançar por trechos repletos de buracos e inimigos para acabar em um corredor que não leva a lugar algum. Também achei que os biomas do jogo (forja de fogo, floresta e templo de gelo) são muito parecidos entre si, o que pode trazer sensação de repetição.

A outra reclamação é sobre as informações dos itens durante as partidas: o desenho do objeto e seu nome são as únicas dicas disponibilizadas. Por conta disso, muitas vezes eu gastei muito dinheiro em um item que não me servia de nada, pois eu não sabia exatamente os seus efeitos. Eu entendo que alguns outros roguelikes fazem exatamente a mesma coisa (como The Binding of Isaac) e parece ser uma decisão de design, porém, não deixa de ser desagradável — o jeito é jogar com um guia por perto.


Feitiçaria frenética e divertida

O excelente combate é o maior destaque de Wizard of Legend. Gostei bastante de controlar um mago capaz de fazer sequências impressionantes com inúmeros feitiços em uma ação bem estilosa. Muitas opções de magias e desafio crescentes fazem com que as partidas sejam intensas e variadas, com direito a opções para dois jogadores. Os mapas gerados proceduralmente carecem de desenhos interessantes, o que traz leve sensação de repetição, por sorte é um detalhe que incomoda pouco. Wizard of Legend é uma experiência roguelike divertida e viciante, recomendo bastante para aqueles que procuram um bom título de ação.

Prós

  • Mecânicas de jogo ágeis e que incentivam a experimentação;
  • Grande quantidade de feitiços traz variedade às partidas;
  • Dificuldade crescente estimula a mudança de estratégias;
  • Ótimo visual em pixel art;
  • Presença de modos multiplayer competitivos e cooperativos.

Contras

  • Mapas gerados proceduralmente apresentam pontos problemáticos;
  • Biomas muito parecidos entre si;
  • Falta de explicação de itens pode atrapalhar o andamento das partidas.
Wizard of Legend — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital cedida pela Contingent99
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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